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Ginecologia e Obstetrícia

No documento Revista HCPA (páginas 100-107)

Revista HCPA 2007; 27 (Supl.1)

(P=0,711). Nos 82 pacientes que tiveram controle bioquímico, o intervalo mediano livre de recidiva foi de 49,5 meses para TDPSA < 9 meses e de 47,8 meses para TDPSA ≥ 9 meses (P=0,310). CONCLUSÃO: O TDPSA não foi preditor de controle bioquímico para radioterapia de salvamento de planejamento conformacional em pacientes com câncer de próstata recidivado após prostatectomia radical.

Revista HCPA 2007; 27 (Supl.1)

Brasil em 2002 foi de 25,17% e em 2007, até o período analisado, 30,86%. No HCPA, esses valores foram 29,10% e 30,10%, respectivamente, sendo que em 2005 houve um pico de 35,10%. Em Porto Alegre, as taxas sempre mantiveram-se acima dos 30%, tendo o seu maior valor em 2005, com 35,82%. A Região Sul, dentro desses anos analisados, manteve-se acima das taxas brasileiras em todos os períodos. Conclusão: Existem situações que colaboram para esse aumento na taxa, como maior segurança no procedimento e cesáreas anteriores. Apesar de ter uma taxa alta, a prática da cesariana ainda trás alguns riscos e desvantagens, tanto para a mãe quanto para o bebê. É mais comum a ocorrência de hemorragia na mãe e quadruplica a chance do recém-nascido ir para a UTI. As taxas no Brasil estão, conforme os dados demonstrados, acima do recomendado pela OMS, que é 15%, sendo a Região Sul a que possui a segunda maior taxa dentre as 5 regiões brasileiras. No HCPA e em Porto Alegre, ocorre o mesmo fenômeno, estando, na maioria dos anos, 2 vezes maior do que o recomendado.

PREVALÊNCIA DO AUTO-EXAME DAS MAMAS (AEM) E DO CÂNCER DE MAMA FAMILIAR ANDRÉ ANJOS DA SILVA; TATIANA CKLESS MORESCO; NILTON LEITE XAVIER

Introdução: O câncer de mama é o tumor de maior incidência em vários países, incluindo o Brasil. A única ação efetiva que se tem é a realização mensal do auto-exame das mamas (AEM). Outro fator importante é o conhecimento de casos familiares de câncer de mama, com possíveis correlações genéticas. Objetivo: O objetivo do estudo foi verificar a freqüência de realização do AEM, seu conhecimento e forma de realização, bem como averiguar a história de câncer familiar associado. Materiais e Métodos:

Estudo transversal, prospectivo, de 10/03/2007 a 25/06/2007, realizado no município de Xangri-lá - RS, incluindo 156 mulheres com idade a partir dos 50 anos. Na consulta, era preenchido um questionário contendo informações sociais, médicas e familiares da paciente, verificava-se peso, altura e pressão arterial e realizava-se o exame físico das mamas. Resultados: Das 156 entrevistadas, 146 (93,6%) conheciam o AEM, 114 (73,1%) faziam o AEM e apenas 81 (51,9%) faziam o AEM mensalmente, conforme preconizado. Quanto ao câncer de mama familiar, a prevalência foi de 32 (20,5%) casos, sendo 14 (8,9%) em parentes de primeiro grau (mãe/irmã). Discussão: Esses dados confirmam outros estudos e mostram que praticamente metade das mulheres não realiza ou realiza o AEM de maneira e na freqüência inadequadas. As pesquisas indicam impacto significativo do AEM na detecção precoce do câncer de mama, registrando-se tumores primários menores e menor número de linfonodos axilares invadidos pelo tumor nas mulheres que fazem o exame regularmente. Conclusões: O AEM é uma estratégia de escolha, caracterizando-se como prevenção secundária, sem custos e segura. Verificou-se que apenas 50% fazem o AEM de modo adequado o que mostra a possibilidade de aperfeiçoar a assistência prestada à detecção precoce do câncer de mama. O câncer de mama ocorre em 9% dos familiares de 1º grau, proporcionando uma triagem para aconselhamento genético.

EFEITOS DE ESTRADIOL E TRIMEGESTONA NA ARQUITETURA E EEG DO SONO NA MENOPAUSA

JÚLIA AZEVEDO; BETÂNIA HUBER, MARIA CELESTE WENDER, DENIS MARTINEZ, MARIA LENS, FERNANDO FREITAS

Introdução: Distúrbios de sono estão relacionados com o envelhecimento e, em mulheres, com o período da pós-menopausa.

