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Enfermagem Saúde Pública A

No documento Revista HCPA (páginas 45-51)

MULHER HIV POSITIVO: SUA PECEPÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO

THAIS DE OLIVEIRA PLÁ; DAGMAR ELAINE KAISER; MUNIQUE BARNASQUE FERREIRA

A feminização do HIV apontou o aleitamento materno como um risco adicional de transmissão que se renova a cada exposição à mamada, tornando o aleitamento materno terminantemente desaconselhado, por ser fonte de contaminação do vírus (BRASIL, 2001). A não amamentação e as cobranças sócio-culturais, impostas pela maciça divulgação em prol do aleitamento materno exclusivo fazem com que as mães sejam intensamente cobradas, tanto pela família quanto pela sociedade em si, para que amamentem seus filhos; constituem mais uma dificuldade entre as inúmeras que as gestantes HIV tem que enfrentar em seu dia-a- dia (PREUSSLER, 2005). Nesta investigação descritivo-exploratória qualitativa, visamos conhecer as percepções relacionadas à impossibilidade de aleitamento das puérperas soropositivas para o vírus HIV, no Serviço de Assistência Especializado em DST/Aids de Porto Alegre. Os dados foram interpretados segundo a Análise de Conteúdo de Bardin (1997). Foram estudadas 10 mulheres em estado puerperal, portadoras do vírus HIV, selecionadas de acordo com o número de consultas de pré-natal (mínimo seis consultas), que responderam a entrevista semi-estruturada com questões de perfis demográfico e norteador. Os dados coletados reafirmam o ato de amamentar como uma manifestação de amor e carinho materno; a impossibilidade de amamentar representa a falta de oportunidade de exercer a maternidade em sua integralidade, evidenciando o grande desafio de enfrentar limitações impostas pela própria condição da presença do HIV. O leite materno foi concebido pelas mulheres soropositivas para o vírus HIV como um veneno que pode condenar seus filhos à morte. A participação dos profissionais de saúde, ao apresentar alternativas de solução, foi visto como essencial à adaptação desta impossibilidade.

PERCEPÇÃO DA PUÉRPERA HIV POSITIVO FRENTE AO PRÉ-NATAL

THAIS DE OLIVEIRA PLÁ; DAGMAR ELAINE KAISER; MUNIQUE BARNASQUE FERREIRA

Preconiza o Programa de Acompanhamento Pré-Natal que deve ser oferecido o exame anti-HIV para todas as mulheres a partir da vigésima semana de gestação ou assim que a gestante procurar o serviço (BRASIL, 2005). A recomendação para profilaxia da transmissão vertical do HIV consta basicamente no uso de anti-retrovirais pela gestante durante a gestação e no trabalho de parto;

pelo bebê, durante suas 6 primeiras semanas; não amamentação com leite materno; uso de preservativo; testagem do companheiro; acompanhamento da criança até o resultado confirmatório. Além disso, se faz necessário suporte emocional à mulher (BRASIL, 2004). Por meio de investigação descritivo-exploratória qualitativa, pretendemos conhecer as vivências de puérperas portadoras do Vírus da Imunodeficiência Humana(HIV) sobre o atendimento de pré-natal especializado no Serviço de Assistência Especializado em DST/Aids de Porto Alegre (SAE/POA), tendo dados analisados segundo Bardin (1997). Foram entrevistadas 10 mulheres em estado puerperal portadoras do vírus HIV, que houvessem realizado um mínimo de seis consultas de pré-natal especializado, por meio de entrevista semi-estruturada contendo questões de perfis demográfico e norteador.

Revista HCPA 2007; 27 (Supl.1)

Considerando a assistência recebida no acompanhamento pré-natal especializado, as mulheres entrevistadas reconheceram a importância deste atendimento na trajetória de sua gestação. Foram destacados fatos diferenciais como as orientações, os esclarecimentos, a terapêutica, os medicamentos e o convívio com outras mulheres em condições semelhantes às suas. Os relatos analisados apontam como indiscutível a importância do profissional da saúde no acolhimento, cuidado e educação em saúde; seu papel é de favorecer um ambiente facilitador, auxiliando, equilibradamente, sua resolutividade.

