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2. REVISÃO DE LITERATURA

2.4. Fatores a serem considerados no processo de resfriamento e/ou

2.4.4. Diluidores de sêmen de suíno

2.4.4.2. Controle da qualidade microbiológica do sêmen

Na maioria das vezes, o tecido testicular e as glândulas sexuais acessórias do varrão são livres de bactérias, de forma que a contaminação bacteriana do ejaculado ocorre durante a coleta de sêmen (Martin- Rillo et al., 1998). As fontes de contaminação podem ser grosseiramente divididas em contaminação de origem animal e não animal. Normalmente, estas contaminações tem origem única (varrão, pessoa) em determinada granja/central. Tais fontes únicas fornecem as mesmas ou diferentes cepas bacterianas, em momentos diferentes. Do mesmo modo, diferentes fontes de contaminação podem ser encontradas (Althouse e Lu, 2005; Althouse, 2008). As fontes de contaminação bacterianas mais comuns do sêmen suíno estão descritas na tabela 4. Para minimizar a contaminação bacteriana é importante a realização de boas práticas de higiene pessoal e sanidade geral pelos funcionários da central de coleta de sêmen (Althouse, 2008).

Pessoas que tem contato com qualquer material que será usado na coleta e processamento do sêmen, ou que estão envolvidas na coleta precisam estar cientes que podem ser uma fonte de contaminação ou que podem agir como fômite na transferência de contaminação. Nestas situações, a lavagem cuidadosa das mãos

82 e/ou uso de luvas de proteção deve ser

enfatizada. Estas pessoas devem evitar qualquer contato de suas mãos desprotegidas com materiais que irão entrar em contato com o sêmen ou com o diluidor. Da mesma forma, pessoas com infecções respiratórias devem evitar a contaminação de materiais do laboratório, do sêmen e/ou dos diluidores através de tosse e espirros,

sendo fundamental, desta forma, o uso de máscaras. Toucas e redes de cabelo devem ser usadas pelas pessoas que realizam a coleta ou que se encontram envolvidas com o processamento do sêmen no laboratório. Uniformes limpos, botas limpas e de uso exclusivo na central devem sempre estar disponíveis (Althouse, 2008).

Tabela 4: Fontes de contaminação bacteriana do sêmen suíno diluído

De origem animal De origem não animal

Fezes Água

Fluidos do divertículo prepucial Água purificada (destilador, tanques de armazenamento) Pele e pêlos Instalações (cama das baias, ração)

Secreções respiratórias Sistemas de ventilação/ar Humanos (pele, cabelos, pêlos, etc) Valas/drenos Fonte: Adaptado de Althouse e Lu (2005)

Nas baias dos machos, a remoção regular dos resíduos orgânicos, seguida por limpeza com desinfetantes de amplo espectro é importante. Além disso, a região ventral do abdômen do varrão deve ser limpa e seca sempre antes da coleta, devendo ser aparados os pêlos situados ao redor do prepúcio, visando-se a prevenção do acúmulo de material orgânico neste local e, consequentemente, de sua introdução no ejaculado no momento da coleta. O varrão acumula grande volume de fluido no divertículo prepucial, sendo este fluido rico em bactérias (Aamdal et al., 1958).

Na tabela 5 estão sumarizadas as práticas de mínima contaminação a serem utilizadas nas centrais de inseminação. Desta forma, no momento em que o macho entra na baia de higienização, este fluido deve ser evacuado manualmente. Em seguida, toda a região do divertículo e ao seu redor deve ser limpa e seca com papel toalha. Durante este procedimento, uma luva deve ser usada visando proteger a mão do coletador. No momento da coleta, o pênis deve ser posicionado de forma a minimizar a contaminação gravitacional do ejaculado.

Além disso, a fração pré-espermática deve ser descartada (Althouse e Lu, 2005; Althouse, 2008; Althouse et al.,

2010).Frequentemente, a fonte de contaminação do sêmen é a água usada no preparo do diluidor. Desta forma, uma maneira importante de se controlar a contaminação bacteriana no sêmen é monitorar de forma regular a fonte de água do laboratório (Althouse et al., 2000; Althouse, 2008).

Se as medidas preventivas falham em controlar adequadamente os riscos de contaminação do sêmen, haverá redução da qualidade seminal, com consequências indesejáveis na longevidade seminal e na fertilidade. Vale salientar, neste momento, que mesmo que se tomem todas estas medidas visando-se a redução da carga bacteriana, é utopia esperar que o sêmen diluído esteja totalmente livre de qualquer contaminação. Por isso, o uso de antibióticos nos diluidores é essencial para o controle microbiológico seminal, principalmente, nas centrais de inseminação onde tecnologias reprodutivas são usadas rotineiramente (Althouse, 2008).

83 Tabela 5: Práticas recomendadas para minimizar a contaminação bacteriana do ejaculado

Preparação do varrão/ momento da coleta:

1. Pêlos prepuciais devem ser mantidos sempre aparados;

2. Duas luvas devem ser usadas, sendo a luva externa descartada após higienização do varrão, permitindo que uma luva limpa seja usada para a coleta do sêmen;

3. Luvas de vinil descartáveis ou desinfetantes para a mão devem ser usadas durante as co-

letas para minimizar a contaminação do sêmen e reduzir o risco de contaminação cruzada entre varrões; 4. Limpeza da abertura prepucial e das áreas próximas com papel toalha;

5. Evacuar manualmente os fluidos do divertículo prepucial antes da exposição do pênis do macho; 6. Segurar o pênis de forma perpendicular ao macho para minimizar contaminação com fluido prepucial devido a gravidade;

7. Descartar a fração pré-espermática e as frações com gel;

8. Descartar o filtro usado durante a coleta antes de passar o sêmen coletado para o interior do laboratório.

Processamento do sêmen/sanitização do laboratório e das baias

1. Estimule o uso de materias descartáveis para minimizar contaminação cruzada;

2. Quando do uso de materiais não descartáveis, e que não podem ser esterilizados pelo ca-

lor, lavar com detergente para laboratório (livre de resíduos), enxaguar com água destilada e com álcool 70%, secar bem e enxaguar com diluidor primeiro antes do primeiro uso do dia seguinte;

3. Desinfete os equipamentos do laboratório ao final do dia com detergente e enxague,

4. O chão do laboratório deve ser desinfetado ao final do dia (produtos fenólicos, formalina, etc); 5. Coloque a quantidade dos produtos a serem usados imediatamente após abrir

em recipiente de tamanho adequado;

6. Luz ultra violeta pode ser instalada para colaborar na sanitização de materiais reutilizados e do laboratório;

7. As baias dos machos devem ser incluidas em uma rotina de limpeza que impeça o acúmulo de material orgânico;

8. A área de coleta de sêmen e o manequim devem ser limpos diariamente e desinfetados ao final do dia de coleta.

Fonte: Adaptado de Althouse e Lu, 2005

2.4.5. Efeito da taxa de diluição, volume da