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Neoliberais e a Teoria da Interdependência

No documento relações internacionais (páginas 37-41)

Um dos últimos debates que merece referência neste curso é o que se dá entre neorrealistas e globalistas.

Como visto, a corrente neorrealista surge com o objetivo de desenvolver uma análise mais precisa das Relações Internacionais, baseada nos pressupostos realistas clássicos, mas com adaptações que tinham que considerar a nova realidade internacional mais complexa.

Como já referido, Waltz (2002) reafirma a perspectiva tradicional realista: o princípio da soberania estatal confere à Sociedade Internacional características próprias e limita os domínios da cooperação internacional, prejudicando qualquer integração durável. O autor retoma a ênfase na teoria do equilíbrio de poder diante do Sistema Internacional anárquico, no qual os Estados competem e atuam em defesa de seus interesses, que podem ser percebidos como, no mínimo, a sua própria preservação, e, no máximo, a dominação universal.

O Globalismo, por sua vez, usa algumas das categorias que o Neorrealismo usa (como o poder estrutural), pois também deriva do Estruturalismo, mas surge como uma corrente alternativa. Os globalistas reconhecem, como os neorrealistas, que há limitações estruturais para a cooperação entre os Estados, mas defendem que isso se dá mais em razão da hierarquia do que da anarquia no Sistema. Para eles, a hierarquia, como uma característica chave, é mais importante do que a anarquia, dada a desigualdade na distribuição do poder dentro do sistema. Os globalistas enfatizam o poder estrutural e centram as capacidades chaves no sistema econômico. Para eles, uma divisão peculiar do trabalho ocorreu historicamente no sistema mundial como resultado do desenvolvimento do capitalismo como a forma dominante de produção.

Como já referido na Unidade 3, o Globalismo busca explicar as relações internacionais não em virtude de cooperação ou conflito, mas sob a ótica do subdesenvolvimento de vários países. Os globalistas buscam analisar as Relações Internacionais dentro de um contexto global e geral, assim como fazem os neorrealistas, mas acreditam que o que deve ser explicado são as relações de dominação, ou seja, como a minoria consegue dominar a maioria, doméstica ou internacionalmente, e essa dominação encontra na Economia seu aspecto central.

“Existe uma influência marxista no globalismo, principalmente nas análises sobre o padrão de evolução histórica das relações de dominação (o conflito seria o motor da dinâmica entre as classes sociais). Existe também um enfoque na totalidade, ou seja, não é possível entender o capitalismo sem entender as relações de exploração. Afirmam também, nessa perspectiva global, que qualquer solução localizada deve ser vista apenas como uma etapa da solução global.” Miguel Burnier, Debate Interparadigmático das Relações Internacionais, no Caderno Pet Jur n. IV.

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O Globalismo vê um sistema-mundo capitalista composto por um núcleo (o centro) e a periferia. As áreas centrais se engajaram, historicamente, nas atividades econômicas mais avançadas: bancária, industrial, agricultura de alta tecnologia etc. A periferia tem fornecido matéria-prima, como minérios e madeira, para a expansão econômica do centro. O trabalho não qualificado é sufocado, e aos países periféricos é negado o acesso a tecnologias avançadas nas áreas/setores em que podem vir a competir com os países centrais. O relacionamento polarizado entre as duas categorias é um dos motores do sistema.

Assim, não basta um consenso ideológico a favor do capitalismo (como pensam os neoliberais) ou uma concentração do poder militar entre as hegemonias do centro (como pensam os neorrealistas) para que um conflito sério no sistema possa ser evitado. Para os globalistas, não bastaria nenhum dos dois se não fosse a divisão da maioria numa camada inferior maior.

Autores globalistas, como Immanuel Wallerstein, acreditam que o sistema-mundo continuará a funcionar como tem feito nos últimos quinhentos anos, em busca do acúmulo sem fim de bens e capital, e que a periferia será cada vez mais marginalizada na medida em que a sofisticação tecnológica do centro se acelerar.

Neorrealistas X Neoliberais e a Teoria da Interdependência

Este último debate é o mais relevante para o mundo que se descortina diante de nossos olhos neste início do século XXI. Também pode ser referido como um debate entre neorrealistas e pluralistas, já que os liberais e neoliberais se reúnem no paradigma pluralista.