SIGNIFICADO ATRIBUÍDO À ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL POR GESTANTES ATENDIDAS NO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA

PAULA PEREIRA DE FIGUEIREDO; VALÉRIA LERCH LUNARDI; VIVIANE MARTEN MILBRATH; SIMONE COELHO AMESTOY

Introdução: Durante o Pré-Natal (PN) torna-se imprescindível a oferta de uma assistência integral ao binômio mãe-filho; incluindo ações de prevenção, promoção da saúde e tratamento de problemas identificados neste período. Objetivo: Conhecer o entendimento de gestantes atendidas em uma Unidade de Saúde da Família (USF) no município do Rio Grande-RS, sobre a assistência Pré-Natal. Metodologia: Estudo qualitativo, realizado em 2004, com 16 gestantes que faziam seu PN numa USF;

mediante entrevistas semi-estruturadas, previamente autorizadas pelas participantes. O conteúdo dos dados foi analisado através de apreensão, síntese, teorização e recontextualização, junto ao referencial teórico. Resultados: O PN foi percebido como um importante acompanhamento da saúde da gestante e do bebê, o qual busca conhecer o desenvolvimento intra-uterino. Está centrado, segundo as gestantes, na prevenção e tratamento de doenças originadas e/ou agravadas no ciclo gravídico-puerperal;

sendo representado, por consultas médicas, sem dispensar a atenção prestada pela enfermeira e estagiários de medicina. Ainda, foi atribuído ao PN o conceito de preparação para a maternidade, considerando-o uma oportunidade para aprender a cuidar da criança, esclarecer dúvidas e receber orientações. Não obstante, encontramos o desconhecimento de algumas gestantes sobre o significado do PN, o qual foi expresso pelo silêncio das mesmas quando questionadas sobre o assunto. Conclusão: Foi possível evidenciar que, para a maioria das gestantes estudadas, o PN tem o mesmo objetivo: cuidar do binômio mãe-filho. No entanto, para aquelas que não souberam atribuir um significado a esta assistência, ressalta-se ao serviço de saúde a necessidade de incluir em sua rotina informações acerca dos cuidados que serão prestados às clientes e seus objetivos, tendo em vista que este se constitui um direito de cidadania das mesmas.

O TRABALHO DO AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA.

GRACIELE FERNANDA DA COSTA LINCH; JOCIÉLE ANCHIETA DO NASCIMENTO; CÁSSIA JUNGKENN MAYA Introdução:O agente comunitário de saúde (ACS) é um trabalhador que atua em dois programas do Ministério da Saúde (MS):

Programa Agente Comunitário de Saúde (PACS) e o Programa Saúde da Família (PSF). Atualmente, esses programas consolidam-se no contexto da municipalização e descentralização das ações de atenção primária à saúde no Brasil. Para o MS, o ACS é um trabalhador que faz parte da equipe de saúde da comunidade onde mora. É uma pessoa preparada para orientar famílias sobre cuidados com sua própria saúde e também com a saúde da comunidade (Brasil, 1999). Sem dúvida, esse trabalhador apresenta características especiais, uma vez que atua na mesma comunidade onde vive, tornando mais forte a relação entre trabalho e vida social. Objetivo: Relatar experiências que obtivemos durante aulas práticas de Administração dos Serviços de Sáude II, que perfazem o sétimo semestre do Curso de Enfermagem da UFSM. Metodologia: Nos estágios em Unidades Básicas de Saúde onde vige o PSF nos deparamos com uma comunidade que tem dificuldades para identificar o real papel do ACS. Isso acarreta em dificuldades no trabalho desenvolvido pela equipe como um todo. Em vista disso, nossa contribuição como acadêmicas foi a elaboração de um folder explicativo, para a sensibilização da população, no qual contiam informações sobre os principais funções inerentes aos ACS. Resultados/Conclusões: A população precisa de uma concientização constante, a qual vise o ACS como elo entre a equipe e a comunidade. É ele que está em contato permanente com as famílias, o que facilita o trabalho de vigilência e promoção da saúde, realizado por toda a equipe. É também um elo cultural, que dá mais força ao trabalhoo educativo, ao unir dois universos culturais distintos: o do saber científico e o do saber popular.