Estudos mostram que os eles estão intimamente relacionados com os níveis hormonais,baixos níveis de estrógeno e progestágeno e altos níveis de FSH. Há evidências de que a estabilidade do sono (despertares e eficiência) é influenciada pela menopausa, particularmente nas que apresentam fogachos, que estão relacionados a despertares freqüentes e insônia cônica. Um contínuo distúrbio de sono pode levar a sintomas emocionais e psicológicos comumente atribuídos à menopausa. Assim, acreditamos que o uso da TH possa melhorar a arquitetura do sono em mulheres pós-menopáusicas. Objetivo: Avaliar efeitos de estradiol com trimegestona sobre a continuidade, a arquitetura, e o EEG do sono devido a efeitos diretos nos centros de sono. Métodos:

Estudamos 24 mulheres com insônia surgida com a menopausa e sem contra-indicações ao uso de terapia hormonal (neoplasias, IAM, AVE). Após entrevista inicial, explicação do protocolo e assinatura do termo de consentimento, é entregue um diário do sono, que é preenchido durante uma semana. É feito anamnese, exame físico e são solicitados exames laboratoriais (hemograma, EQU, provas de função renal e hepática, glicose, TSH, FSH, estradiol, toxicológico para etanol e benzodiazepínico). As pacientes então se submetem a duas noites de polissonografia (adaptação e triagem). Confirmada entãoa existência de insônia na polissonografia, as mulheres são randomizadas (formato duplo-cego) para o grupo de tratamento (estradiol 1mg combinado com trimegestona 0,125 mg VO) ou de placebo. Elas recebem amedicação durante 28 dias, quando é então realizada nova polissonografia. Resultados: Trabalho em andamento. Conclusão: Trabalho em andamento

DIATERMIA OVARIANA GUIADA POR ECOGRAFIA TRANSVAGINAL EM OVELHAS

DANIELLE YUKA KOBAYASHI; ANITA MYLIUS PIMENTEL; HELENA VON EYE CORLETA; EDISON CAPP

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é a desordem endócrino-metabólica mais freqüente em mulheres em idade reprodutiva.

Caracteriza-se por hiperandrogenismo clinico e/ou bioquímico, anovulação e ovários com múltiplos folículos à ecografia. Quando existe infertilidade (por anovulação) o tratamento envolve a indução da ovulação. Atualmente medicamentos como o citrato de clomifene, metformina e gonadotrofinas são utilizados para induzir a ovulação, aumentando as taxas de gestação múltipla. A diatermia ovariana, realizada geralmente por via laparoscópica, é o método cirúrgico para tornar o ciclo ovulatório. A possibilidade de provocar aderências pélvicas pós-operatórias faz com que este procedimento seja menos utilizado. O desenvolvimento desta técnica com menores riscos associados está sendo estudado. Objetivo: Estabelecer a técnica de cauterização ovariana por via transvaginal utilizando ovelhas como modelo experimental. Método: A escolha do animal é explicada pela similaridade anatômica do ovário comparado ao de mulheres. As ovelhas serão anestesiadas, será realizada ecografia transvaginal e, em seguida, será acoplado o guia ao transdutor e a agulha de cauterização. Essa agulha foi confeccionada em aço inox e possui, na única parte sem isolamento, a conexão para o eletrocautério. Será aplicada voltagem de 40 W por 2 s em 5 pontos do parênquima ovariano esquerdo e por 4 s no direito. Dois dias depois, as ovelhas serão abatidas e serão coletados os ovários para análise. A lesão ovariana provocada pela cauterização será macro e microscopicamente analisada. Resultados: Foi realizada ecografia transvaginal e punção ovariana em uma ovelha, demonstrando ser possível a abordagem ovariana com a

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agulha desenvolvida. Conclusão: Este trabalho avaliará experimentalmente uma nova abordagem para realizar diatermia ovariana.

Espera-se contribuir para a promoção de ovulação monofolicular em pacientes com SOP.

IMAGINOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL POR ULTRA-SONOGRAFIA E RESSONÂNCIA MAGNÉTICA FETAL: ENSAIO ICONOGRÁFICO.