Como pano de fundo desse debate temos a Teoria da Interdependência. Esse debate teórico ganhou força nas décadas de 1980 e 1990 e perdura até os dias de hoje. O debate se dá em torno de questões como: se o sistema internacional mudou ou não sob o impacto da interdependência, e quais as implicações de tal mudança para a teoria e prática das relações internacionais. No fundo, quando surgiu o debate, a questão era se o modelo clássico da “anarquia” estava perdendo seu poder explicativo frente à “interdependência” entre os Estados, se a agenda tradicional das relações internacionais passou ou não a reduzir a importância da “alta política” (high politics – segurança militar, dissuasão nuclear) e a elevar a “baixa política” (low politics – comércio, finanças internacionais etc.).

Na época em que surgiu, a discussão era travada entre os que acreditavam que o sistema internacional não estava sofrendo nenhuma mudança sistêmica (a escola neorrealista) e os que argumentavam que o Realismo passou a ser um guia inadequado para a compreensão das mudanças dramáticas ocorridas nas relações internacionais como resultado das forças econômicas transnacionais (a escola neoliberal).

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A razão desse debate era a crise do sistema Bretton Woods, a crise de conversibilidade do dólar e os choques de petróleo, eventos que abalaram todo o mundo. E, claro, não se pode deixar de citar, o fracasso dos EUA na Guerra do Vietnã.

Segundo Waltz (2002), a direção da interdependência econômica dependia da distribuição de poder no Sistema Internacional. O significado político das forças transnacionais não decorre de sua escala; o que importa é a vulnerabilidade dos Estados às forças fora de controle e os custos da redução de exposição a essas forças. Para Waltz, no sistema bipolar então vigente, o grau de interdependência era relativamente baixo entre as Superpotências, e a persistência da anarquia, como princípio central organizador das relações internacionais, garantia que os Estados

continuassem a privilegiar a segurança acima da busca por riquezas (GRIFFITHS, 2004).

Do outro lado do debate estavam os neoliberais, que afirmavam que o crescimento das forças econômicas transnacionais, como os fluxos financeiros, a crescente irrelevância do controle territorial frente ao crescimento econômico e a divisão internacional do trabalho tornavam o Realismo obsoleto. Os benefícios coletivos do comércio e a influência dos fluxos financeiros para as políticas domésticas dos Estados assegurariam uma cooperação maior entre os Estados e contribuiriam para o declínio do uso da força entre eles.

Um dos fortes defensores das teses neorrealistas foi Stephen Krasner. Para Krasner (1983), os Estados soberanos continuam sendo, nos tempos de hoje, agentes racionais e interesseiros, firmemente preocupados com seus ganhos relativos. Argumentou que os períodos de abertura na economia mundial correspondem aos períodos nos quais um Estado é nitidamente dominante. No século XIX, foi a Grã-Bretanha; no período 1945-1960, os EUA. Por consequência, concorda com Waltz: o grau de abertura depende, em si, da distribuição de poder entre os Estados. A “interdependência” econômica é subordinada ao equilíbrio de poder econômico e político entre os Estados, e não o contrário.

A teoria da Estabilidade Hegemônica, vista da Unidade 2, trata-se desse ponto.

Krasner também ataca os globalistas. Para ele, os Estados nem sempre colocam a riqueza acima dos outros objetivos. O poder político e a estabilidade social também são cruciais, e isso significa que, embora o comércio aberto possa fornecer ganhos absolutos para todos os Estados que se comprometerem com ele, alguns Estados ganharão mais do que outros, e essas diferenças de poder são o principal fator determinante e explicativo do comportamento dos Estados. Krasner ataca os globalistas pelo fracasso em explicarem o envolvimento dos EUA na Guerra do Vietnã, que provocou tão intensas discordâncias domésticas para tão pouco ganho econômico. Se os EUA frequentemente desejavam proteger os interesses das corporações norte-americanas, reservaram o uso da força em larga escala, todavia, para as causas ideológicas. Isso explicaria a guerra contra o Vietnã, uma área de importância econômica insignificante para os EUA, e a relutância no uso da força durante as crises do petróleo nos anos de 1970, que ameaçaram o fornecimento do produto em todo o mundo capitalista.

