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A Figura 39, apresentada a seguir, mostra as ferramentas disponíveis para o professor/tutor e para o aluno. O primeiro pode escolher quais ferramentas aparecerão para os alunos quando estes acessarem o ambiente, e isso é feito na ferramenta “Administração”.

Figura 39 – Ferramentas disponíveis para professor/tutor e alunos

Fonte: Place (NÚCLEO..., 2017, on-line).

Conhecer a arquitetura e as ferramentas que compõem a plataforma Place é importante, visto que:

[...] a EaD é uma modalidade de grande responsabilidade e trabalho que exige muito estudo, pesquisa e discussão entre equipes especializadas de planejamento, mediação pedagógica e elaboração de materiais didáticos, equipe de design entre outros, para construção e melhorias dos instrumentos de ensino e aprendizagem. Demanda ainda estratégias metodológicas em que o professor e o aluno estão separados tanto fisicamente quanto temporalmente, mas têm relações mediadas pela ajuda das ferramentas/recursos tecnológicos e também pela oferta de atividades presenciais nos polos credenciados. (CAMPOS, 2015, p. 28)

5 ESTUDOPILOTO

Neste capítulo, apresento um relatório do estudo piloto realizado anteriormente à pesquisa de que esta tese trata. Em resumo, foi realizada uma investigação com dois sujeitos surdos, os quais expuseram suas percepções durante a utilização da Plataforma Place. Para tal, foram analisados os relatos desses dois sujeitos, e suas sugestões foram levadas aos responsáveis técnicos da Place para que possíveis alterações fossem realizadas. Nos parágrafos que seguem, serão colocados com mais detalhes os caminhos percorridos, o objetivo, a metodologia, os relatos dos sujeitos de pesquisa e as análises empreendidas, acompanhadas dos referenciais teóricos adotados.

Antes de iniciar o estudo, foi necessário conhecer o que havia na Place para ser explorado. O primeiro contato com a plataforma foi no ano de 2014, e a partir desse momento me senti instigada a trabalhar com esse ambiente virtual. Percebi que existia ali um novo desafio, pois ela precisaria ser adaptada com o objetivo de se tornar acessível ao público surdo.

Essa primeira investigação ocorreu nos anos de 2014, 2015 e 2016, tendo iniciado antes de meu ingresso no Doutorado como pesquisadora livre do NIEE. O objetivo foi examinar as percepções e observações de dois sujeitos surdos sobre a Place e também refletir, a partir de seus relatos, sobre a existência ou não de conflitos dentro do ambiente Place em relação a questões de acessibilidade e usabilidade. Os movimentos realizados no decorrer da investigação estão dispostos a seguir em uma estrutura de tópicos.

a) Preparação do ambiente Place para realização dos testes; b) Escolha e convite de duas pessoas surdas fluentes em Libras;

c) Realização de um primeiro encontro presencial, com explicação sobre o funcionamento da Plataforma Acessível;

d) Entrega do TCLE, registrando a aceitação dos sujeitos em participar da pesquisa; (Apêndice B)

e) Exploração autônoma do ambiente;

f) Implementação de material sobre o Microsoft Excel básico;

g) Realização de um segundo encontro presencial, com o objetivo de auxiliar os sujeitos na resposta aos questionários – análise;

h) Realização de um terceiro encontro, com realização e registro de entrevistas; i) Coleta dos resultados e reflexões a partir dos relatos dos sujeitos.

Inicialmente, foi implementado um material básico sobre o software Microsoft Excel, o qual foi selecionado por ser um programa do cotidiano dos usuários e de fácil manipulação quando abordado em suas características básicas. O objetivo disso não foi promover a aprendizagem do conteúdo do curso em si, mas verificar se os sujeitos conseguiriam resolver as atividades na plataforma de forma autônoma, explorando sozinhos as demais ferramentas.

A escolha dos sujeitos surdos para colaborarem com a pesquisa teve como critério o contato prévio (ou não) com AVAs. O Sujeito 1 não conhecia a plataforma e nunca teve contato anterior, enquanto o Sujeito 2 já tinha experiência com o ambiente. Com isso, esperava-se ter opiniões vindas de pessoas com e sem experiência em plataformas digitais. O convite feito a dois surdos, um com e outro sem experiência EaD.

a) Sujeito 1, com experiência em informática: 24 anos de idade. Tem experiência como Técnico de Informática no setor EaD da empresa SENAC. Atua como voluntário em outras instituições e eventos. Acessou pela primeira vez a Place no segundo semestre 2015.

b) Sujeito 2, com experiência em plataformas EaD: 38 anos de idade. Professor de Libras na FURG. Tem graduação em Letras/Libras – curso semi-presencial que pretendeu ser totalmente acessível para os alunos surdos, por meio da tradução e postagem de vídeos em LIBRAS dentro da plataforma Moodle14 e

no sítio eletrônico do curso. Acessou pela primeira vez a Place no primeiro semestre de 2015.

