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Procedimento

No documento PROVA NO PROCESSO CIVIL - Univali (páginas 105-116)

2. ELEMENTOS DA PROVA

3.7 INSPEÇÃO JUDICIAL

3.7.2 Procedimento

O juiz a requerimento da parte ou de ofício em qualquer fase do processo poderá fazer a Inspeção Judicial de coisas ou pessoas, com a finalidade de esclarecer sobre os fatos em litígio (art. 440, CPC).

O juiz tem ampla liberdade de fazer ou não a Inspeção Judicial, caso indefira, tal fato não constitui cerceamento de defesa (RT 633/134). NEGRÃO, GOUVÊA, 2007, p.526)

Sobre o fato litigioso, já deverá existir Provas nos autos, mas que não foram suficientes para o convencimento do juiz, assim, a Inspeção Judicial é uma diligência posterior à Prova já produzida pela parte interessada. Destarte, a Inspeção Judicial, no sistema brasileiro é Prova complementar, pois objetiva a elucidação dos fatos que não restaram totalmente esclarecidos por outro meio de Prova. (SANTOS, 2008, p. 500-501).

No entanto, nada impede que a inspeção seja realizada anteriormente à proposição de outras Provas se o juiz constatar que a inspeção torne dispensável outra prova mais demorada ou dispendiosa para a solução do caso litigioso. (GONÇALVES, 2008, p. 471).

Conforme preceitua o parágrafo único do artigo 442 do Código de Processo Civil as partes têm sempre direito a assistir à inspeção. Assim, as partes que não sejam objeto da inspeção, têm o direito, não o dever, de acompanhar a diligência, bem como seus advogados e assistentes técnicos. A presença das partes poderá ser muito útil, tendo vista que poderão fornecer informações, ou observações importantes ao juiz, que contribuirão para o esclarecimento dos fatos. (SANTOS, 2008, P. 503).

As partes serão intimadas do dia, hora e local em que a diligência será realizada. Se a inspeção necessitar de esclarecimentos técnicos o juiz poderá solicitar que um ou mais peritos lhe assistam, bem como as partes poderão se fazer acompanhar de seus assistentes técnicos.

(GONÇALVES, 2008, p. 471).

De acordo com o art. 443 do CPC depois de concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto circunstanciado, devendo neste constar tudo o que considerar útil à decisão da causa.

O parágrafo único do mesmo artigo prescreve que: “O auto poderá ser instruído com desenho, gráfico ou fotografia”.

“Assinarão o auto, que será lavrado por escrivão, sob ditado do juiz, além deste, a pessoa inspecionada, o proprietário ou possuidor da coisa objeto da inspeção, o perito do juiz, as partes e seus assistentes técnicos e mais pessoas que tenham intervindo na diligência.”

(SANTOS, 2008, p.504).

No decorrer da pesquisa efetuada em doutrinas, leis, jurisprudências, buscou-se explanar inicialmente, acerca do histórico Prova, seguindo-se de breves explanações sobre jurisdição, processo, ação, para após adentrarmos no estudo sobre prova, visando proporcionar melhor embasamento ao leitor.

Inicialmente observou-se que desde a pré-história a Prova já existia como forma de julgamento que não proporcionava defesa ao acusado e eram realizadas de forma bárbara, como as ordálias, a prova de fogo, acreditando-se que os deuses influenciavam na descoberta da verdade, assim teria um julgamento justo, mas que na verdade não passava de uma verdadeira atrocidade contra o ser humano. No entanto, com o passar dos séculos, o sistema de julgamento foi se modificando, por influência do direito romano e canônico surgiu o processo comum escrito, porém, muito lento e complicado.

Concluiu-se com os estudos que somente após a Revolução Francesa, é que iniciou-se uma nova fase no direito probatório, proporcionando ao Juiz utilizar seu livre convencimento ao julgar as lides.

Passada essa fase de evolução da Prova, buscou-se fazer uma abordagem acerca do direito processual civil, pois, por meio do direito a ação, o indivíduo pode exercer seus direitos ameaçados ou lesados, reclamando-os ao Estado-Juiz, isto é, representado pela Jurisdição que tem o poder dever de apresentar uma solução ao caso litigioso.

Mas, para que Estado exerça sua função jurisdicional de julgar, vale-se de um instrumento denominado processo, que segue determinados passos regrados pelo Código de Processo Civil, entre os quais se encontram as normas vigentes sobre a “Prova” objeto de estudo desta pesquisa.

Primeiramente, constatou-se que o objeto da Prova no processo são os fatos em litígio, isto é, os fatos que geram alguma controvérsia entre indivíduos, e que enseje um direito À parte juridicamente possível, considerando que o direito não se prova, pois o juiz conhece as leis, com exceção do que rege o art. 337 do CPC, ou seja, quando a parte alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário, poderá o juiz exigir-lhe a respectiva Prova.

Verificou-se, assim, que a finalidade da Prova no processo é formar o convencimento do juiz, fator este importante a ser verificado, eis que se considera que sem a prova, não há como julgar uma lide, pois é com base na Prova carreada nos autos que o juiz vai prolatar uma sentença.

Já, quanto ao momento da produção Prova no processo ocorre em etapas distintas, quais sejam: o requerimento da Prova, a admissão pelo juiz e, a produção da Prova pelas partes.

