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Força probante dos documentos e autenticidade

No documento PROVA NO PROCESSO CIVIL - Univali (páginas 85-88)

2. ELEMENTOS DA PROVA

3.4 DA PROVA DOCUMENTAL

3.4.3 Força probante dos documentos e autenticidade

“O Documento, quando autêntico, é prova que goza de enorme prestígio, pela grande força de convencimento que encerra.” (THEODORO JÚNIOR, 2007, p.497).

Os artigos que prescrevem acerca do valor da Prova documental devem ser harmonizados com o princípio do livre convencimento do Juiz [...] Embora o Magistrado deva levar em conta os dispositivos processuais, a sua interpretação deve ser feita com base no que dispõe o art. 131 do CPC. (GONÇALVES, 2005, p.445).

Sobre a eficácia do Documento como Prova, Carnelutti (1936 apud Theodoro Júnior, 2007, p.498):

Para que o Documento seja eficaz como meio de Prova, é indispensável que seja subscrito por seu autor e que seja autêntico. Autor, no entanto, não é, no dizer de Carnelutti, “quem o faz por si” (como o tabelião), “mas quem o faz para si” (como as partes contraentes, que firmam a escritura pública)”

Pela análise da citação acima se conclui para que um Documento sirva como meio de Prova ele deve estar assinado pelo seu autor e seja autêntico, ou seja, não paire dúvidas de que foi realmente o autor quem subscreveu.

Acerca dos Documentos públicos, em princípio, não há dúvida da força probatória destes, principalmente porque são confeccionados por agentes públicos, tendo estes tem fé pública, concedendo-lhes credibilidade pelo menos com relação aos fatos ocorridos na presença do servidor público. (AMORIM, 2004, p.305-306).

Para Greco Filho (1999, p.209):

Quanto aos Documentos públicos, desde que mantida sua integridade, estabelece o Código uma presunção absoluta não só de sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença. Isto quer dizer que Juiz não pode formar sua convicção contra o teor de Documento público louvando-se em outra Prova.

Seu convencimento está limitado por força da lei. [...] Para que o juiz possa negar o fato constante do Documento público, como já se disse, somente declarando que não é ele verdadeiro Documento, porque falso.

Ainda, sobre Documentos públicos, o art. 365 do CPC, descreve:

Art. 365. Fazem a mesma Prova que os originais:

I - as certidões textuais de qualquer peça dos autos, do protocolo das audiências, ou de outro livro a cargo do escrivão, sendo extraídas por ele ou sob sua vigilância e por ele subscritas;

II - os traslados e as certidões extraídas por oficial público, de instrumentos ou Documentos lançados em suas notas;

III - as reproduções dos Documentos públicos, desde que autenticadas por oficial público ou conferidas em cartório, com os respectivos originais.

IV - as cópias reprográficas de peças do próprio processo judicial declaradas autênticas pelo próprio advogado sob sua responsabilidade pessoal, se não lhes for impugnada a autenticidade.

V - os extratos digitais de bancos de dados, públicos e privados, desde que atestado pelo seu emitente, sob as penas da lei, que as informações conferem com o que consta na origem;

VI - as reproduções digitalizadas de qualquer Documento, público ou particular, quando juntados aos autos pelos órgãos da Justiça e seus auxiliares, pelo Ministério Público e seus auxiliares, pelas procuradorias, pelas repartições públicas em geral e por advogados públicos ou privados, ressalvada a alegação motivada e fundamentada de adulteração antes ou durante o processo de digitalização.

§ 1o Os originais dos Documentos digitalizados, mencionados no inciso VI do caput deste artigo, deverão ser preservados pelo seu detentor até o final do prazo para interposição de ação rescisória.

§ 2o Tratando-se de cópia digital de título executivo extrajudicial ou outro Documento relevante à instrução do processo, o juiz poderá determinar o seu depósito em cartório ou secretaria.

De acordo com Nery Junior; Andrade Nery, 2004, p.817: “Traslados. É a reprodução representativa do original. É a cópia do que está no livro público de notas. (CC 217; CC/1916 138). O primeiro traslado é o que se denomina de escritura autêntica, original.” (Grifo do autor).

