• Nenhum resultado encontrado

3.5. Fenomenologia da Incidência em Pontes de Miranda e em Paulo de Barros

4.2.1. Critérios

4.2.1.3. Tese (Consequente)

4.2.1.3.2. Critério Quantitativo

Como será ressaltado, toda multa é sancionatória, quase sempre configuram penalidades pecuniárias.

Paulo de Barros Carvalho salienta: “quase sempre são fixadas em níveis percentuais sobre o valor da dívida tributária, o montante do tributo seria a base de cálculo e a percentagem corresponderia à alíquota, mas também podem aparecer como valor fixo, ou ainda dentro de limites, cabendo à autoridade administrativa competente dosá-las segundo as circunstancias de cada caso.”

145

4.2.1.3.2.1. Base de Cálculo

Também chamada de base imponível, matéria tributável, pressuposto valorativo do tributo, entre outros nomes, no caso das obrigações tributárias a base de cálculo é o aspecto do critério quantitativo, é um valor patrimonial expressível em dinheiro.

A Constituição Federal de 1988 elegeu a hipótese de incidência e a base de cálculo como o binômio diferenciador de tributos, ou seja, havendo desencontro entre o mencionado hipótese de incidência e a base de cálculo, esta deve prevalecer.

A base de cálculo é parte integrante do critério quantitativo, considerada como o seu núcleo. Possibilita aos sujeitos integrantes da relação jurídica precisar com segurança a exata quantia devida a título de tributo. Paulo de Barros define base de cálculo:

“o conjunto de notas instituídas no consequente da regra matriz de incidência, e que se destina, primordialmente, a dimensionar a intensidade do comportamento inserto no núcleo do fato jurídico produzido pela norma tributária individual e concreta.” 207

Lucas Galvão de Britto bem exprime: “No direito brasileiro a Constituição atribui à base de cálculo importantíssimo papel, ligando-se ao critério material para formar o chamado binômio constitucional tributário que serve de parâmetro à identificação de um tributo. Com isso, a base de cálculo serve a três propósitos, todos relacionados à conduta descrita no termo antecedente da norma jurídica tributária, é

146 útil para: (i) confirmá-lo ou infirmá-lo; (ii) mensurá-lo; (iii) objetivá-lo em termos econômicos.” 208

Ademais, as notas prescritivas do consequente normativo devem guardar relação com o fato descrito na hipótese. Por outro lado, a relação jurídica também deve estipular conduta no campo do possível, caso contrário configuraria um sem-sentido deôntico obrigar, proibir ou permitir.

A linguagem do direito é sobrelinguagem em relação aos fatos sociais, deles seleciona propriedades por meio de recortes, jamais representando-os em sua inteireza constitutiva, as prescrições do Direito não descrevem a realidade, elas não estão submetidas aos valores da verdade, suas proposições valem ou não valem.

A base de cálculo desempenha um relevante papel na compreensão das espécies tributárias, sendo três suas principais funções:

a) Medir as proporções reais do fato: os fatos precisam ser mensuráveis, dessa forma a base de cálculo possibilita que se verifique a grandeza efetiva do acontecimento. Ao legislador fornece meios para fixação de índice avaliativo como: valor venal, o peso, altura e etc. Apresenta, pois, função mensuradora. b) Compor a específica determinação da dívida – essa função da base de cálculo

juntamente com a exposta anteriormente possibilita a determinação do quatum da prestação. Inicialmente estabelece-se a escolha de uma perspectiva dimensível para a estipulação da importância correspondente ao tributo. Posteriormente deve-se apontar qual fator deverá unir-se a essa perspectiva para a determinação do quantum da prestação que poderá ser exigido pelo sujeito ativo. É a função objetiva da base de cálculo.

c) Confirmar, infirmar ou afirmar o verdadeiro critério material da descrição contida no antecedente da norma – esta é a função comparativa, a nossa

208 BRITTO, Lucas Galvão. Notas sobre a Regra-Matriz de Incidência Tributária. In VIII Congresso

Nacional de Estudos Tributários. Vários autores, coord. Priscila de Souza. São Paulo: Noeses, 2011. p. 759-760

147 experiência no âmbito tributário aponta que por vezes o legislador ao criar um determinado tributo não observa valiosos preceitos constitucionais e infra legais na composição da exação tributária. Nesse sentido, a base de cálculo desempenha importante papel na verificação da constitucionalidade dos tributos. Pela sua análise será possível confirmar, informar ou afirmar o verdadeiro critério material da hipótese tributária.

