AVALIAÇÃO TOMOGRÁFICA DOS SEIOS PARANASAIS EM PACIENTES DO AMBULATÓRIO DE FIBROSE CÍSTICA (FC) DO SERVIÇO DE OTORRINOLARINGOLOGIA DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE (HCPA) MAJORIÊ MERGEN SEGATTO; CAMILA MEOTTI; DENISE MANICA; LARISSA ENEAS E OTÁVIO PILTCHER.
Introdução: A rinossinusopatia crônica é uma manifestação altamente incidente entre os portadores de FC. Os métodos disponíveis de importância clínica para avaliação são anamnese e exame físico, endoscopia nasal e tomografia computadorizada (TC) de seios da face. Objetivos: Avaliar o comprometimento dos seios paranasais em pacientes portadores de FC atendidos no Serviço de Otorrinolaringologia, através da avaliação tomográfica dos seios da face, aplicando um escore validado. Materiais e Métodos: Estudo transversal, onde foi utilizada a aplicação do escore de Lund-Mackay para as alterações presentes nas TC de seios da face, classificando cada seio em uma escala de 0-2, dependendo do grau de acometimento do mesmo (sem alteração, opacificação parcial ou total). O complexo óstio-meatal é avaliado em relação à presença (1 ponto) ou não de obstrução (0 ponto), totalizando um escore de 0-24. Resultados: Foram analisados 19 pacientes, sendo 60% do sexo feminino, com idade mediana de 11 anos (4-19). Na anamnese, 10,5 % apresentavam asma, 20% rinorréia, 26,3% prurido nasal, 26,3% espirros, 21,1% obstrução nasal, 10,5% apnéia, 15,8% e roncos. Ao exame físico, 36,8% apresentavam cornetos hipertróficos, 21,1% cornetos pálidos, 21,1% secreção nasal e 10,5% polipose nasal. A mediana do escore de Lund-Mackay foi de 12 (0-24). Os seios mais acometidos foram os maxilares (90% à direita e 85% à esquerda), seguidos pelos frontais, esfenoidais e etmoidais. O complexo ósteo-meatal estava obstruído em 70% à direita e em 60% à esquerda. Conclusão: A maioria dos pacientes analisados, apesar de apresentarem poucas alterações clínicas, possui alterações importantes à TC de seios da face. Portanto, esse exame torna-se indispensável para o diagnóstico precoce e manejo adequado nos portadores de FC.
COMPARAÇÃO DO INVENTÁRIO DE DEPRESSÃO BECK ENTRE PACIENTES COM ZUMBIDO E HIPOACUSIA, E PACIENTES COM ZUMBIDO E AUDIÇÃO NORMAL
MARCELO EDUARDO CORTINA; GUILHERME AUGUSTO OLIVEIRA; ERZELINO BORELI FILHO; MÁRCIO EDUARDO BROLIATO; MAURÍCIO LIMA DA FONTOURA; CAROLINE PERSCH ROYER; LETÍCIA PETERSEN SCHMIDT ROSITO; CELSO DALL'IGNA
Introdução: O zumbido é a sensação auditiva sem uma estimulação sonora externa correspondente, estando esta freqüentemente relacionada com transtornos de humor, como por exemplo, o transtorno depressivo. Objetivo: Rastrear sintomas depressivos e compará-los entre pacientes com hipoacusia e audição normal. Materiais e Métodos: Entraram no estudo 102 pacientes do ambulatório de zumbido crônico do HCPA. Todos os pacientes responderam o Inventário de Depressão Beck, o qual é um questionário com pontuação de 0 a 60, utilizado para rastrear e medir a intensidade do transtorno depressivo. Pacientes com resultado acima de 15 devem responder questionários específicos para o diagnóstico de depressão. Do total dos pacientes, 53 apresentaram audição normal e 49 hipoacusia. Para determinar estes dois grupos foi avaliada a média da via aérea em 500, 1000 e 2000 Hz na audiometria tonal e vocal do pior ouvido de cada paciente. Definiu-se como audição normal, pacientes que apresentaram na média intensidade menor ou igual a 25 dB, e hipoacusia nos que apresentaram na média intensidade acima de 26 dB. Para a análise estatística dos dados utilizou-se o teste Mann-Whitney. Resultados: A média do questionário Beck para pacientes com zumbido e hipoacusia foi de 18.73, e para pacientes com zumbido e audição normal foi de 13.15, para um p de 0.046. Conclusão: Através destes dados é possível afirmar que pacientes com zumbido e hipoacusia apresentam maior probabilidade de apresentar transtorno depressivo do que pacientes que possuem zumbido e audição normal, fazendo com que se adote uma postura mais focada para o diagnóstico de depressão em pacientes com ambas as manifestações.