JOSÉ ANTONIO MAGALHÃES; OTÁVIO DE AZEVEDO MAGALHÃES, JOSÉ CARLOS FRAGA, ANA PERTENCE Introdução: A ultra-sonografia é o primeiro recurso de imagem em Obstetrícia, permitindo diagnósticos pré-natais de diversas alterações anatômicas fetais. Entretanto, no que diz respeito à investigação do Sistema Nervoso Central (SNC), há situações como avaliação do corpo caloso, gestação avançada, panículo adiposo materno atenuando a propagação do som, identificação dos giros cerebrais, dilatações ventriculares com espinha bífida oculta ou plana, que dificultam um melhor estudo morfológico e de prognóstico antenatal. Para tanto, o emprego da Ressonância Magnética Fetal (RMF) sem contraste, a partir do II trimestre gestacional, apresenta indicação para melhor esclarecimento de dúvida diagnóstica, sendo método novo em imaginologia fetal.

Objetivos: correlacionar achados ultra-sonográficos na investigação pré-natal do Sistema Nervoso Central com o exame de RMF.

Material e métodos: gestantes que realizaram ultra-som e houve dúvida diagnóstica, correlacionando com RMF. Resultados e conclusão: o emprego da RMF permitiu melhor identificação anatômica do SNC no diagnóstico pré-natal, possibilitando estabelecer prognóstico mais acurado e conduta.

TRAÇOS SUPRA-SEGMENTAIS DA FALA DE ADOLESCENTES USUÁRIAS DE CONTRACEPTIVOS ORAIS DE BAIXA DOSAGEM

ELISÉA MARIA MEURER; CORLETTA, HVE; CAPP, E.

Introdução: próximo da menarca, oscilações hormonais produzem abaixamento vocal permanente entre 3 e 4 tons. Este inicia na voz falada, ocorre após na voz cantada e, ambos estabilizam em até 6 meses. Fases pré-menstruais, gestação e uso de contraceptivos orais foram associados com abaixamentos temporários de tom vocal. Ritmo e velocidade de fala tendem a estabilizar após os 20 anos, independente de gênero. Objetivo: verificar tons de voz, modulações, ritmo e velocidade de fala em adolescentes usuárias de contraceptivos orais de baixa dosagem. Material e métodos: foram comparadas emissões de frases em diferentes entonações e de frase sem sentido de 23 adolescentes usuárias de contraceptivos orais (ACO), de baixa dosagem (= e <

de 30 µ de estrógenos), com parâmetros de 23 adolescentes não usuárias de contraceptivos orais (N/ACO). Nas análises acústicas utilizou-se o programa Motor Speech Profile da Kay Elemetrics. Os resultados, lançados em banco de dados SPSS, foram analisados com o teste t de Student para amostras independentes. Este projeto fora aprovado pelo Comitê de Bioética do HCPA e as pesquisadas assinaram Termo de Consentimento. Resultados: variações de tons vocais do grupo ACO nas entonações de tristeza (35,36 ± 22,13 Hz), e, exclamativa (45,34 ± 25,36 Hz), foram maiores (p 0,04 e 0,006), quando comparadas com o grupo N/ACO (24,85 ±10,46 Hz e, 29,31 ± 7, 73 hZ). O grupo ACO apresentou ritmo mais curto na frase com sentido (293,40 ± 77,47 ms), que o grupo N/ACO (442,61 ± 46,28 ms) (p 0,001). Conclusões: nesta amostra, os resultados sugeriram relações entre traços supra-segmentais e contracepção hormonal de baixa dosagem, que podem ter sido influenciados pelo processo incompleto de estabilização das emissões, próprio da adolescência.

RESERVA OVARIANA EM MULHERES SUBMETIDAS À QUIMIOTERAPIA GONADOTÓXICA AVALIADA ATRAVÉS DO HORMÔNIO ANTI-MÜLLERIANO

GUILHERME LOUREIRO FRACASSO; LAIZA FERNANDA SILVEIRA BROSE; ANGELA MARCON D ÁVILA; ILMA SIMONI BRUM DA SILVA; HELENA VON EYE CORLETA; EDISON CAPP

Com o diagnóstico das neoplasias cada vez mais precoce, crianças e adolescentes melhoram seu prognóstico apesar de alcançarem a vida adulta com um futuro reprodutivo muitas vezes comprometido, já que muitos quimioterápicos são gonadotóxicos. Cerca de 10% das mulheres com câncer de mama(CaM) têm menos de 40 anos e das que se submetem à quimioterapia, 30 a 50% evoluem para falência ovariana. Os testes atualmente utilizados para a avaliação da reserva ovariana têm modestas propriedades preditivas, porém, o hormônio anti-mülleriano(HAM), produzido pelas células da granulosa, vem sendo apontado como um novo marcador.

