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Metodologia: relato de experiência

Objetivo: relatar um fazer pedagógico da Educação Física articulado com o ensino do esporte, sob uma perspectiva

crítica de ensino

ELEMENTOS SUPERADORES

Crítica Marxista da Educação: A totalidade histórica e social é evidenciada no excerto que transcorre sobre o

futebol como um fenômeno cultural, que, vem ao longo dos anos influenciando e sendo influenciado pelos fatos sociais, políticos e econômicos que o mesmo está inserido (p.02); Seguimos a mesma lógica, quando constatamos a menção ao processo de transformação mediado pelo trabalho, isto é, o trabalho como elemento central que diferencia o homem dos outros animais (Idem). A relação presente entre os valores educativos e as condições

materiais subjacentes é notada no tocante à formação de sua humanidade, através de relações pedagógicas

historicamente determinadas entre os homens (p.03); A mesma relação é notada sobre os sentidos e significados do esporte de rendimento que têm assumido o ambiente escolar [...], o ensino do esporte nas aulas de Educação Física está articulado om os sentidos e os significados[...] da instituição esportiva (p.05). A localização de tendências

existentes é verificada no que discorre Saviani (1997) sobre a identificação de formas mais desenvolvidas do saber

objetivo [..], reconhecendo as condições de sua produção e compreendendo as suas principais manifestações bem como tendências atuais de transformação (p.04); Igualmente percebida na discussão sobre as aulas de Educação Física baseadas no modelo tradicional onde o professor é o elemento central do processo de ensino aprendizagem [...[, a repetição irrefletida e descontextualizada torna-se aspectos centrais para tal proposta (p.06). O papel da

educação no processo social da produção global, figura na assertiva que denota os determinantes sociais da

educação, a compreensão das contradições da sociedade moderna que refletem na educação e a forma como é preciso se posicionar diante dessas contradições (Idem). Fato análogo no tocante ao ensino do esporte na escola

para reproduzir e reforçar a ideologia capitalista (competição, individualismo, burocratização). [...] O esporte faz da educação física partícipe, na sua especificidade, do modelo assentado na produtividade, na eficiência, eficácia (p.05-06). Apoiado em Freitas (1995) discorre que a finalidade da organização do trabalho pedagógico deve ser a produção do conhecimento por meio do trabalho com valor social (p.07); E, finalmente, na ideia conclusiva sobre como o ensino do esporte deve possibilitar o seu entendimento como uma prática social construída historicamente, que pode ser criticamente assistidas e alterada, criativamente ensinada, exercitada e inclusive exercida na sua dimensão profissional (p.08).

PHC: Uma aproximação com a noção de clássicos é percebida na menção à prática pedagógica que propões

discussões sobre as formas de atividades expressivas corporais como: jogo, esporte, dança, ginástica (p.02). O

método da práxis social figura com o momento da instrumentalização no excerto acerca dos professores de

Educação Física utilizarem as riquezas destas discussões e análises de diversas conjunturas que emergem diante do tema, para instrumentalizar os educandos, ao mediar o conhecimento sobre o assunto (Idem). Também evidenciado na problematização empreendida sobre o esporte questionando: Na escola é necessário jogar com as regras dos esportes já estabelecidas? Podemos modificá-las? Existe esporte de rico? E Esporte de Pobre? [...] (p.09); Nota-se aproximação com uma noção de projeto histórico na passagem que denota intenção em formar indivíduos reflexivos, críticos a partir de uma práxis pedagógica formadora e como consequência transformadora (Idem). Assim como no excerto que revela a intenção na transformação da sociedade e não a sua manutenção, a sua perpetuação (p.04).

ACS: Averiguamos a contraposição de saberes na fala que denota que o papel da escola consiste na socialização

do saber sistematizado, [...] não se trata de qualquer tipo de saber, diz respeito ao conhecimento elaborado/metódico e não ao conhecimento espontâneo, a cultura erudita (p.03). A adequação às possibilidades

sociocognoscitivas é percebida no que se diz sobre a conversão do saber objetivo em saber escolar de modo a

torna-lo assimilável pelos alunos no espaço e tempo escolares (p.04). Do mesmo modo, contata-se a aproximação entre a relevância social dos conteúdos e o excerto acerca dos meios necessários para que os alunos assimilem o saber objetivo enquanto resultado, mas apreendam o processo de sua produção bem como as tendências de sua transformação (Idem); Também corrobora com o mesmo sentido o excerto relacionado a ser impossível o esporte que acontece fora da escola ficar alheio a ela [...] o mesmo é um dos conteúdos da Educação Física, e um elemento da cultura que precisa ser socializado (Idem); Responsabilidade dos professores de Educação Física tratá-lo na escola, pedagogicamente, sem negá-lo, tratando criticamente as relações produzidas quando se joga, assiste, ou ler sobre o esporte (p.12); A provisoriedade do conhecimento é constatada na assertiva que denota a importância de entender que o conhecimento é provisório, ou seja, ele é produzido historicamente pelo homem (p.12)

ELEMENTOS CONTRADITÓRIOS: Não foram constatados.