PERCEPÇÕES DA EQUIPE DE UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE EM RELAÇÃO À INTERDISCIPLINARIDADE KELEN DOS SANTOS BARBOSA; NINON GIRARDON DA ROSA

A complexidade das necessidades e dos problemas de saúde apresentados pelos usuários atualmente exigem uma abordagem interdisciplinar, demonstrando que somente com a interação de diversas categorias profissionais é possível propiciar aos usuários um atendimento integral e resolutivo. Assim, o presente estudo tem por objetivo compreender a percepção dos profissionais de uma unidade básica de saúde em relação à interdisciplinaridade e conhecer a percepção destes profissionais sobre a contribuição da enfermeira no desenvolvimento do trabalho interdisciplinar. Trata-se de um estudo qualitativo exploratório descritivo, no qual foram entrevistados trabalhadores das diferentes categorias profissionais da equipe de uma unidade básica de saúde. À análise das informações observa-se que os sujeitos entendem que interdisciplinaridade pressupõe interação das diferentes disciplinas, integração entre os profissionais, desenvolvimento de atividades em benefício dos usuários e valorização igualitária dos componentes da equipe. Apesar de, em alguns momentos, subestimarem o trabalho interdisciplinar desenvolvido na unidade, este grupo consegue desenvolver a interdisciplinaridade em diversas atividades. Contudo, os sujeitos destacaram que o trabalho interdisciplinar requer um esforço pessoal para ultrapassar as barreiras impostas tanto pela formação dos profissionais, quanto por suas atitudes. Alguns profissionais da equipe percebem que a enfermagem, por sua formação generalista, tem uma grande capacidade de adaptação às atividades, desenvolvendo o trabalho interdisciplinar com mais facilidade. Enfim, podemos salientar que a unidade em questão tem avançado muito em relação à interdisciplinaridade, podendo afirmar-se que esta forma de trabalho já é uma realidade para esta equipe.

Revista HCPA 2007; 27 (Supl.1) RELAÇÃO TUBERCULOSE PULMONAR X HIV

POLIANA STEFE FERREIRA;

RESUMO O presente estudo teve por objetivo principal fazer um levantamento dos casos de tuberculose pulmonar no município de Alvorada e sua relação com portadores de HIV. Para isso, foram analisadas as fichas de notificação compulsória específicas para tuberculose do banco de dados, o SINAN/TB. Após essa análise, achamos que seria conveniente apresentarmos outros pontos relevantes da doença, de importância significativa, de caráter epidemiológico, para uma complementação do estudo. Para esse estudo, as variáveis utilizadas foram a idade, o sexo e se o paciente era portador do vírus HIV. Tais fichas foram coletadas no setor de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde de Alvorada. Como resultado deste estudo, pode ser observado que a tuberculose atinge muito mais homens, em idade produtiva e em pacientes portadores do vírus HIV.

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS CASOS ATENDIDOS PELA ENFERMAGEM NO PROJETO PROTEGER

NANUCHA TEIXEIRA DA SILVA; SIMONE ALGERI; GRAZIELA ALINE HARTMAMM; LUCAS DE LIMA E CUNHA;