O objetivo deste trabalho é avaliar a reserva ovariana de mulheres com CaM submetidas à quimioterapia gonadotóxica com ciclofosfamida através da análise dos níveis séricos de HAM e compará-los com os de FSH e inibina B e contagem de folículos antrais, testes habitualmente utilizados. Recrutaremos 52 pacientes nos hospitais de Clínicas de Porto Alegre, Moinhos de Vento e Nossa Senhora Conceição com CaM com 40 anos ou menos, ciclos menstruais regulares e ausência de tratamentos antineoplásicos prévios. Estas serão avaliadas previamente à quimioterapia com coleta de sangue e ecografia transvaginal, que serão repetidos após 2 e 6 meses do término da quimioterapia. Até o momento recrutamos seis pacientes, sendo o sangue processado e congelado a -80ºC para análise por radioimunoensaio após todas as coletas serem realizadas. A importância deste estudo está em colaborar com dados iniciais da literatura que apontam o HAM como um marcador mais precoce e fidedigno para avaliação da reserva ovariana, sendo melhor preditor de capacidade reprodutiva, tanto para mulheres que sofreram gonadotoxicidade como para aquelas cuja idade pode ser o fator de declínio da fertilidade.

SUSPENSÃO DE ANTICONCEPCIONAIS ORAIS: UMA INTERVENÇÃO EFETIVA PARA REDUÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL EM MULHERES HIPERTENSAS

JAQUELINE NEVES LUBIANCA; MOREIRA LB, GUS M, FUCHS FD

Introdução: A associação dos anticoncepcionais orais combinados (ACO) com pressão arterial elevada (PA) foi relatada para ACO de primeira geração, mas é postulado que seja menor com pílulas de baixa dose de estrogênio. O efeito da suspensão dos ACO na pressão arterial de mulheres hipertensas ainda é desconhecido. Objetivos: Comparar a variação da pressão arterial em hipertensas que suspenderam ou não o ACO. Material e Métodos: Coorte, prospectivamente planejado, envolvendo 72 usuárias de ACO que consultaram no Ambulatório de Hipertensão do HCPA com idade inferior a 50 anos. A pressão arterial foi aferida segundo normas técnicas e classificada pela média de seis determinações. Pacientes que seguiram a recomendação de suspender o

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uso de AO (n=44) foram comparadas a pacientes que não seguiram (n=28). Os desfechos principais foram a variação da PA sistólica (PAS) e diastólica (PAD) (ajustada para idade e PA inicial) e a redução de 20 mmHg na PAS ou 10 mmHG na PAD.

Resultados: A idade média das pacientes foi de 37,7 anos e o tempo de seguimento de 6,6 (±7,5) meses. As características iniciais não diferiram entre os grupos. A redução da PAS (ajustada) foi de 15.1 ± 2,6 mmHg em pacientes que suspenderam e de 2,8 ± 3,2 mmHg em pacientes que não suspenderam o uso de AO (p = 0,004). Os valores correspondentes para PAD foram de 10,4 ± 1,8 mmHg e 2,7 ± 2,2 mmHg (p = 0,008). Pacientes que suspenderam o AO tiveram uma chance 72% maior de apresentar redução de 20 mmHg na PAS ou 10 mmHG na PAD quando comparadas às que não suspenderam, após controle para idade, variação de peso corporal e prescrição de anti-hipertensivos (OR = 0,28; IC 95% 0,08 – 0,90). Conclusões: A suspensão de uso ACO por hipertensas em atendimento ambulatorial se acompanha de redução clinicamente relevante da pressão arterial, sendo medida não- medicamentosa efetiva no controle da hipertensão.

INFECÇÃO PUERPERAL NO HCPA - PÓS-PARTO

JAQUELINE NEVES LUBIANCA; CAROLINE BOITO MAURMANN, ADRIANA SCHMIDT, SÉRGIO HOFMEISTER MARTINS-COSTA, JOSÉ GERALDO LOPES RAMOS

INTRODUÇÃO: Infecção puerperal (IP) é qualquer infecção bacteriana após o parto. A endomiometrite é a forma mais freqüente de IP. OBJETIVOS: Avaliar a eficácia dos antibióticos utilizados na endomiometrite pós-parto. MATERIAL E MÉTODOS: Série de Casos. Análise prontuários de pacientes com parto na Maternidade do HCPA, que foram reportadas como casos de infecção puerperal ao Serviço de Controle de Infecção Hospitalar. O diagnóstico de endomiometrite foi dado pela equipe assistente.

