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No documento PROVA NO PROCESSO CIVIL - Univali (páginas 76-79)

2. ELEMENTOS DA PROVA

3.1 DEPOIMENTO PESSOAL

3.2.3 Classificação

Conforme o art. 348 do CPC são duas as espécies de Confissão, judicial e extrajudicial:

Segundo Alvim (2005, p.480): “Judicial é a Confissão feita em juízo, em Depoimento Pessoal, pela parte e é considerada como provocada (art. 349, parte final); quando espontânea, pode ser feita pela própria parte ou por mandatário com poderes especiais”.

O CPC (art. 349) divide a Confissão judicial em espontânea e provocada.

Wambier; Almeida, Talamini (2007, p.436) é espontânea quando: “emana de um ato de declaração da parte, sem ser instada a tal, seja por escrito, em petição, seja oralmente, quer em audiência, quer porque a parte compareceu para confessar. Neste caso, deve ser tomada por termo, e assinada pelo confitente e pelo juiz”.

A provocada é aquela que sucede do Depoimento Pessoal, perante o juiz, ou advogado ou em alguns casos, quando confessar perante o Ministério Público. (AMORIM, 2004, p.294- 295).

Com relação a judicial cabe destacar o que explica Lopes (2002, p.100):

A Confissão judicial, quando admitida, tem plena eficácia, mas não acarreta necessariamente a procedência do pedido, porque a presunção de verdade é relativa. Assim, é perfeitamente possível que o juiz despreze a Confissão se ela se mostrar em conflito aberto com o conjunto das Provas (v.g., o réu, por engano, confessa a mora, mas o pagamento é demonstrado por documento anexado aos au tos).

A Confissão extrajudicial Theodoro Júnior (2007, p.486) conceitua aquela que: “o confitente faz, fora do processo, de forma escrita ou oral, perante a parte contrária ou terceiros, ou ainda através de testamento (art. 353)”.

3.2.4 Efeitos da Confissão

Alvim (2005, p.480) leciona que a Confissão: “Prova que é (art.350), tem valor ou eficácia probante. Ela atinge a pessoa que confessou, isto é, a parte e os seus herdeiros e sucessores, no que tange a seu objeto, cuja Confissão pode levar à perda respectiva”.

Assim, de acordo com o art. 350 do CPC, a Confissão faz Prova contra quem confessa, não prejudicando os litisconsortes.

Para Wambier; Almeida,Talamini (2007, p.438):

Se um dos litisconsortes confessa um fato que, pela posição processual que ocupa em relação aos demais, for a todos prejudicial, esta Confissão, sozinha, não pode ser admitida. O fato se terá como provado apenas se outros elementos vierem a corroborá-lo, pois a confissão feita isoladamente não pode alcançar aqueles que não confessaram.

Ainda, o parágrafo único do art. 350 do CPC esclarece que nas demandas que tratar sobre bens imóveis ou direitos sobre imóveis alheios, a confissão de um cônjuge não valerá sem a do outro.

“O legislador procurou, com isso, evitar que um dos cônjuges pudesse prejudicar, de maneira intencional ou não, a sociedade conjugal. Em face disso, para que a Confissão seja eficaz, [...] é imprescindível que seja manifestada por ambos os cônjuges.” (CARMO, http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=2517. Acesso em 16/02/08).

O art. 351 do CPC menciona acerca dos direitos indisponíveis, ou seja, não é válido a confissão em juízo, referente à fatos relativos a direitos indisponíveis.

Direitos indisponíveis. São assim considerados os que versam sobre os direitos fundamentais do homem, como a saúde, a vida, a liberdade, a cidadania, o estado familiar,

nacional, social da pessoa.” (NERY JUNIOR; ANDRADE NERY, 2004, p.812) (grifo do autor).

O art. 352 do mesmo diploma trata dos casos em que pode ser revogada a Confissão, isto é, só quando houver erro, dolo27 ou coação, por meio de uma ação anulatória, se pendente o processo em que foi feita, e por ação rescisória, após o trânsito em julgado as sentença, da qual constituir o único fundamento. Explica, porém, em seu parágrafo único que compete ao confessor o direito de propor tal ação, nos casos mencionados neste parágrafo, no entanto, se iniciada, passa aos seus sucessores.