PREVALÊNCIA DE FATORES DE MELHORA E PIORA NA PERCEPÇÃO DO ZUMBIDO EM PACIENTES COM ZUMBIDO CRÔNICO
MARCELO EDUARDO CORTINA; GUILHERME AUGUSTO OLIVEIRA; ERZELINO BORELI FILHO; MÁRCIO EDUARDO BROLIATO; MAURÍCIO LIMA DA FONTOURA; CAROLINE PERSCH ROYER; LETÍCIA PETERSEN SCHMIDT ROSITO; CELSO DALL'IGNA
Introdução: É de conhecimento, através da literatura médica, que vários fatores do cotidiano do paciente estão relacionados com a melhora ou a piora da percepção do zumbido crônico. Objetivo: Determinar a prevalência de fatores previamente estabelecidos na melhora e na piora da percepção do zumbido crônico em pacientes com tal enfermidade. Materiais e Métodos: Entraram no estudo 303 pacientes do ambulatório de zumbido crônico do HCPA que responderam o questionário de primeira consulta. Neste questionário eram abordados os itens: silêncio, período da manhã, exercício, álcool, ruído, jejum, ansiedade, cigarro, período da noite, alimentação e descanso, classificando-os em fatores de melhora, piora ou não alteração da percepção do zumbido crônico.
Revista HCPA 2007; 27 (Supl.1)
Resultados: Analisando cada um dos fatores separadamente observou-se que silêncio com 66%, período da noite com 61% e ansiedade com 54% dos pacientes válidos foram os mais citados entre os mesmos como fatores de piora da percepção do zumbido. Ruído com 38%, descanso com 26% e período da manhã com 22% dos pacientes válidos foram os mais citados como fatores de melhora da percepção do zumbido. Jejum com 93%, alimentação com 93%, álcool com 95% e cigarro com 96% dos pacientes válidos foram os mais citados como não alteração da percepção do zumbido. Houve uma perda média de 12% sobre o total de pacientes que responderam o questionário de primeira consulta no momento da análise dos dados, obtendo-se um total de 267 pacientes válidos. Conclusão: Com a determinação da prevalência desses fatores na melhora e na piora da percepção do zumbido é possível montar estratégias mais efetivas para o controle de tal enfermidade, o que irá produzir maior impacto na melhora da qualidade de vida destes pacientes.
