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Deus como ser limitante à consciência sapiencial

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1. A GÊNESE DA CONSCIÊNCIA EXISTENCIALISTA A PARTIR

2.8 Deus na perspectiva da consciência sapiencial coeletiana

2.8.7 Deus como ser limitante à consciência sapiencial

O homem se torna dependente de Deus conforme vai construindo a ideia deum ser limitador, um ser em positivdade. Para Coélet Deus, é quem limita o ho- mem.

Segundo Jong (1997, p.158-61), esta situação acontece no momento em que Deus é exposto como criador de todas as coisas incompreensíveis ao homem (Ecl

7,29); quando o processo cíclico da vidae a permanência da sua criação depende da vontade de Deus (Ecl 1,4-8). Neste aspecto, mesmo que o homem trabalhe e utilize- se da sabedoria não conhecerá a obra de Deus(Ecl 8,17), só restando-lhe o ato de lançar-se sapiencialmente no processo da existência.

O homem em reverência ao que é criado deve cuidar de si, por exemplo, ao se dirigir à casa do Pai (Ecl 4,17). Ao orientar-se desta forma, o homem, segundo Coélet se posiciona tomando uma postura sapiencial a partir da ideia de Deus,incentiva-se romper que a ideia que Deus o limita, no mais, faz uso da sua consciência sapiencial por mais que seja um dom de Deus. Neste propósito, Coélet afirma: “[todo] homem a quem Deus concede riquezas e recursos que o tornam ca- paz de sustentar-se, de receber a sua porção e desfrutar do seu trabalho, isto é um dom de Deus” (Ecl 5,18).

O homem quando compreende a obra de Deus em uma dimensão fora da po- sitividade, acatando a ideia de porção, as suas atividades se tornamalgo que lhe traz sentido (Ecl 5,17); é um ato de negar ao que é visto para melhor compreendê-lo.

Ao contrário, uma vez que ele não se projeta em mudar, nada acontecerá de novo“debaixo do sol” (Ecl 1,9), pois Deus e a sua criação são totalidades, estão do jeito que sempre se encontram, Deus se torna um ser limitante; agindo com este pressuposto, o homem não permite a operacionalização da sua consciência sapien- cial diante da própria existência.

2.8.8 Deus como causa de prazer

Diante de Deus o homem se sente incapaz de contemplar a obrado criador em sua totalidade, tornando-se também um ser em positividade, porque dela pode não usufruir vez que “[o] que foi, será, o que se fez, se tornará a fazer: nada há de novo debaixo do sol!” (Ecl, 1,9).

Mas, Coéletsugere ao homem o rompimendo da ideia de Deus como um ser em positividade porque é do seu agrado oferecer “a sabedoria, o conhecimento e a alegria” (Ecl 2,26); tudo que é perceptível ao homem vem do criador e é fonte de prazer (Ecl 3, 13), por isto,

Alegrar-se é o que conta. Gozar o dia bom e aceitar o dia mau como sendo variedade de Deus (7,14); gozar o que está ao alcance da mão e não bus- car o inatingível (6,9); entrar na vida com vivacidade e entusiasmo (9,10);

providenciar para o futuro (11,1) através de múltiplas escolhas, diante da in- certeza (11,2), mas não de modo escrupuloso, supercuidadoso (11,4) (VA- LÉRIO, 1993, p. 23).

Cabe ao homem sapienciar a sua consciência para que desfrute do fruto do seu trabalho e da obra que vem da mão de Deus. E, Coélet reforça: “[eis] que a feli- cidade do homem é comer e beber, desfrutando do produto do seu trabalho; e vejo que também isso vem da mão de Deus” (Ecl 2,14).

É evidente que se o homem permanecer atrelado a Deus, limitar-se-á em si mesmo, não usufruindo dos frutos do trabalho; é claro que esta usufruição se dá mediante a permissão de Deus, porém, só se torna contemplada com a projeção da consciência sapiencial deslizando-se pelo mundo, pelas obras próprias do homem advindas da mão de Deus.

2.8.9Deus, Coélet e o homem

Sobremaneira, o homem pensado por Coélet é limitante se não se projetar na própria obra fruto do trabalho, na obra criada por Deus ou na própria ideia da exis- tência de Deus. A este respeito, Coélet expõe o homem se relacionando com Deus de forma sapiencial nas seguintes dimensões:

a) Deus é quem propocionaao homema viver a vida e a projetar a sua consci- ência sapiencial. Coélet alerta para o homem: “antes que o pó volte à terra de onde veio e o sopro volte a Deus que o concedeu” (Ecl 12,7).

b) Deus uma vez intencionado só se O conhece em porção, por isto que deve ser respeitado pelo homem em sua consciência sapiencial; desejar o conhecimento a totalidade da obra de Deus é desrespeitá-lo. “Compreendi que tudo o que Deus faz é para sempre. A isso nada se pode acrescentar, e disso nada se pode tirar. Deus assim faz para que o temam” (Ecl 3,14). Da obra de Deus compreendida em porção, tem-se, portanto, a prudência (Ecl 4, 17) eo julgamento certo (Ecl 7,17) em favor da existência em sapiencialidade.

c) Deus é incompreendido a partir da decisão do homem de aceitar a obra de Deus dentro de um determinado tempo. Coélet diz:

Observo a tarefa que Deus deu aos homens para que dela se ocupem: tudo o que ele fez é apropriado ao seu tempo. Também colocou no coração do homem o conjunto do tempo, sem que o homem possa atinar com a obra que Deus realiza desde o princípio até o fim (Ecl 3,10-11).

O tempo quem escolhe é o homem, por mais que ele tenha condições de tê-lo em totalidade, é impossível a ele conhecer todo o tempo e o tempo de Deus porque a consciência sapiencial só se projeta no aqui e no agora (Ecl 3,1-8).

Contudo, Coélet considera a limitação do homem diantede um Deus distante. Coélet expõe a relação de Deus, justamente, porque Deus se dá a conhecer medi- ante as suas Obras por iniciativa do homem em sua consciência sapiencial,de acor- do com sua própria liberdade diante do que lhe é perceptível.

Por fim, o homem descobre Deus99, quando exerce o seu ser sapiencial, di- ante das coisas em positividade. Por isto, que se Deus concede algo e o homem não é existente diante do que é concedido, isto se constitui em vaidade (Ecl 1,12; 12,8) é uma ilusão, é uma frustração que “tantas vezes provoca náuseas em Coélet” (VÍL- CHEZ LÍNDEZ, 1999, p. 446); só ao homem é dado a conhecer o que irá acontecer debaixo do sol (Ecl 6,12).

No próximo capítulo, ver-se-á o entrelaçamento de temas sob as vertentes sartreanas e coeletianas discutidas até aqui; manter-se-á a consideração de que o homem se lança no próprio processo da existência.

99

Mediante o pensamento expresso no livro do Eclesiastes, o homem está em sua condição despos- suído da presença de Deus; de fato, o homem se vê diante de um Ser em totalidade, porém não o tem como um Ser que o determina.

3. EXISTENCIALISMO SARTREANO E SAPIENCIALIDADE COELETIANA: AS

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