3.4 PARTICIPANTES: UNIVERSO E AMOSTRA DA PESQUISA
3.4.2 Amostra da pesquisa
3.4.2.4 Processo de escolha das escolas pesquisadas
Nesta pesquisa, optou-se em gerar dados oriundos apenas das escolas do Senai que oferecem educação profissional para pessoas com deficiência nas áreas de atuação do Senai. Para entender o contexto em que estas escolas estão inseridas, propõe-se, inicialmente, descrever o que é o Senai e qual sua finalidade.
O Senai, instituição responsável pela educação profissional para a indústria, criado em 1942, por iniciativa do empresariado do setor é hoje, conforme expressa seu site o maior complexo de educação profissional:
Criado em 1942, por iniciativa do empresariado do setor industrial, o Senai é o maior complexo de educação profissional e tecnológica da América Latina, qualificando mais de 2,3 milhões de trabalhadores brasileiros a cada ano. Também apoia empresas em 28 áreas industriais, por meio da formação de recursos humanos e da prestação de serviços técnicos e tecnológicos, como consultoria e assistência ao setor produtivo, laboratoriais, pesquisa aplicada e informação tecnológica. Parte integrante do Sistema indústria – formado ainda pela CNI, Sesi e IEL. O Senai possui um departamento Nacional e 27 Departamentos Regionais, com unidades operacionais instaladas nos 26 Estados e no Distrito Federal. Elas levam seus programas, projetos e atividades a todo território nacional, oferecendo atendimento às diferentes necessidades locais e contribuindo para o fortalecimento da indústria e o desenvolvimento pleno e sustentável do País (SENAI. 2011b).
Essa instituição privada surgiu em 1942 com o objetivo de preparar jovens de nível socioeconômico baixo para o mercado de trabalho, por meio da modalidade de aprendizagem industrial. O Senai atua em unidades fixas ou unidades móveis, levando a educação profissional para ambientes que extrapolam os muros da escola e, em alguns momentos, tem forte interface com as metodologias e os processos educativos estudados na perspectiva da pedagogia social. Isso acontece a nosso ver, quando o Senai leva a
educação profissional para favelas, aldeias indígenas, comunidades quilombolas, asilos de idosos, presídios e instituições que abrigam pessoas com deficiência, entre outras.
Na atuação internacional, de acordo com Senai (2011b), pode-se citar: 48 parcerias técnicas e financeiras com empresas, organizações governamentais e não governamentais, especialmente com Ministério do Trabalho e Emprego e com o MEC; 29 projetos de cooperação técnica; 10.804 horas de consultoria internacional; 3.654 pessoas capacitadas no Brasil por peritos internacionais; 4 centros de formação e 11 em implementação; e 4.619 matrículas realizadas no exterior. Vale ainda citar que, em torneios internacionais do conhecimento, os alunos do Senai já adquiriram 12 medalhas de ouro, 12 medalhas de prata, 21 medalhas de bronze e 86 certificados de excelência, posicionando-se à frente, inclusive, de países do primeiro mundo, como o Japão. Esses torneios são realizados, internacionalmente, de dois em dois anos; e, nacionalmente, de dois em dois anos.
No Brasil, esses torneios são denominados como ‘Olimpíadas do Conhecimento’(OC). As competições inicialmente se dão em nível regional e os alunos, primeiros colocados de cada modalidade da educação profissional, passam a concorrer em nível nacional. Após essas duas etapas, os primeiros colocados da etapa nacional poderão participar da etapa internacional, desde que a modalidade em que o aluno recebeu medalha de ouro seja uma das modalidades oferecida na olimpíada internacional.
Se a OC, por um lado, fortalece a competitividade industrial necessária para o avanço das tecnologias, por outro, revela que a classificação pode deixar marcas profundas em alunos que não conseguem chegar à etapa final, especialmente aqueles com algum tipo de deficiência e que, dificilmente, conseguem chegar à etapa regional, após se destacarem em suas escolas.
Foi em 2012 que, pela primeira vez na história das Olimpíadas do Conhecimento, os alunos com deficiência tiveram a oportunidade de participar em quatro categorias profissionais e de concorrerem entre seus pares. As categorias profissionais foram: costura industrial para alunos com DA; informática industrial para alunos com DV; panificação para alunos com Síndrome de Down e mecânica de autos para alunos com DF (cadeirantes). A pesquisadora coordenou o planejamento de todas as provas que marcaram a história das competições.
Se, por um lado, os torneios podem ser algo extremamente positivo para a indústria, que sobrevive da competitividade, por outro, se entende que a educação não deveria excluir aqueles que não têm elevado nível de conhecimento ou que, pela trajetória escolar e de vida, não tiveram as mesmas oportunidades. Sendo assim, se considera desleal incluí-los junto aos ‘melhores’ alunos de cada Estado e a sugestão melhor, neste caso, seria uma ‘paraolimpíada’ do conhecimento que aconteça simultaneamente, mas que concorram entre os iguais, ou seja, todos os concorrentes sejam pessoas com deficiência.
Essa sugestão foi acatada pelo Senai Nacional e, ainda em 2012, esta ‘paraolimpíada’ aconteceu simultaneamente à OC, no mesmo espaço físico das demais provas dos alunos sem deficiência e que foram considerados os melhores alunos de cada Estado do Brasil nos diversos cursos de capacitação oferecidos pelo Senai.
Ratifica-se que a pesquisadora optou por pesquisar apenas em escolas do Senai que oferecem educação profissional para pessoas com deficiência. A escolha da escola a ser pesquisada seguiu alguns passos considerados necessários para a neutralidade da pesquisadora no processo de seleção:
1) Foram identificadas todas as escolas localizadas nas capitais de cada do Estado escolhido que faziam atendimento de alunos com deficiência na modalidade de aprendizagem industrial.
2) Nas capitais que possuíam mais de uma escola que realizavam esse tipo de atendimento (São Paulo; Rio Grande do Sul; Santa Catarina e Rio de Janeiro) foi necessário listar o nome das escolas por Estado e sortear a escola que seria pesquisada.
3) Nas capitais acima citadas, a pesquisadora, na frente do gestor do DR (o gestor de cada Estado), sorteou o nome da escola na qual deveria ser realizada a pesquisa (no caso dos Estados com mais de uma escola que atendia ao requisito da pesquisa).
4) A partir da definição da escola que seria pesquisada no Estado, o gestor ou a gestora estadual enviou, antecipadamente, por solicitação da pesquisadora, um e-mail, pedindo autorização para que ela pudesse realizar as visitas previstas e as entrevistas, especialmente, junto aos discentes e aos docentes.
3.5 INSTRUMENTOS E PROCEDIMENTOS: A PRÁTICA DA GERAÇÃO DOS