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Procedimentos

No documento PROVA NO PROCESSO CIVIL - Univali (páginas 72-75)

2. ELEMENTOS DA PROVA

3.1 DEPOIMENTO PESSOAL

3.1.2 Procedimentos

Segundo dispõe o art. 343 do CPC, “in verbis”:

Art. 343. Quando o juiz não o determinar de ofício, compete a cada parte requerer o Depoimento Pessoal da outra, a fim de interrogá-la na audiência de instrução e julgamento.

§ 1o A parte será intimada pessoalmente, constando do mandado que se presumirão confessados os fatos contra ela alegados, caso não compareça ou, comparecendo, se recuse a depor.

§ 2o Se a parte intimada não comparecer, ou comparecendo, se recusar a depor, o juiz Ihe aplicará a pena de Confissão.

Art. 344. A parte será interrogada na forma prescrita para a inquirição de Testemunhas.

Parágrafo único. É defeso, a quem ainda não depôs, assistir ao interrogatório da outra parte.

Portanto, observa-se que o Depoimento Pessoal do réu será requerido ao juiz pelo autor em petição escrita e, vice-versa, o depoimento daquele será requerido pelo réu. O interrogatório efetuar-se-á na audiência de instrução e julgamento (art. 343, caput).

(MARQUES, 2003, p. 200).

Montenegro Filho (2004, p. 531) leciona que:

No que se refere ao momento da Prova, nessa espécie, anotamos que a propositura da Prova se dá com o ingresso da petição inicial e com a

apresentação da contestação. [...] Contudo, não é definitiva a propositura manifestada no início do processo. Pode a parte autora, após a apresentação da contestação, verificar que não há mais necessidade de ser tomado o Depoimento Pessoal do réu, sendo dispensado por ocasião da realização da audiência preliminar a que alude o art. 331 do CPC.

Importante, frisar que a parte que requerer o Depoimento Pessoal do seu adversário deverá fazê-lo pelo menos cinco dias antes da audiência. A intimação da parte para prestar depoimento deverá ser feita pessoalmente, devendo constar no mandado que “caso não compareça, ou comparecendo se recuse a depor, os fatos alegados contra ela serão tidos como verdadeiros. (THEODORO JÚNIOR, 2007, p.482).

Ainda, Theodoro Júnior (2007, p.482): “Na audiência, o depoimento das partes será tomado antes da ouvida das Testemunhas, primeiro o do autor e depois o do réu (art. 452,II)”.

Se houver mais de um réu ou autor, será ouvida primeiramente a parte ativa da demanda, após os passivos. Será seguida a mesma ordem se houver reconvenção

Segundo o artigo 344 do CPC, as partes serão interrogadas na forma prescrita para a inquirição das testemunhas, e em seu parágrafo único, menciona que é proibida a parte que ainda não prestou depoimento, assistir o interrogatório da outra.

Marinoni; Arenhart, ( 2005, p.313) explicam acerca do art. 344 do CPC que: “ A inquirição da parte obedece, no que for compatível, ao procedimento prevista para a oitiva das Testemunhas. Isto é, a parte, no início de seu depoimento, será qualificada, passando a ser argüida pelo juiz diretamente”.

Outros pontos se obtêm a partir dos arts. 345 e 346 do CPC como a recusa em depor:

Art. 345. Quando a parte, sem motivo justificado, deixar de responder ao que Ihe for perguntado, ou empregar evasivas, o juiz, apreciando as demais circunstâncias e elementos de Prova, declarará, na sentença, se houve recusa de depor.

Art. 346. A parte responderá pessoalmente sobre os fatos articulados, não podendo servir-se de escritos adrede preparados; o juiz Ihe permitirá, todavia, a consulta a notas breves, desde que objetivem completar esclarecimentos.

Referente o art. 345 do CPC, Nery Júnior; Andrade Nery (2004, p. 809), mencionam:

“Cabe ao prudente critério do juiz, em decisão devidamente fundamentada, fixar os pontos do depoimento da parte que entendeu serem reveladores da intenção de não depor”.

