Severino Benone Paes Barbosa1; Mariane de Souza Pacheco2; José do Egito de Paiva3; Ângela Maria Vieira Batista1; Luciana Martins Valença4; Maria José de Araújo Silva5; Maria
do Carmo da Silva6; Ricardson Carlos Barboza da Silva2
1Professor Titular, Departamento de Zootecnia/UFRPE, R. Dom Manoel de Medeiros, S/N, Recife-PE, CEP 52171-900, Fone: 81-33206577/6579, [email protected], [email protected] (Bolsista Produtividade do CNPq) 2Médico Veterinário, Departamento de Medicina Veterinária/UFRPE, [email protected] 3Professor Associado, Departamento de Tecnologia Rural/UFRPE, [email protected]Química, PROGENE/Departamento de Zootecnia/UFRPE, [email protected] 5Zootecnista, PROGENE/Departamento de Zootecnia/UFRPE, [email protected] 6Estudante de Graduação em Zootecnia, PROGENE/Departamento de Zootecnia/UFRPE, [email protected] Introdução: A atividade leiteira no Brasil desde a implantação da IN51 e, posteriormente, da IN62 tem apresentado grandes transformações. Na última década, o que se viu foi a entrada de novas empresas no mercado e grandes investimentos foram alocados no setor. O processo de consolidação da atividade encontra-se em franco curso, por meio de aquisição de empresas ou fusões. O setor cooperativista também tem se movimentando na busca de economia de escala e no aumento do poder de barganha junto aos setores competentes. No geral, essas transformações têm sido positivas, com aumento da produção total de leite, do consumo per capta, da quantidade de leite inspecionado. Quanto à qualidade do leite, para contagem de células somáticas (CCS) e contagem bacteriana total (CBT), já se observa reduções significativas, embora ainda aquém do que se espera de um leite de alta qualidade. Por tudo isso, o setor se prepara para ocupar nova fatia do mercado que é o investimento na qualidade do produto, em que os laboratórios da Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL) terão participação decisiva, beneficiando toda a cadeia do leite. Nessa visão, é fundamental que se avalie a composição do leite em sua totalidade (físico-química, CCS e CBT), à luz da IN62, o que vai possibilitar aos diferentes setores da atividade a exploração mais justa dos preços, particularmente para os extremos da cadeia, que são o produtor e o consumidor.
Material e Métodos: As amostras de leite foram colhidas em 44 unidades produtoras de leite (UPL) fornecedoras de uma indústria de beneficiamento localizada na região Agreste de Pernambuco, cujo volume médio de leite captado atualmente encontra-se em torno de 180.000 L/dia. A indústria possui em média 34 rotas para captação do leite nos mais diversos municípios. Todas as propriedades cadastradas para o fornecimento de leite possuem tanques de expansão, em regime de comodato com a indústria, e todo transporte do leite das propriedades até a indústria é feito através de caminhões tanque isotérmicos. Foram coletadas 132 amostras de leite cru diretamente dos tanques de resfriamento de estabelecimentos de produtores de leite da região do Agreste Meridional de Pernambuco, nos meses de março a novembro de 2010, para determinação da composição química (gordura, proteína, lactose, sólidos totais e estrato seco desengordurado-ESD), contagem de células somáticas (CCS) e contagem bacteriana total (CTB). As amostras foram enviadas ao PROGENE (Programa de Gerenciamento de Rebanhos Leiteiros do Nordeste – DZ/UFRPE). Para determinação dos componentes do leite, utilizou-se o método de espectroscopia no infravermelho médio; para CS e CBT utilizou-se o método de citometria de fluxo. As variáveis causais consideradas foram temperatura (°C), pH e acidez Dornic, (covariáveis), e como efeitos fixos rota [1- Garanhuns (seis UPL); 2-Garanhuns (cinco UPL) mais Jupi e Calçado; 3-Bom conselho (seis UPL); 4-Bom conselho (sete UPL); 5-Terezinha (quatro UPL) e Brejão (duas UPL); 6-Itaíba (seis UPL); 7-Belo Jardim (duas UPL), São Bento do Una (duas UPL) e mais uma formada por Lajedo e São Caetano], época de coleta (1, 2 e 3), volume do tanque (1000, 1200, 1500,
40 1600, 1900, 2000, 3000 e 4000L), e tipo de ordenha (balde ao pé, manual e mecânica). As análises estatísticas foram processadas através do programa GLM (SAS).
Resultados e Discussão: As médias não ajustadas dos teores de gordura, proteína, lactose, sólidos totais, extrato seco desengordurado, CCSx103 e CBTx103 foram 3,62 ± 0,33; 3,23 ± 0,20; 4,42 ± 0,17; 12,2 ± 0,47; 8,61 ± 0,25; 637,76 ± 500,09 e 737,86 ± 1008,0, respectivamente. Esses valores estão muito próximos a outros já relatados em trabalhos realizados em todo o Brasil, embora as médias de CCS e CBT estejam em não conformidade com a IN62. A rota influenciou significativamente (P < 0,05) os teores de gordura, proteína e sólidos totais, em que os maiores valores foram observados na rota 4; por outro lado, essa mesma rota determinou o menor valor de CCS (383,2x103), enquanto para CBT, o maior
valor (1.426,53x103) foi observado na rota 6 e o menor valor (279,53x103) na rota 3. Evidentemente, esses diferentes resultados proporcionados nas rotas podem ser reflexo de distintos sistemas de manejo e no material genético dos animais de cada localidade. A época de coleta 1 proporcionou maiores valores de proteína (3,40%) e ESD (8,73%) e menor valor de lactose (4,28%). Esses resultados refletem relação negativa entre proteína e lactose (P < 0,05). Maiores valores (P < 0,05) de gordura, proteína e sólidos totais foram encontrados em tanques de 1200L enquanto os menores valores foram observados em tanques de 2000 e 4000L. O tipo de ordenha influenciou apenas a CCS, em que o leite de ordenha mecânica apresentou os maiores valores. Provavelmente como consequência da técnica na retirada do leite, que pode provocar maior stress ou injúrias nos animais, ou mesmo como consequência de problemas relacionados à limpeza do equipamento. Entre as várias correlações significativas observadas, três foram mais relevantes em que se observou antagonismo entre CCS x gordura (- 0,20), CCS x lactose (- 0,35) e CCS x sólidos totais (- 0,19), mostrando redução na qualidade do leite com o aumento na contagem de células somáticas.
Conclusões: Os valores e resultados obtidos refletem conformidade da composição do leite cru, para os componentes gordura, proteína e ESD (IN62), entretanto, CCS e CBT sugerem que práticas de higiene e manejo mais adequados devem ser adotadas à atividade leiteira na região Agreste de Pernambuco, uma vez que mais de 50% dessas amostras estavam em não conformidade com a IN62.
41 Resumo 21 - ENUMERAÇÃO DE MICRO-ORGANISMOS MESÓFILOS E PSICROTRÓFICOS EM LEITE CRU PRODUZIDO NA REGIÃO DE VIÇOSA, MINAS GERAIS.
ENUMERATION OF MESOPHILIC AND PSYCROTROPHIC MICOORGANISMS