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2. ELEMENTOS DA PROVA

3.5 DA PROVA TESTEMUNHAL

3.5.2 Requisitos

origem. O parágrafo 2° descreve que as repartições públicas podem fornecer todos os Documentos por meio de meio eletrônico, com o devido certificado de que é um Documento fiel ao que se encontra nos bancos de dados da repartição pública.

Conforme se observou a Prova testemunhal de um modo geral é sempre admissível no processo, exceção são os casos mencionados nos incisos I e II do art. 400 acima descritos, como também o art. 401 do CPC disciplina que a prova exclusivamente testemunhal só é admissível nos contratos em que o valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo que vige no nosso país, no tempo em que o contrato foi celebrado.

Em continuidade, assim dispõe o art. 402 do CPC:

Art. 402. Qualquer que seja o valor do contrato, é admissível a Prova testemunhal, quando:

I - houver começo de Prova por escrito, reputando-se tal o Documento emanado da parte contra quem se pretende utilizar o Documento como Prova;

II - o credor não pode ou não podia, moral ou materialmente, obter a Prova escrita da obrigação, em casos como o de parentesco, depósito necessário ou hospedagem em hotel.

Acerca da Prova somente testemunhal, num litígio cujo valor é superior ao décuplo do maior salário mínimo o Tribunal de Justiça de Santa Catarina e o Superior Tribunal de Justiça confirmam:

SANTA CATARINA- TRIBUNAL DE JUSTIÇA - EMENTA:

APELAÇÃO CÍVEL - EMBARGOS À EXECUÇÃO - CHEQUE - DEFEFEITO DE REPRESENTAÇÃO - NÃO COMPROVADO - AGIOTAGEM - CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA - LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ NÃO CONFIGURADA - REFORMA PARCIAL DA SENTENÇA - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Entende-se que a juntada de cópia dos estatutos sociais nos autos não é requisito para a postulação em juízo, pelo que seria ônus da empresa apelante produzir prova de que a representação da parte adversa é irregular. (neste sentido, por todos:

Ap. Cív. n. 1998.008663-9, de Blumenau, Rel. Des. Trindade dos Santos, DJ de 30.04.02). Estudando-se a teoria geral da prova civil (fontes, meios, objeto, ônus e valoração), verificam-se as limitações ao chamado "direito à prova". Um desses limites diz respeito a eficácia da exclusividade da prova testemunhal, ou seja, de que tal meio só será admissível e eficaz em relação aos contratos de valor inferior ao mínimo legal (CPC, art. 401). Assim, não há como se falar em cerceamento de defesa, diante de um julgamento conforme seja o estado do processo, onde foi apreciado antecipadamente o mérito, em que uma das partes pretendia demonstrar a ocorrência de fatos do seu interesse, única e exclusivamente, através da produção de prova testemunhal, numa demanda, cujo valor supera, em muito, o décuplo do salário mínimo vigente. Sem a prova do comportamento maldoso da parte e, ainda, da existência efetiva do dano, não se configura a litigância de má-fé a que se refere o art. 17 do CPC. (Acórdão: Apelação Cível 2000.015016-9 Relator: Cercato Padilha - Data da Decisão:31/10/2002)

BRASIL – Superior Tribunal de Justiça - CIVIL. LOCAÇÃO. AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE. PAGAMENTO. CONTESTAÇÃO DO

PEDIDO. LOCATÁRIO. PURGAÇÃO DA MORA. DEPÓSITO COMPLEMENTAR. INTIMAÇÃO. DESCABIMENTO. PROVA EXCLUSIVAMENTE TESTEMUNHAL. ART. 401 E 402, I, DO CPC.

INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.I - Não há violação do artigo 535, I e II, do Código de Processo Civil, quando o e. Tribunal a quo aprecia e decide fundamentadamente a questão que lhe é submetida. II - Descabe intimação para complementar o depósito de emenda da mora se o locatário, regularmente citado, contesta o pedido, negando a existência do débito. III - Não padece de ilegalidade a decisão do juiz que indefere a produção de prova exclusivamente testemunhal ao constatar que o valor do contrato de locação excede o décuplo do valor do salário mínimo. (art. 130 c/c 401, CPC) IV - É admissível a prova testemunhal, qualquer que seja o valor do contrato, quando houver começo de prova escrita, reputando-se tal o documento emanado da parte contra quem se pretende utilizá-lo como prova (art. 402, I, CPC). Alterar a conclusão do julgado que se fundamenta na inexistência de início de prova material, demandaria o reexame do acervo fático-probatório, providência incompatível com a instância especial.