Já com relação ao advogado da parte que está prestando o depoimento não é permitido fazer perguntas. Somente o procurador pode intervir, no final do interrogatório de seu cliente,

para esclarecer alguma dúvida ou obscuridade na narrativa do depoimento do depoente.

(THEODORO JÚNIOR, 2007, p.483).

Na mesma linha, Wambier; Almeida,Talamini (2007, p.433):

Quando se cuida de Depoimento Pessoal propriamente dito, após o juiz concluir as perguntas à parte, pode o procurador da parte adversa formular perguntas, como acontece com o meio testemunhal. Não, pode, todavia, o próprio procurador da parte depoente reperguntar, pois o objetivo primordial do depoente requerido pelo litigante é obter a Confissão. Assim, como não interessa à parte depoente a Confissão, seu procurador não formulará reperguntas. Todavia, tem-se admitido a sua intervenção, solicitando a palavra pela ordem, quando algum esclarecimento relevante houver que ser feito.

Quando o advogado litiga em causa própria, sendo intimado para Depoimento Pessoal, não poderá permanecer na sala de audiência quando a outra parte estiver prestando depoimento. O juiz deve ao menos nesse ato, fazer com outro profissional o represente.

(NERY JUNIOR; ANDRADE NERY, 2004, p. 809).

De acordo com o que leciona Montenegro Filho (2005, p.531):

A admissão do Depoimento Pessoal se dá no momento da realização da audiência preliminar do art. 331 do CPC. Havendo despacho de inadmissão, pode a parte interpor agravo de instrumento, evitando a preclusão da matéria, alegando ter sido cerceada no seu direito de defesa, com infração ao art. 5°

inciso LIV, da CF. A produção da Prova ocorre no ambiente da audiência de instrução e julgamento, quando pela parte contrária, considerando que o magistrado pode determinar a sua produção em qualquer momento do processo, [...].

Nos litígios de procedimento ordinário, o Depoimento Pessoal deve ser requerido na petição inicial e o réu na contestação. Na reconvenção, pelo reconvinte e pelo reconvindo em contestação. O juiz, no despacho saneador, decidirá sobre o deferimento do que foi requerido na inicial, podendo também o juiz fazê-lo de ofício. (AMORIM, 2004, p.291).

Denota-se das narrativas retro que a parte ao ser intimada deverá ser advertida que deve comparecer a audiência para prestar depoimento Pessoal, caso não compareça incorrerá na pena de confesso, assim, importante a intimação pessoal.

Quanto à parte requerer o Depoimento Pessoal da outra no prazo de cinco dias antes da audiência, na prática é inviável, pois pelo volume de processos e intimações que sobrecarregam o Judiciário e os Oficiais de Justiça, se todos os advogados resolvessem fazê- lo neste prazo, seria muito difícil o seu cumprimento e conseqüentemente a realização desta audiência.

3. 2 CONFISSÃO

A Confissão está disposta no capítulo VI do CPC, “Das Provas”, na Seção III, especificamente dos arts. 348 a 354.

Vejamos o que menciona o art. 348 do CPC, in verbis25:

“Art. 348. Há Confissão, quando a parte admite a verdade de um fato, contrário ao seu interesse e favorável ao adversário. A Confissão é judicial ou extrajudicial”.

Para alguns autores como Lopes e Gonçalves, a Confissão não é meio de Prova, conforme escrevem em suas obras:

Para Lopes (2002, p.23): “A Confissão já foi considerada a “rainha das provas”, mas atualmente não é qualificada sequer como meio de Prova”.

Gonçalves (2005, p.481) explica que a Confissão: “Não pode ser considerada como um meio de Prova, porque não constitui mecanismo colocado à disposição das partes para obter informações a respeito de fatos relevantes para o processo”.

No entanto, para a maioria dos autores pesquisados, como Wambier, Theodoro Júnior, Alvim, etc, a “Confissão” é considerada meio de Prova, conforme estudaremos logo abaixo.

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