Puerpério foi considerado do nascimento até 42 dias após o parto. Nível de significância de 0,05. O teste do Qui-quadrado e t de Student para amostras independentes foram utilizados. RESULTADOS: Foram analisados 39 casos de endomiometrite pós-parto.

As pacientes eram nulíparas (64,1%), com média de idade de 22,2 anos e IMC médio de 27,8. Houve 82,2% de trabalho de parto espontâneo na amostra, sendo que 48,7% das pacientes tiveram parto vaginal (PV) sem episiotomia, 33,3% PV com episiotomia e 17,9% PV com uso de fórceps. A maioria dos casos de IP (87.2%) manifestou-se como febre (temperatura axilar ≥ 37,8ºC), sendo mais freqüente entre 24-48h do puerpério. Houve 15,3% de infecção associada a endomiometrite, como infecção de episiotomia (10,2%) e pielonefrite aguda. (5,1%). O tratamento inicial para endomiometrite foi ampicilina em 92,3% dos casos, com boa resposta (remissão de febre em < 72 horas) em 87,2% das vezes. Em apenas 12,8% dos casos houve necessidade de associação com outros antibióticos. Não foram observadas diferenças significativas no IMC, na escolaridade e no número de gestações entre pacientes que responderam bem ou não à antibioticoterapia inicial. CONCLUSÕES: A resposta à antibioticoterapia única com ampicilina promove cura da maioria dos casos pós-parto, permanecendo como tratamento de escolha nessa situação.

INFECÇÃO PUERPERAL NO HCPA - PÓS-CESARIANA

JAQUELINE NEVES LUBIANCA; CAROLINE BOITO MAURMANN, ADRIANA PRATO SCHMIDT, JOSÉ GERALDO LOPES RAMOS, SÉRGIO H.MARTINS-COSTA

INTRODUÇÃO: Infecção puerperal (IP) é qualquer infecção bacteriana após o parto, sendo mais freqüente em cesarianas.

OBJETIVOS: Avaliar a eficácia dos antibióticos utilizados na endomiometrite pós-cesárea. MATERIAL E MÉTODOS: Série de Casos. Análise prontuários de pacientes com cesárea na Maternidade do HCPA, que foram reportadas como casos de infecção puerperal ao Serviço de Controle de Infecção Hospitalar. Endomiometrite foi diagnosticada pela equipe assistente. Puerpério foi considerado do nascimento até 42 dias após o parto. Nível de significância adotado foi de 0,05. O teste do Qui-quadrado foi usado para amostras independentes. RESULTADOS: Foram analisados 50 casos de endomiometrite pós-cesárea. Características basais:

78% nulíparas, média de idade de 22,5 anos e IMC médio de 30,5. As indicações de cesariana foram: desproporção céfalo-pélvica (52%), sofrimento fetal (16%), apresentação anômala (12%), falha de indução (4%), cesariana prévia (4%) e outras. A maioria dos casos de IP (98%) manifestou-se como febre, 30% dos casos ocorrendo entre 24-48h pós-cesárea e 30% com mais de 48 horas. Houve 28% de infecções associadas: infecção de ferida operatória (24%) e pielonefrite aguda (4%). O tratamento inicial foi aminoglicosídeo mais anaerobicida em 78% das vezes, com boa resposta (remissão de febre em < 72 horas) em apenas 64%. Em 32% dos casos houve necessidade de associar beta-lactâmicos e em 10% de troca do esquema terapêutico. Houve diferença significativa no IMC entre pacientes que responderam (IMC 29,2 ± 4,6) ou não (IMC 32,7 ± 5,5) ao tratamento inicial: má resposta clínica associou-se a maior IMC (p = 0,027). CONCLUSÕES: A necessidade de associação de beta-lactâmicos ao esquema inicial em cerca de 1/3 dos casos, sugere que o esquema tríplice seja preferencial nas endometrites pós-cesárea, pricipalmente em obesas.