Explicitando o assunto Paulo de Barros Carvalho faz a seguinte menção: “Eis a base de cálculo, na sua função comparativa, confirmando quando verificar perfeita sintonia entre o padrão de medida e o núcleo do fato dimensionado, infirmando, quando for manifesta a incompatibilidade entre a grandeza eleita e o acontecimento que o legislador declara como a medula da previsão fáctica. Por fim, afirmando, na eventualidade de ser obscura a formulação legal, prevalecendo, então, como critério material da hipótese, a ação-tipo que está sendo avaliada.” 209

A relação da base de cálculo com a capacidade contributiva objetiva reside na razão desta referir-se a fatos presuntivos que denotem sinais de riqueza, devendo ser levada em consideração pelo legislador. Como afirma o autor supracitado, no Brasil, o sistema do direito positivo exibe em todas as figuras tributárias conhecidas, a observância do princípio da capacidade contributiva absoluta, uma vez que os fatos escolhidos denotam signos de riqueza. Com decorrência, em todos eles há uma base de cálculo e, com isso, campo para diretriz da igualdade. 210

Já a relação da base cálculo com o fato jurídico tributário pode ser verificada na função mensuradora ao medir as proporções reais do fato. Por fim, a função comparativa da base cálculo é proporcionada pela sua relação com a definição das espécie tributárias ao passo que posta em comparação com o critério material da

209 Carvalho. Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. Ed. 21º. Saraiva. Pág. 366.

210 Trecho retirado da obra Carvalho. Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. Ed. 21º. Saraiva. Pág. 372.

148 hipótese, é capaz de confirmá-lo, informá-lo ou afirmar sua correspondência com os ditames constitucionais.

4.2.1.3.2.2. Alíquota

A alíquota junta-se à base de cálculo para formar o montante do critério quantitativo, ela é um componente aritmético que compõe o calculo da quantia a ser paga. Quando a base de cálculo não for um valor em pecúnia a alíquota será.

Paulo de Barros Carvalho destaca que: “por manter elo tão intimo com a base de cálculo, sua presença no contexto normativo é obrigatória, visto que a grandeza do critério da hipótese é exigência constitucional inarredável, consoante se vê dos arts. 145 parágrafo 2°, e 154, I, da Constituição da República de 1988. As alíquotas podem assumir duas feições: a) um valor monetário fixo, ou variável em função de escalas progressivas da base de cálculo (p. ex.: $ 1,20 por metro linear, até 100 metros; $ 2,40 por metro linear, de 100 a 300 metros, e assim por diante); ou b) uma fração, percentual ou não, da base de cálculo (que neste caso será representada por quantia monetária).”211

Pela variação de alíquotas o legislador consegue efetuar políticas econômicas, implementar o fomento da economia com alíquota zero, verdadeira isenção. Consegue manejar de modo rápido o aparato estatal na busca do desenvolvimento econômico.

Pela proporcionalidade e progressão de alíquotas implementa-se o princípio da igualdade tributária, pela via contrária o seu uso exacerbado pode ganhar ares confiscatórios. Eis, então a regra-matriz de incidência tributária com todas as suas variáveis.

149

CAPÍTULO V

Espécies de Sanções Tributárias

5. Espécies de sanções tributárias:

Como é sabido, o estabelecimento de penalidade não substitui o valor do tributo devido, o art. 157 do CTN dipõe: A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário. Assim, deve o contribuinte arcar com o tributo e a multa que por conveniência são cobrados conjuntamente.

Abordaremos a seguir as variadas espécies de sanções tributárias que permeiam a formação do crédito tributário e as não tributárias.