RELAÇÃO DA INTERFERÊNCIA DO ZUMBIDO NO SONO, EMOCIONAL, SOCIAL E CONCENTRAÇÃO EM PACIENTES COM HIPOACUSIA E EM PACIENTES COM AUDIÇAO NORMAL
MARCELO EDUARDO CORTINA; GUILHERME AUGUSTO OLIVEIRA; ERZELINO BORELI FILHO; MÁRCIO EDUARDO BROLIATO; MAURÍCIO LIMA DA FONTOURA; CAROLINE PERSCH ROYER; LETÍCIA PETERSEN SCHMIDT ROSITO; CELSO DALL'IGNA
O zumbido crônico é uma doença que apresenta grande repercussão no cotidiano do paciente, afetando, na maioria das vezes, sua qualidade de vida com muito impacto. Entraram no estudo 137 pacientes do ambulatório de zumbido crônico do HCPA que responderam o questionário de primeira consulta, o qual apresenta perguntas de resposta simples, sim ou não. Para determinar os grupos hipoacusia e audição normal foi avaliada a média da via aérea em 500, 1000 e 2000 Hz na audiometria tonal e vocal do pior ouvido de cada paciente. Definiu-se como audição normal, pacientes que apresentaram na média intensidade menor ou igual a 25 dB, e hipoacusia nos que apresentaram na média intensidade acima de 26 dB. Viu-se que 73 pacientes possuíam audição normal e 64 possuíam hipoacuisa. Para avaliação dos dados foi usado o Teste do Qui-quadrado. A interferência do zumbido no sono para o grupo com audimetria normal foi de 55% e para grupo hipoacusia, 37%, para um p 0.059. Para interferência do zumbido na concentração houve resultados similares dentro dos grupos, não havendo significância nos resultados. Na interferência do zumbido no emocional, o grupo audiometria normal foi de 45% e no grupo hipoacusia foi de 70%, para um p 0.005. Na interferência do zumbido no social, no grupo audiometria normal obteve-se 22% de interferência e no grupo hipoacusia 36% de interferência, para um p 0.088. Conclusão: O zumbido crônico apresenta maior interferência no sono no grupo audiometria normal, evidenciando que este grupo sofre mais com distúrbios do sono. No entanto, o zumbido crônico afeta mais o emocional e o social de quem tem hipoacusia em relação a quem tem audição normal, demonstrando que possa haver maior prevalência de transtornos de humor e ansiedade em pacientes que apresentam ambos os distúrbios.
PADRÃO AUDIOMÉTRICO DE PACIENTES PORTADORES DE ZUMBIDO CRÔNICO: ESTUDO TRANSVERSAL MAURÍCIO LIMA DA FONTOURA; GUILHERME AUGUSTO OLIVEIRA; ERZELINO BORELI FILHO; MARCELO EDUARDO CORTINA; MÁRCIO EDUARDO BROLIATO; CAROLINE PERSCH ROYER; LETÍCIA PETERSEN SCHMIDT ROSITO; CELSO DALL'IGNA
Introdução:O zumbido é um sintoma muito prevalente, afetando cerca de 15% da população. Em 90% dos casos está relacionado a algum grau de perda auditiva, sendo o otorrinolaringologista o especialista mais procurado por quem sofre com este problema.
A audiometria tonal pode auxiliar em um possível diagnóstico etiológico do zumbido crônico. Objetivo: definir o padrão audiométrico de pacientes com zumbido crônico clinicamente significativo. Métodos: esse estudo transversal contou com 143 pacientes do Ambulatório de Zumbido do serviço de Otorrinolaringologia do HCPA. Baseado na primeira audiometria tonal de cada paciente, a audição foi classificada como: Hipoacusia Neurosenssorial (HNS), Hipoacusia Mista (HM), Hipoacusia Condutiva (HC) ou Audição Normal (AN). Cada ouvido foi avaliado separadamente e o limiar audiométrico utilizado foi 30 decibéis. Resultados: o padrão audiométrico foi o seguinte: 54,89% Hipoacusia Neurosenssorial; 29,7% Audição Normal; 12,73%
Hipoacusia Mista e 3,14% Hipoacusia Condutiva. Conclusão: os resultados foram compatíveis com a literatura. A maior prevalência de Hipoacusia Neurosenssorial condiz com possível dano coclear. Por outro lado, pacientes com Audição Normal ou Hipoacusia Condutiva merecem ser avaliados para diferentes etiologias.
