Felipe Carlos Dubenczuk 1; Cássia Couto da Motta 2; Dayanne Araújo de Melo3; Marisol Alvim Gomez4; Pedro Emilio Ferreira5; Shana de Mattos Coelho6; Miliane Moreira Soares de Souza7
Auxílio Pesquisa FAPERJ / CNPq / Capes. 1Pós-graduação- Instituto de Veterinária – UFRRJ/Seropédica. Email: [email protected] 2 Pós-graduação - Instituto de Veterinária –UFRRJ/Seropédica. Email: [email protected] 3Pós-graduação Instituto de Veterinária–UFRRJ/Seropédica. Email: [email protected]4Pós-graduação - Instituto de Veterinária – UFRRJ/ Seropédica. 5Médico Veterinário- Núcleo de Assistência Técnica Autorizada (NATA-RIO)/ Rio de Janeiro 6 Professora do Instituto de veterinária –UFRRJ/ Seropédica. Email: [email protected]7 Professora do Instituto de Veterinária – UFRRJ Seropédica. Email: [email protected]
Introdução: O setor lácteo tem grande importância socioeconômica e, somente na produção primária, gerou na última década cerca de três milhões de empregos e agregou mais de seis bilhões de reais à agropecuária nacional, apresentando crescimento contínuo nas últimas três décadas. Um dos principais desafios pelo sistema agroindustrial do leite é a obtenção de matéria prima que possibilite a produção de derivados lácteos de qualidade. Para atingir esses objetivos, é fundamental a adoção de boas práticas de manejo para prevenção e controle de mastite, considerada a enfermidade mais onerosa da bovinocultura leiteira no mundo, pois frequentemente acomete vacas leiteiras, impactando negativamente na produção, rendimento e qualidade do leite. Portanto, é necessário que produtores e funcionários tenham conhecimento técnico dos procedimentos adequados da realização das boas práticas higiênico-sanitárias. Além disso, devem ter ciência das causas, prejuízos e controle da mastite bovina. No entanto, os produtores ainda possuem pouco conhecimento em relação a esses fatores, além dos prejuízos da doença ainda serem subestimados por muitos produtores. Esta, portanto, é uma área onde a participação do médico veterinário é considerada importante.
Metodologia: Nas propriedades, foram realizados testes da caneca telada e CMT (Califórnia Mastitis Test) e foi realizada uma lista de checagem das atividades do setor da ordenha através de um questionário. Após identificação, foram coletadas amostras de leite e “Swabs” e submetidas à rotina de identificação bacteriana. De acordo com as características encontradas os isolados foram processados para melhor identificação segundo protocolos estabelecidos por koneman et al, (2008). Também foram realizadas análises fenotípicas da resistência pelos métodos de Difusão em disco e Ágar Screen segundo a metodologia recomendada pelo Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI, 2008 e 2012). A implementação de boas práticas de ordenha foi realizada com base nos dados obtidos através dos questionários em análise comparativa aos resultados microbiológicos da análise do leite e das amostras proveniente da sua cadeia produtiva. Essas atividades foram realizadas por meio de visitas técnicas envolvendo os ordenhadores e produtores. Os envolvidos foram instruídos a desenvolverem a ordenha de forma higiênica, a entenderem a sua importância como agentes veiculadores de microrganismos e zelar pela prevenção de doenças que podem adquiridas durante a prática da ordenha.
Resultados e Discussão: O trabalho foi realizado em 9 fazendas localizadas na região sul- fluminense do estado do Rio de Janeiro. Nestas fazendas foram realizados os testes CMT e Caneca de fundo preto em 649 vacas. Destas, 300 vacas positivas ao menos para um dos
98 testes. A prevalência de mastite vaiou, como apresentado no gráfico 01, demonstrando que há fazendas produzindo leite de qualidade, e outras que necessitam trabalhar com boas práticas higiênico-sanitárias. Foram coletadas 496 amostras assépticas de quartos individuais de 64 vacas. Destas amostras foram obtidos 429 isolados, com prevalência elevada de Staphylococcus aureus (38,2%), confirmando assim sua importância na etiologia da mastite além da importância de Staphylococcus coagulase negativo (34,5%) e Streptococcus spp (13,5%). Somente a fazenda “D” apresentou resultados satisfatórios referentes à qualidade do leite, com prevalência de mastite inferior a 10%, devido a utilização de medidas preventivas em todo o processo de ordenha, principalmente com a utilização de água clorada no manejo, antissepsia e monitoramento da mastite em todas as ordenhas realizadas. Assim, qualquer alteração visualizada, a vaca é separada com finalidade de preservar a sanidade do rebanho tomando a decisão adequada. A fazenda “G” apresentou no histórico a compra de uma vaca com mastite, e em alguns meses outras vacas estavam acometidas, na identificação dos microrganismos verificou 83% (10/12) de Staphylococcus aureus, com mesmo perfil de resistência, caracterizando a infecção de uma fonte comum. Já nas outras fazendas estudadas prevaleceu Staphylococcus spp, principalmente S. aureus. Este patógeno é de difícil controle, assim, nestas fazendas foram implantadas linha de ordenha, pré-dipping, pós dipping, secagem antecipada, descarte de animais crônicos, tratamento de vacas apresentando sinais clínicos com antimicrobiano, baseado no resultado do antibiograma. Com este manejo, foi possível reduzir incidência de mastite. O antibiograma demonstrou correlação direta do uso frequente dos antimicrobianos nas fazendas com a resistência. Somente a Enrofloxacina apresentou uso elevado nos rebanhos, porém baixa resistência. Isso se deve possivelmente ao seu uso recente nos tratamentos, como apresentado pelos ordenhadores.
Conclusão: A atuação do ordenhador é fundamental para que a implementação de práticas higiênico-sanitárias seja eficaz, uma vez que esse trabalha diretamente com o leite. A implantação de hábitos adequados de higiene direcionados aos produtores de leite e, sobretudo aos ordenhadores, é um desafio constante, que implica em mudanças na forma de manejo e confronta hábitos culturais, sociais e econômicos. O trabalho para produzir leite de boa qualidade deve ser constante, acompanhando a incidência de mastite através do CMT, e melhorar a higiene da ordenha Com isso é possível fazer intervenções o mais rápido possível, aumentando as chances de sucesso na atividade leiteira.
Gráfico 2: Relação da resistência dos microrganismos a diferentes antimicrobianos utilizados nas fazendas. Gráfico 1: Percentual das vacas em lactação com
99 Resumo 50 - AÇÕES PARA MELHORIA DA QUALIDADE DO LEITE1.