MARCELO KLU; RENATO ZAMORA FLORES

O Projeto Proteger, ação de extensão da UFRGS, trabalha há 15 anos com situações que envolvem violência contra crianças e adolescentes e atende vítimas e agressores por meio de uma equipe multidisciplinar gratuita e integralmente. Objetivo: traçar um perfil epidemiológico dos casos atendidos pelos acadêmicos de Enfermagem inseridos neste projeto. Através do conhecimento cientifico das variáveis coletadas, pode-se melhor compreender o fenômeno da violência e aperfeiçoar a atuação dos profissionais de saúde neste contexto. Método: foram selecionados os casos atendidos pelos acadêmicos de enfermagem no ano de 2006, totalizando 74 casos. Os dados foram coletados através de um instrumento adaptado e analisados pelo método quantitativo. Para processar as variáveis foi utilizado o programa SPSS v. 11.5. Resultados parciais: entre os motivos de encaminhamento para atendimento, 51,4% dos casos foram de relacionamento intrafamiliar problemático, seguido de 39,2% por dificuldades de aprendizagem, 23% para investigação de doença genética, 20,3% por negligência, 20,3% por abuso psicológico, 12,2 % por abuso físico, 9,5% por abuso sexual e 2,3 por outros motivos. Os percentuais se sobrepõem, pois, em muitos casos, ocorreu mais de um dos motivos. 66,2% da amostra é composta por meninos. Os demais dados dizem respeito à idade, escolaridade e inserção no mercado de trabalho dos pais e da criança/adolescente, e sobre a organização e funcionamento familiar. O estudo encontra-se na fase de análise das variáveis.Conclusão: até agora, os resultados revelam que os profissionais de saúde devem ter conhecimento e habilidades para acolher, identificar e cuidar de vítimas de violência. Visto que a violência se fez presente em diferentes formas, faz-se imprescindível a capacitação do profissional durante sua formação acadêmica. È a universidade o espaço que oportuniza a responsabilização social, ética e política para atender esse tipo de caso.

NÚCLEO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA HOSPITALAR: AGRAVOS NOTIFICADOS NO HUSM-RS.

JOSÉ LUÍS GUEDES DOS SANTOS; ADRIANA DE CASTRO RODRIGUES KRUM; ALEXANDRE VARGAS SCHAWARZBOLD; CARLOS ANDRÉ AITA SCHMITZ; NATÁLIA GARLET; ADELINA GIACOMELLI PROCHNOW Introdução: O Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NVEH) do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM)/RS está sendo implantado em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e apoio da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde de Santa Maria no intuito de fortalecer a investigação epidemiológica de casos de doenças de notificação compulsória (DNC) no município e região, demonstrando mudanças na história natural dos agravos, bem como a repercussão dos mesmos na estruturação das políticas regionais de atenção à saúde. Objetivo: Descrever os principais agravos notificados pelo NVEH no HUSM no primeiro semestre do ano de 2007. Metodologia: Estudo retrospectivo realizado a partir de consulta ao Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN), dos casos notificados durante os meses de janeiro a junho de 2007, período esse que marca a estruturação do NVEH na instituição em voga. Resultados: No período elencado, foram registrados 116 notificações de DNC. O agravo de maior incidência, com 38 registros, foi a AIDS adulto. Em segundo lugar, com 20 registros, encontram-se as hepatites virais. No terceiro posto, com 17 notificações, estão os acidentes por animais peçonhentos. Já com 13 notificações cada estão os casos de gestante HIV e leptospirose. As meningites totalizaram nove casos. Com apenas um agravo notificado encontram-se:

atendimento anti-rábico humano, coqueluche, gestante com sífilis, intoxicação exógena, sífilis congênita e tétano acidental.

Conclusão: Os dados apresentados, mesmo em pequena magnitude, são consonantes, de forma geral, com a realidade epidemiológica nacional. Espera-se que a estruturação do NVEH no HUSM gere informações epidemiológicas a partir de sua própria realidade da instituição e forneça instrumentos gerenciais importantes para o próprio hospital, relativo ao seu planejamento, reorganização do trabalho e promoção da eficiência.

