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3. OS IMPOSTOS E RECEITAS PÚBLICAS NO SISTEMA FISCAL

3.4. IMPOSTO DE CONSUMO

3.4.2. IMPOSTO DE CONSUMO ANGOLANO

O Regulamento do Imposto de Consumo (RIC) foi aprovado pelo Decreto n.º41/99, de 10 de dezembro, alterado no decorrer da reforma tributária pelo Decreto Legislativo Presidencial n.º7/11, de 30 de dezembro. Posteriormente, foi aprovado o Decreto Presidencial n.º149/13, de 1 de outubro que veio aprovar o regime jurídico das faturas e dos documentos equivalentes, e o Decreto Executivo n.º333/13, de 8 de outubro, que ratificou o regime especial do IC relativo a serviços prestados a companhias petrolíferas. Mais tarde, entrou em vigor uma nova versão do RIC, aprovado pelo Decreto Legislativo Presidencial n.º3-A/14, de 21 de outu-bro, que revoga toda a legislação até então em vigor.

O IC carateriza-se por ser um imposto:

a) Indireto, dado incidir não sobre a riqueza ou sobre o rendimento, mas sim sobre a sua utilização;

b) Que incide sobre o consumo, sendo liquidado apenas com a introdução dos bens no consumo, quer

seja através da produção ou fabrico de bens, da importação, arrematação, ou ainda da utilização dos bens ou matérias-primas fora do processo produtivo e que tenham beneficiado da desoneração do imposto;

c) Monofásico, sendo liquidado apenas uma vez quando o bem é introduzido no consumo, não sendo

liquidado em qualquer outra fase subsequente, embora, em alguns casos, o imposto possa ter efeitos cumulativos ou em cascata, sendo liquidado IC sobre um bem ou serviço que é composto por outros bens ou serviços em relação aos quais também já foi liquidado IC;

d) Ad valorem, com efeito, o IC incide sobre o preço de custo do bem (se produzido no país) ou sobre o seu valor aduaneiro (se importado);

e) Sem possibilidade de deduções. Contrariamente ao que sucede no IVA, os operadores económicos

angolanos não podem deduzir o imposto de consumo que tenham pago no exercício da sua ativida-de;

f) Que incide sobre o sujeito passivo, mas é economicamente suportado pelo consumidor dos bens ou

dos serviços, fazendo-se uma diferenciação entre a pessoa que deve o imposto e que está obrigada a cumprir as obrigações daí decorrentes e a pessoa que, na prática, suporta o encargo económico do imposto.89

A grande fragilidade do IC angolano reside na inevitabilidade da tributação em cascata, o que provoca distor-ções significativas na atividade económica. Por exemplo, um prestador de serviços de telecomunicadistor-ções tem de liquidar e cobrar o IC aos seus clientes, mas não pode deduzir o IC que tenha suportado na sua atividade, na medida em que este será incluído nos bens que adquire. Na prática, este modelo de tributação não alcança a neutralidade económica que se consegue com o IVA, prejudicando-se assim o desenvolvimento da

88 SANCHES, J.L. Saldanha e GAMA, João Taborda da, Manual de Direito Fiscal Angolano, Coimbra, 2010, pág. 365. 89 PALMA, Clotilde Celorico, O Imposto de Consumo em Angola, Coimbra Almedina, 2014, pág..40 e 41.

de económica. O legislador acaba por combater a tributação em cascata introduzindo novas isenções, criando assim novas distorções.90

No entanto, com a necessidade de se adequar o sistema fiscal às novas realidades económica e social do país, a reforma tributária introduziu importantes alterações de fundo no IC. Com efeito, pretendeu-se alargar o âmbito de incidência objetiva do imposto de forma a incluir novas prestações de serviços, clarificar o concei-to de sujeiconcei-to passivo e as obrigações que sobre ele recaem.

