II D ENTES D ESPOLPADOS
1.2. P REPARO DO C ONDUTO
Existem 4 fatores que devem ser analisados para propiciar retenção adequada ao núcleo intra-radicular: comprimento, inclinação das paredes, diâmetro e ca- racterísticas superficial.
Comprimento: A literatura é vasta em relação ao comprimento do núcleo intrar-radicular: deve ser igual ou maior que da coroa clínica, dois terços do comprimento da raiz, 3/
4, etc. Entretanto, como regra geral, o comprimento do pino intra-radicular deve atingir 2/
3 do comprimento total do remanescente dental, embora o meio mais seguro, principalmente naqueles dentes que tenham sofrido perda óssea, é ter o pino no comprimento equivalente à metade do su- porte ósseo da raiz envolvida.
N Ú C L E O S
■ FIGURA 5.2A
Desenho esquemático mostrando a incidência de forças oblíquas na raiz de um dente sem remanescente coronário.
FIG 5.2B
FIG 5.2D
FIG 5.2C
FIG 5.2E
A presença de uma pequena caixa no interior da raiz direciona a força mais próxima do sentido vertical.
raiz proporciona uma distribuição mais uniforme das forças oclusais ao longo de toda superfície radicular, diminuindo a possibilidade de ocorrer concentração de estresse em determinadas áreas e, consequentemen- te, fratura. Comprimento correto do núcleo no inte-
rior da raiz é sinónimo de longevidade da prótese. O
comprimento do pino deve ser analisado e
determinado por uma radiografia periapical após o preparo da porção coronária e levando-se em conside- ração a quantidade mínima de 4mm de material ob- turador que deve ser deixado na região apical do con- duto radicular para garantir um vedamento efetivo nessa região (Figs. 5.3A a 5.3N).
P R Ó T E S E F I X A
FIG 5.3A
I
FIG 5.
■ FIGURAS 5.3A e 5.3B
Vista dos dentes 25 e 27 que serão preparados para prótese fixa e radiografia do 25 que receberá núcleo intra- radicular fundido.
FIG 5.3C FIG 5.]
■ FIGURAS 5.3C e 5.3D
Após o preparo para coroa metalocerâmica e remoção do cimento da câmara pulpar, a parede vestibular ficou muito fina, precisando ser desgasta até conseguir estrutura dentinária com espessura suficiente para servir como base de sustentação para a porção coronária do núcleo. A extensão do pino dentro do conduto deve ser determinado somente nesta fase.
FIGURA 5.3E
Imagem radiográfica mostrando a abertura do conduto na
extensão do /3 do remanescente coroa/raiz, mantendo
■ FIGURA 5.3F
Comprimento ideal do núcleo equivalente a 2/3 do rema-
nescente dental ou a metade do suporte ósseo que en- volve a raiz.
N Ú C LE O S
FIGURA 5.3G
Núcleo curto favorece a concentração de estresse em determinadas áreas, causando a fratura da raiz.
FIGURA 5.3H
Forma ovalada do conduto
FIG 5.31 1 FIG 5.3J ■ FIGURAS 5.31 e 5.3J Núcleo em resina FIGURA 5.3K
Durante a prova do núcleo é importante que sua adapta- ção seja feita passivamente. Para isso, deve-se usar líquidos evidenciadores de contato para conseguir esse objetivo.
FIGURA 5.3L
P R Ó T E S E F I X A
FIG 5.3M
FIGURAS 5.3M e 5.3N
Vistas do núcleo e prótese cimentados.
quais o material obturador não atingiu o nível desejado, deve-se considerar dois aspectos o tempo de tratamento e a presença de lesão periapical. Na presença desta, indica- se sempre o retratamento do conduto, dada a sua defi- ciência que pode estar contribuindo para a evolução da lesão; na sua ausência, deve-se considerar o tempo de tratamento. Se realizado há pelo menos 5 anos procede- se à execução do núcleo, mantendo-se o remanescente do material obturador como comentado anteriormente. Se a porção preparada do conduto não for considerada adequada para estabelecer o comprimento do núcleo, indica-se o retratamento do canal, independente do tem- po e da ausência de lesão. Em dentes cujos canais foram obturados com cone de prata, recomenda-se o retrata- mento para que possam receber núcleos fundidos, man- tendo com segurança o selamento apical.
