Luís Carlos Arruda Júnior; Dileta Regina Moro Alessio1; Alexandre Süsenbach de Abreu2; Daíse Werncke3; Natália Luíza Machado Reche4; Joana Gerent Voges5 Vivian Fischer6;
André Thaler Neto7
1Doutorando (a) no Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal, Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências Agroveterinárias (UDESC/CAV), Lages/SC, e-mail: [email protected] 2Professor do Curso de Medicina Veterinária, Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), Tubarão/SC 3Doutoranda em Zootecnia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre/RS 4Professora do Curso de Agronomia, Centro Universitário Barriga Verde (UNIBAVE), Orleans/SC 5Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal, Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências Agroveterinárias (UDESC/CAV), Lages/SC 6Professora da Faculdade de Agronomia, Departamento de Zootecnia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre/RS 7Professor do Departamento de Produção Animal e Alimentos, Universidade do Estado de Santa Catarina, Centro de Ciências Agroveterinárias (UDESC/CAV), Lages/SC, e-mail: [email protected]
Introdução: A qualidade do leite cru refrigerado pode sofrer alterações microbiológicas e físico-químicas. Uma das ferramentas de diagnóstico da qualidade do leite, a acidez titulável (AT), oferece informações relevantes para seleção e monitoramento da matéria prima. A Instrução Normativa nº62 (BRASIL, 2011) estabelece limites equivalentes de 14 a 18 oD para
o leite cru refrigerado, sendo que cada 0,1mL de solução neutralizante titulada equivale a 1 grau Dornic. Apesar da crescente utilização de refrigeração na propriedade rural ter reduzido a ocorrência de leite ácido, por ação de micro-organismos mesófilos, a AT é um parâmetro que pode compor o diagnóstico de outras alterações no leite cru, sendo que a baixa AT não tem sido alvo de pesquisas no país, podendo estar relacionada a alterações fisiológicas na síntese do leite, além de fraudes por neutralizantes. Em vista disso, este estudo objetivou caracterizar a baixa AT do leite em leite de tanques de resfriamento de propriedades leiteiras. Material e Métodos: O trabalho foi realizado a partir dos dados obtidos em cinco pesquisas independentes realizadas entre 2010 e 2014, na regiões Sul, Planalto e Oeste do estado de Santa Catarina, totalizando 1.844 amostras. Todas as propriedades estudadas disponibilizavam sistema de refrigeração do leite cru por tanque de expansão direta ou imersão. As amostras de leite cru foram submetidas a análise de composição (teor de proteína, de gordura e de lactose) por infravermelho, contagem de células somáticas (CCS) e contagem bacteriana total (CBT) por citometria de fluxo. O teste de estabilidade da caseína na presença de álcool etílico foi realizada com concentrações crescentes de álcool de 64-84º GL, com intervalos de 2ºGL e a determinação da AT seguiu a metodologia preconizada na IN 68 (BRASIL, 2006). Para fins deste estudo foram consideradas como baixa AT amostras que apresentaram resultado ≤14ºD e >14ºD como acidez normal. Para análise estatística os dados de CCS e CBT foram transformados para logaritmo de base 10 e a região foi classificada como 1= Planalto e Oeste e 2= Sul. Os dados foram analisados por análise multivariada (análise fatorial), utilizando-se o procedimento FACTOR do pacote estatístico SAS®, com rotação Promax.
Resultados e Discussão: Das amostras analisadas, 11,82% apresentaram baixa AT (≤14oD). A análise fatorial explicou 47,9% da variação total (Figura 1), sendo que o primeiro fator é representado pela relação positiva entre o teor de gordura, de proteína e região, com relação contrária à resistência ao teste do álcool. Na região Sul de Santa Catarina predominam rebanhos da raça Jersey, o que explica a relação com os teores de gordura e proteína. As variáveis que compõem o fator um não tem relação com AT, CBT e CCS. O segundo fator
104 demonstra a relação positiva entre CBT e CCS, bem como a relação negativa destas variáveis com AT e teor de lactose e, em menor intensidade, com a resistência ao teste do álcool. A relação entre elevada CCS e baixa AT concorda com as informações descritas por DRINC (2015) e Brito et al. (2012), de que a mastite, mesmo na forma subclínica, diminui a acidez do leite. Por outro lado, a relação observada entre baixa AT com variáveis normalmente relacionadas a condições inadequadas de higiene e conservação do leite (CBT) e ao manejo e alimentação das vacas (resistência ao teste do álcool), indicam a necessidade de estudos mais aprofundados acerca do tema.
Figura 1 - Dispersão das cargas fatoriais da acidez titulável em relação à composição, a instabilidade do leite ao teste do álcool, contagem de células somáticas, contagem bacteriana total do leite e a região de amostras de tanques de resfriamento em Santa Catarina, sendo a região classificada como 1= Planalto e Oeste e 2= Sul.
Conclusões: Baixa acidez titulável em amostras de tanques de resfriamento está relacionada a elevadas CCS e CBT, baixa concentração de lactose e, parcialmente à instabilidade do leite ao teste do álcool, sem relação com os teores de gordura e proteína do leite.
Referências Bibliográficas:
BRASIL. Métodos análiticos oficiais físico-químicos para controle de leite e produtos lácteos. Instrução normativa Nº 68. In: BRASIL (Ed.). Diario Oficial da União. Brasília. 2006. p.141 BRITO, M. A. et al. Acidez Titulável. Agência de Informação Embrapa, 2012. Disponível em:<http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/Agencia8/AG01/arvore/AG01_194_21720039246 .html> Acesso em 05 fev 2015.
DRINC (Dairy Research and Information Center). Department of Food Science & Technology University of California, Davis, CA. Um Resumo de Acidez Titulável. Disponível em: <http://drinc.ucdavis.edu/dairychem5.htm> Acesso em 06 fev 2015.
Proteína (%) Gordura (%) Região Álcool (%) Contagem de células somáticas (log10) Contagem bacteriana total (log10) Acidez titulável (°D) Lactose (%) -1 0 1 -1 0 1 F at o r 2 ( 2 1 ,3 % ) Fator 1 (26,6%)
105 Resumo 53 - AVALIAÇÃO DO PRÉ-DIPPING EM PROPRIEDADES COM ORDENHA MECÂNICA CANALIZADA NO SUL DO RIO GRANDE DO SUL.
PRÉ-DIPPING EFFICIENCY IN PROPERTIES WITH MECHANICAL CHANNELED