Importa salientar a intenção nas LGERT, a curto prazo, de “introduzir maior simplicidade e neutralidade no imposto de consumo, preparando o caminho para a introdução do IVA” e, a médio prazo, a “realização de estudos conducentes à substituição do atual IC por um tipo de IVA adequado à estrutura socioeconómica angolana, em conjunção com o aprofundamento da harmonização comunitária no quadro do SADC”.

Até que se concretize a transição para um modelo de tributação do consumo assente num imposto sobre o valor acrescentado, permanece em vigor no ordenamento jurídico angolano o Imposto de Consumo (IC).

3.4.2.1. INCIDÊNCIA OBJETIVA

Ao longo das sucessivas revisões do RIC, a base de incidência do IC tem vindo a ser alargada, particularmen-te em relação ao setor dos serviços.

Segundo o art.1.º do RIC, este imposto incide sobre:

a) A produção e importação de mercadorias, seja qual for a sua origem;

b) A arrematação ou vendas realizadas pelos serviços aduaneiros ou outros quaisquer serviços

públi-cos;

c) A utilização dos bens ou matérias-primas fora do processo produtivo e que beneficiaram da

desone-ração do imposto;

d) O consumo de água e energia;

e) Os serviços de comunicações eletrónicas e telecomunicações, independentemente da sua natureza;

f) Os serviços de hotelaria e outras atividades a si conexas ou similares;

g) Locação de áreas especialmente preparadas para recolha ou estacionamento coletivo de veículos;

h) Locação de máquinas ou outros equipamentos, bem como os trabalhos efetuados sobre móveis

cor-póreos, excluindo a locação de máquinas ou outros equipamentos que, pela sua natureza, deem lugar ao pagamento de royalties conforme definido no Código do Imposto sobre a Aplicação de Capitais;

i) Locação de áreas preparadas para conferências, colóquios, exposições, publicidade ou outros

even-tos;

j) Serviços de consultoria, compreendendo designadamente a consultoria jurídica, fiscal, financeira, contabilística, informática, de engenharia, arquitetura, economia, imobiliária, serviços de auditoria, revisão, revisão de contas e advocacia;

k) Serviços fotográficos, de revelação de filmes e tratamento de imagens, serviços de informática e construção de páginas de Internet;

l) Serviços de segurança privada;

m) Serviços de turismo e viagens promovidos por agências de viagens ou operadores turísticos equipa-rados;

n) Serviços de gestão de cantinas, refeitórios, dormitórios, imóveis e condomínios;

o) Aluguer de viaturas;

p) Acesso a espetáculos ou eventos culturais, artísticos ou desportivos;

De notar que, para efeitos do IC, o legislador considera bens produzidos no país, os produtos aí produzidos ou manufaturados, bem como aqueles cujo processo de produção teve o seu termo em território nacional. (art.2.º do RIC).

Por outro lado, nos termos do artigo 3.º do RIC, não se considera tributável, no âmbito de IC, a produção dos seguintes bens: produtos agrícolas e pecuários não transformados; produtos primários de silvicultura; produ-tos de pesca não transformados e produprodu-tos minerais não transformados.

3.4.2.2. INCIDÊNCIA SUBJETIVA

Relativamente à incidência subjetiva do IC, conforme dispõe o n.º1 do artigo 2.º do RIC, são sujeitos passi-vos de IC as pessoas singulares ou coletivas ou outras entidades que:

a) Pratiquem operações de produção, fabrico ou transformação de bens, quaisquer que sejam os

pro-cessos ou meios utilizados;

b) Procedam à arrematação ou venda em hasta pública de bens;

c) Procedam à importação de bens;

d) Procedam ao fornecimento de água e energia;

e) Forneçam qualquer dos serviços mencionados nas alíneas d) a p) do n.º1 do artigo anterior.

Clarifica-se a distinção entre o sujeito passivo do imposto, que está obrigado a proceder à liquidação e paga-mento do imposto, e o consumidor final ou adquirente do bem ou serviço, o que efetivamente suporta o im-posto.

