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Ao acessar o site do YT, notamos que a plataforma enaltece sua posição filosófica de buscar a construção de uma sociedade na qual a informação circula livremente. “Dar voz a todos”, fazer com as histórias individuais sejam contadas e emocionem mundo afora, são slogans que auxiliam na construção de uma rede de justificações que, como vimos anteriormente, são internalizados pelos próprios criadores de conteúdo que alimentam a plataforma cotidianamente. Entretanto, para que possamos esboçar uma economia política do YT, devemos contextualizar essas justificações com base na percepção de que os recursos materiais e simbólicos são desigualmente divididos na sociedade capitalista e que os fundamentos que sustentam a Internet, de maneira geral, estão ligados a questões relativas à propriedade privada, distribuição de recursos, lutas sociais, poder, controle de recursos, exploração e dominação.

Na perspectiva de Byung-Chul Han (2014, 2015, 2016) essa narrativa de liberdade diz respeito às promessas emergentes com o advento da Internet, uma ilusão demolida com o passar dos anos, quando se revela o lado mais controlador e vigilante da rede. O tipo de controle exercido na Internet se dá através da visibilidade voluntária e os agentes do Big Data são os próprios usuários, ao passo que alimentam periodicamente as plataformas com informações pessoais. Estaria se inaugurado com o advento da Internet

o panótipo digital, sendo as redes sociais digitais as novas igrejas e os smartphones os confessionários portáteis. Uma ilusão fundamentada na supressão da negatividade, pelo veredito máximo do botão “like”, posto que “a negatividade da rejeição não pode ser valorizada economicamente” (HAN, 2016, p. 23). Uma sociedade positiva que “evita todas as formas de negatividade” (Ibid.), pois pretende ser transparente para acionar o dispositivo neoliberal de conversão de toda informação em riqueza (HAN, 2015).

Cumpre destacar a existência de economias não mercantilizadas (ou menos mercantilizadas, já que o simples acesso depende da mercantilização). Elas são formadas por plataformas de compartilhamento de informação (e.g. Wikipédia), compartilhamento de arquivos (e.g. Torrent) e pelo desenvolvimento de softwares livres como no caso do sistema operacional Linux. Estes serviços são fornecidos sem custos para os usuários e sem a venda de espaços publicitários.

Por outro lado, a economia mercantilizada é formada por espaços sempre orientados ao lucro. Os aplicativos comerciais da Web 2.0, como é o caso do YT, são muitas vezes gratuitos e seu lucro se dá a partir da venda de espaços publicitários a terceiros, além dos serviços adicionais aos usuários (como o YouTube Music e o YouTube Premium). Ao atingir o maior número possível de pessoas que acessam a plataforma através do apelo da gratuidade, maiores lucros podem ser gerados. Os serviços são fornecidos como “presentes”, livres de cobrança, "a fim de aumentar o número de usuários, de modo que altas taxas de publicidade possam ser cobradas para obter lucro" (FUCHS, 2009, p. 80). Na economia mercantilizada da Internet a razão instrumental, ou seja, o interesse material de obter lucro em dinheiro, um excedente para o capital investido, guia a lógica das plataformas livres de cobrança para seus usuários.

Esse é um modelo baseado na venda da audiência como uma mercadoria, uma característica fundamental da economia de diversas plataformas. Esse modelo não é novidade nos meios de comunicação em massa. Em um texto da década de 1980, Dallas Smythe, através da sua teoria do trabalho da audiência, já adiantava que o consumo da mídia em massa em si é um trabalho. O trabalho da “audiência-mercadoria” incluiria "aprender a comprar bens e gastar sua renda de acordo" e "criar a demanda para produtos anunciados", satisfazendo o "objetivo dos anunciantes do capitalismo monopolista" (SMYTHE, 2006, p. 243–44). Através de um sistema de retroalimentação, o trabalho da audiência é investido de poder, pelo fato de tornar-se uma mercadoria, no momento em

que muitos espectadores criam o que se assemelha a uma força de trabalho investida por trabalhadores imateriais.

