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Palmer, The Five Points of Calvinism, 95.

No documento Contra o Calvinismo Roger Olson.pdf (páginas 155-160)

Sim para a eleição; não para a dupla predestinação

ELEIÇÃO INCONDICIONAL É DUPLA PREDESTINAÇÃO

11. Palmer, The Five Points of Calvinism, 95.

Sim para a eleição; não para a dupla predestinação

como Boettner e outros, ele admite que esta é uma doutrina difícil, mas diz que “ nosso Deus infinito nos apresenta algumas verdades im- pressionantes - verdades estas à quais nossas mentes pecam inosas e finitas se rebelam contra” 12. Ele argumenta que 0pecado acontece pela “perm issão eficaz de Deus” - algo que nós já observam os em outros teólogos calvinistas que relutam em dizer que o pecado é causado por Deus . Parece que a “perm issão eficaz” deve significar, assim como a perm issão de Deus do pecado e 0 mal significa em Edwards, Boettner e outros, que Deus 0 torna certo sem forçar as pessoas a pecar. Palmer diz: “Todas as coisas, incluindo o pecado, são realizados por Deus - sem Deus violar Sua santidade” 13

Palmer defende que a predestinação de alguns necessariam ente implica na reprovação de outros: “Se Deus escolhe alguns, então Ele necessariam ente ignora outras”. Para cim a sugere para baixo; atrás sugere a frente; 0 molhado sugere 0 seco; 0 mais tarde sugere 0 mais cedo, escolher sugere deixar outros sem que sejam escolhidos” 14. Ele então prossegue para argumentar que Deus não “efetua” o pecado e a descrença da m esm a forma que ele efetua a fé '5. “ Deus deseja o pecado e a descrença indesejosamente; ele não se deleita neles” 16. Alguém pode se perguntar o porquê disso se for verdade que Deus faz tudo “para a sua glória”. Como Deus pode não se deleitar naquilo que 0 glorifica? Palmer prossegue de maneira ousada e afirma que a reprovação de Deus é tanto condicional quanto incondicional:

A reprovação com o condenação é condicional no sentido de que uma vez que alguém é ignorado, então ele é condenado por Deus

12. Ibid.. 97. 13. Ibid., 101. 14. Ibid., 106. 15. Ibid. 16. Ibid., 107.

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por seus pecados e descrença. Embora todas as coisas - descrença e o pecado inclusos - procedam do decreto eterno de Deus, 0 hom em ainda é culpado por seus pecados. Ele é culpado; 0 erro é dele e não de Deus ' 7.

Isto é 0 suficiente para deixar qualquer um confuso. E Palmer concorda e se deleita nisso. “ Ele [0 calvinista] percebe que 0 que ele advoga é ridícu- 10... O calvinista livremente admite que sua posição é ilógica, ridícula, sem sentido e tola” 18 Todavia, “esta questão secreta pertence ao Senhor, nosso Deus, e devemos deixar as coisas como estão. Não devemos investigar este conselho secreto de Deus” 19 . Aparentemente Palmer concorda com Martinho Lutero que, quando pressionado contra a parede por Erasmo em seu debate sobre livre-arbítrio, encorajou seus ouvintes a “adorarem os mistérios” e não tentar usar a lógica. Palmer também ecoa o teólogo cristão primitivo Tertuliano, que disse: “Acredito porque é absurdo!” Talvez muitos calvinistas não concordem com Palmer, mas eles deveriam caso queiram manter 0 ensinamento de que Deus reprova as pessoas incon- dicionalmente (pois ele mesmo preordenou o pecado e o tornou certo) e ainda assim os réprobos são os únicos responsáveis e merecem a punição eterna, pois sua reprovação é “condicional”.

O que leva Palmer e outros calvinistas rígidos a tamanho sacrifício do intelecto? Ele não faz segredo que é: Romanos 9 - a passagem bíblica basilar para a crença calvinista na eleição e reprovação incondicionais: Quando Deus fala - como ele claramente fez em Romanos 9 - então nós devemos simplesmente seguir e crer, m esmo se não possamos entender, e ainda que isso pareça contraditório para nossas mentes débeis” 20. Romanos 9 diz que Deus escolheu Jacó em detrimento de Esaú e amou a

17. Ibid., 105 - 6. 18. Ibid., 85. 19. Ibid., 87. 20. Ibid., 109.

Sim para a eleição; não para a dupla predestinação

Jacó e odiou a Esau antes que eles nascessem ou que fizessem qualquer coisa boa ou má “ a fim de que 0 propósito de Deus, na eleição, ficasse firme: não por obras, mas por aquele que cham a” (Romanos 9. 11-12) Então Paulo cita Êxodo onde Deus diz a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e terei com paixão de quem eu quiser ter com paixão” (9. 15). Então lemos: “Deus tem misericórdia de quem ele quer, e endurece a quem ele quer” (9. 18)

Claro, Romanos 9 diz muito mais e eu encorajo os leitores para que leiam e estudem todo 0 livro de Romanos e interpretem 0 capítulo 9 no contexto de todo 0 livro. Assim como todos os calvinistas, Palmer interpreta estas afirmações literalmente como se aplicando a salvação e reprovação de indivíduos. Todavia, conforme mostrarei mais tarde neste capítulo, existem outras interpretações válidas que não acabam por exigir 0 sa- crifício do intelecto ou considerar Deus como arbitrário ou monstruoso.