3.4.2.3. ISENÇÕES

No que diz respeito às isenções de IC, estas estão previstas no artigo 4.º do RIC. Assim, estão isentos de IC:

a) Os bens exportados, quando a exportação seja feita pelo próprio produtor ou entidades vocacionadas

para o efeito, reconhecida nos termos previstos na lei;91

b) Os bens manufaturados em resultado de atividades desenvolvidas por processos artesanais;92

c) As matérias-primas e os materiais subsidiários, incorporados no processo de fabrico, os bens de equipamento e peças sobressalentes, desde que devidamente certificados pelos Ministérios de tutela, com declaração de exclusividade;

91

Pretende-se, garantir a aplicabilidade do princípio de tributação no país de destino.

92 Para efeitos do disposto da alínea b) do n.º1 do presente artigo, entende-se por atividade exercida em moldes artesanais quando, cumu-lativamente, se verifiquem os requisitos pressupostos no n.º3 do art.º4 do RIC.

d) Os animais destinados à procriação, mediante informação dos serviços de veterinária, na qual sejam considerados como podendo contribuir para o melhoramento e progresso da produção nacional;

Acresce o disposto no n.º2 do artigo 4.º, o princípio da equiparação das isenções, segundo o qual é aplicável a bens produzidos no país qualquer benefício ou vantagem fiscal concedida ou a conceder em sede de IC às operações de importação de bens determinados.

Desta forma, corrige-se um tratamento desigual que operava em desfavor da produção angolana e que favo-recia as importações. Deste modo, é possível manter os preços dos bens nacionais em níveis mais baixos e simultaneamente dinamizar o setor produtivo.93

No RIC prevê-se, ainda, que fiquem isentas deste imposto, as missões diplomáticas e consulares, bem como as Organizações Internacionais, relativamente aos bens que importem ou quando adquiram determinados serviços, desde que sejam destinados exclusivamente a missões diplomáticas, consulares e Organizações Internacionais acreditadas em Angola e as mesmas estejam clara e inequivocamente identificadas na fatura ou documento equivalente. (art.5.º, al. a), b) e c), do RIC).

Por outro lado, o novo RIC veio inserir um novo regime de isenções aplicáveis às operações petrolíferas. Nos termos do n.º1 do artigo 6.º do RIC, passam a estar isentos de IC, os serviços prestados a sociedades investi-doras petrolíferas, nacionais ou estrangeiras, que pratiquem operações petrolíferas, exclusivamente, nas áreas de concessão em fase de pesquisa ou desenvolvimento, até á data da primeira produção comercial. Este bene-fício fiscal depende sempre da emissão de um certificado de isenção, emitido pela DNI, a requerimento da sociedade investidora petrolífera. (art.6.º, n.º2, do RIC). A sociedade investidora petrolífera deve entregar uma cópia autenticada do Certificado de isenção ao prestador do serviço para efeitos da não liquidação do IC e, na respetiva fatura ou documento equivalente, deve constar obrigatoriamente a menção – “Facto tributário isento nos termos do Certificado de Isenção, número…”. (art.6.º, n.º3, do RIC).

3.4.2.4. EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO

Como está previsto no artigo 9.º, o imposto é devido e torna-se exigível:

a) Na produção, no momento em que os bens são colocados à disposição do adquirente;

b) Nas importações, no momento do desembaraço alfandegário;

c) Na arrematação ou vendas realizadas pelos serviços aduaneiros ou outros quaisquer serviços

públi-cos, no momento em que tais atos sejam praticados;

d) Nos serviços previstos nas alíneas d) a p) do n.º1 do artigo 1.º, no momento do efetivo pagamento da fatura ou documento equivalente.

3.4.2.5. BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO

O valor tributável sujeito a imposto será:

a) O preço de custo para os bens produzidos no país;

b) O valor aduaneiro para os bens importados;

c) O valor pelo qual tiverem sido efetuadas as arrematações ou vendas em hasta pública realizadas

pe-los serviços aduaneiros ou outros quaisquer serviços públicos;

d) O preço pago nos serviços previstos nas alíneas d) a p) do n.º1 do artigo 1.º.