Inclinação das paredes do conduto: Os núcleos intra-radiculares com paredes inclinadas, além de apresentarem menor retenção que os de paredes para- lelas também desenvolvem grande concentração de esforços em suas paredes circundantes, podendo gerar um efeito de cunha e, consequentemente, desenvolver fraturas em sua volta.
Em vista disso, quando do preparo do conduto, especial atenção deve ser tomada com a inclinação das paredes. Busca-se seguir a própria inclinação do condu- to, que foi alargada pelo tratamento endodôntico, e que terá seu desgaste aumentado principalmente na porção apical para a colocação do núcleo intraradicular, até que se tenha comprimento e diâmetro adequados. Em algumas situações, devido ao tipo de abertura reali- zada durante o tratamento endodôntico, presença de cáries ou remoção de pinos anteriormente colocados, o contudo pode ter suas paredes muito inclinadas e para compensar esta deficiência, o profissional deve lançar mão de meios alternativos, como aumentar o compri-
mento do pino intra-radicular para se conseguir alguma forma de paralelismo nas paredes próximas à região apical, e/ou aproveitar ao máximo a porção coronal remanescente, que irá auxiliar na retenção e minimizar a distribuição de esforços na raiz do dente.
Em casos extremos de destruição, quando o conduto está muito alargado e, consequentente as paredes da raiz estão muito finas e o dente é estrategicamente im- portante no planejamento da prótese, pode-se utilizar os núcleos estojados para proteger a raiz. Este tipo de núcleo busca retenção intra-radicular e, ao mesmo tem- po, protege as paredes delgadas do remanescente radi- cular, através do biselamento das paredes da raiz. As- sim, essas paredes serão protegidas com o metal com o qual é confeccionado o núcleo. A porção coronária deve prover espaço adequado para o tipo de coroa indi- cado, sendo que a adaptação desta ocorrerá na região cervical do núcleo metálico. (Figs. 5.4A a 5.4G)
Diâmetro do pino: O diâmetro da porção intra- radicular do núcleo metálico é importante na retenção da restauração e na sua habilidade para resistir aos esfor- ços transmitidos durante a função mastigatória. E claro que, quanto maior o diâmetro do pino, maior será a sua retenção e resistência porém, deve ser considerado tam- bém o possível enfraquecimento da raiz remanescente. Em vista disto, tem sido sugerido que o diâmetro do pino deve apresentar até 7 do diâmetro total da raiz e que a espessura de dentina deve ser maior na face vesti- bular dos dentes anteriores superiores devido a incidên- cia de força ser maior neste sentido (Fig. 5.3F).
Clinicamente, o diâmetro do pino deve ser deter- minado comparando-se através de um radiografia, o diâmetro da broca com o do conduto. Cuidado espe- cial deve ser tomado na região do terço apical onde a largura mésio-distal é a porção mais estreita da raiz. Para que o metal utilizado apresente resistência satis-
N Ú C L E O S
FIGURA 5.4A
Vista oclusal do pré-molar preparado para receber núcleo estojado. Observe a presença das caixas oclusais e o tér- mino cervical em bisel.
■ FIGURA 5.4B Molde em sílicona.
» FIGURA 5.4C
Modelo de trabalho mostrando as caixas nas faces vesti- bular e lingual que tem como função evitar a rotação do núcleo e possibilitar a transmissão da força no sentido vertical.
■ FIGURA 5.4D
Vista aproximada do troquei
■ FIGURA 5.4E Núcleo encerado.
P R Ó T E S E F I X A
■ FIGURAS 5.4F e 5.4G
Núcleo cimentado e imagem radiográfica.
fatória, é indi pensável que tenha pelo menos lmm s de diâmetro na sua extremidade apical.
Característica superficial do pino intra-radicu-
lar: Para aumentar a retenção de núcleos fundidos que apresentam superfícies lisas, estas podem ser tor- nadas irregulares ou rugosas antes da cimentação usando-se brocas ou, jateadas com óxido de alumínio.