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Krasner atacou de frente a “interdependência” neoliberal, e todo o institucionalismo supostamente por trás dela. Segundo ele, Estados pequenos e pobres do Sul tendem a apoiar os regimes internacionais que distribuem recursos autoritariamente, ao passo que os Estados mais ricos do Norte favorecem regimes cujos princípios e regras dão prioridade aos mecanismos de mercado. Regimes internacionais “autoritários” são aqueles conjuntos de regras, normas, princípios e procedimentos que aumentam os poderes soberanos dos Estados individualmente, dando aos Estados o direito de regulamentar fluxos internacionais (migração, sinais de rádio, ativos financeiros, aviação civil etc.) ou de distribuir acesso a recursos internacionais (fundo do mar, atmosfera, etc.). Os Estados do Terceiro Mundo procuram, na verdade, proteção. Tentam se proteger contra a operação de mercados em que eles se encontram em desvantagem. Não seria por outro motivo o apoio de países do Terceiro Mundo ao Fórum Social Mundial, cujas preocupações têm sido a regulamentação dos fluxos financeiros internacionais e a imposição de uma tributação sobre eles (a chamada “taxa Tobin”).

Regimes internacionais são normalmente definidos como princípios, normas, regras e processos de tomada de decisão em torno dos quais as expectativas do Ator

convergem para uma dada questão setorizada (issue area). Os regimes implicam não apenas normas e expectativas que facilitam a cooperação entre os Estados, mas formas de cooperação

Krasner, assim, identifica uma dicotomia regulamentação/Terceiro Mundo versus desregulamentação/Primeiro Mundo, que, no fundo, evidencia relações de poder. Krasner, desse modo, rejeita, mais uma vez, a hipótese de que os Estados perseguem simplesmente riqueza, e argumenta que os Estados do Terceiro Mundo também se envolvem em lutas pelo poder, querendo diminuir sua vulnerabilidade ao mercado e exercer um controle estatal maior sobre ele (é o que estaria por trás, por exemplo, das discussões na China sobre o controle ou não dos fluxos de capital – deixar ou não fechada a conta de capital do balanço de pagamentos). Assim, a soberania dá aos Estados do Terceiro Mundo uma forma de “metapoder” ou poder de uma ideologia coerente para atacar a legitimidade dos regimes do mercado internacional e as injustiças do capitalismo global (GRIFFITHS, 2004).

Portanto, para os neorrealistas, a tentativa de estabelecer regimes internacionais como meio de superar ou atenuar os efeitos da anarquia não funciona. Tais regimes não disfarçam as diferenças de poder existentes nas relações internacionais e tampouco conseguem alterar a importância da soberania dos Estados.

Neoliberais como Robert Keohane (2001) tentariam derrubar essas teses, buscando uma resposta positiva para a questão de se as instituições explicam ou não o comportamento dos Estados. O argumento básico de Keohane é que, num mundo interdependente, o paradigma realista é de uso limitado para ajudar a compreender a dinâmica dos regimes internacionais, ou seja, as normas, regras e princípios que governam as tomadas de decisão e as operações em relações internacionais sobre determinadas questões, como o dinheiro.

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Os neoliberais usam o modelo da “interdependência complexa”. Trata-se de um modelo explanatório das relações internacionais que pressupõe múltiplos canais de contato entre as sociedades, uma ausência de hierarquia entre questões de agenda e uma diminuição da utilidade do poder militar, ou um papel minimizado para o uso da força. A “interdependência complexa” é o resultado da multiplicação das interconexões globais e da aceleração de fluxos financeiros, demográficos, de bens, serviços e de informações, com operadores extremamente variados: organizações intergovernamentais, multinacionais, organizações não governamentais, sociedade civil, dentre outros, os quais passam a ganhar espaço nas decisões e discussões internacionais, e o Estado deixa de ter o único papel relevante nas relações internacionais, embora ainda proeminente.

Sob condições de interdependência complexa, os neoliberais afirmam que é difícil para Estados democráticos delinearem e perseguirem políticas exteriores racionais, como defendem os realistas.

Os neorrealistas, tornando o debate mais acalorado, responderam dizendo que não é verdade que a distribuição de poder político e militar não se relacione com a condição de interdependência complexa. A Teoria da Estabilidade Hegemônica é normalmente citada como a conjugação das ideias do realismo com as ideias pluralistas de interdependência (vide Unidade 2). Ela explica, por exemplo, a ligação entre o poder hegemônico e o grau de interdependência complexa no comércio internacional. Waltz, ao falar sobre a importância do equilíbrio de poder, mostrou que a interdependência, longe de tornar obsoleto o poder, dependia da habilidade e da disposição dos EUA em fornecer as condições sob as quais os outros Estados estariam participando da concorrência por ganhos relativos e cooperando para maximizar seus ganhos absolutos com base em

uma cooperação no comércio e em outros setores de controvérsia.

