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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVAS

3. REVISÃO DA LITERATURA

3.5. Panorama dos RSU no Brasil

No Brasil a gestão de RSU vem avançando nos últimos anos, com a publicação de normativas e de políticas públicas mais voltadas ao aumento da valorização de resíduos, o que certamente será refletido em melhorias futuras na área; entretanto o cenário é complexo e está longe de ser resolvido. Mesmo decorridos quase dez anos da promulgação da PNRS, o Brasil apresenta obstáculos consideráveis na implementação da lei que vão de encontro com a realidade de grande parte dos municípios em todas as regiões do país.

A Abrelpe (2019, p. 11) aponta que em 2018, ―foram geradas no Brasil 79 milhões de toneladas de RSU, um aumento de pouco menos de 1% em relação ao ano anterior. Desse montante, 92% (72,7 milhões) foi coletado‖. Os dados da Abrelpe (2019) referem que embora

os números exibidos demonstrem uma alta de 1,66% comparando com ano anterior (2017), também se evidenciam que 6,3 milhões de toneladas de RS não foram recolhidas junto aos locais de geração. Dados do mesmo relatório expõem ainda que a destinação em AS recebeu 59,5% dos RSU coletados (43,3 milhões de toneladas). O remanescente (40,5%) foi despejado em locais inadequados constituindo 29,5 milhões de toneladas de RSU que acabaram indo para locais inadequados que não contam com as medidas necessárias para proteger a saúde pública e o meio ambiente (ABRELPE, 2019).

Fazendo menção aos dados apresentados pela Abrelpe e considerando a composição dos RSU no Brasil, podem-se aludir que mudanças substanciais podem ser obtidas por meio da reciclagem e da valorização dos RSO, sobretudo por meio da compostagem que pode atuar expressivamente frente aos graves impactos ambientais, tais como a degradação do solo, poluição de recursos hídricos, erosão, mudanças climáticas e dentre outros, além de eliminar quantidades de resíduos orgânicos destinados a aterros e lixões.

Sobre os serviços de limpeza urbana, a Abrelpe (2019) cita que os recursos aplicados pelas cidades em 2018 foram, em média, R$ 10,15/hab. Dados do PMGIRS de Igarapé para o ano de 2013 referem que anualmente os custos per capita associados para fazer frente aos serviços de limpeza urbana foram de R$ 99,61 e de R$ 40,72 para o manejo de RSU não havendo cobrança pelos serviços; fato que ainda permanece inalterado a tempo dessa pesquisa.

De acordo ainda com dados da Abrelpe (2019) tais serviços empregaram, em vagas formais de trabalho, 332.000 pessoas no período e o mercado de limpeza urbana movimentou R$ 28,1 bilhões no Brasil no período. Os dados da TAB. 7 revelam que em 2017 e 2018, a geração de RSU no País aumentou quase 1% e chegou a 216.629 toneladas diárias. Devido elevação da população (0,40%), a geração per capita teve elevação menor (0,39%).

Tabela 7: Geração de RSU e geração per capita (2016-2018) no Brasil

Geração de RSU (t/dia) Geração de RSU per capita (kg/hab./dia)

2016 2017 2018 2016 2017 2018

212.753 214.868 216.629 1,032 1,035 1,039

1% ↑ 0,82 % ↑ 0,48% ↑ 0,39% ↑

Fonte: adaptada de Abrelpe (2018; 2019).

Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) evidenciam que em 2018 havia cobertura do serviço regular de coleta domiciliar de RS de 98,8% da

população urbana e 92,1% da população total no País em pesquisa respondida por 3.468 (62,3%) municípios (SNIS, 2019). A Abrelpe (2018) reproduz que a quantidade de RSU coletados em 2017 cresceu em todas as regiões, em comparação com o ano anterior, e manteve uma cobertura um pouco acima de 90%. Ao analisar os dados, nota-se que o volume coletado cresceu mais que a geração, atingindo 199.311 toneladas por dia (TAB. 8):

Tabela 8: Coleta de RSU e coleta per capita (2016-2018) no Brasil

Coleta de RSU (t/dia) Coleta de RSU per capita (kg/hab./dia)

2016 2017 2018 2016 2017 2018

193.637 196.050 199.311 0,939 0,944 0,956 1,25% ↑ 1,66% ↑ 0,5% ↑ 1,27% ↑ Fonte: adaptada de Abrelpe (2018; 2019).

Quanto à coleta seletiva, o diagnóstico SNIS apontou a presença do serviço em 1.322 municípios, ou seja, em 38,1% dos municípios do País. Dados do mesmo relatório mencionam que tais serviços foram prestados na modalidade porta a porta em 1.135 municípios, que representam 37,8% da população urbana total do País (SNIS, 2019).

Os dados apresentados pelo SNIS diferem da pesquisa realizada pela Abrelpe que revelou que, em 2017, cerca de 3.923 municípios apresentaram alguma iniciativa de coleta seletiva e que em 2018 já eram 4.070 os municípios com tais iniciativas. Os dados da Abrelpe e do SNIS diferem também dos dados do Compromisso Empresarial para Reciclagem (CEMPRE) que indicou 1.227 municípios com coleta seletiva no Brasil, correspondendo a apenas 22% do total de municípios brasileiros (CEMPRE, 2018).

