• Nenhum resultado encontrado

VALORAÇÃO DA PROVA

No documento PROVA NO PROCESSO CIVIL - Univali (páginas 46-49)

2. ELEMENTOS DA PROVA

2.7 VALORAÇÃO DA PROVA

Como já mencionado anteriormente, “A Prova se destina a produzir a certeza ou convicção do julgador a respeito dos fatos litigiosos”. (THEODORO JÚNIOR, 2007, 469).

Assim, uma vez, que a Prova se destina a convencer o Juiz, esta terá seu valor e influenciará na hora do julgamento.

Partindo desse raciocínio (Amorim, 2004, p. 283) relata que: “O Juiz, ao proferir a sentença no processo, deverá apontar o valor dado às Provas produzidas, o que ficará evidenciado na sua própria fundamentação, ao basear seu convencimento nessa ou naquela Prova”.

Para ilustrar um caso de valoração da Prova, um exemplo, é quando o juiz ao sentenciar uma ação de indenização por acidente de automóvel, sua motivação será com base no depoimento das Testemunhas presentes que informaram se o réu ultrapassou ou não o semáforo vermelho, apurando assim a existência da culpa no acontecimento que restou em dano. (AMORIM, 2004, p. 283).

Para Theodoro Júnior (2007, p. 469): “[...] ao manipular os meios de Prova para formar seu convencimento, o juiz não pode agir arbitrariamente; deve ao contrário observar um método ou sistema”.

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina, quanto à valoração da Prova assim se manifesta:

SANTA CATARINA TJ - EMENTA: AGRAVO DE

INSTRUMENTO.DISSOLUÇÃO DE SOCIEDADE POR QUOTAS.

PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA. CAUTELA REQUERIDA NO CURSO DA AÇÃO. POSSIBILIDADE DE SUMIÇO DE ESTOQUE.

MEDIDA CONCEDIDA. RECURSO DESPROVIDO. - A decisão proferida em cautelar terá roupagem meramente homologatória. A valoração da prova será aferida pelo togado no julgamento da lide. (Acórdão n° 5.688, Relator Francisco Xavier Medeiros Vieira, data da Decisão 30/04/1991).

Acesso em 08/06/2007

Os sistemas conhecidos na história do direito processual são três: critério legal; da livre convicção; e o da persuasão racional. (THEODORO JÚNIOR, 2007, p. 469).

Para Amorim (2004, p.283): “O critério legal é aquele pelo qual a própria lei atribui à prova o seu valor, não permitindo que o juiz o faça”.

Ressalta, ainda, Amorim (2004, p. 283) que “Nossa lei não adota tal sistema, embora encontremos algumas hipóteses dele no Código de Processo Civil, como, por exemplo, a impossibilidade de dívidas superiores a 10 salários mínimos serem provadas exclusivamente por Testemunhas”.

Já para Theodoro Júnior (2007, p. 469) o critério legal está superado:

Nele o juiz é quase um autômato, apenas afere as provas seguindo uma hierarquia legal e o resultado surge automaticamente. Representa a supremacia do formalismo sobre o ideal da verdadeira justiça. Era o sistema do direito romano primitivo e do direito medieval, ao tempo em que prevaleciam as ordálias ou juízos de Deus, os juramentos.

Theodoro Júnior (2007, p.469), leciona também que neste sistema do critério legal:

“Da rigorosa hierarquia legal do valor das diversas Provas, o processo produzia simplesmente uma verdade formal, que, na maioria dos casos, nenhum vínculo tinha com a realidade”.

O segundo critério, o da livre convicção, que Amorim fala em da convicção íntima é aquele que o juiz não necessita fundamentar sua decisão, julgando apenas com base no seu convencimento. Também este critério não é aceito pelo nosso sistema, a única exceção, é a do Tribunal do Júri, uma vez que estes não precisam fundamentar seus votos. (AMORIM, 2004, p. 283).

“O que deve prevalecer é a íntima convicção do juiz, que é soberano para investigar a verdade e apreciar as Provas. Não há nenhuma regra que condicione essa pesquisa, tanto quanto aos meios de Prova, como ao método de avaliação”. (THEODORO JÚNIOR, 2007, p.

469).

Acrescenta Theodoro Júnior (2007, p. 469) que este sistema:

Vai ao extremo de permitir o convencimento extra-autos e contrário à Prova das partes. Peca o sistema, que encontrou defensores entre os povos germânicos, portanto, por excessos, que chegam mesmo a conflitar com o princípio básico do contraditório, que nenhum direito processual moderno pode desprezar.

“O critério da persuasão racional é o adotado pelo sistema brasileiro, inclusive como exigência constitucional, porque o juiz deve sempre fundamentar ou motivar suas decisões”.

(AMORIM, 2004, 283).

Na mesma corrente Theodoro Júnior (2007, p. 469), leciona que: “O sistema de persuasão racional é fruto da mais atualizada compreensão da atividade jurisdicional.

Mereceu consagração nos Códigos napoleônicos e prevalece entre nós, como orientação doutrinária e legislativa”.

Reforça Theodoro Júnior (2007, p. 469):

Enquanto no livre convencimento o juiz pode julgar sem atentar, necessariamente, para a Prova dos autos, recorrendo a métodos que escapam ao controle das partes, no sistema da persuasão racional, o julgamento deve ser fruto de uma operação lógica armada com base nos elementos de convicção existentes no processo.

O juiz no Brasil é usufrui de liberdade para apreciar os elementos de Prova, no sentido de que deve pesar as Provas obtidas no processo, apreciá-las e submetê-las aos rigores do seu raciocínio, e formar sua convicção, quanto à verdade dali extraída. No entanto, sua liberdade na formação de sua convicção não é totalmente arbitrária, tendo em vista que deverá exercê-la respeitando as condições que a lei determina. (SANTOS, 2008, p. 395).

Deste modo, vê-se que o critério da livre convicção é totalmente contrário ao do critério legal, pois neste as Provas são definidas pela lei, ao passo que no livre convencimento o juiz pode julgar contrário à Prova dos autos podendo também se basear em fatos que não constem dos autos.

Já o sistema da persuasão racional adotado pela lei brasileira parece ser a mais justa e adequada, pois nela o Juiz deve com base na Prova dos autos fundamentar ao prolatar uma sentença ou decisão.

A seguir será analisado o instituto do Ônus da Prova, estudo de grande importância , tendo em vista que é por meio dele que o juiz tem um norte diante das alegações da partes, quem tem o dever de produzir a prova em detrimento da parte contrária.

2.8 ÔNUS DA PROVA

No documento PROVA NO PROCESSO CIVIL - Univali (páginas 46-49)