7 ANÁLISE DOS RESULTADOS DOS ESTUDOS DE CASO
1.6 ESTRUTURA DO TRABALHO
2.1.2 Deficit habitacional
No Brasil, a FJP é responsável pela medição dos índices habitacionais. Por sua definição, “o deficit habitacional é compreendido pela falta de moradias para toda a população, devido, principalmente, à precariedade das construções ou ao desgaste da estrutura física.” Neste deficit são contabilizadas as moradias sem as mínimas condições de habitabilidade, além da coabitação (IPAT, 2008, p. 13).
Pelo conceito de necessidades habitacionais definido pela Fundação João Pinheiro, há casos em que serão necessárias novas
construções e outros aceitam algumas melhorias. Desta forma, aponta-se para dois conceitos:
•O Deficit Habitacional está relacionado à necessidade de reposição total de unidades precárias e ao atendimento à demanda superior à oferta do mercado;
•A Inadequação dos Domicílios diz respeito a necessidade de melhorias nas condições da habitação, normalmente pela carência de infraestrutura, adensamento, depreciação ou a inexistência de unidade sanitária interna (LARCHER, 2005).
Outro fator importante que incrementa o deficit habitacional é o chamado ônus excessivo com aluguel. Nesta situação, enquadram-se as famílias que comprometem mais de 30% de sua renda com o aluguel da moradia. Além deste, o adensamento excessivo em domicílios alugados é outro fator contabilizado no deficit habitacional. Nestes, são considerados os domicílios alugados com mais de três pessoas por dormitório (FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO, 2014).
2.1.2.1 Deficit habitacional brasileiro
A população brasileira cresceu significativamente nas últimas décadas e, com ela, o deficit habitacional. No entanto, embora o deficit em números absolutos tenha crescido de 1970 a 2001, em números relativos, considerando valores percentuais de moradias para cada uma das décadas, esse valor vem caindo gradativamente, demonstrando um esforço para o equacionamento do deficit habitacional brasileiro.
Segundo a Fundação João Pinheiro (2014), o deficit habitacional no Brasil, em 2012, era de 5.792.508 moradias em números absolutos e, 9,1% em números relativos. Assim, se mantém a projeção decrescente do deficit relativo e se interrompe a linha crescente do deficit absoluto, conforme o Gráfico 03. Isto também reflete o forte investimento governamental no setor habitacional.
Considerando a sua distribuição geográfica, o deficit habitacional brasileiro também apresenta grandes variações regionais, conforme ilustrado na Figura 02. Com relação ao deficit absoluto, se destaca a região sudeste, em especial os estados de São Paulo e Minas Gerais. Em termos relativos, a situação é mais grave nas regiões Norte e Nordeste, com destaque aos estados do Amazonas e Maranhão. O estado de Santa Catarina apresenta o menor deficit absoluto da região Sul e, igualmente, baixos valores relativos.
Gráfico 03: Evolução do deficit habitacional no Brasil de 1970 a 2001.
Fonte: IBGE, (apud LARCHER, 2005) e FJP, 2014, elaborado pelo autor. Figura 02: Deficit habitacional de 2012 por estados brasileiros.
Fonte: FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO, 2014, editado pelo autor. Com relação às faixas de renda, as camadas mais pobres da população, com até três salários mínimos, são as que mais sofrem com a falta de moradia (LARCHER, 2005).
2.1.2.2 Deficit habitacional em Criciúma
Segundo dados do IBGE (2015), o município de Criciúma teve um crescimento populacional de 7,59% nos últimos cinco anos, chegando em 2015 com uma população estimada em 206.918 habitantes. Paralelo ao crescimento populacional, o número de domicílios próprios vem diminuindo, passando de 83,65% em 2000, para 70,89% em 2010, considerando os imóveis próprios e financiados registrados no Gráfico 04. Evidentemente, com a redução dos domicílios próprios, houve o
aumento do número de imóveis alugados e cedidos, os quais passaram de um total de 16,1% em 2000, para 25,16% em 2010.
Visto que estes são fatores considerados na quantificação do deficit habitacional, seguindo o conceito definido pela FJP, Criciúma vem apresentando um deficit habitacional crescente, conforme já destacado no item 1.2. Segundo o Departamento de Habitação Municipal (2015), o deficit habitacional quantitativo de Criciúma, considerando somente a população com renda de até três salários mínimos, é de 7.088 unidades.
Gráfico 04: Situação dos domicílios criciumenses com relação à propriedade.
Fonte: SSSH, 2010, elaborado pelo autor.
Gráfico 05: Composição do deficit habitacional quantitativo de Criciúma (2010)
Fonte: SSSH, 2010, elaborado pelo autor.
Gráfico 06: Composição do deficit habitacional qualitativo de Criciúma (2010).