As diferenças exibidas acima, provavelmente se deram em detrimento especialmente da Abrelpe, incluir qualquer iniciativa, mesmo as mais simples, como coleta seletiva; entretanto, conforme própria afirmação da Abrelpe, em muitos casos tais sistemas são incipientes e não atendem a todo o município. Por outro lado, mesmo que de forma ainda diminuta e com valores distintos, é plausível aludir que a quantidade de municípios com coleta seletiva no Brasil tem aumentado.

As observações referidas podem ser notadas também no município alvo da presente pesquisa, onde a coleta seletiva fora instituída de forma legal desde 2004; contudo, até tempo dessa pesquisa opera de forma incipiente e não abarca todo o território.

No GRAF. 7 é possível verificar a distribuição da coleta seletiva no País conforme dados da ABRELPE (2018/2019):

Gráfico 7: Distribuição dos municípios com iniciativas de coleta seletiva em (%) e números por região

Fonte: adaptado de Abrelpe (2018; 2019).

Os dados expostos nessa seção fortalecem o argumento de que muitos avanços são necessários para modificar os cenários acerca da gestão e do gerenciamento dos RSU no País, sobretudo em relação a coleta seletiva que é preconizada pela PNRS referindo a obrigação dos municípios para a implantação de tais sistemas.

Relativo às quantidades de RSU, o SNIS (2018) revelou que a massa de RSD e públicos coletados no ano de 2018 derivam no indicador médio de coleta per capita de 0,96 kg/hab./dia. A massa coletada de recicláveis foi de 14,4 kg/hab.ano, equivalente a 1,7 milhão/t coletadas seletivamente em 2018. Os dados do SNIS são superiores aos exibidos no PMSB de Igarapé (2015) que apontou geração per capita de 0,78 kg/hab.dia de RS e resultados expostos para essa pesquisa, conforme será apresentada no campo dos resultados. Dados do SNIS (2019, p. 27) aludem ainda que, ―para cada 10 kg de resíduos disponibilizados para a coleta, apenas 411 gramas são coletados de forma seletiva; fato que conduz à conclusão de que a prática da coleta seletiva no País, ainda se encontra num patamar muito baixo.‖

Informações de Cempre (2018) reportam que o custo médio da coleta seletiva no País diminuiu de US$ 240.00/t em 1994 para US$ 221.00/t em 2008 e, por sua vez, para US$ 102.49 em 2016. Todavia, deve ser ressaltado que a coleta seletiva não se sustenta somente com a receita da venda dos recicláveis (CEMPRE, 2018). No GRAF. 8, tem-se o perfil da coleta seletiva para alguns dos municípios que possuem uma estrutura consolidada conforme dados adaptados de CEMPRE (2018):

Gráfico 8: Perfil de coleta seletiva para alguns municípios brasileiros

Fonte: adaptado de CEMPRE (2018) – Pesquisa Ciclosoft 2014.

O panorama dos RS no Brasil em 2017, desenvolvido pela Abrelpe (2019), indica que o índice de cobertura da coleta de RSU no País equivalia a 91,24%, sendo 40,9% desse material ainda disposto de maneira irregular e que em 2018 esse índice alcançava 92,01%. As unidades inadequadas vêm diminuindo gradativamente, porém ainda estão presentes em todas as regiões do País e recebem aproximadamente 80.000 toneladas de RSU por dia (GRAF. 9):

Gráfico 9: Disposição final de RSU coletados no Brasil (milhões de toneladas/ano) e toneladas/dia

Fonte: elaborado pelo autor com dados adaptados de Abrelpe (2014-2019).

A disposição final adequada de RSU coletados registrou, em 2018, índice de 59,5% para AS, enquanto a disposição final em áreas inadequadas, tais como AC e lixão

representaram 40,5% (ABRELPE, 2018). O GRAF. 10 exibe a média de disposição final de RSU coletados no Brasil em porcentagem nos anos de 2014 a 2018:

Gráfico 10: Disposição final de RSU coletados no Brasil em porcentagem. Ref: 2014-2018

Fonte: elaborado pelo autor com dados adaptados de Abrelpe (2014-2019).

O tema é expressivo no País e está longe de ser esgotado, constata-se que enquanto o mundo avança de forma mais incisiva na gestão dos RSU, sobretudo nos países desenvolvidos, o Brasil continua expondo dificuldades de ordens diversas; todavia, também é necessário referir que em muitas cidades, nas mais distintas escalas (regiões, comunidades, bairros etc.) vêm-se tomando medidas que visam a modificar tais cenários, com diversas articulações para modais de gestão descentralizada o que seguramente vem refletindo em melhorias significativas. Mas por outro lado, a luz do que ocorre de modo geral no País, nota- se que municípios encontram dificuldades operacionais, técnicas, financeiras dentre outras, para a busca de uma gestão de RSU mais eficiente.