CONCLUSÕES: O trato pedagógico com o esporte nas aulas de Educação Física necessita estar embasado por

uma teoria que dê conta de responder as contradições existentes na realidade (p.12); [...] entendemos que a Abordagem Crítico-Superadora, dá conta de responder e intervir na realidade a favor da população, a favor da classe popular [...] a abordagem Crítico-Emancipatória, também traz elementos fundamentais no trato pedagógico com o esporte [...] superação na organização do trabalho pedagógico no ensino do esporte com a exclusividade, primazia e hierarquia [...] consideramos que existe a necessidade de ampliar a discussão sobre temas relacionados com os jogos esportivos e o treinamento desportivo na escola (Idem).

O texto propõe o trato com o conteúdo da Cultura Corporal Esporte com a modalidade Futebol a partir das óticas da PHC e da ACS. Para essa tarefa se propõe a realizar a crítica aos condicionantes sociais da Educação e Educação Física na figura do conteúdo Esporte pela ótica da crítica Marxista da Educação (ENGUITA, 1993). Percebe-se isso ao valer-se da totalidade histórica para explicar como um fenômeno cultural com o Futebol sofre influências das dimensões histórica, social, política e econômica e, nesse sentido, relaciona-se

a categoria central da vida humana, o trabalho. Assim, pela relação entre os valores educativos e as condições materiais subjacentes conclui-se que as relações pedagógicas existentes são historicamente determinadas pelo modo de organização social vigente e, nesse processo os sentidos e significados atribuídos ao esporte que se insere no seio da escola advêm desses condicionantes históricos. Estas influências vão incidir sobre tendências já existentes para o trato pedagógico do esporte, principalmente pela teoria tradicional, regida pela lógica formal. Da crítica a essa prática fragmentada emerge a possibilidade de atuar nas contradições deste modelo unilateral de ensino do esporte na escola por outra via, a lógica dialética. O ensino da Educação Física através dos valores e códigos do esporte de rendimento se relaciona ao papel educativo no processo social da produção global capitalista. Distanciar-se desta lógica só é possível pela reorganização do trabalho pedagógico com o esporte atribuindo-lhe o sentido da produção do conhecimento por meio do trabalho com valor social.

Ancorados na prerrogativa de formas mais adequadas de ensino (SAVIANI, 2008) adota-se a PHC a partir da sua compreensão sobre sociedade e educação, o que aproxima esta elaboração ao projeto histórico de sociedade defendido por essa teoria pedagógica. Para além desta constatação, vê-se que o método da prática social (SAVIANI, 2003), e a noção de clássicos contribuíram para a prática pedagógica realizada nas intervenções permitindo- lhes problematizar sobre o esporte com os estudantes para instrumentalizá-los articulados às várias dimensões da prática esportiva. Vale lembrar que o trato com o conteúdo esporte seguiu os critérios de seleção dos conteúdos curriculares alicerçados na ACS bem como da noção de ciclos de aprendizagem como referência ao tempo pedagógico necessário a assimilação do conhecimento (COLETIVO DE AUTORES, 1992). (COLETIVO DE AUTORES, 1992). Valer-se das premissas curriculares da PHC e ACS, permitiu aos autores do texto em questão ampliar as suas referências e as dos estudantes com a temática escolhida pois, fora abordado o futebol para além de sua dimensão puramente esportiva, desvelou-o a partir de seus nexos e ligações com as transformações sociais.

A análise deste texto confirma a inter-relação entre a crítica Marxista da Educação, as contribuições da PHC para a didática e os princípios e reflexões curriculares da ACS para a atuação na Educação Física. Certamente, esta é a parcela de contribuição a elevação do grau de desenvolvimento da PHC e ACS. Em suas reflexões finais podemos confirmar nossa afirmação, pois, nos dá pistas evidentes sobre a necessidade emergente de que o trabalho pedagógico na Educação Física e no Esporte esteja embasado em uma consistente base teórica, capaz de responder às contradições do real concreto. Do mesmo modo, compreende a ACS como capaz de atender às carências emergenciais das camadas populares no trato com o esporte. Considera-se os princípios curriculares desta como fundamentais no trato com o conhecimento do esporte para superar os valores da exclusividade, primazia e hierarquia presente no ensino do esporte pela lógica do rendimento. Por fim, denuncia a necessidade de se desenvolver mais estudos relacionados a jogos esportivos e treinamento desportivo na escola almejando elevar a compreensão destas categorias como elemento de formação humana.

QUADRO 12. GRAU DE DESENVOLVIMENTO DA PHC E NA ACS NOS ANAIS DO CONBRACE (2009-20013) -

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