PERFIL CLÍNICO, METABÓLICO E AUDIOLÓGICO DE PACIENTES COM SÍNDROMES COCLEOVESTIOBULARES E AVALIAÇÃO DE HIPERINSULINISMO ATRAVÉS DO HOMEOSTATIC MODEL ASSESSMENT (HOMA)
MAURÍCIO LIMA DA FONTOURA; GUILHERME AUGUSTO OLIVEIRA; ERZELINO BORELI FILHO; MARCELO EDUARDO CORTINA; MÁRCIO EDUARDO BROLIATO; CAROLINE PERSCH ROYER; LETÍCIA PETERSEN SCHMIDT ROSITO; CELSO DALL'IGNA
Introdução: A curva glicoinsulinêmica de 5 horas com 100 g de glicose desenvolvida por Kraf tem sido preconizada com padrão ouro no diagnóstico de hiperinsulinismo nas síndromes cocleovestibulares. É, no entanto, um teste muito trabalhoso e desconfortável para o paciente. Objetivo: Identificar o perfil clínico, metabólico e audiológico de pacientes com síndromes cocleovestiobulares em investigação para hiperinsulinismo e correlacionar o HOMA IR e HOMA beta com os critérios propostos por Kraft, determinando a sensibilidade e especificidade destes testes. Métodos: Foram revisados 131 prontuários de pacientes submetidos a curva glico-insulinêmica por desordens cocleovestibulares e suspeita de etiologia metabólica. Foram determinadas a correlação entre os testes pelo coeficiente de Spermann, a sensibilidade e especificidade pela curva ROC e a concordância entre os testes pelo teste Kappa, através do programa SPSS. Resultados: Houve uma correlação forte e positiva entre os testes HOMA IR e HOMA beta e a soma das insulinemias aos 120 e 180 minutos (r=0,68 e r=0,73, repectivamente) As sensibilidades e especificidades do HOMA IR e do HOMA beta foram 78% e 77% , 81% e 77% respectivamente. A concordância entre os testes foi moderada. Conclusão: O HOMA IR e o HOMA beta possuem boas sensibilidade e especificidade, além de serem muito mais fácies de realizar, podendo ser uma boa opção no diagnóstico de hiperinsulinemia.
Revista HCPA 2007; 27 (Supl.1)
ESTUDO DA PREVALÊNCIA DE DOENÇAS CRÔNICAS NOS PACIENTES DO AMBULATÓRIO DO ZUMBIDO DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE.
GUILHERME AUGUSTO OLIVEIRA; CELSO DALL:IGNA; LETÍCIA PETERSEN SCHMIDT ROSITO; MARCIO EDUARDO BROLIATO; ERZELINO BORELI FILHO; MARCELO EDUARDO CORTINA; MAURÍCIO LIMA DA FONTOURA
INTRODUÇÃO: O zumbido é um sintoma muito prevalente, afetando quase 15% da população e 33% dos idosos. Em 90% dos casos relacionado a algum grau de hipoacusia. Otorrinolaringologista é o especialista mais procurado por quem sofre com este problema, mas especialistas de outras áreas vêm sendo procurados, como os neurologistas. Alguns centros de referência no acompanhamento desses pacientes sugerem avaliação multidisciplinar e crêem que o zumbido pode ser amenizado ou agravado por doenças crônicas descompensadas ou com tratamento ineficaz. OBJETIVO: Avaliar a concomitância de doenças crônicas multi-sistêmicas em pacientes com zumbido crônico. MATERIAL E MÉTODOS: Foram avaliados 270 pacientes do grupo atendido há 5 anos no ambulatório do zumbido. Dados foram obtidos por revisão dos protocolos de 1ª consulta, aplicados a todos os pacientes do grupo. As doenças crônicas investigadas são cardiovasculares, pulmonares, renais, endocrinológicas, neurológicas, gastointestinais, reumatológicas, psiquiátricas e imunológicas. RESULTADOS: 27(10%) pacientes com doença pulmonar; 128(47,4%) cardiovascular; 21(7,7%) renal; 52(19,2%) endocrinológica; 86(31,8%) gastrointestinal; 27(10%) neurológico; 51(18,8%) reumatológico e 13(4,8%) pacientes com doença imunológica. CONCLUSÃO: Doenças cardiovasculares estão presentes em quase metade dos pacientes, número esperado devido à prevalência desse tipo de doenças na população geral, principalmente idosos que são maioria no ambulatório. Surpreendeu o 1/3 dos pacientes com alterações gastrointestinais.