Dentre os fatores considerados, o maior impacto sobre o deficit quantitativo ocorre pelo número de imóveis cedidos, seguido da coabitação familiar, conforme indicado no Gráfico 05. Por outro lado, com relação ao deficit qualitativo, indicado no Gráfico 06, o maior impacto ocorre pela ausência de esgotamento sanitário, sendo que 50% dos domicílios não possuem nenhum tipo de tratamento de esgoto, seja por fossa e filtro ou sumidouro ou rede pública de coleta e tratamento.
A distribuição geográfica do deficit habitacional quantitativo ocorre de forma heterogênea em seu território, com destaque para as regiões 07 e 10 que, apesar dos elevados valores absolutos e relativos, são atendidas por vários empreendimentos do PMCMV (ver Figura 03).
Figura 03: Deficit habitacional criciumense (2010), por regiões administrativas.
2.1.2.3 O PMCMV e o deficit habitacional criciumense
Compete ao Departamento de Habitação Municipal, vinculado à Secretaria de Assistência Social, o cadastramento e seleção de famílias em vulnerabilidade social a serem atendidas pelo PMCMV. Por meio deste Cadastro Único, a Secretaria faz a seleção das famílias que receberão apartamentos da Faixa I do PMCMV. Tal seleção leva em consideração: famílias de baixa renda residentes em áreas de risco; mulheres como chefes da família; idosos; portadores de necessidades especiais; moradores do município há cinco anos (DHM, 2015).
Sob estas condições, segundo informações coletadas no Departamento de Habitação no dia 24/04/2015, Criciúma apresenta 7.088 famílias cadastradas, aguardando por uma moradia. Atualmente o PMCMV é o principal programa habitacional do município, por meio do qual já foram entregues 800 unidades habitacionais, somente pela Faixa I (Residencial Carmel, Res. San Diego e Res. Turin). Além destes, está em construção o Residencial Jardim União, o qual irá contemplar mais 240 famílias. Estas e outras informações sobre todos os edifícios enquadrados no PMCMV em Criciúma podem ser observadas no Apêndice A.
Segundo dados da SRC em Criciúma, o município apresenta 4.621 unidades habitacionais, entregues ou em construção, em ambas as Faixas do PMCMV, totalizando 306.790,33m² de área edificada, conforme resumido na Tabela 01. Há ainda, o predomínio de empreendimentos da Faixa II, normalmente configurando condomínio com vários blocos, geralmente de quatro pavimentos e de quatro apartamentos por andar. Prevalecem as unidades com dois dormitórios e construídas em alvenaria estrutural de blocos cerâmicos, presente em 62,41% da área total construída.
Tabela 01: Dados do PMCMV em Criciúma por sistema construtivo. Sistema construtivo Nº empreendimentos % m² % Nº UHs % Cerâmico * 16 59,26 191.455,51 62,41 3.154 68,25 Convencional** 7 25,93 82.352,83 26,84 995 21,53 Concreto*** 7 14,81 32.981,99 10,75 472 10,22 TOTAL 27 100 306.790,33 100 4.621 100
* Alvenaria estrutural de bloco cerâmico;
** Estrutura de concreto armado e vedação em bloco cerâmico; *** Alvenaria estrutural de bloco de concreto;
Fonte: autor, 2016.
Figura 04: Localização dos empreendimentos do PMCMV em Criciúma.
Levando-se em consideração os edifícios enquadrados na Faixa I, com famílias indicadas por meio do Cadastro Único, o PMCMV foi responsável pelo atendimento de 13,18% do deficit habitacional municipal (deficit de 7.888 unidades em 2009, para 1.040 unidades entregues até 2015). No entanto, isto não representa, necessariamente, uma redução do deficit absoluto, visto que a demanda é crescente.
A cidade de Criciúma possui quatro importantes centralidades (Centro, Próspera, Pinheirinho e Rio Maina), conforme destacado na Figura 04. Localizando os empreendimentos do PMCMV enumerados no Apêndice A, observa-se que todos encontram-se na área urbana do município, com exceção apenas do Residencial San Diego (nº 04), o qual não aparece na Figura 04 por se localizar no Bairro Quarta Linha, a aproximadamente 11,5 km do centro da cidade.
No entanto, a maioria destes empreendimentos, embora em uma área de conurbação urbana, encontram-se na periferia da cidade, geralmente em loteamentos novos, resultantes da sua expansão horizontal. Percebe-se uma concentração destes empreendimentos nos Bairros: Vila Rica /Argentina, a Nordeste do centro da cidade; Ana Maria, a Sudeste e Santa Luzia, a Sudoeste, pertencentes, respectivamente, às regiões administrativas 06, 07 e 10, indicadas no mapa da Figura 03.
No Gráfico 07, percebe-se a contribuição do PMCMV para a construção residencial da cidade, representando, em média, 22,3% da produção residencial do município.
Gráfico 07: Comparativo entre as licenças para construção residenciais e o PMCMV – 2009 / 2014.
Obs.: Para os valores totais foram desconsiderados os usos mistos.