O clássico Manufacturing Consent (HERMAN; CHOMSKY, 1988) também busca compreender nessa mesma época a estrutura de negócios da grande mídia e o contexto institucional mais amplo em que funcionam. Segundo a tese de Edward Herman e Noam Chomsky, os meios de comunicação são grandes corporações vendendo um produto (audiência) a outras corporações (anunciantes), através da manutenção de ligações estreitas com o mundo corporativo mais amplo e com os governos. A tese central do livro é que essas características e relacionamentos tendem a influenciar o caráter e as premissas das informações e das interpretações a elas relacionadas. Entretanto, como destaca Noam Chomsky (KLAEHN et al., 2018), percebendo o contexto atual de proliferação das fake news, o livro não pretendia sugerir que não poderíamos confiar na mídia por causa de seu viés e suas distorções. Como tudo, as informações veiculadas deveriam ser vistas "com uma mente crítica e aberta" e "a grande mídia continua sendo uma fonte indispensável de notícias e análises regulares" (Ibid. p. 167, tradução nossa).

Entre o contexto da década de 1980 sobre o qual se debruçaram diversos autores, como Smythe, Herman e Chomsky e o contexto atual das mídias através do uso da Internet, existem importantes transformações. Em contraste ao modelo de acumulação de capital das mídias de massa tradicionais, no contexto da Web 2.0 essa acumulação depende da produção de conteúdo pela audiência, o que nos leva a buscar uma abordagem que leve em consideração as modalidades de trabalho envolvidas nesse processo. Podemos compreender esse trabalho como o conteúdo da Web 2.0, a informação gerada e circulante, as redes criadas pelos usuários através dos relacionamentos nas mídias sociais e, em sentido mais amplo, a circulação de afetos que motiva as pessoas a se conectarem umas às outras através da Internet.

Com a Web 2.0, a divisão entre produtor e consumidor fica bastante imprecisa e o trabalho envolvido, neste contexto, nos leva a considerar reflexões sobre a imaterialidade do trabalho. O trabalho imaterial vem sendo fonte de investigação em diferentes contextos da sociologia do trabalho e poderíamos defini-lo, de maneira mais geral, como os componentes social e cultural do trabalho dos quais o valor é extraído. Segundo Maurizio Lazzarato, o trabalho imaterial é aquele que produz o conteúdo informacional e cultural da mercadoria, sendo estes seus dois diferentes aspectos:

Por um lado, no que diz respeito ao “conteúdo informacional” da mercadoria, refere-se diretamente às mudanças ocorridas nos processos de trabalho dos trabalhadores nas grandes empresas dos setores industrial e terciário, onde as habilidades envolvidas no trabalho direto são cada vez mais habilidades cibernéticas e controle de computadores (e comunicação horizontal e vertical). Por outro lado, no que diz respeito à atividade que produz o "conteúdo cultural" da mercadoria, o trabalho imaterial envolve uma série de atividades que normalmente não são reconhecidas como "trabalho" - em outras palavras, os tipos de atividades envolvidas na definição e na fixação de padrões culturais e artísticos, modas, gostos, normas de consumo e, mais estrategicamente, a opinião pública (LAZZARATO, 1996, p. 1, tradução nossa).

Essa transformação no mundo do trabalho, para além de seus efeitos na Web 2.0, estariam presentes na base do desenvolvimento da sociedade pós-fordista. Haveria nesse processo a transformação integral do trabalho em trabalho imaterial "e a força de trabalho em 'intelectualidade de massas'" (LAZZARATO; NEGRI, 2001, p. 27), conformando um "saber social geral" (Ibid. p.30), homogeneizante, pelo qual a produção da subjetividade "se constitui 'fora' da relação de capital' (Ibid. p.35).

As novas empresas capitalistas no contexto digitais se beneficiam tanto dessa externalidade na constituição de subjetividades, como as instrumentalizam através do engajamento dos sujeitos em lógicas sociais de circulação de afetos, com um tipo de trabalho que produz “um sentimento de tranquilidade, bem-estar, satisfação, excitação ou paixão” (HARDT; NEGRI, 2000, p. 108) e que molda gostos e opiniões (LAZZARATO, 1996).