Entretanto os dois sistemas diretamente envolvidos em fisiopatogenia e repercussão clínica, respectivamente neurológico e psiquiátrico, mostraram prevalência modesta com menos de 1/4 de pacientes com doença psiquiátrica e apenas 10% com neurológica.
REPERCUSSÃO DO ZUMBIDO NA QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES COM E SEM HIPOACUSIA DO HOSPITAL DE CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE.
GUILHERME AUGUSTO OLIVEIRA; CELSO DALL:IGNA; LETÍCIA PETERSEN SCHMIDT ROSITO; MARCIO EDUARDO BROLIATO; ERZELINO BORELI FILHO; MARCELO EDUARDO CORTINA; MAURÍCIO LIMA DA FONTOURA; CAROLINE PERSCH ROYER.
INTRODUÇÃO: O zumbido é a sensação de ruído sem estímulo sonoro externo correspondente. Na maioria das vezes é acompanhado de hipoacusia (90%), sendo muito prevalente na população e responsável por importante perda na qualidade de vida de alguns pacientes. O Inventário de Qualidade de Vida (IQV) é um questionário, utilizado no Ambulatório de Zumbido do HCPA, com o objetivo de avaliar e quantificar a repercussão desse sintoma na vida dos pacientes. OBJETIVO: Comparar a repercussão na qualidade de vida em pacientes com zumbido como único sintoma e pacientes com hipoacusia associada ao zumbido. MATERIAIS E MÉTODOS: Foram selecionados para o estudo 114 pacientes do ambulatório que responderam o IQV e submeteram-se a audiometria na fonoaudiologia do HCPA. Definido como limiar de perda auditiva, segundo a classificação de Davis e Silverman, registros menores que 25dB na via aérea, nas freqüências de 500, 1000 e 2000Hz em qualquer um dos ouvidos, que dividiu os pacientes em 2 grupos, com e sem hipoacusia. A repercussão pelo IQV segue uma escala crescente que vai de 0 a 100. Foram comparadas as médias de resultados do IQV nos 2 grupos usando-se teste-T como método estatístico.
RESULTADO: Dos 114 pacientes, 58 ficaram no grupo com audiometria normal e 56 no grupo com perda auditiva. Nos pacientes com audiometria normal encontramos um IQV médio de 41,98 e nos pacientes com hipoacusia 53,77 de média. O teste estatístico (t-test), feito para comparar as médias dos grupos, mostrou um p= 0,019.CONCLUSÃO: Pacientes com perda auditiva apresentam valores no IQV significativamente maiores que os com audição normal. Com isso, entendemos que a perda auditiva é um fator que contribui de forma adicional ao zumbido na perda da qualidade de vida desses pacientes.
PREVALÊNCIA DE TRANSTORNOS DE HUMOR, DE ANSIEDADE E SOMATOFORMES EM PACIENTES PORTADORES DE ZUMBIDO CRÔNICO: RESULTADOS PRELIMINARES
MÁRCIO EDUARDO BROLIATO; GUILHERME AUGUSTO OLIVEIRA; ERZELINO BORELI FILHO; MARCELO EDUARDO CORTINA; MAURÍCIO LIMA DA FONTOURA; CAROLINE PERSCH ROYER; LETÍCIA PETERSEN SCHMIDT ROSITO; CELSO DALL IGNA
O zumbido crônico é um sintoma prevalente que acomete cerca de 17% da população geral. A maioria dos pacientes habitua-se a ele facilmente, não necessitando de nenhum tipo de tratamento. Cerca de 25% deles, contudo, procura assistência médica pelo incômodo gerado pela presença do zumbido e 5% deles apresentam sintomatologia que restringe sua capacidade para o trabalho e para exercer suas atividades cotidianas. Evidências demonstram uma prevalência maior de transtornos mentais entre os portadores de zumbido crônico. O objetivo do estudo é determinar a prevalência de doenças mentais em portadores de zumbido crônico.
