• Nenhum resultado encontrado

4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

4.6 BLOCO 5 – AVALIAÇÃO: DIAGNÓSTICO E MONITORAMENTO

4.6.2 Discussão dos resultados – Bloco 5 – Avaliação: diagnóstico e

proposta de formação do PNAIC apresenta subsídios teóricos e encaminhamentos metodológicos acerca da avaliação da aprendizagem dos alunos, bem como sugestões a respeito do planejamento e monitoramento do processo de ensino. As categorias de análise a este bloco foram elaboradas de acordo com convergências na opinião das formadoras, sendo poucas as divergências observadas.

Na primeira questão foi indicado que o material do PNAIC orienta um processo de avaliação diagnóstica e de monitoramento do processo de aprendizagem da leitura e da escrita, sendo o ato de avaliar considerado como instrumento para o redimensionamento da prática. As avaliações são indicadas já nas Unidades 1, por meio de diagnóstico inicial e avaliações sucessivas na perspectiva de verificar o avanço de cada criança comparativamente a ela própria.

Essas orientações estão de acordo com Luckesi (2000, p. 43) quando diz que o resgate à função diagnóstica da avaliação rompe com o caráter autoritário e conservador da avaliação tradicional, sendo instrumento dialético de avanço e da identificação de novos rumos, enfim, instrumento de reconhecimento dos caminhos percorridos e da identificação dos caminhos a serem perseguidos. A função de diagnosticar não é um fim, mas sim ponto de partida, pois “A avaliação é a reflexão transformada em ação, não podendo ser estática nem ter caráter sensitivo e classificatório”. (HOFFMAN, 2000, p. 58). As ideias acerca do diagnóstico e monitoramento fazem parte de conceitos mais atuais envolvendo a dimensão formadora da avaliação.

Já as respostas à segunda questão indicaram a presença, no material do PNAIC, de metas específicas quanto ao conteúdo a ser ensinado/aprendido ao longo do primeiro Ciclo. As respostas obtidas afirmam que os Direitos de Aprendizagem determinam os conteúdos a serem introduzidos, aprofundados e consolidados a cada ano para cada componente curricular e estão presentes nos quadros de monitoramento sugeridos para o Ciclo de Alfabetização. A necessidade de metas para o planejamento do ensino também é indicada por Luckesi (2000, p. 163) quando diz que, entre outros aspectos, é necessário um conhecimento seguro dos conteúdos científicos com os quais trabalhamos (a ciência que ensina), considerando que o planejamento é um modo de ordenar a ação tendo em vista os fins desejados, com base em conhecimentos que deem suporte objetivo à ação.

A terceira questão investigou se o material do PNAIC apresenta sugestões de instrumentos e atividades avaliativas para todo o Ciclo de Alfabetização. As respostas foram positivas, tendo em vista que os instrumentos sugeridos no material envolvem avaliações diagnósticas e quadros para o monitoramento, bem como

quadros para avaliar o perfil da turma. Outros materiais também foram indicados:

diários de classe, caderno de registros dos alunos, atividades de sondagem, portfólios, pareceres pedagógicos, entre outros. Os instrumentos levam em conta que a avaliação é considerada de caráter processual, participativo, formativo, diagnóstico e redimencionador da ação pedagógica. Os Cadernos 8 foram especificamente relacionados à avaliação.

A utilização de quadros de monitoramento possibilita a avaliação das atividades realizadas nas aulas, rompendo com a ideia de elaboração de “provas” para cada conteúdo trabalhado. Nesta perspectiva, Curto, Morillo e Teixidó (2000)

defendem que cada atividade escolar deve ser avaliada de acordo com suas características concretas. Em outras palavras, não é necessário planejar atividades específicas de avaliação, diferenciadas da prática de sala de aula, mas sim um conjunto de elementos integrados registrados por instrumentos simples e práticos.

Com relação à indicação de intervenções diferenciadas, visando à aprendizagem de cada criança, as respostas à quarta questão indicaram no material do PNAIC, principalmente nos Cadernos da Unidade 7, um trabalho voltado para a heterogeneidade nas salas de aula. Os temas destacam os diferentes ritmos/níveis de aprendizagem e a necessidade de diversificação do trabalho docente. Foi citado o uso de diferentes métodos, o agrupamento de estudantes prevendo atividades diferenciadas e intervenções específicas, conforme a necessidade dos estudantes.

Também houve indicações de atividades sistematizadas envolvendo sequências didáticas e projetos didáticos, todas elaboradas em diferentes níveis, para atender às necessidades dos estudantes. Nesse caso, também se pode mencionar Curto, Morillo e Teixidó (2000) quando dizem que, em uma perspectiva formativa, o primeiro passo no processo de ensino envolve avaliar os conhecimentos e possibilidades de aprendizagem de determinado grupo de alunos. Em cada atividade, o professor deve investigar os conhecimentos de cada um acerca do tema em questão, ajustando a orientação e a atividade a esse conhecimento. Destaca-se que uma das formadoras relatou que as tabelas propostas no material do PNAIC, para o monitoramento das atividades, não contemplam a ideia da heterogeneidade.

Esta é uma questão que talvez deva ser repensada/adaptada no material, tendo em vista que conforme defendem Minervino, Roazzi e Melo (2014, p. 173), na perspectiva da Psicologia do Desenvolvimento Cognitivo, é essencial considerar e respeitar o contexto de desenvolvimento em que a criança está inserida e a singularidade do repertório de habilidades e individualidade de expressão de cada criança, para que ela possa ter boa adaptação escolar.

Com relação à autoavaliação do professor, as respostas à quinta questão foram unânimes ao considerar que o material do PNAIC orienta essa questão. Foram citadas as Unidades 5 e 8, que abordam a importância de avaliar o estudante, o professor, a escola e o sistema e, também, as Unidades 7, que trazem sugestões de quadros de monitoramento das atividades para que o professor elabore o seu e possa analisar, refletir e redimensionar sua prática por meio do planejamento do ensino. Essas orientações também estão de acordo com a concepção formativa de

avaliação de Curto, Morillo e Teixidó (2000), as quais defendem que o professor não deve apenas avaliar o nível de aprendizagem dos alunos, mas também o próprio processo de ensino e as atividades que realiza em sala de aula.