Para Christian Fuchs (2009), esse novo tipo de engajamento estabelece a grande diferença entre a audiência-mercadoria da mídia de massa tradicional para aquela da Internet. Há espaços de Conteúdo Gerado pelo Usuários (tradução livre da expressão User

Generated Content - UGC) e os usuários se envolvem em atividades criativas, de

comunicação e construção de comunidades online. Estas atividades estão correlacionadas ao desenvolvimento de um mercado de tecnologias que levam alguns autores a utilizar o termo "prosumers" (LISTER et al., 2009, p. 34). O indivíduo se torna um "prosumer" a partir do uso de tecnologias, permitindo que ele seja, ao mesmo tempo, tanto um consumidor quanto um produtor.

Este é um termo originário das indústrias de vídeo e se referem a tecnologias utilizadas tanto no mercado consumidor doméstico (consumer) como no mercado de produção profissional (producer). No contexto da Web 2.0, especialmente na criação de vídeos para o YT, essas tecnologias de produção de mídias (como câmeras, microfones e iluminação de alta qualidade) estão economicamente dentro da faixa do consumidor

doméstico, mas são tecnicamente capazes de produzir trabalhos que podem ser distribuídos em larga escala.

Seguindo o argumento de Byung-Chul Han (HAN, 2015, 2016) percebemos que estamos presenciando a reconfiguração das dinâmicas de poder na era digital. Ocorre a substituição do velho sistema disciplinar, examinado por Foucault (2004) nos marcos da biopolítica, um poder que não se relacionava com o domínio da morte, mas sobre o controle da vida através da administração dos corpos, para torná-los produtivos. O poder disciplinar incidia sobre o corpo com uma coação que impunha uma relação entre docilidade e utilidade, sendo o castigo deslocado para a dimensão da ameaça. Esse modelo possuía a negatividade própria de um modelo normativo, ao controlar o corpo, mas não a mente:

Hoje outra mudança de paradigma é feita. O panóptico digital não é uma sociedade biopolítica disciplinar, mas uma sociedade psicopolítica de transparência. E no lugar do biopoder, o psico-poder é introduzido. A psicopolítica, com a ajuda da vigilância digital, é capaz de ler pensamentos e controlá-los. A vigilância digital surge da lente do Big Brother, não confiável, ineficiente, perspectivista. E é tão eficiente porque não tem perspectiva. A biopolítica não permite nenhuma intervenção sutil na dimensão psíquica dos homens. Por outro lado, o psico-poder é capaz de intervir nos processos psicológicos (HAN, 2014, p. 106).

Estaríamos vivenciando o rompimento deste limite através do Big Data, pelo qual o neoliberalismo passa a incidir sobre a mente74. Enquanto na fase negativa o sujeito se

transforma em informação, quantificável, e o poder se expressa pela negação da liberdade, o uso da liberdade para consolidar o poder traz sua fase positiva. O neoliberalismo pretende que o dominado não se sinta dominado, nos transformando em carrascos de nós mesmos. Um poder sedutor e positivo, que dá a impressão de liberdade ao humano tornado sujeito (sujeição), um ativo que entra no lugar de negação da liberdade do modelo disciplinar.

Para Han, o nosso “grande irmão” do século XXI é amável, não proíbe e nos deixa ser livres. Como vimos no material empírico analisado, se implanta um regime de auto exposição, da iluminação de si mesmo. Essa necessidade de projeção de uma imagem

online seria um traço da luta constante e pessoal contra a negatividade. A supressão do

negativo instituiria um capitalismo emocional baseado na otimização total dos indivíduos através da autoexigência de rendimento. O esgotamento mental a que isso leva deve ser

combatido com medicamentos e livros de auto-ajuda, o que leva a Han considerar traços religiosos no neoliberalismo quando este incide sobre uma ingerência do “eu” em níveis metafísicos.