3.4.2.6. TAXAS

A taxa geral do Imposto de Consumo é de 10%, conforme dispõe o nº1 do artigo 12.º do RIC. Todavia, são aplicáveis taxas distintas para determinados bens ou serviços que constam de tabelas anexas ao RIC.

Desta maneira, na Tabela I, incluem-se os bens de primeira necessidade, sujeitos à taxa reduzida de 2%. Por sua vez, na Tabela II, são aplicáveis taxas agravadas de IC de 20% ou de 30%, consoante os bens em causa. Nesta tabela, encontramos os bens considerados “de luxo”, tais como bebidas alcoólicas, tabaco, ves-tuário, bijuteria, monitores, automóveis, iates, relógios, aparelhos eletrónicos, etc.

Finalmente, na Tabela III, é aplicada a taxa de 5% à generalidade dos serviços, exceto nos serviços de hotela-ria e atividades conexas ou similares, neste caso aplica-se a taxa de IC de 10%.

3.4.2.7. LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO

Relativamente à liquidação do Imposto de Consumo, segundo o n.º1 do artigo 10.º do RIC, esta compete: a) Aos produtores, no caso dos bens produzidos no país, referidos no nº 2 do art.1.º;

b) Aos serviços aduaneiros, no caso da importação de bens;

c) Ao serviço que realizar a arrematação ou venda, nos casos referidos na alínea b) do nº 1 do art.1.º;

d) Às entidades que forneçam os bens ou prestem os serviços previstos nas alíneas d) a p) do nº 1 do

art.1.º;

e) Às entidades residentes em Angola e sujeitas a imposto industrial que contratem, a entidades não re-sidentes, os serviços referidos nas alíneas g) a p) do nº 1 do art.1.º;

f) À repartição fiscal, nos restantes casos.

A situação prevista acima, na alínea e), n.º1 do artigo 10.º, é da competência das entidades residentes em Angola, que contratem serviços sujeitos a IC a entidades não residentes em Angola, para liquidar o imposto (autoliquidação), ou seja, existe uma inversão do encargo (reverse charge).

Ainda assim importa referir que, nos termos do n.º2 do artigo 10.º conjugado com a alínea a), n.º1 do artigo

13.º ambos do RIC, estamos perante outra situação de reverse charge. Sendo assim, a norma estabelece que

as entidades que prestem os serviços prestados nas alíneas g) a o) do n.º1 do artigo 1.º às sociedades invest i-doras petrolíferas, salvo quando estejam isentas, devem liquidar o imposto no momento da emissão da fatura ou documento equivalente, devendo a respetiva sociedade investidora petrolífera, beneficiária do serviço, cativar o valor correspondente ao Imposto no momento do pagamento.94 (art.10.º, n.º2, do RIC).

94 Esta especificidade é justificada pelo legislador com a necessidade de garantir um controlo mais eficaz da receita fiscal do IC suporta-do pelas companhias petrolíferas, as quais têm direito à dedução dessas quantias em sede de tributação suporta-do rendimento. Nestes sentisuporta-do, o

No que concerne ao momento em que a liquidação deve ser efetuada, o artigo 12.º do RIC dispõe o seguinte:

a) Quando competir aos produtores, fornecedores de bens ou prestadores de serviços, no ato do

proces-samento das faturas ou documentos equivalentes;

b) Quando competir aos serviços referidos na alínea c) do n.º1 do art.10.º, no momento em que for

efe-tuado o pagamento ou, se este for parcial, na primeira prestação;

c) Quando competir aos serviços aduaneiros, no ato do desembaraço alfandegário;

d) Quando competir a repartição fiscal, logo que efetuada a fixação do imposto.

3.4.2.8. OBRIGAÇÃO DE FATURAÇÃO

Na sequência da reforma implementada, foram introduzidas novas regras e requisitos relativos à faturação que deixaram de estar previstos no RIC e passaram a constar do Decreto Presidencial n.º149/13, de 1 de ou-tubro, que veio aprovar o novo regime jurídico das faturas e dos documentos equivalentes.