RELATO DE EXPERIÊNCIA: ESTAGIO DE ADMINISTRÇÃO EM ENFERMAGEM NO CENTRO DE SAÚDE VILA DOS COMERCIÁRIOS

CAMILA RIGHI; EUNICE FABIANI HILLESHEIN

Introdução: A partir, do estágio curricular I de administração em enfermagem, vivenciado no Centro de Saúde Vila dos Comerciários (CSVC), surge à iniciativa de realizar o relato de experiência do campo de estágio para aproximar a prática da teoria, visando divulgar a experiência para o maior número de leitores, demonstrando o incentivo ao desenvolvimento de estágios concomitante a área da pesquisa, e a área administrativa, como, área física, recursos humanos, relacionamento da equipe, recursos materiais e financeiros, funcionamento geral do setor. O Ambulatório Básico do CSVC situa-se na Zona Sul de Porto Alegre e pertence à área da Gerência Distrital Glória Cruzeiro Cristal, conforme os últimos dados do IBGE/2002 têm 31.150 pessoas nesta área. Objetivos: As acadêmicas objetivam demonstrar neste relato, os passos para a inserção no contexto administrativo e assistencial do CSVC, visando à compreensão dos mecanismos e do funcionamento desse local. O estágio durou do mês de abril ao mês de junho de 2007. Os alunos contribuíram no trabalho das equipes ao participar dos processos administrativos e assistenciais, junto aos demais profissionais da Instituição. Materiais e Métodos: É escolhido o método qualitativo do tipo exploratório e descritivo do campo da prática de estágio. Resultados e Conclusões: Os alunos, em cada setor, procuraram compreender os mecanismos de funcionamento e a dinâmica de cada local, conquistando seu espaço na equipe de trabalho ao

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longo do estágio. Ao finalizar o estágio têm-se a certeza de uma trajetória com amplo aprendizado nas mais variadas atividades assistenciais e administrativas. Ao término do estágio fica o desafio, aos que desejam seguir a área da Saúde Pública, continuar na busca pela qualidade de trabalho e de assistência à população

GERAÇÃO E GÊNERO NA CONSTITUIÇÃO DE SITUAÇÕES DE VULNERABILIDADE AOS ACIDENTES E VIOLÊNCIAS ENTRE JOVENS DE PORTO ALEGRE.

MARCELE PERETTO; MARTA COCCO; MARTA JULIA MARQUES LOPES

O estudo objetiva conhecer e compreender a morbidade por Causas Externas entre jovens na região Lomba do Pinheiro/Partenon, do município de Porto Alegre, no período de 2002 a 2005. Trata-se de um estudo de morbidade, híbrido, do tipo ecológico, baseado em uma série temporal. O instrumento local de registro serviu como base, possibilitando ainda o georeferenciamento dos eventos. Utilizou-se para análise, o software SPSS 13.0 e o software Map-Info. A tipologia das Causas Externas e as situações de vulnerabilidade construíram-se a partir das entrevistas semi-estruturadas com 23 jovens, optando-se pela análise de conteúdo.

Evidenciou-se 442 jovens vítimas de Causas Externas, com predomínio em jovens do sexo masculino (64%). O domicílio configurou-se no principal local das ocorrências com 45,9%. Os acidentes domésticos, acidentes de esporte e lazer, acidentes com animais, violência interpessoal e violência sexual estão entre as mais freqüentes. Constatou-se que os jovens são oriundos de famílias de precária inserção socioeconômica identificada pela renda familiar, baixo nível de escolaridade dos pais, condições de moradia, dificuldade de acesso aos bens de consumo; bem como, fragilidade das relações sociais na família e na comunidade. A violência e os acidentes para esse grupo populacional fazem parte do cotidiano. Estabelecem relação desses eventos com o consumo de álcool e drogas, hábito de fumar, dirigir em alta velocidade, condutas agressivas ou violentas, testando os próprios limites; ainda, a potencialização dessas atitudes em grupos. Os achados apontam para a necessidade de ações de saúde intersetoriais dirigidas aos jovens, famílias, escola, comunidade, entre outros espaços de socialização como resposta às situações de vulnerabilidade, nas diferentes dimensões.