Os outros “meros usuários”, não criadores de vídeos, agindo menos como as massas e mais como um enxame digital (HAN, 2014), calibram voluntariamente os algoritmos da plataforma através da doação de informações pessoais. A iniciativa pessoal de se expor nas redes sociais digitais sinaliza o uso das emoções em um processo de conversão das mesmas em ferramentas de psicopoder, induzindo ao consumo e à produção de um expressivismo digital. De bom grado os sujeitos se colocam na Internet, orientados por uma curadoria dos fragmentos da vida cotidiana a ser expostos aos pares. As postagens nas redes sociais digitais transformam os fragmentos diários em dispositivos constituintes da expressão da liberdade individual na contemporaneidade, numa busca constante pelo reconhecimento.

A emergência destas novas relações dos sujeitos consigo mesmos, e com os outros nos meios online, podem ser percebidas como respostas aos limites da sociedade disciplinar, quando a produtividade se viu ameaçada pelas críticas ao controle coercitivo dos corpos. Para o autor sul coreano, assim como a modernidade terminou com a guerra, a barbárie da razão, a pós-modernidade (ou capitalismo real, para utilizarmos os termos de Mark Fisher) está a caminho da barbárie dos dados. Em sua visão, o inferno do igual é quando a comunicação alcança sua máxima aceleração75. O modelo neoliberal

impulsionaria a expressão de quem tem pouco a dizer, criando espaços para a reprodução da mesmice. Libertar-se só seria possível através da criação de espaços propícios para dizer apenas o que valeria a pena ser dito.

75 Como vimos em Gabriel Tarde, a comunicação interpsíquica instrumentalizaria um regime de

alteridade radical, de total encontro com o outro. Para Han, o aumento do fluxo comunicativo induziria à supressão da alteridade e encaminharia à modulação do igual. O diálogo entre Tarde e Han parece promissor e ressaltamos essa possibilidade de articulação nas considerações finais.

6 RECONFIGURAÇÕES DO TRABALHO NO CAPITALISMO: DO BIOPODER AO REALISMO CAPITALISTA

Orwell sugere que a nova forma de industrialismo gerencial, na qual o homem constrói máquinas que agem como homens e desenvolve homens que agem como máquinas, conduz a uma era de desumanização e completa alienação, na qual os homens são transformados em coisas e se tornam apêndices do processos de produção e consumo (Erich Fromm em posfácio ao livro 1984 de George Orweell, 2009, p.378).

Propomos neste capítulo explorar os elos que relacionam a expansão do trabalho no YT a outras questões mais amplas do sistema produtivo, refletindo sobre o papel das transformações tecnológicas na subjetividade dos trabalhadores. Qual é o substrato que possibilita a configuração do trabalho nos meios digitais atuais? Como os imperativos vigentes (ou em expansão) passam a se tornar cada vez mais presentes no universo do trabalho digital? Como a integração entre as TICs e o capitalismo impulsionou reconfigurações que já vinham se desenhando a partir de outros contextos?

A disseminação de bens digitais, acompanhada de novos elementos que passam a fazer parte da constituição dos sujeitos modernos, não ocorreu por acaso e sem ligações com elementos históricos importantes. Isso significa dizer que, apesar do ineditismo da Internet e do que ela proporciona para as pessoas em geral, no contexto das novas relações de trabalho que nela se inserem, há intensos elos com outras transformações que já vem ocorrendo há alguns séculos. As estratégias de vender a si mesmo, um processo de abertura da intimidade no online, e a criação de valor a partir de um novo produto, devem ser compreendidas à luz de regimes de flexibilização das relações cada vez mais disseminados no mundo do trabalho.

Nesse contexto, é necessário que resgatemos fragmentos específicos sobre a história do trabalho e dos trabalhadores no capitalismo atual. Estes acontecimentos são decisivos na formatação de um novo regime de costumes, mudanças nas notações internas do tempo e nas relações com o espaço (BRAUDEL, 1985; ELIAS, 1997; THOMPSON, 2005). Ainda que não seja nosso objetivo refazer essa história em seus pormenores, alguns elementos são de extrema relevância em nosso gesto de interrogação sobre o capitalismo hodierno. Quais elementos combinados possibilitaram as recentes revoluções tecnológicas no meio virtual e que culminaram em um sistema produtivo que exige cada vez mais flexibilidade dos seus trabalhadores, conhecimento das tecnologias

digitais e que os incorpora em um sistema mundial de trocas materiais e simbólicas? Em outros termos, quais são as permanências das formas originárias das relações de trabalho que alicerçam o trabalho em espaços digitais nos dias de hoje?