Foram incluídos no estudo pacientes portadores de zumbido crônico participantes do ambulatório de zumbido do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Para determinar a prevalência de transtornos mentais foi utilizado o Primary Care Evaluation of Mental Disorders (PRIME-MD), questionário para diagnóstico de distúrbios do humor e de ansiedade para uso de médicos não- especialistas, já validado para a língua portuguesa. Um total de 48 pacientes responderam ao PRIME-MD e foram incluídos na amostra. A idade média foi de 56 ± 11,7 anos, com 67,4% de mulheres. Foi diagnosticado algum transtorno mental em 36 (75%) pacientes da amostra. Muitos apresentaram mais de um transtorno. Houve uma prevalência de 33,3% de transtornos de humor, 31,2% de transtorno de humor e ansiedade associados, 6,2% de transtornos de ansiedade e 4,2% de transtornos somatoformes.
Houve uma prevalência de 54,2% de depressão entre a amostra. Os resultados, embora preliminares, apontam para uma alta prevalência de transtornos mentais, principalmente depressão, bem como a associação entre doenças mentais em pacientes com zumbido crônico.
Revista HCPA 2007; 27 (Supl.1) CORRELAÇÃO ENTRE INTENSIDADE DO ZUMBIDO E QUALIDADE DE VIDA
MÁRCIO EDUARDO BROLIATO; GUILHERME AUGUSTO OLIVEIRA; ERZELINO BORELI FILHO; MARCELO EDUARDO CORTINA; MAURÍCIO LIMA DA FONTOURA; LETÍCIA PETERSEN SCHMIDT ROSITO; CELSO DALL IGNA
O zumbido (também demoninado tinnitus ou acúfeno) é um sintoma muito prevalente. O zumbido grave é considerado o terceiro pior sintoma que pode acometer o ser humano. Pesquisas apontam que a intensidade do zumbido varia entre 0 e 10 dB em 80%
dos pacientes. Entretanto, não há evidência de uma relação entre a intensidade do zumbido e a gravidade do sintoma. O objetivo do presente estudo é testar a repercussão da intensidade do zumbido na qualidade de vida em uma amostra de pacientes de um ambulatório especializado. Participaram da pesquisa pacientes do ambulatório de zumbido do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Foram utilizados a intensidade da acufenometria – um exame objetivo do zumbido – e o Tinnitus Handicap Inventory (THI) – uma escala de qualidade de vida em pacientes portadores de zumbido crônico que varia de 0 a 100 e validada para a língua portuguesa em 2006. Um total de 64 pacientes realizaram acufenometria e responderam ao THI e foram incluídos na amostra. A intensidade média do zumbido, através da acufenometria, foi de 54,7 ± 17,2 dB (máximo 95 dB) e a média do THI foi de 47,9 ± 26,4. Usando o coeficiente de correlação de Pearson e o diagrama de dispersão, testamos a correlação entre a intensidade do zumbido e o THI. O resultado obtido foi r = -0,004 e p = 0,973. Os resultados foram compatíveis com a literatura, mostrando que não existe correlação entre a intensidade do zumbido e a qualidade de vida do paciente. O desenvolvimento do incômodo estaria relacionado à ativação dos sistemas límbico e nervoso autônomo.
CORRELAÇÃO DE EVIDÊNCIAS CLÍNICAS DE INFLAMAÇÃO COM ACHADOS IMUNOISTOQUÍMICOS EM COLESTEATOMAS ADQUIRIDOS
CRISTINA DE CARVALHO DORNELLES; LETÍCIA PETERSEN SCHMIDT ROSITO; LUÍSE MEURER; SADY SELAIMEN DA COSTA; ANA CAROLINE SILVEIRA DE FARIAS; ALBERTO TREIGUER; ANDRÉIA ARGENTA;
SIMONE BARRETO MARTENS; SABRINA LIMA ALVES
Existem poucos dados clínicos e experimentais para se compreender como o colesteatoma inicia seu crescimento. Acredita-se que a proliferação do tecido epitelial seria induzida pelas citocinas produzidas pela inflamação. À otoscopia, pode ser aferido o grau de inflamação clínica. Objetivos: Verificar se há correlação entre a intensidade da reação inflamatória na fenda auditiva com as enzimas promotoras da inflamação no colesteatoma, bem como com o grau histológico de inflamação. Método: Estudo transversal. Avaliadas otoscopias digitais, com colesteatomas coletados em cirurgia, entre 2003 e 2007. As otoscopias foram analisadas cegamente quanto à presença de inflamação, sendo essa classificada como ausente, leve, moderada ou acentuada (0 a 3). O grau histológico de inflamação foi aferido em lâminas de hematoxilina-eosina e classificado pela mesma escala da inflamação clínica. Para imunoistoquímica foram utilizados os anticorpos CD31 (angiogênese), pela contagem de vasos marcados; MMP2 e MMP9 (metaloproteinases), através do percentual de células marcadas e da intensidade imunorreativa. A análise estatística realizada no SPSS, pelo coeficiente de Spearman, admitindo-se como estatisticamente significativos P≤0,05.