PREVENINDO DST/AIDS E GRAVIDEZ INDESEJADA ATRAVÉS DE OFICINAS COM ADOLESCENTES EM UMA ESCOLA DA LOMBA DO PINHEIRO/PORTO ALEGRE

ILVA INÊS RIGO; SHANA MARQUES; GIORDANA DE CÁSSIA PINHEIRO DA MOTA; CAROLINA CAON OLIVEIRA;

MARTA JÚLIA MARQUES LOPES; TATIANA ENGEL GERHARDT

A infecção por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e pelo HIV têm atingido índices elevados na adolescência, assim como a gravidez indesejada. A vulnerabilidade desse grupo populacional a esses eventos, é influenciada por fatores culturais, sociais e econômicos. Durante estágio em Enfermagem Comunitária no bairro Lomba do Pinheiro, desenvolvemos a temática da sexualidade e suas implicações com escolares de uma escola local. Este trabalho relata essa experiência e alerta para a importância de ações que promovam a saúde dos adolescentes. Foram realizadas 2 oficinas com 3 turmas de 8ª série, totalizando 85 alunos de 13 a 18 anos. As oficinas foram estruturadas com dinâmicas participativas que oportunizaram o pensamento crítico e a (re)construção compartilhada do conhecimento, além de facilitarem a vinculação com o grupo. Refletiu-se sobre adolescência e suas mudanças corporais, através de jogos, demonstrações em modelos pélvicos e do compartilhamento de experiências. Os grupos discutiram sobre sexualidade e afetividade na adolescência, métodos preventivos, gravidez indesejada, infecções por DSTs e HIV, aborto e suas repercussões. Estimulou-se a integração dos adolescentes à unidade básica de saúde, dando continuidade às estratégias de prevenção. O trabalho foi desafiador na medida em que, discutir sexualidade com este público, traz à tona tabus e crendices. Constatou-se que, para despertar o interesse dos adolescentes, são necessárias estratégias diferenciadas, descontraídas, que possibilitem a participação e a formação de vínculo, promovendo a aprendizagem efetiva para comportamentos de cuidado e prevenção.

CAMINHOS (IN) SEGUROS: INICIANDO UMA NOVA PROPOSTA DE DIAGNÓSTICO

CAROLINA CAON OLIVEIRA; GIORDANA DE CÁSSIA PINHEIRO DA MOTTA; ILVA INÊS RIGO; SHANA MARQUES; MARTA JÚLIA MARQUES LOPES; TATIANA ENGEL GERHARDT

Introdução: Nas últimas décadas, nota-se o crescimento da morbi-mortalidade por Causas Externas (CEs), sendo as crianças e os jovens os mais vulneráveis. Vista a relevância do estudo das CEs entre as crianças a fim de se evitar a ocorrência de agravos à saúde, decidiu-se pela realização deste trabalho com a 3ª série de uma escola estadual da Lomba do Pinheiro. O estudo foi inspirado em um projeto colombiano e desenvolvido na disciplina de Enfermagem Comunitária do curso de Enfermagem da UFRGS. Objetivo: Levantar as características do caminho percorrido pelas crianças de sua casa até a escola, identificando os fatores que podem ser considerados de risco para a chegada segura no seu local de estudo. Método: Realizou-se um diagnóstico comunitário através de uma oficina que envolveu a confecção de desenhos com narrativas e a construção de uma árvore de problemas. Por último, foram identificadas em um mapa da comunidade as situações-problema que podem representar algum risco às crianças. Resultados: A análise dos desenhos permitiu identificar aspectos negativos como atropelamentos, cachorros abandonados e violência. Muitas crianças não identificaram nada negativo no caminho, talvez por não terem discernimento quanto o que é perigoso ou não. A árvore proporcionou uma reflexão mais direcionada, revelando problemas antes não abordados.

Constatou-se que cerca de metade das crianças mora na área considerada de maior risco. Conclusões: Os problemas identificados vão ao encontro dos resultados da análise das notificações de CEs da região. O olhar sensível das crianças torna inegáveis os perigos aos quais estão expostas enquanto realizam com insegurança seus caminhos. Este projeto foi um primeiro passo de um longo caminho que visa uma vida mais segura aos integrantes da comunidade.

No documento Revista HCPA (páginas 45-51)