Marx (2013) já sinalizava para algumas características importantes que, combinadas e gradualmente, foram alterando o panorama do sistema produtivo. O processo de monetarização da força de trabalho se amplifica a partir do século XVIII e passa a extinguir outras formas de retribuição para as atividades laborais. Também há nesse período um movimento de diminuição paulatina do controle da produção pelos trabalhadores, a partir da intensificação da divisão do trabalho com etapas definidas e a cargo de indivíduos cada vez mais especializados. O incremento da mecanização no campo bem como o crescimento da concentração de terras altera os modelos de distribuição populacional, influenciando ativamente a nova estrutura urbana que se desenha. Igualmente, Marx sugere que a transformação do sistema produtivo é impulsionada por novas invenções como a máquina a vapor, o tear mecânico (que altera decisivamente a produção têxtil), e o desenvolvimento da metalurgia.

É inconcebível pensar nas atuais relações de trabalho nos meios digitais sem que tracemos uma relação (mesmo que descontínua) com acontecimentos históricos que cindiram momentos do sistema produtivo. A manufatura, e posteriormente a grande indústria, implodem as constrições quantitativas na esfera produtiva; a transformação da força de trabalho em moeda de troca insere uma nova rede de significados simbólicos e sentidos práticos à atividade humana; a perda do controle da produção é combinada com a emergência dos intermediadores, os homens de negócios76; a circulação no espaço e o

assentamento nas cidades sinaliza a força centralizadora dos centros urbanos até os dias de hoje; as novas tecnologias permitem a superação dos limites da força muscular humana como elemento constritivo à produção. Emergem dessas transformações novas agências, humanas e não-humanas (como as máquinas) em limites espaciais cada vez mais dilatados por deslocamentos de pessoas e de mercadorias.

A combinação destes elementos com o surgimento de novas éticas em relação ao trabalho, leva ao desenvolvimento daquilo que Weber (2004) denomina o “racionalismo da dominação do mundo”, condição que eclode na Reforma Protestante com a figura de

76 Os intermediadores vão desde os burgueses, descritos por Marx, até as plataformas digitais que

hoje disponibilizam a um custo elevado, assim como os burgueses faziam, a possibilidade do uso das ferramentas pelos trabalhadores. No YT há tanto os homens de negócios das plataformas como outros intermediadores (especialmente as Multi-channel networks [MCNs], ver capítulo 5).

Martinho Lutero. O crescimento exponencial consequente é percebido por Braudel como a "explosão das fronteiras do impossível, superação de um teto até então intransponível" (BRAUDEL, 1987, p. 11). Mais que pela composição de uma história linear, tais elementos situam o trabalhador e o trabalho em um contexto específico do surgimento de novas relações sociais.

Os impactos desse processo gradual, inacabado, e cada vez mais percebido por alguns como insustentável, considerando os recursos disponíveis no planeta como limitados, se revelam em diferentes níveis: macro e microeconômicos, intersubjetivos, existenciais, éticos, políticos e estéticos. O desenvolvimento do lugar do trabalho e do trabalhador na esfera produtiva envolve múltiplos relacionamentos e conexões entre trabalhadores, proprietários dos meios de produção, inventores e máquinas, além dos renovados papéis atribuídos às instituições estatais e religiosas.

A partir da análise destes níveis e seguindo o traçado deixado por estes relacionamentos, exploraremos a importância destas transformações nos atuais contornos do capitalismo contemporâneo e nas maneiras de pensar e produzir em larga escala. Nosso gesto é de interrogação sobre o capitalismo atual identificando a existência de dispositivos de subjetivação e os aspectos sociais que impulsionaram sua proliferação.