• Nenhum resultado encontrado

PERSPECTIVAS NO COMÉRCIO

No documento Anais... (páginas 167-171)

China rice production

PERSPECTIVAS NO COMÉRCIO

O comércio mundial de arroz é geralmente é determinado pela demanda de importações; o suprimento das exportações ocasiona baixa dos estoques. Durante os anos noventa, as importações cresceram de 2.6 milhões de toneladas durante o período 1991-92 período, devido à alta demanda de importação do Japão, derivada da escassez doméstica causada pela ocorrência de baixas temperaturas. As importações cresceram ainda mais 3,1 milhões de toneladas, durante o período 1996-98, como resultado da enorme demanda pela Indonésia e Filipinas, decorrente da escassez na produção doméstica causada por efeitos do el Niño. Além destas flutuações de curta duração causadas pelo clima em países de grande consumo, as importações tiveram uma tendência consistente de aumento, devido à demanda crescente de países do oeste da Ásia, África

subsaariana e Américas do Sul e Central. É provável que esta tendência de aumento no comércio mundial de arroz continue. O ritmo de expansão desse comércio no futuro vai depender da produção e das políticas

domésticas para o arroz nos principais países produtores e consumidores. É previsto que o consumo de arroz na China, no futuro próximo,

permaneça estagnado ou até mesmo caia, em termos absolutos, devido ao declínio em consumo per capita, e ao lento declínio do crescimento de população. Mas a entrada da China na WTO pode ter um efeito adverso na sua produção de arroz, a menos que seja compensada por incentivos, através da remoção de distorções, como valores exagerados da taxa de câmbio e baixo investimento em pesquisa agrícola e extensão. A produção de arroz do grupo Japonica nas províncias do Nordeste pode contudo aumentar com a utilização de área de milho para produção de arroz. A China concordou em aumentar sua cota de importação de arroz

para 5,32 milhões de toneladas de arroz antes de 2005, e reduzir sua alíquota de importação de 114% para 65%. Os economistas chineses predizem que a China permanecerá uma exportadora marginal de arroz, aumentando substancialmente sua exportação de arroz Japonica, e mantendo sua importação de arroz Indica de alta qualidade (Huang, comunicação pessoal).

A Índia continua ampliando a sua produção de arroz basicamente devido ao progresso tecnológico no sistema de cultivo irrigado, existência de subsídios para a irrigação e fertilizantes químicos (o que faz da Índia um produtor mundial de baixo custo) e dando garantia de preço aos grandes produtores empresariais. O crescimento de produção começa a diminuir nos Estados do Norte e do Sul da Índia, onde o sistema de cultivo predominante é o irrigado. O consumo, contudo, continuará crescendo devido à taxas de crescimento da população relativamente altas. Os estoques de arroz de Índia continuarão crescendo devido a manutenção da política governamental de apoio aos preços mínimos, com retirada reduzida pelo sistema público de distribuição de grãos, devido à redução de

subsídios para a alimentação. Recentemente, o governo começou a aplicar uma política de incentivos ao setor privado para exportar arroz. Com o crescimento da produção doméstica de arroz nos estados tradicionalmente deficitários do Leste da Índia, e continuidade da política de suporte ao baixo custo na produção doméstico, a Índia pode se manter como um dos principais exportadores de arroz no mercado mundial.

Os produtores vietnamitas responderam favoravelmente à liberalização econômica introduzida em anos recentes (Pingali e Xuan, 1992), e o Vietnã se tornou o segundo maior exportador de arroz no mercado mundial, devido ao rápido crescimento da produção desde a metade da década de oitenta. O Vietnã explorou quase toda sua capacidade para aumentar a produção de arroz, e começa a adotar uma política de

diversificação agrícola para aumentar a renda dos produtores. A produção de arroz crescerá a uma taxa muito mais lenta que no passado, enquanto o consumo doméstico continuará crescendo, com a adição de cerca de 1,2 milhões de pessoas a cada ano. Assim, o Vietnã virá a reduzir

gradualmente suas exportações, mas mesmo assim continuará sendo um dos principais países exportadores de arroz num próximo futuro.

Tailândia, Mianmar e Camboja têm um espaço considerável para aumentar a sua produção de arroz. Suas produtividades são ainda baixas e uma área adicional poderia ser apropriada, especialmente pela intensificação do cultivo. A Tailândia tem aumentado suas exportações até mesmo durante o período em que os preços de arroz permaneceram baixos no mercado mundial. Os produtores mantiveram um baixo custo de produção, à despeito do aumento dos salários, por consolidação das propriedades e mecanização das operações agrícolas. Se preços de arroz subirem, os fazendeiros serão encorajados a aumentarem a produção, investindo em

irrigação e reduzindo a lacuna de produtividade. É provável que estes países, com recursos favoráveis de área, podem aumentar

substancialmente suas exportações no futuro.

Fora da Ásia, há grande potencial para aumento da produção e das

exportações de arroz na Argentina, Uruguai e Guiana. A exploração deste potencial dependerá, contudo, da taxa de aumento do preço mundial de arroz, a equivalência entre suas moedas relativamente ao dólar americano, bem como às moedas da Tailândia e do Brasil. Os Estados Unidos são seu principal competidor nas exportações para os mercados da América Central e do Sul. A lei agrícola americana já teve um efeito negativo no potencial exportador desses países.