Menciona o inc. III do art. 365 do CPC que as reproduções dos Documentos públicos, desde que autenticadas por oficial público ou conferidas em cartório, com os respectivos originais, fazem a mesma Prova que os originais, no entanto tratando-se de pessoas jurídicas de direito público, como nas ações de execuções fiscais que são partes, por exemplo, o Estado, o Município, etc, não precisam autenticar as cópias dos documentos que protocolarem em juízo, conforme art. 24 da Lei 10.522 de 19/07/0228, a seguir descrita:

“Art. 24. As pessoas jurídicas de direito público são as pessoas jurídicas de direito público são dispensadas de autenticar as cópias reprográficas de quaisquer Documentos apresentados em juízo”.

28Lei 10.522/02: Dispõe sobre o Cadastro Informativo dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais. (http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/leis/2002/L10522.htm) Acesso em 13/04/08.

Os incisos IV a VI e parágrafos 1° e 2° do art. acima citado foi incluído pela Lei n°

11.419, de 19/12/2006.

Os parágrafos 1° e 2°, do mesmo artigo, da Lei Federal n° 11.419/2006, visam regulamentar o chamado processo eletrônico, o qual não será abordado por não ser objeto de análise neste trabalho.

Ainda, a respeito do art. 365, acima, é importante saber a diferença entre Documento original, cópia, Documento autêntico:

Um Documento autêntico não pode ser confundido com o original ou cópia. Original é como foi elaborado. Já as cópias são reproduções do original, quer seja por certidão, traslado, fotografia, etc. A autenticação de uma cópia quer dizer que a pessoa que está autenticando confirma que a cópia confere com o Documento original. E, hoje, conforme se observa pelo inciso IV do art. 365 do CPC, o próprio advogado da parte pode declarar a autenticidade de um Documento e juntar aos autos, cabendo ao seu adversário contestar a autenticidade.

(WAMBIER; ALMEIDA,TALAMINI, 2007, p.442).

Referente aos Documentos particulares, Marinoni; Arenhart, 2005, p.352, destacam que:

Quanto ao Documento particular, sua eficácia probatória depende de sua autenticidade (autoria certa). [...] Essa autenticidade, essencial portanto para a eficácia do Documento, permite, por sua importância, questionamento próprio, seja através do incidente de verificação (art. 372 do CPC), seja pelo incidente de falsidade documental (arts. 390/395 do CPC). O primeiro é apenas destinado a argüir a não autenticidade do Documento – porque há dúvida sobre sua autoria, enquanto o segundo visa a efetivamente comprovar que o autor do Documento não é aquele que se supõe fosse, havendo falsificação no Documento para tentar iludir a autoria.

Destarte, rege o art. 368 do CPC, in verbis:

Art. 368. As declarações constantes do Documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumem-se verdadeiras em relação ao signatário.

Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o Documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato.

Ou seja, se a declaração constar de documento particular assinado pelo declarante, não há necessidade de provar sua existência por outros meios como Testemunhas, perícia etc., porque se presume que o Documento do autor é verdadeiro. (LOPES, 2002, p. 115).

Para Amorim (2004, p.306):

O art. 368 do CPC salienta que, estando o Documento particular escrito e assinado, presume-se verdadeiro em relação ao signatário. Porém, para sua integral validade em juízo, deve ser colhida a manifestação da parte contrária, que, se concordar, convalidará sua autenticidade, e, se não, poderá valer-se do incidente de falsidade (CPC, arts. 372 e 390).

Assim, denota-se, que se a declaração somente estiver dando ciência referente a algum fato, somente a declaração é que resta comprovada, mas não o conteúdo descrito nesta, cabendo a quem interessa o Ônus da Prova.

Para facilitar a compreensão, cita-se um exemplo:

É o caso de uma ação de usucapião em que o Documento particular subscrito por terceiro que declara estar o autor na posse de imóvel usucapiendo há mais de vinte anos. O Documento prova a declaração efetuada por terceiro, mas não Prova a veracidade da declaração, isto é, que realmente o autor exerce a posse duradoura.

Segundo o art. 385 do CPC, a cópia de um Documento particular tem o mesmo valor probante de um original, competindo ao escrivão conferir e certificar.

O parágrafo 1° do artigo citado no parágrafo anterior dispõe que a fotografia deve vir acompanhada do negativo, e no 2° esclarece que se for fotografia de jornal, deve conter também o original e negativo.

Importante frisar o que descreve o art. 389 do CPC, que a parte que alegar falsidade de Documento, a esta compete o Ônus da Prova como também quem contestar assinatura em documento, deve provar quem produziu o Documento.

No documento PROVA NO PROCESSO CIVIL - Univali (páginas 85-88)