Resultados: Amostras cirúrgicas de colesteatomas foram coletadas de 38 pacientes. O grau de inflamação clínica foi de 2 (1 a 3), o grau de histológico de inflamação foi de 2(1 a 3); CD31 foi de 6(0 a 12); MMP2citoplasmática foi de 0 (0 a 4); MMP2nuclear foi de 0 (0 a1); MMP9 foi de 0(0 a 4). Não encontramos correlações entre as variáveis analisadas (P>0,05). Conclusão: Não foi identificada correlação entre os graus de inflamação clínica e histopatológica, o mesmo ocorrendo com a inflamação clínica e os marcadores imunoistoquímicos.
CORRELAÇÃO DA CADEIA OSSICULAR NO TRANS-OPERATÓRIO COM ACHADOS IMUNOISTOQUÍMICOS EM COLESTEATOMAS ADQUIRIDOS
CRISTINA DE CARVALHO DORNELLES; LUÍSE MEURER; SADY SELAIMEN DA COSTA; LETÍCIA PETERSEN SCHMIDT ROSITO; SIMONE BARRETO MARTENS; ANDRÉIA ARGENTA; ALBERTO TREIGUER; ANA CAROLINE SILVEIRA DE FARIAS; SABRINA LIMA ALVES
As lesões ósseas são as alterações teciduais irreversíveis mais prevalentes na otite média crônica colesteatomatosa. Dentre outras enzimas produzidas nos colesteatomas, as metaloproteinases são as envolvidas nos processos de remodelação óssea. A produção de metaloproteinases é estimulada pelo processo inflamatório. Objetivo: correlacionar o grau de comprometimento da cadeia ossicular, visualizada no trans-operatório, com as metaloproteinases e a angiogenêse no colesteatoma. Métodos: Estudo transversal. Descrições cirúrgicas de 99 pacientes foram revisadas. Os colesteatomas foram coletados e fixados em formol 10% e preparadas lâminas para imunoistoquímica com os anticorpos CD31 (angiogênese), aferidos no software Image Pro Plus, através da contagem de vasos marcados; MMP2 e MMP9 (metaloproteinases), através do percentual de células marcadas e da intensidade imunoreativa, observados em microscópio óptico. A análise estatística foi realizada através do coeficiente de Spearman, sendo considerados como estatisticamente significativos os valores de P≤0,05. Resultados: Havia algum comprometimento da cadeia ossicular em 91 casos. O ossículo mais freqüentemente afetado era a bigorna, seguida pelo estribo e pelo martelo. A imunoreatividade encontrada para o CD31 foi de 6 (0 a 11); MMP2 citoplasmática foi de 0 (0 a 2); MMP2 nuclear foi de 0 (0 a1);
MMP9 foi de 1 (0 a 4). Não encontramos correlações entre as variáveis analisadas (P>0,05). Conclusão: Os nossos achados indicam que é praticamente universal o acometimento da cadeia ossicular na presença de colesteatoma, no entanto não foi encontrada correção entre a erosão ossicular e a quantidade de metaloproteinases produzidas pelos colesteatomas. Também não encontramos correlação da angiogênese com o dano ossicular.