Indonésia, Filipinas, Malásia e Singapura são os principais importadores de arroz do Sudeste da Ásia. Na Indonésia e Filipinas a produção de arroz permaneceu quase estagnada nos anos noventa, enquanto o consumo cresceu, devido ao aumento da população bem como do consumo per capita. Malásia e Singapura tem seguido uma política de auto-suficiência pela importação de arroz de baixo custo ao invés de estimular a produção doméstica, de alto custo. Estes países podem adotar políticas

liberalizantes de mercado, particularmente de livre-câmbio dentro da região. Juntamente com Singapura e Malásia, a Indonésia e Filipinas podem aumentar suas importações de arroz no futuro. Estes países permanecerão entre os principais mercados para o arroz da Tailândia e Vietnã.

Bangladesh diminuiu lacuna de produtividade no sistema de cultivo irrigado e reduziu grandemente suas importações, pelo significativo aumento da produção doméstica durante os últimos cinco anos. A taxa de crescimento da produção pode reduzir-se no futuro, devido ao atingimento do platô de produtividade e ao lento progresso tecnológico nas grandes áreas

costeiras, sujeitas à inundação e salinidade. O consumo de arroz, contudo, continuará crescendo, devido ao aumento da população, em

aproximadamente dois milhões por ano. É possível que Bangladesh

permaneça um importador marginal de arroz. O Nepal tem capacidade para alcançar auto-suficiência em produção de arroz, mas o Sri Lanka pode permanecer como pequeno importador, devido aos altos custos produção derivados da escassez de mão de obra e altos salários.

Alguns países grandes importadores de arroz situam-se no Oeste da Ásia e Norte da África. Somente o Egito é exportador de arroz. A região não tem vantagem relativa para o cultivo de arroz, mas a demanda vem crescendo devido ao crescimento do consumo per capita e rápido crescimento da população. Atualmente, Irã e o Iraque importam mais de um milhão de toneladas por ano; Arábia Saudita, Iêmen e Turquia importam entre 0,5 e 1,0 milhão de toneladas. A região aumentará sua participação no mercado global de arroz, particularmente para o aromático tipo Basmati, produzido na Índia e Paquistão.

Na África subsaariana, o crescimento da produção doméstica pode

acelerar no futuro, devido aos avanços tecnológicas para arroz de sequeiro e expansão da área de cultivo. Mas o consumo pode crescer mais rápido do que a produção, devido ao alto crescimento de população, sua

urbanização e mudanças no padrão de consumo de alimentos, substituindo certos alimentos tradicionais por arroz. Haverá maior aumento nas

importações do que na produção doméstica, se o preço do arroz no mercado mundial permanecer baixo. Os países com grandes mercados e tendência de aumento nas importações são Nigéria, Senegal, Costa do Marfim, África do Sul, Namíbia, Madagascar, Guiné e Benin.

Na América Latina, o Brasil, México, Cuba e Haiti são importantes importadores de arroz, enquanto a Colômbia, o Peru, Equador e a Costa Rica mantiveram suas importações em baixo nível, apesar do aumento em consumo de arroz per capita, devido ao considerável crescimento da produção doméstica. A produção de arroz do Brasil permaneceu estagnada nos anos noventa, a medida que a produção de arroz de sequeiro ficou menos competitiva, devido à política governamental de liberalização do comércio. A importação desta região pode declinar no futuro, com vários países adotando políticas que favoreçam a produção doméstica.

CONCLUSÕES

O mercado de arroz mundial permanecerá segmentado. Por causa da destacada importância do arroz como alimento básico e seu significado político e cultural, os países grandes consumidores de arroz continuarão priorizando o bem-estar do produtores e consumidores em políticas de proteção interna. O crescimento da demanda de arroz será

substancialmente reduzida, com o crescimento econômico e o sucesso no controle da natalidade, particularmente nos países de alta e média renda na Ásia e América Latina. Mas a taxa de crescimento da produção também será reduzida, devido à crescente escassez de terra, mão de obra e água, ocasionando um efeito marginal no mercado mundial de arroz. A demanda pode crescer substancialmente no oeste da Ásia e África subsaariana, devido ao alto crescimento na população e aumento no consumo per capitã, que dificilmente será compensado pelo aumento da produção. Estas regiões se tornarão o mercado principal para arroz, junto com Indonésia, Filipinas, Malásia, e Singapura, no Sudeste da Ásia. Estados Unidos, Itália, Espanha, Argentina, Uruguai e Guiana continuarão atendendo ao limitado mercado da América Central e do Sul, e o dos países desenvolvidos. Qualquer pressão para cima no preço de arroz proverá incentivos para explorar a capacidade ociosa para produção de arroz na Tailândia, Índia, Mianmar e Camboja. O preço de arroz pode retornar aos níveis da metade da década de 90, mas é improvável, mas uma tendência reversa para cima é improvável de ocorrer. A tendência de preços no mercado mundial será determinada pelo valor relativo da moeda

dos principais exportadores de arroz e pela alteração de longo prazo no custo unitário de produção, decorrente do progresso tecnológico.

No documento Anais... (páginas 167-171)