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3 FUNÇÕES COMUNICATIVAS DA LINGUAGEM VERBAL

No documento CIÊNCIA E LINGUAGEM (páginas 165-169)

Na Figura 1 da seção anterior, alguns desses elementos já foram apresentados: o emissor, que corresponde ao remetente, o receptor, que é o mesmo que destinatário, e a mensagem. Temos assim, alguém que envia uma mensagem para outra pessoa que a recebe. Observe a fi gura a seguir, agora também com as etapas da comunicação:

FIGURA 4 – CONSTITUINTES DA COMUNICAÇÃO EM LÍNGUA DE SINAIS

FONTE: Adaptada de: <http://guaskenn.free.fr/images/communaute-nuls/lsf-3d.jpg>.

Acesso em: 23 jul. 2018.

Lembre-se de que na seção anterior já foi discutido sobre a importância do contexto para a comunicação, que, para Jakobson, tem a ver também com a referência, ou seja, para o objeto ou a situação a que a mensagem se refere.

Como vimos, o contexto pode ser linguístico ou extralinguístico. Os outros dois elementos são o código, que se trata de um conjunto de signos que compõem a mensagem e que pode ser sinalizado, falado ou escrito, e o canal físico (espaço- visual, acústico), o meio pelo qual a mensagem é veiculada, ao que Jakobson chama de contato. Bem entendido, para que o todo se estabeleça, é preciso que haja uma conexão psicológica entre o emissor e o receptor, ou seja, um código inteligível e contextualizado para ambos.

Poderíamos ainda acrescentar um modo de percepção (auditiva ou visual) e um modo de produção (cinésico ou sonoro). Certamente, quando se trata de comunicação face a face ou virtual entre duas ou mais pessoas, precisamos também considerar que os papéis são intercambiáveis, pois elas assumem ora o papel de emissor ora de receptor, conforme os turnos de conversação.

Jakobson (2007, p. 123) explica que

Cada um desses seis fatores determina uma diferente função da linguagem. Embora distingamos seis aspectos básicos da linguagem, dificilmente lograríamos, contudo, encontrar mensagens verbais que preenchessem uma única função. A diversidade reside não no monopólio de alguma dessas diversas funções, mas numa diferente ordem hierárquica de funções. A estrutura verbal de uma mensagem depende basicamente da função predominante.

Em outras palavras, as funções podem coexistir numa mesma mensagem ou texto, mas sempre uma delas predomina. Assumido isso, vamos verificar quais são essas possíveis funções, explorando como Kapitaniuk (2010, p. 22- 23) resumiu as duas propostas teóricas, que iremos exemplificar mais à frente, focando na ampliação feita por Jakobson.

Foi no seio da Escola de Praga que o Funcionalismo, combinado com o Estruturalismo, ganhou força. Havia ali muitos pesquisadores importantes, dentre eles Karl Bühler (1879-1963), que reconheceu três tipos gerais de funções da linguagem: a) função cognitiva; b) função expressiva e c) função conativa.

Função cognitiva  refere-se à transmissão de informação factual.

Função expressiva  indica a disposição de ânimo ou atitude do locutor ou escritor.

Função conativa  seu uso serve para influenciar a pessoa com quem se está falando, ou para provocar algum efeito prático.

Outro nome de destaque dessa escola é Jakobson (1896-1982), que ampliou a tríade de Bühler, definindo os atores e contexto das mensagens e introduzindo mais três tipos de funções da linguagem:

• Função referencial ou denotativa (corresponde à função cognitiva), está centrada no referente.

• Função emotiva ou expressiva, centrada no destinador (ou emissor) da mensagem.

• Função conativa, que se orienta para o destinatário.

Função fática  centrada no contato (físico ou psicológico); manifesta o desejo e a necessidade de comunicar.

Função poética  que se centra na própria mensagem. É um suplemento de sentido para a mensagem que é acrescida de mudanças estruturais,

tonalidades, ritmos e sonoridade.

Função metalinguística  centrada no código. É acrescida à mensagem com o objetivo de explicar ou precisar o código utilizado pelo destinador. É a

linguagem que fala da própria linguagem.

Leia o texto completo disponível em: <http://www.libras.ufsc.br/

colecaoLetrasLibras/eixoFormacaoBasica/psicolinguistica/assets/699/TEXTO_

BASE_PSICOLINGU STICA_NOVO.doc>. Acesso em: 15 ago. 2018.

• Função referencial ou cognitiva

Segundo Martelotta (2012), consiste na transmissão de informações e conhecimentos sobre temas específicos, acontecimentos ou pessoas. Exemplos nos quais predomina essa função são os textos acadêmicos, jornalísticos, manuais e apostilas, palestras formais sobre determinado tema.

• Função emotiva

“Consiste na exteriorização da emoção do remetente em relação àquilo que fala de modo que essa emoção transpareça no nível da mensagem”

(MARTELOTTA, 2012, p. 34). Para Zipser et al. (2011), trata-se também de exprimir marcas pessoais de atitudes que revelam o estado emocional, julgamentos, avaliações ou opiniões. Exemplos que apresentam essa função são conversas informais, fofocas, romances e filmes dramáticos, novelas, poemas etc.

• Função conativa

Essa função tem a característica de persuadir ou seduzir um receptor, auditório ou clientela, visando influenciar o seu comportamento. De uma forma mais sutil, o rapaz que elogia uma moça está deixando transparecer seu interesse a fim de que ela se sinta inclinada a correspondê-lo. Entretanto, propaganda de produtos, empresa e serviços, panfletos, cartazes, outdoors, os discursos políticos são exemplos mais concretos que apresentam essa função.

• Função fática

São expressões curtas com o objetivo de estabelecer, romper ou manter contato com o receptor. Um bom exemplo é quando encontramos alguém e perguntamos: “Tudo bem?” Na maior parte das vezes, trata-se apenas de uma forma polida de iniciar um diálogo (“Pode me conceder um minuto?”), de chamar a atenção, (“Ei você!”) ou de verificar a conexão (“Está entendendo?”).

• Função poética

Centrada na forma, a mensagem com essa função “é elaborada de forma inovadora e imprevista, utilizando combinações sonoras ou rítmicas, jogos de imagem ou de ideias” (ZIPSER et al., 2011, p. 19), a fim de causar um efeito estilístico e/ou artístico. Textos declamados, slam, letras de músicas, textos literários, poesias contêm essa função.

• Função metalinguística

Essa função se apresenta nos verbetes de dicionário, nas gramáticas ou até mesmo em uma exposição sinalizada que explica o que é a Libras. Trata-se de um código explicando o funcionamento do próprio código, em outras palavras, a língua usada para se referir a si mesma.

Passemos, então, para a próxima seção, em que serão discutidos os tipos textuais e gêneros discursivos, mas visando sua funcionalidade do que sua categorização propriamente dita.

No documento CIÊNCIA E LINGUAGEM (páginas 165-169)