De um modo geral, o requerimento é feito pelo autor na petição inicial e para o réu na contestação, pois, se as partes não o fizerem neste momento, não poderão produzi-las oportunamente.

Assim, uma vez, que a Prova se destina a convencer o Juiz, esta terá seu valor, conforme o caso concreto que está sendo analisado.

Portanto, o juiz ao analisar as Provas produzidas no transcorrer da fase instrutória, deverá evidenciar na sua fundamentação, com base nas provas dos autos, a razão de sua decisão.

No entanto, para formar o convencimento constatou-se que o juiz não pode julgar aleatoriamente, deve sim, seguir um método, um sistema. Os sistemas conhecidos na história do direito processual são três: critério legal; da livre convicção; e o da persuasão racional.

O critério legal é aquele pelo qual a própria lei atribui à prova o seu valor, não permitindo que o juiz o faça, critério este não adotado pelo nosso sistema brasileiro.

O segundo critério, o da livre convicção, é aquele que o juiz não necessita fundamentar sua decisão, julgando apenas com base no seu convencimento, este critério também, não prevalece em nosso sistema, tendo como única exceção, o Tribunal do Júri, tendo em vista que estes não necessitam fundamentar seus votos.

Por fim concluiu-se que o sistema adotado no Brasil é o da persuasão racional. Por este método o juiz deve sempre fundamentar suas decisões, isto é, o juiz tem a liberdade de apreciar livremente as provas colacionadas aos autos para formar seu convencimento e proferir uma decisão, no entanto, sua esta “liberdade” na formação de sua convicção deverá ser exercida respeitando os ditames da lei.

Portanto, observou-se que o método adotado em nossa legislação é de grande importância, pois fornece segurança jurídica às partes, uma vez que o juiz é obrigado a fundamentar seus julgados, mencionando por quais motivos ou embasado em quais provas o levou ao seu convencimento para julgar a demanda, o que com certeza enobrece o trabalho da

justiça, pois suas decisões não são arbitrárias, mas são embasadas legalmente e ainda contam com o bom senso e imparcialidade do juiz, é o que esperamos.

Assim, por todo o que foi exposto, constatou-se que restaram confirmadas as hipóteses levantadas inicialmente para realização desta pesquisa.

Em seguida, como não poderia deixar de ser abordado neste trabalho, o estudo envolvendo o Ônus da Prova, assim concluiu-se que, tendo em vista, o Ônus da Prova é de grande importância para a condução e consequentemente obtenção de um julgamento justo do processo.

Assim, prevê a lei, no artigo 333 do Código de Processo Civil que, o Ônus da Prova compete a quem alega, isto é, a parte que têm seus direitos lesados, ao ingressar em juízo deve provar os fatos que constituem o seu direito. O réu, por sua vez, incumbe o ônus da prova quando alegar fatos modificativos, impeditivos ou extintivos em relação aos direitos alegados pelo autor.

Também em determinadas hipóteses é permitido a inversão do Ônus da Prova, uma vez presentes os requisitos da verossimilhança e hipossuficiência da parte. Nestas condições deverá o juiz inverter o ônus da prova, ou caso o negue proferir decisão fundamentando, por quais motivos considera não preencher a parte tais requisitos. Notadamente, a inversão do Ônus da Prova evidencia-se nos processos ligados ao direito do consumidor.

Observou-se também, pelas pesquisas efetuadas que a lei consumerista é de vital importância para as relações de consumo, pois proporcionou ao consumidor a chance de ingressar em juízo, e uma vez comprovado que o consumidor faz jus aos requisitos exigidos pela lei, tem-se a inversão do ônus da prova, sem a qual seria, na grande maioria dos casos, impossível de comprovar o seu direito, tendo em vista que o consumidor não tem conhecimentos técnicos, que só os fabricantes dos produtos, dispõem destas informações, aliado a isto, o avanço da tecnologia, que a cada dia nos surpreende, tornando impossível para os consumidores disporem de tais discernimentos.

No segundo capítulo, os estudos foram voltados para os meios de prova elencados no Código de Processo Civil, quais sejam: o depoimento pessoal, a confissão, exibição de documento ou coisa, prova documental, e testemunhal, perícia e inspeção judicial.

Assim, verificou-se que o estudo da Prova é bastante complexo, mas de vital importância para o julgamento do processo, pois é com base nestas que o Juiz, formará a sua convicção, seu convencimento, para solucionar o caso, mediante sua decisão fundamentada.

Conclui-se também que, no processo civil, o que se busca é a verdade real, mas muitas vezes a prova dos autos conduz somente a uma verdade formal, pois o juiz, profere uma

decisão embasado nas espécies de Provas elencadas ao longo do trabalho, não podendo julgar o que não consta nos autos.

Verificou-se assim que, é grande a responsabilidade de um juiz, pois, este tem em suas mãos a decisão de muitas vidas, muitos futuros são definidos, em conseqüência da decisão judicial.

Contudo, é evidente que o presente trabalho não esgota o estudo da Prova, pois é um tema muito amplo, extenso de se abordar e tendo em vista que são inúmeros são casos que chegam ao judiciário, exige-se determinado tipo de prova conforme o caso em litígio, e, sobretudo não se pode dizer que uma prova tem valor maior que a outra, pois tudo depende do contexto em que esta está inserida.

Assim, diante de todas as explanações efetuadas nesta pesquisa, espera-se ter contribuído de alguma forma para a elucidação deste tema amplo e complexo e principalmente ao direito.

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