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ENSINO E APRENDIZAGEM DE LIBRAS

No documento CIÊNCIA E LINGUAGEM (páginas 131-134)

TÓPICO 3

3) Execução: colocar em prática as elaborações feitas.

4) Avaliação: avaliar o próprio plano com vistas ao replanejamento.

O ensino-aprendizagem é uma relação dialógica entre sujeitos e, nessa troca, todos aprendem e todos ensinam (ALBRES, 2012), assim, a prática e a interação ampliam os saberes do professor. Segundo Albres e Neves (2014, p.

68), Tardif (2010) identifica alguns tipos de saberes que constituem o conjunto de conhecimentos dos professores para o seu fazer didático: “saberes de formação profissional (das ciências da educação e da ideologia pedagógica), saberes disciplinares, saberes curriculares e saberes experienciais”, além dos saberes pessoais (conhecimento de mundo) e os saberes antecedentes (escola básica). De fato, compreender como se constroem esses saberes faz parte da formação do professor, assim, esse tópico focará informações sobre os saberes da formação profissional, disciplinar e curricular de cunho mais teórico-metodológico. Cabe, então, a sua autorreflexão de como associá-las aos outros saberes que você já traz consigo e que foram assimilados ao longo de sua vivência e experiências.

Igualmente, conhecer um pouco da história do ensino de Libras no nosso país permite vislumbrar os processos históricos e socioculturais da educação e formação de surdos, com o intuito de identificar os aspectos vulneráveis e os aspectos consolidados, as questões que precisam ser reavaliadas, transformadas e repensadas e outras que só precisam de atualização. Do mesmo modo que no exterior, os movimentos de e para surdos, que se conjugaram com as pesquisas científicas, iniciaram na década de 1980, culminando na criação de uma legislação 10 anos mais tarde (NASCIMENTO; BEZERRA, 2014). Desde então, houve uma evolução na educação de surdos sob um aspecto macro, entretanto, no aspecto micro, falta considerar muitas especificidades e é preciso avançar muito mais.

Conforme Vilhalva, Arruda e Albres (2014), em 1990 foi constituída uma Câmara Técnica a pedido da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos – Feneis, da Federação Nacional das Associações de Pais e Amigos dos Surdos – Fenapas – e coordenada pela Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – Corde, tratava-se de uma política linguística para exigir o reconhecimento da Libras. Seis anos depois, esse pedido foi atendido por meio de um documento.

A preocupação com a capacitação de professores em uma época marcada pela escassez de recursos materiais e humanos, somada ao recente, mas parcial reconhecimento da Libras, exigiu uma medida emergencial para a criação de um programa de formação de professores. Assim, a criação do Centro de Capacitação Profissional da Educação e Atendimento de Surdos – CAS, a partir de 2002, em todo o país, foi uma ação política do MEC com o objetivo de fornecer formação continuada aos professores dos centros que atendem pessoas com surdez.

As unidades distribuídas em todo o país podem atuar em quatro esferas, tais como: Núcleo de Capacitação de Professores e Comunidade em geral; Núcleo de Tecnologia e Adaptação de Material Didático, Núcleo de Convivência e Equipe Especializada de Apoio à Aprendizagem.

O trabalho, que contava com a parceria de instituições de ensino (IES, escolas e institutos de educação), foi iniciado com a capacitação de agentes multiplicadores surdos que acompanhavam o desenrolar do processo na formação de novos grupos, tendo como objetivo principal formar instrutores surdos, professores de surdos e intérpretes. Primeiramente chamado de “Programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos”, o curso foi reestruturado após o Decreto 5.626/05 e denominado de “Interiorizando Libras”. A partir de 2001, a metodologia aplicada para a habilitação de professores surdos foi “Libras em Contexto”, organizada por Tanya Felipe e uma equipe de instrutores da Feneis.

Até aquele momento, os instrutores não possuíam formação e desenvolviam sua prática intuitivamente, com base nas suas vivências enquanto estudantes ou ajudados por pares mais experientes, porém sem nenhum embasamento teórico ou didático-pedagógico. O curso apresentava uma carga horária de 40 horas, com temas sobre a educação de surdos, gramática da língua de sinais e metodologia de ensino.

As associações indicavam os participantes para a formação de multiplicadores que eram posteriormente selecionados pela Feneis. A formação dos professores do interior era dada nas capitais e, por causa das dificuldades, o curso era condensado em módulos de uma semana e seu conteúdo contava apenas com 120 horas e sem possibilidade de evolução. Os instrutores, que não possuíam formação superior, não estavam aptos para ampliar o conteúdo e a carga horária do curso.

A formação de professores com habilitação em Português para atuar no ensino de L2 para surdos do Ensino Fundamental foi a mais desafiadora. Até aquele momento, o ensino de L2 se dava com a mesma metodologia de L1.

Saindo da perspectiva histórica e mencionando a realidade atual, essa situação ainda não mudou completamente, visto que metodologias de Português como L2 para surdos ainda não foram totalmente desenvolvidas, concentrando-se em esforços locais e sem o compartilhamento para o grande grupo docente. Outra problemática concerne à necessidade de, ao entrar na escola, o surdo possuir a Libras como L1, mas a realidade é que a maioria das crianças chega na escola com um repertório truncado de gestos e algumas palavras orais (sons de um código caseiro, que se assemelham aos sons da fala oral, usados para a comunicação familiar). Ocorre que, em uma escola realmente bilíngue, segundo o que preconiza o art. 22 do capítulo VI do Decreto 5.626/05, em que a criança recebe a Libras como língua de instrução, a aprendizagem de L2 se dará concomitantemente, ou seja, ambas estariam sendo ensinadas e essa criança não estará inserida em uma aquisição natural, como é a característica da L1. Entretanto, no caso de os surdos possuírem pares e esses tiverem um modelo linguístico do repertório sinalizado, nesse, e somente nesse caso, podemos dizer que se trata de aquisição.

Infelizmente, não é o que acontece, pois o desagrupamento surdo promovido pela lei de inclusão e a preconização de que o aluno deve se matricular na escola

Após essa breve introdução, avançaremos no propósito de refletir um pouco mais sobre o ensino e aprendizagem de e em Libras. Para isso, esse tópico será organizado com os temas e propósitos de:

• Estudar os aspectos didáticos e metodológicos do ensino de Libras.

• Abordar a Psicologia da aprendizagem para o ensino/aprendizagem de Libras.

• Compreender como se organiza um projeto de ensino e aprendizagem de e em Libras.

• Comparar as diferenças na aprendizagem intermodal entre surdos e ouvintes.

• Discutir a educação bilíngue para surdos.

2 ENSINO DE LIBRAS: QUESTÕES DIDÁTICAS E

No documento CIÊNCIA E LINGUAGEM (páginas 131-134)