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4 RESULTADOS E ANÁLISE DA PESQUISA

4.1 SISTEMA MANDALLA DHSA

4.1.2 Filosofia da Mandalla: um processo sustentável

Citada nos materiais da pesquisa, entrevistas e vídeos, constatou-se que existe uma filosofia mais ampla e profunda por trás do processo Mandalla de produção, que desafia o status quo, e esta por sua vez, contém muito da filosofia de vida do Sr. Willy e também da equipe de jovens com quem trabalha.

Uma vez que essa filosofia foi percebida como a essência do Sistema Mandalla DHSA, buscou-se compreendê-la melhor, e foi perguntado também aos entrevistados especificamente sobre ela. Encontramos alguns elementos que a caracteriza:

somos parte de um universo de um universo

falta a harmonia entre os elementos, juntos são potenciais

levar a luz, que é a informação para a organização do conhecimento de cada potencial

gerar informação para potencializar o conhecimento

utilizar o potencial existente e transformar em resultados

eliminar o desperdício

empreendedorismo, fazer o máximo com o mínimo

nós vivemos para comer e comemos para viver

educar a cidade para consumir e capacitar o campo para produzir

unidade de produção familiar rural e a base é a mulher

melhoria da qualidade de vida, da produtividade econômica e do equilíbrio ambiental.

Seguem alguns trechos de entrevistas aonde encontramos os elementos identificados acima:

“Nós somos a imagem e semelhança do universo, você não queira para o outro o que você não quer para você, é a máxima do universo. Tá aí, então você é parte de um universo de um universo, não queira para o seu universo vizinho aquilo que você não quer para você, porque você desestabiliza. Aí você tem os quatro elementos da natureza, terra, água, fogo e ar. É a base de todo o universo, certo? Errado! Tá faltando um, que é a harmonia. Se você não tiver a harmonização de tudo junto ele não funciona. A água combate o

fogo, e o que é que é a água? H2O, duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio. Oxigênio altamente combustível, hidrogênio altamente combustível vezes dois, mas no entanto quando eles se juntam eles combatem o fogo.

Mais uma razão que nós somos um universo de um universo de um universo, separados nós começamos a fazer besteira, e quando juntamos nós começamos a ser potenciais.” (Willy – entrevista 5)

“A luz nada mais é do que a informação para a organização do conhecimento de cada potencial, tá lá na Bíblia desde o começo. O caos é um potencial gente, tem que estar organizado senão ele perece. São duas potências, o caos e a luz. O caos quando está sendo derrotado por causa da informação da potencialidade da luz, ele usa de todos os argumentos, mas no final a potencialidade luz vence, e ela nada mais é do que a informação para organização do conhecimento transformando em resultados. Então essa é a base da filosofia do processo Mandalla, gerar informação pra potencializar o conhecimento, a utilização do potencial já existente, na transformação de resultados.” (Willy – entrevista 5)

“Sempre me acostumei na minha vida a trabalhar sem desperdício. Se tem desperdício, é lixo, e o lixo gera consequente. Mas peraí, por que tem desperdício? Tudo é um potencial, mas somente a informação vai transformar em conhecimento. Por exemplo, essa garrafa de água, quando está vazia vai para o lixo, mas é um desperdício, porque ela tem energia nela, e se tem a informação, pode transformar num gotejador, e você começa a plantar ao redor dela.” (Willy – entrevista 5)

“Ninguém perde nada nada aqui. Essa história de se perder aqui não existe, aqui tá pra se ganhar e não se perder”. (Cardoso - TV CÂMARA, 2005)

“Nós vivemos para comer e comemos para viver, essa é uma lei do universo.

Para você comer ou alguém lhe dá, os processos sociais, bolsas que pegam os miseráveis e dão. Você não deve dar o peixe, deve ensinar a pessoa a pescar. Então ensinar ele a usar o anzol, a vara, a linha. Então na hora que

você leva a informação que ele pode produzir o alimento dele, é diferente de você estar dando o alimento.” (Willy – entrevista 5)

“Na verdade não é plantar e colher, não é fazer o buraco, isso é só um instrumento do processo, toda a articulação física. A filosofia Mandalla é a questão do empreendedorismo.” (Itamar – entrevista 1)

“Então, de certa forma, mesmo no curso de beleza estética, que aparentemente não tem nada a ver com a Mandalla, mas na filosofia Mandalla de com pouco recurso fazer muito, ou seja, a filosofia Mandalla é fazer com o mínimo fazer o máximo, é a visão do empreendedorismo. Assim, a Mandalla é o quê? É você trabalhar com um quarto de hectare e ter uma produção diversificada que nutre a família e gera renda, cuidando do ambiente.” (Itamar – entrevista 1)

“Para dar um exemplo bem claro, na área da agricultura, tem o Sr. Ednaldo em Souza, é uma pessoa que ao meu ver trabalha com a filosofia Mandalla, além do processo Mandalla. Ele fez a Mandalla dele, vendia na feira e fornecia também para alguns supermercados da região. Fazia a comercialização da produção da forma que a gente orientava, mas para por a idéia dele na época, ele vendia os maracujás na feira e sempre voltavam os mais murchinhos, até que ele teve a idéia de pegar o talo do tronco da bananeira que parece uma bandeja para colocar os maracujás, 2-3 muito bons e 1 mais murcho no meio, passava o plástico filme e vendia a R$ 5,00, e não voltava mais nenhum, então, essa é uma forma de verticalizar a produção. Muito simples, prático, barato, em relação ao valor agregado que tinha, e ele começou a fazer dessa forma para todos os produtos, cebola, tomate, coentro, alface, vendia tudo nas bandejinhas, fornecia para os supermercados assim, e produto dele começou a ter destaque na época e o pessoal já ia direto nas bandejinhas, ele teve um ganho bem maior com isso aí.” (Itamar – entrevista 1)

“O processo da Mandalla é um processo de desenvolvimento holístico sistêmico ambiental, todos pelas partes e as partes fazendo pelo todo,

geográfico e concêntrico, porque tem o desenvolvimento holístico, do todo, sistêmico, parte de parte, ambiental, só que esse ambiente é geográfico e concêntrico que vai crescendo da pessoa para a família, para a comunidade, para o município e assim por diante. Então nós falamos na melhoria da qualidade de vida, da produtividade econômica e do equilíbrio ambiental.

Então você tem aí o ambiental, econômico e social. Nós buscamos através da informação e da organização do conhecimento, transformação em resultados, o aproveitamento do potencial produtivo já existente, a partir da eliminação do derperdício, a partir do uso racional da água e da terra, na produção de alimentos com qualidade, produtividade, responsabilidade social e exercício de cidadania. Isso é o processo que nós temos DHSA. Dentro disso aí você objetiva o propósito é educar a cidade para consumir e capacitar o campo para produzir. Porque educar para consumir é você saber que tem que tomar no mínimo dois litros de água por dia, é saber que você usa a água e reutiliza a água, e essa água tem uma sustentabilidade. Então para você ter esse desenvolvimento ambiental, econômico e social concêntrico, você parte do processo hexagonal, onde a unidade de produção familiar rural e a base é a mulher. A melhoria da qualidade de vida parte da unidade de produção familiar rural que parte a partir da alimentação, do uso da água e da terra e produção de alimento a partir dai, o foco é a mulher.” (Willy – entrevista 6)

“A célula base da alimentação é a mulher dona de casa, a mãe, não é para ganhar dinheiro, é para comer. Aqui que a gente bate muito, que é para produzir para comer, os homens querem logo produzir, produzir, agroindústria, mas não é.” (Willy – entrevista 6)