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Resistências do mercado – condicionantes e desafios

C ONDICIONANTES DO D ISPOSITIVO M EDIÁTICO

– FACTORES DE BLOQUEIO E DE ACELERAÇÃO

3.3 Resistências do mercado – condicionantes e desafios

Se estas são algumas das preocupações no que toca à formação e ao ensino, outras tantas vão surgindo no campo do mercado e, nomeadamente do empregador, face às mudanças operadas no sector. Observam Carvalho e Gaspar (2001) que a partir do final da década de 90, o impacto crescente das Tecnologias da Informação e Comunicação, induziu um “crescimento rápido e sustentado na procura por trabalhadores de TICs altamente qualificados. Esta pressão por parte do mercado deve ainda ser entendida na complexa teia de “variedade e complexidade de produtos de hardware e software e suas aplicações, em conjunto com a singularidade das exigências empresariais de cada sector de actividade”.

Constata a dupla de autores que se tem “vindo a criar uma procura “instantânea” de trabalhadores detendo múltiplas combinações de competências, experiência e conhecimento em TICs” (2001:296). Se as constatações são válidas para a generalidade das profissões, têm um pendor especial quando ao jornalismo electrónico nos referimos, já que o alargado conjunto de alterações na prática profissional exigiu renovadas capacidades, domínio de novas linguagens, e acima de tudo, a incorporação de um diferente modo de pensar, produzir e fazer jornalismo. A forma como alguns jornais internacionais de referência têm apresentado as suas ofertas de emprego15 é sintoma de profundas mudanças no jornalista pretendido, visto

cada vez mais como profissional de banda larga, de perfil ambíguo e de difícil definição.

15O The New York Times ao procurar um jornalista especializado em Produção Áudio deixa claro o

domínio tecnológico e a experiência na área de emprego apresentadas: “NYTimes.com is seeking a journalist with a portfolio of long-form audio storytelling work to produce multimedia for our news and features sections. The producer will be expected to work with reporters from the newspaper, producers from the Web site and NYTimes.com's award-winning multimedia team to report, edit and produce audio-rich narrative features. Candidates must be highly proficient in field producing, engineering, writing and audio editing and must have a strong understanding of Web compression technology. Experience with video, photography and Adobe Flash is a plus. Candidates will be expected to be quick learners with creative ideas and the proven ability to work collaboratively. An enthusiasm for training and educating print and online journalists about audio storytelling is necessary.

Requirements: A minimum of 3 years experience in producing audio features for broadcast on air or on the Web. Skill in editing and mixing audio in ProTools and/or SoundTrack Pro. Ability to meet deadlines and to adapt to change in a daily news production environment. Attention to detail and excellent written and oral communication skills. Experience working collaboratively with members of a mixed- media team. Experience in voicing narration is a plus. Proficiency in video editing with Final Cut Pro, photo editing, and digital photo processing and color correction is a plus”

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Pelo exposto, ressalta que a massa crítica, ou a sua ausência tem pontuado grande parte da curta vida da Internet e do jornalismo que nela se faz. Assim aconteceu nas Universidades, nos primeiros momentos da sua existência, embora progressivamente esta realidade se tenha alterado, configurando hoje em dia, uma das áreas em franco desenvolvimento. A capacidade em absorver a nova vaga de fenómenos de natureza digital tem pontuado o final dos anos 90 e os primeiros anos do novo milénio, acentuando a sua importância investigativa, a sua presença na formação de diplomados, bem como o impacto empresarial nos órgãos de comunicação social e na indústria multimédia.

No que toca aos estudantes, que legitimamente aspiram a um emprego no jornalismo, torna-se claro que a construção das carreiras na vertente multimédia é feita ainda de experimentalismos e de alguma indefinição. As recentes áreas de trabalho obrigaram a uma reconfiguração das profissões associadas à esfera mediática, resultando numa mistura de esperanças e dúvidas sobre o exercício do jornalismo, e das actividades que lhe são conexas. É numa plataforma tecnológica híbrida e de grande exigência que os profissionais vão ter que se adaptar, numa espiral de actualizações ao nível das linguagens e das técnicas emergentes.

Historicamente, à imprensa sempre se pediu que produzisse jornais, à televisão que transmitisse um serviço audiovisual e à rádio que difundisse o sinal para que o público tivesse acesso à informação e aos programas. Com a chegada da Internet, com a convergência de meios e conteúdos, torna-se substancialmente mais difícil definir, isoladamente, o que caracteriza cada um dos meios via rede, tendo em conta que todos poderão aceder à mesma tecnologia e apresentar os mesmos produtos finais.

Assim, ao mudar a identidade do meio, alteraram-se as regras do seu funcionamento, os modos de gestão, as suas práticas e os conteúdos apresentados. Mudou muita coisa e também mudaram os profissionais que trabalham nas redacções: do gestor ao editor, passando pelo repórter. Mudou também a cultura clássica e tradicional dos meios de comunicação social, agora estimulada e condicionada pela cultura digital. A estrutura organizacional de empresa de comunicação online requer lógicas consentâneas com o dispositivo, o que implica um considerável esforço de actualização e apropriação do novo médium. Daí que Salaverría e Negredo (2008:73)

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refiram que, de entre o conjunto de resistências ao digital, os jornalistas séniores desempenham um bloqueio de capital importância. Constatam os autores que “los empresários están casi siempre a favor y los periodistas sobre todo los más veteranos, casi, siempre en contra”.

Esta situação é descrita por Ramonet como “crise de intelegibilidade. Para o investigador este

“És un fenómeno característico de los períodos de transición, cuando presentimos que un cierto número de herramientas, de conceptos intelectuales que nos permitían comprender el mundo tal como era haste el presente, no se adaptan ya al mundo nuevo que aparece. Y, en consequência, tenemos dificultades para comprender esse mundo nuevo. Y algunos dicen: ustedes no tinen nada que comprender, lo que deben hacer es adaptarse” (2002:15).