A Teoria da Estabilidade Hegemônica procurou responder ao argumento neoliberal de que o crescimento da interdependência econômica entre os Estados os estaria enfraquecendo e atenuando o relacionamento histórico entre a força militar e a capacidade de sustentar interesses nacionais. Afinal, está a interdependência econômica que testemunhamos no mundo atual reduzindo a importância do poder militar? A resposta dessa teoria é negativa, como visto.

Portanto, para autores como Gilpin, a liderança hegemônica dos EUA e o antissovietismo foram as bases do compromisso com o “internacionalismo liberal” e com o estabelecimento de instituições internacionais para facilitar a grande expansão comercial ocorrida entre os Estados capitalistas nos anos de 1950 e 1960 (chamados de “anos dourados” por Eric Hobsbawm). Giovanni Arrighi, em sua obra O longo século XX, apresentou tese no mesmo sentido. Sem a presença de um hegemon, não teria havido os anos dourados do pós-Guerra.

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Nessa Unidade então, estudamos a principal corrente teórica das Relações Internacionais: O Realismo. Volte ao início da Unidade e verifique se os objetivos propostos foram alcançados. As atividades que propomos a seguir o ajudarão nesse sentido.

Não perca os prazos! Consulte com regularidade o Calendário de Atividades do Curso!

Unidade 5 - Sociedade Internacional: Aspectos Gerais

A Unidade 5 do Módulo I é dedicada ao estudo de questões e aspectos gerais que caracterizam a Sociedade Internacional. Para tanto, ela foi assim preparada:

Evolução histórica e conceitos: •Elementos Fundamentais e Sistema da Sociedade Internacional;

Comunicação

Caso não esteja seguro com relação ao domínio do conteúdo, reveja suas anotações pessoais e releia o Módulo I. Você deve consultar o seu Professor-Tutor em caso de dúvidas, por meio do Menu - Comunicação, escolha a opção: " Fale com o tutor / colegas" e registre sua dúvida!

Síntese

O Realismo continua sendo a principal corrente teórica de Relações Internacionais. No século XXI, análises sob uma ótica realista passam a considerar diferentes fatores e novos Atores. Não obstante, esses novos elementos não conduzem à decadência ou obsolescência do paradigma, mas, sim, a novas adaptações. As teses neorrealistas são bons exemplos. De fato, com as mudanças na política internacional que vêm ocorrendo neste início de milênio, motivadas pelas pretensões hegemônicas de projeção de poder da Hiperpotência norte-americana, nunca o mundo pareceu tão realista.

Avaliação Objetiva

Atividades de autoavaliação - Essa atividade o auxiliará a autoavaliar seus conhecimentos. Responda às questões objetivas, que serão corrigidas automaticamente pelo sistema. Escolha a opção referente a esta unidade. Acesso pelo menu "Avaliações - Objetivas".

•A extensão espacial;

•A diversidade sistêmica; •A estratificação hierárquica;

•A polarização;

•O grau de homogeneidade e heterogeneidade; •O grau de institucionalização

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Sociedade Internacional: Evolução histórica e conceito

Em um primeiro momento, podemos relacionar a Sociedade Internacional à evolução histórica das relações entre os grupos, povos e Estados- nações organizados em âmbito espacial determinado. Assim, é possível identificar a evolução da Sociedade Internacional a partir das relações entre os grupos primitivos da Antiguidade, passando pelos reinos e impérios e chegando à Idade Contemporânea, com a ascensão e o declínio do Estado-nação frente a um sistema cada vez mais globalizado e interdependente.

Em nossas observações acerca da Sociedade Internacional, a análise histórica pode ser de grande auxílio. Essa análise é definida como o estudo do grande número de eventos ou fatos que transcenderam as fronteiras entre os Estados e que relacionaram entre si as nações e os povos, de forma pacífica ou conflituosa.

Conceito de Sociedade Internacional

Convém apenas lembrar que definimos Sociedade Internacional como o conjunto de entes que interagem de maneira sistêmica em uma esfera internacional sob a influência de forças profundas. Passemos aos elementos fundamentais da Sociedade Internacional.