Após a identificação desses sujeitos, foi combinado que eu encontraria cada um deles no local que achassem mais apropriado, de acordo com sua disponibilidade de tempo. Foi acordado entre todos que o primeiro encontro seria na SSRS, simultaneamente. Nesse dia, foram dadas algumas orientações básicas.

Concluída essa primeira fase, os sujeitos foram questionados sobre sua concordância em participar ou não da investigação. Ambos responderam positivamente,

14 Embora não se tenha estudos os quais mostrem que o Moodle é um ambiente acessível, o Sujeito 2 diz ter se sentido contemplado no curso de Letras-Libras, pois esta plataforma aceitava adaptações favoráveis, como a postagem de vídeos em muitas de suas ferramentas.

e com isso assinaram o TCLE, em respeito aos aspectos éticos que permeiam qualquer pesquisa acadêmica.

Assim que receberam a autorização de acesso da pesquisadora, os sujeitos iniciaram o período de investigação da Place, para que fosse explorada sem um direcionamento ou orientação prévia. Nesse momento ainda não havia nenhuma tarefa a ser realizada, apenas a solicitação de que analisassem todos os recursos que a plataforma oferecia, para que se ambientassem e também verificassem sua adequação às necessidades dos surdos.

Passado cerca de um mês dessa etapa, foi então disponibilizado material sobre o Microsoft Excel, com atividades a serem realizadas pelos participantes dentro do próprio ambiente. Algumas dúvidas foram esclarecidas pela pesquisadora, numa dinâmica semelhante à de tutoria.

Na sequência, realizou-se um segundo encontro presencial, dessa vez individual. Com o Sujeito 1, essa reunião ocorreu em seu local de trabalho, mediante liberação da chefia. Com o Sujeito 2, o encontro foi em sua residência, por opção dele. O objetivo dessas reuniões foi esclarecer dúvidas dos participantes sobre o questionário e orientá-los a respeito de como responder às perguntas.

Cabe ressaltar que cada participante escolheu a forma que julgava mais adequada para responder às perguntas do questionário. O Sujeito 1 optou por responder inteiramente em língua de sinais, sua primeira língua, por meio de gravações. Já o Sujeito 2, sentiu-se confortável em responder na língua portuguesa escrita, sua segunda língua. Embora essas escolhas linguísticas tenham potencialmente influenciado no resultado final, ambas as opções foram aceitas para a pesquisa, em respeito às opções adotadas por cada sujeito.

De posse das informações dos questionários, senti que faltavam alguns aspectos que precisavam ser esclarecidos. A partir da análise preliminar dos questionários, elenquei algumas perguntas que seriam feitas num terceiro momento, no qual realizaríamos uma entrevista com os sujeitos.

Esse terceiro encontro ocorreu nas modalidades presencial com o Sujeito 2 e a distância com o Sujeito 1. A reunião com o Sujeito 2 foi, novamente, em sua residência, em horário escolhido por ele. O Sujeito 1 optou por fazer upload de um vídeo com suas respostas no YouTube e enviar para a pesquisadora. Aos sujeitos foi questionado sobre a sua opinião acerca da estrutura, do design e das ferramentas do ambiente, apontando aspectos que, para eles, poderiam ser consideradas falhas. Foi solicitado que os

participantes detalhassem o máximo possível suas respostas, as quais serão apresentadas no decorrer desta seção.

Com os registros dos sujeitos surdos em mãos, realizou-se a análise e a seleção das questões que me pareciam mais significativas, tanto as que se referiam aos pontos positivos, quanto aos pontos negativos, e que serão apresentadas na análise de dados. A partir desses registros, decidi escolher quatro ferramentas da plataforma para dar continuidade às análises. Os recursos escolhidos foram: o chat, o perfil e o diário de bordo. Também foi solicitado que incluíssem o software tradutor automático – que é externo à Place – para verificarem a possibilidade de utilização desse recurso para as traduções do menu, das ferramentas e também do conteúdo.

Até aqui, expus elementos metodológicos e os caminhos da investigação. A seguir, apresento os relatos dos sujeitos sobre o sistema e o conteúdo, bem como as análises realizadas dentro do recorte estipulado. Cada seção tratará da visão geral dos sujeitos, de cada uma das ferramentas escolhidas e, por fim, algumas considerações finais. Destaca-se que, para cada um desses pontos e sujeitos, foram separadas as respostas em aspectos vinculados ao sistema da Place (funcionamento dos recursos, programação, estrutura etc.) e ao conteúdo do curso ofertado (tradução de textos, procedimentos didáticos, formatação, entre outros). Tal separação marca dois vieses: questões da Place, que podem ser reconsideradas pelos programadores, e questões do curso, que devem ser revisitados pelos professores/tutores e demais envolvidos na produção deste. Abaixo serão mostrados os resultados obtidos somente em relação ao sistema. Os comentários sobre o conteúdo estão colocados no Apêndice C.