Tendo em vista uma correta aplicação dos Códigos do Imposto Industrial, do Imposto de Consumo, do Im-posto do Selo, entre outros, impôs-se a existência de um sistema de faturação consistente, coerente e trans-versal, com o objetivo de, por um lado, tornar as declarações dos contribuintes mais comprováveis, objetivas e inequívocas, e por outro, reforçar e melhorar os mecanismos de controlo e fiscalização por parte da Admi-nistração Fiscal.95

Com efeito, e de acordo com o nº1 do artigo 1.º, no âmbito do Regime Jurídico das faturas e documentos equivalentes, torna-se obrigatória a emissão de faturas ou documentos equivalentes em todas as transmissões onerosas de bens corpóreos ou incorpóreos e prestação de serviços. São considerados documentos equivalen-tes, nos termos do n.º5 do artigo 1.º, os recibos, a nota de débito, o despacho aduaneiro, o talão de venda, e outros documentos que preencham os requisitos constantes do presente diploma.

As faturas e documentos equivalentes devem ser devidamente datados, sequencialmente numerados e conter obrigatoriamente os requisitos constantes do artigo 7.º, n.º1 do presente diploma.

3.4.2.9. IMPOSTOS ESPECIAIS SOBRE O CONSUMO

Os impostos especiais de consumo (IEC), também conhecidos por impostos sobre o pecado (sin taxes), são

impostos que incidem apenas sobre o consumo de um número limitado de bens, tais como o álcool e bebidas alcoólicas, os tabacos manufaturados, bens ambientalmente nocivos, como os produtos petrolíferos, etc. Atualmente, não existe no ordenamento jurídico-tributário angolano qualquer imposto especial sobre o con-sumo; estes bens são tributados em sede de imposto de consumo, aplicando-se as taxas mais elevadas. No entanto, segundo as LGERT, a médio prazo, prevê-se a instituição de certos impostos especiais de consumo, como por exemplo, um IEC de álcool e bebidas alcoólicas e um IEC de tabaco. Eventualmente, admite-se introduzir um IEC sobre veículos pesados ou de luxo e um outro IEC sobre os derivados do petróleo. A tribu-tação de certos bens e serviços a taxas elevadas deve ser separada da tributribu-tação geral do consumo, o que não RIC determina que a não entrega do IC pelas sociedades investidoras petrolíferas implica a não-aceitação do custo como dedutível para efeitos de determinação do rendimento tributável nos impostos sobre o rendimento a que estiverem sujeitas (art.º13, n.º2, RIC). Veja-se em MACHADO, Jónatas Eduardo M., COSTA, Paulo Nogueira, e MACAIA, Osvaldo, Direito Fiscal Angolano: Segundo a Reforma de 2014, Coimbra Editora, 2015, pág. 303.

acontece no sistema fiscal angolano. Os IEC são impostos menos complexos, de fácil gestão administrativa, devido ao número reduzido de sujeitos passivos que abrangem, ao contrário de outros impostos.

Os IEC têm como objetivo fiscal primário a obtenção de receitas. Devido à sua tributação elevada e pesada, têm a capacidade de gerar um elevado volume de receitas, contudo, este tipo de tributação justifica-se por outros propósitos extrafiscais.

Os IEC traduzem o exercício de uma função reguladora por parte do poder politico-legislativo, que utiliza o sistema tributário não apenas para satisfazer as necessidades financeiras do Estado, mas também para incen-tivar e desincenincen-tivar a adoção de certos comportamentos ou o consumo de certos produtos. Isto, apesar de a função reguladora se manifestar em muitos outros domínios do sistema fiscal.96

Alguma doutrina utiliza, a este propósito, a expressão de impostos regulatórios, ou impostos corretivos ou punitivos, por se traduzirem numa tentativa de redução ou eliminação do consumo de determinados bens com caráter nocivo na área da saúde pública, ou como medida de proteção ambiental, permitindo que sejam for-temente tributados os consumidores destes bens, que em virtude dos seus consumos, provocam uma maior despesa pública.