Elementos Fundamentais e Sistema da Sociedade Internacional

Para Rafael Calduch Cervera (1991, p. 64-55), “a Sociedade Internacional é uma sociedade global de referência”, ou seja, constitui “um marco social de referência, um todo social em que estão inseridos todos demais grupos sociais, quaisquer que sejam seus graus de evolução e poder”. É uma “sociedade de sociedades, ou macrossociedade, em cujo seio surgem e se desenvolvem os grupos humanos, desde a família às organizações intergovernamentais, passando pelos Estados.”

A Sociedade Internacional pode ser percebida como um conjunto de sociedades, sendo, portanto, heterogênea. Registre-se que há cerca de apenas três séculos é que a Sociedade Internacional começou a adquirir características “globais”: até recentemente, pouco contato havia entre as diversas “sociedades” dentro da Sociedade Internacional.

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Outro ponto a que Calduch chama a atenção é que “a Sociedade Internacional é distinta da sociedade interestatal”. Mesmo sendo o Estado o principal Ator internacional, compreender a Sociedade Internacional apenas com base nas relações interestatais conduziria a uma percepção obscura e, portanto, deficiente da realidade. Não há como desconsiderar, sobretudo nos dias atuais, a presença e influência cada vez maior de grupos diferentes dos Estados-nação no sistema internacional. Ademais, convém lembrar que a doutrina aceita a existência de uma Sociedade

Objetivos

 apresentar os aspectos gerais que caracterizam a Sociedade Internacional;

 assinalar as subestruturas que compõem a Sociedade Internacional e sua importância na compreensão da mesma.

Atenção

Outro fator importante, que pode contribuir para o aproveitamento do curso, é sua organização pessoal e a disponibilidade de um tempo diário e preciso para os estudos.

Internacional antes do surgimento dos Estados nacionais.

Calduch afirma, ainda, que não é possível considerar a existência de uma Sociedade Internacional em seu sentido estrito, sem que seus membros mantenham relações mútuas intensas e duráveis no tempo. Com isso, assinala que a mera ocorrência de ações esporádicas e ocasionais não basta para se considerar a existência de uma Sociedade Internacional.

Discordamos dessa percepção de Calduch. Afinal, o que não se pode conceber, nos termos apresentados, é uma sociedade global, interdependente, como a dos dias atuais. Entretanto, Sociedade Internacional sempre houve, mesmo que sua principal característica fosse a falta de interação entre as sociedades/civilizações que a compunham.

A Sociedade Internacional pode ser percebida na dicotomia “anarquia x ordem comum”. Evidente que é anárquica por não possuir uma autoridade superior que, legítima titular do uso da força, controle ou imponha a conduta a seus membros. Não existe um governo mundial ou uma autoridade supraestatal. Assim, os Atores conduzem suas relações internacionais de acordo com seus próprios interesses e, ao menos no que concerne aos Estados, não aceitam, de maneira geral, autoridade superior no sistema.

Todavia, relembre-se que anarquia internacional não é sinônimo de desordem. Há uma ordem comum no meio internacional, estabelecida pelos próprios Atores para viabilizar suas relações. Nesse sentido, o papel das grandes Potências é essencial, pois são elas que definem os rumos do sistema. Não poderiam existir “relações internacionais” sem um ordenamento mínimo na Sociedade Internacional.

Essa ordem internacional emana da correlação de forças e poderes entre os Atores internacionais. Pode-se dizer que esse ordenamento é estruturado com base em elementos como extensão espacial, diversificação estrutural, estratificação e hierarquia, polarização, grau de homogeneidade ou heterogeneidade e de institucionalização. São os chamados “elementos da estrutura internacional”. Variam conforme o tempo e as diferentes sociedades, podendo ser identificados em todas elas.

Esses elementos foram apresentados por Calduch, e as observações que faremos a respeito são provenientes do estudo de sua obra.

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A extensão espacial

Para Calduch, “a Sociedade Internacional é uma sociedade territorial”. Daí considerar-se essencial para a análise de qualquer Sociedade Internacional o conhecimento do “marco espacial” em que a referida sociedade se encontra assentada.

A Sociedade Internacional sofrerá transformações em sua estrutura e dinamismo sempre que sua dimensão espacial for alterada, ou, ainda, quando algum de seus membros principais experimentar mudanças em seus limites fronteiriços ou em sua zona de influência territorial direta –

No documento relações internacionais (páginas 37-41)