(Súmula 7/STJ) Recurso especial conhecido em parte, e, nesta parte, desprovido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso e, nessa parte, negar-lhe provimento. Os Srs. Ministros Gilson Dipp, Laurita Vaz e Arnaldo Esteves Lima votaram com o Sr. Ministro Relator.Processo REsp 725914 / MS RECURSO ESPECIAL 2005/0025821- 9 Relator(a) Ministro FELIX FISCHER (1109) Órgão Julgador T5 - QUINTA TURMA Data do Julgamento 04/05/2006 Data da Publicação/Fonte DJ 05.06.2006 p. 311

No entanto, Didier Jr; Braga, Oliveira narram que a regra do art. 401 e 22 7 do Código Civil de 2002, servem de norte para o juiz, mas não tornam impossível, que diante de um caso concreto, se acaso outra Prova não puder ser produzida, o juiz aceite somente a Prova testemunhal. Exemplo ocorre nas relações trabalhistas, em que muitos casos tornam-se impossível aplicar a vedação do art. 401, pois outro meio de Prova não há. (DIDIER JR;

BRAGA, OLIVEIRA ,2007, p. 157).

Ainda, o STJ, editou a súmula 149, a seguir descrita:

“Súmula 149: A Prova exclusivamente testemunhal não basta à comprovação da atividade rurícola, para efeito da obtenção de benefício previdenciário.”

“O próprio STJ, no entanto, tem precedente que excepciona o enunciado, diante das peculiaridades do caso concreto [...].” (DIDIER JR; BRAGA, OLIVEIRA , 2007, p. 157).

Para elucidar o caso citado no parágrafo acima se procedeu à pesquisa da jurisprudência do caso acima mencionado, no site do Superior Tribunal de Justiça:

BRASIL – STJ- PREVIDENCIARIO. RURÍCOLA (BOIA-FRIA).

APOSENTADORIA POR VELHICE. PROVA PURAMENTE

TESTEMUNHAL. INTERPRETAÇÃO DE LEI DE ACORDO COM O ART. 5. DA LICC, QUE TEM FORO SUPRALEGAL. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO PELA ALÍNEA A DO AUTORIZATIVO CONSTITUCIONAL. I - O JUIZ -E EM SUAS ÁGUAS O TRIBUNAL A QUO- JULGOU PROCEDENTE PEDIDO DA AUTORA, NÃO OBSTANTE AUSÊNCIA DE PROVA OU PRINCÍPIO DE PROVA MATERIAL (LEI N. 8.213/91, ART. 55, PAR. 3.). II - A PREVIDENCIA, APÓS SUCUMBIR EM AMBAS AS INSTÂNCIAS, RECORREU DE ESPECIAL (ALÍNEA A DO ART. 105, III, DA CF). III - O DISPOSITIVO INFRACONSTITUCIONAL QUE NÃO ADMITE "PROVA EXCLUSIVAMENTE TESTEMUNHAL" DEVE SER INTERPRETADO CUM GRANO SALIS (LICC, ART. 5.). AO JUIZ, EM SUA MAGNA ATIVIDADE DE JULGAR, CABERA VALORAR A PROVA, INDEPENDENTEMENTE DE TARIFAÇÃO OU DIRETIVAS INFRACONSTITUCIONAIS. ADEMAIS, O DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL (ART., 202, I) PARA O "BÓIA-FRIA" SE TORNARIA PRATICAMENTE INFACTÍVEL, POIS DIFICILMENTE ALGUÉM TERIA COMO FAZER A EXIGIDA PROVA MATERIAL. IV - RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO PELA ALÍNEA A DO AUTORIZATIVO CONSTITUCIONAL. Acórdão POR UNANIMIDADE, NÃO CONHECER DO RECURSO. Processo REsp 46879 / SP RECURSO ESPECIAL 1994/0010952-0 Relator(a) Ministro ADHEMAR MACIEL (1099) Órgão Julgador T6 - SEXTA TURMA Data do Julgamento 10/05/1994 Data da Publicação/Fonte DJ 20.06.1994 p. 16129

Pela jurisprudência acima, conclui-se que apesar de existir uma súmula que veda a exclusividade da Prova testemunhal, para fins previdenciários, mesmo assim, tudo depende das circunstâncias do caso concreto, em que o juiz poderá usar o seu livre convencimento.

O art. 402 do CPC, no entanto, disciplina que se aceita a Prova testemunhal, qualquer que seja o valor do contrato, quando, existir começo de Prova escrita.

A expressão “começo de Prova por escrito” deve-se entender qualquer Documento escrito provindo da parte que litiga no pólo oposto, mesmo que não esteja assinado, como, exemplo, temos: bilhetes, anotações, gráficos, fac-símile, orçamentos, etc. (LOPES, 2002, p.149/150).

Ainda, Lopes (2002, p. 150) salienta que:

É importante, porém que o escrito contenha declarações que tornem verossímil a existência do contrato. O escrito, em tais condições, não pode isoladamente ser admitido como Prova plena de contrato, mas, juntamente com Depoimentos testemunhais, será hábil à demonstração do negócio.

Também se aceita a Prova testemunhal, qualquer que seja o valor do contrato, quando não foi possível ao credor aperceber-se de uma prova escrita da obrigação assumida para com ele, como nos depósitos necessários em caso de incêndio, ruína, tumulto, naufrágio, e nos

documentos firmados por viajantes em albergues em que se hospedem, [...] (CHIOVENDA, 1998, p. 136):

No documento PROVA NO PROCESSO CIVIL - Univali (páginas 91-95)