Denota-se pela exposição do artigo retro que compete ao confitente à iniciativa de propor a demanda visando revogar tal ato, e conseqüentemente o ônus de comprovar a ocorrência do vício. Todavia, se este falecer no curso do processo, a ação passará a seus herdeiros (CPC, art. 352, § único).

Didier Jr.; Braga, Oliveira (2007, p.93) leciona que: “o legislador do novo Código Civil eliminou a possibilidade de invalidação da Confissão por dolo, que estava prevista no art. 352 do CPC, que, no particular, está revogado”.

O novo Código Civil, em seu art. 214 assim dispõe:

“Art. 214. A Confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou de coação”.

Percebe-se pela leitura do artigo acima do novo Código Civil mudou em parte o art.

352 do CPC, pois não prevê a revogação por dolo, ou seja, trata de anulação e não revogação.

Didier Jr.; Braga, Oliveira (2007, p.93) explicam que:

De fato, o dolo somente é relevante para o direito privado enquanto tenha sido capaz de levar outrem a erro. A circunstância de o confitente declarar o fato por dolo de outrem somente tem relevância jurídica, para fins de invalidação, se o dolo tiver sido apto a gerar erro. Se houve dolo, mas não houve erro, não se pode invalidar a confissão. Eis a razão pela qual se preferiu a expressão “erro de fato”, como síntese da hipótese de invalidade: o que importa é a falsa percepção da realidade; se o erro foi espontâneo ou provocado, pouco importa.

27 Dolo: “1) É a intenção de prejudicar alguém através da propositura de ações fundadas, por emulação ou mero capricho e, por curso de processo, pelo uso de medidas protelatórias e expedientes de má-fé. O dolo guarda similaridade com a má-fé, pois os efeitos jurídicos lhes são comuns, mas não se confundem. Conceitualmente, o dolo é, por assim dizer, ativo e a má-fé, passiva. No primeiro, afirma-se ou inverte-se a qualidade com o intuito de prejudicar; na última, oculta-se ou omite-se um defeito, com intuito de se beneficiar ou não se prejudicar.”

(http://www.saberjuridico.com.br/dicionario1.php?pagina=24&letra=D). Acesso em 28/02/2008.

O art. 354 do CPC trata da indivisibilidade da Confissão, ditando que:

Art. 354 “A Confissão é, de regra, indivisível, não podendo a parte, que a quiser como Prova, aceitá-la no tópico que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for desfavorável. Cindir-se-á, todavia, quando o confitente lhe aduzir fatos novos, suscetíveis de constituir fundamento de defesa de direito material ou reconvenção.”

Em geral, toda prova é indivisível, mas quanto à Confissão o art. 354 do Código de Processo Civil foi expresso. A Confissão para ter valor probatório, não pode ser cindível, ou seja, não pode apenas conter parte que favoreça o interesse do litigante. Quanto a possibilidade de divisibilidade estampada na segunda parte do art. 354 do mesmo diploma, quer dizer que o litigante não pode por meio da Confissão, querer fazer Prova somente em seu favor. E tendo em vista que a Confissão é meio de Prova, com ela, ficam provados fatos que são desfavoráveis àquele que confessa, e não o contrário. A estes fatos novos, aplicam-se as regras do Ônus da Prova. (WAMBIER; ALMEIDA,TALAMINI, 2007, p.436).

Para Theodoro Júnior (2007, p.487) a segunda parte do art. 354 do CPC deve-se levar em conta as regras do Ônus da Prova, conforme discorre:

A questão de indivisibilidade da confissão, no entanto, não pode ser examinada sem se atentar para as regras do Ônus da Prova. Assim, se o réu, ao confessar, tem o ônus de provar fato extintivo ou modificativo do direito do autor, sua confissão pode perfeitamente ser cindida.

Como se denota do art. 354 do Código de Processo Civil, a Confissão é indivisível, não podendo o réu confessar somente fatos que lhe favoreçam e oculte fatos que lhe sejam desfavoráveis, no entanto, poderá cindir-se se aduzir fatos novos, fatos estes em que o réu deverá prová-los.

3.3 DA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO OU COISA

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