Sproul é outro calvinista que argumenta que não pode haver eleição incondicional para a salvação sem reprovação, de maneira que a “predes- tinação única” é um conceito impossível. Ele corajosamente promove a dupla predestinação ao passo que faz algumas advertências importantes:

“Se é que realmente existe uma coisa tal como predestinação, e se essa predestinação não inclui todas as pessoas, então não podemos escapar da necessária influência de que há dois lados para a predestinação. Não é suficiente falar sobre Jacó; precisamos também considerar Esaú” 21.

A fim de amenizar 0 golpe (na bondade de Deus) Sproul defende que estes dois decretos de Deus - 0 de salvar alguns e condenar outros - não devem ser levados como “ igualmente últimos” ou am bos positivos. Ele critica 0 que chama de hipercalvinismo por transformar a eleição e a reprovação igualmente últimas - colocando-as no m esmo plano de Deus e realização deste plano por Deus 22. Contra 0 hipercalvinismo Sproul expressa o que ele acredita que seja a verdadeira doutrina reformada:

21. SPROUL, R.C. Eleitos de Deus, Editora Cultura Cristã, 2002, p. 101. 22. Ibid., 104.

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A visão reformada ensina que Deus positivamente e ativamente intervém nas vidas dos eleitos para garantir sua salvação. O restante da humanidade Deus deixa por si mesmos. Ele não cria incredulida- de em seus corações. Essa incredulidade já está lá. Ele não os coage a pecar. Eles pecam por suas próprias escolhas. No calvinismo, o decreto de eleição é positivo. O decreto de reprovação é negativo 23. Alguém pode apenas se perguntar qual a grande diferença disto. Dizer que a eleição e a reprovação não são igualmente últimas e que uma é positiva e que a outra é negativa não muda realmente nada em termos de resgatar a integridade do caráter de Deus (que é claramente a preocupação do Sproul?).

Para Sproul é importante que a dupla predestinação seja entendida da sua maneira - como as decisões desiguais, finais e não finais de Deus para salvar alguns homens caídos e deixar que outros sofram a punição eterna. Primeiro, ele diz, aqueles a quem Deus permite que sofram 0 castigo eterno, os que ele ignora, são, de qualquer forma, m erecedores da punição. Deus não tem obrigação de salvá-los. O ato de Deus ignorá- -los não 0 compromete no fracasso deles de jeito nenhum e isso não implica em imperfeição moral em Deus.

Uma análise mais detalhada de como Sproul diz que os réprobos são maus e m erecedores do castigo eterno revela a falha de raciocínio acerca do caráter de Deus à luz da dupla predestinação. Ele utiliza 0 endurecimento do coração de Faraó, realizado por Deus, para ilustrar a m aneira geral de Deus de tornar certo que um grupo dentre a huma- nidade, os não eleitos ou réprobos, m ereçam 0 castigo eterno. “ Tudo que Deus tem a fazer para endurecer 0 coração das pessoas é remover as restrições. Ele lhes dá um a corda mais longa... Em certo sentido, Ele lhes dá corda suficiente para que elas se enforquem ” 24. Ele está afirmando a explicação calvinista normal de que Deus torna a queda e toda a corrupção conseqüente, incluindo o pecado e a culpa, certa

23. Ibid. 24. Ibid., 106.

Sim para a eleição; não para a dupla predestinação

por retirar ou reter a graça suficiente. Deus escolhe certas pessoas para endurecer seus corações de m aneira que elas não se arrependerão e não crerão. Então ele diz:

É assim que nós devem os entender a dupla predestinação. Deus dá misericórdia a seus eleitos operando fé em seus corações. Ele dá justiça aos reprovados deixando-os em seus próprios pecados. Não há simetria aqui. Um grupo recebe misericórdia. O outro grupo recebe justiça. Ninguém recebe injustiça. Ninguém pode queixar-se de que

há injustiça em Deus 25.

Isto faz algum sentido? Não. Primeiro, como isto não é simétrico à luz do fato de que a pecam inosidade dos pecadores é preordenada e tornada certa por Deus de sorte que os réprobos não podem fazer 0 contrário? Como que 0 decreto divino da reprovação, de ignorar certos indivíduos é m eramente negativo e passivo se Deus endurece seus co- rações? Como que 0 relato de Sproul realmente difere do que ele chama de hipercalvinismo?

O teólogo reformado James Daane, um arquiinimigo da dupla predestina- ção, chama este tipo de fala de “verbalismo” - “um jogo teatral na qual as palavras, de fato, não carregam nenhum sentido averiguável”26. Para Daane, conforme irei mencionar mais tarde neste capítulo, isso se aplica a muitas palavras utilizadas para os predestinadores duplos, a quem ele chama de “teólogos decretais”. Parece se aplicar bem com a fala de Sproul dos decretos de Deus não sendo igualmente finais, pois um [decreto] é positivo e 0 outro negativo e também se aplica à noção de justiça e imparcialidade de Sproul.

Todos os teólogos calvinistas que são favoráveis a dupla predestina- ção e contra a “predestinação única” abraçam e afirmam a ideia de que Deus soberanam ente predestina alguns dentre suas próprias criaturas humanas, criados á sua imagem e semelhança, para 0 inferno, e que isso é consistente com a bondade, justiça e am or de Deus. Eu concordo com eles de todo o meu coração que não pode existir tal coisa como

25. Ibid., 108.

No documento Contra o Calvinismo Roger Olson.pdf (páginas 155-160)