PROJETO REDUÇÃO DO ÍNDICE DE CESÁREAS: ESTRATIFICAÇÃO DA POPULAÇÃO OBSTÉTRICA

CRISTIANO CAETANO SALAZAR; SOLANGE GARCIA ACCETTA; JANETE VETTORAZZI; FERNANDO MONTEIRO DE FREITAS; ROSE GASNIER; GUSTAVO PERETTI RODINI; JOÃO PAOLO BILIBIO

Introdução: O Índice de Cesarianas (IC) máximo recomendado pelo Ministério da Saúde é de 27% e, pela Organização Mundial da Saúde, de 15%. Mesmo com esforços para sua redução, o IC do HCPA tem-se mantido em torno de 31% nos últimos anos.

Esse alto IC é reflexo da qualidade do atendimento obstétrico ou da composição da população atendida? Objetivos: Estratificar as parturientes atendidas num hospital universitário quanto ao risco de serem submetidas a cesariana, verificar a distribuição da população nos estratos e seus respectivos IC. Método: Estudo de coorte contemporâneo, incluindo os 450 primeiros nascimentos do HCPA em 2007. Na admissão das parturientes, registraram-se fatores que permitiram categorizá-las hierarquicamente em 3 grupos fundamentais (relativos à paridade) e em 8 subcategorias (emergência, contra-indicação ao parto, gemelar, má- apresentação fetal, pré-termo, pós-termo, a termo com riscos médicos, a termo sem riscos) relacionadas à chance de indicação de cesariana, totalizando 24 estratos de risco. Desfecho principal: via de parto. Resultados: O IC geral foi 32,7%. Dentro do “mix” de casos, destaca-se que 54,6% da amostra se enquadravam nos estratos “a termo, sem riscos médicos”, apresentando um IC de 25,6%. Nos estratos “a termo, com riscos” estavam 20% das pacientes, IC = 35,6%. As pacientes distribuíam-se em menor proporção entre os outros estratos (0,67% a 6,44%), mas com ICs mais altos (33,3% a 95,4%). Conclusões: É possível e

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fundamental que, ao se discutir o IC de uma instituição, se leve em conta a estratificação de risco, para identificarem-se os estratos que merecem atenção especial e revisão dos protocolos assistenciais – neste exemplo, o grupo de pacientes a termo sem riscos, pois têm IC elevado e representam mais da metade da população.

PROJETO REDUÇÃO DO ÍNDICE DE CESÁREAS: PERFIS DE RISCO E REALIZAÇÃO DE CESARIANAS

CRISTIANO CAETANO SALAZAR; SOLANGE GARCIA ACCETTA; JANETE VETTORAZZI; FERNANDO MONTEIRO DE FREITAS; ROSE GASNIER; ; JOÃO PAOLO BILIBIO; GUSTAVO PERETTI RODINI

Introdução: O Índice de Cesarianas (IC) do HCPA tem-se mantido em torno de 31%, mesmo com esforços constantes para reduzi- lo. Quais os grupos de pacientes que, levando-se em conta o perfil de risco da população, devem ser os principais alvos de atenção nas iniciativas para redução do IC? Objetivos: Classificar as parturientes do HCPA conforme paridade e chance presumida de serem submetidas a cesariana, e verificar os reais ICs correspondentes. Método: Estudo de coorte contemporâneo, incluindo os 450 primeiros nascimentos do HCPA em 2007. Na admissão das parturientes, registraram-se fatores que permitiram categorizá-las em 6 grupos fundamentais, conforme paridade e conforme “alto” ou “baixo” risco de indicação de cesariana (segundo dados da literatura). Foram verificados os respectivos ICs. Resultados: O IC geral no período foi 32,7% (147 cesarianas), sendo 20,3% nas classificadas como “baixo risco” e 47,5% nas de “alto risco” [RR=2,34; P=0,000]. Separando-se os grupos de paridade, os resultados foram os seguintes (respectivamente IC Geral, IC no Baixo Risco, IC no Alto Risco): Nulíparas – 36%, 21%, 53%

[RR=2,34; P=0,00]; Multíparas sem cesárea – 14%, 6%, 25% [RR=4,23; P=0,00]; Multíparas com cesárea – 68%, 62%, 74%

[RR=1,19; P=0,261]. Conclusões: Diferentes perfis de risco têm índices de cesariana marcadamente diferentes, que podem ser particulares a cada instituição. O método proposto diferenciou de modo estatisticamente significativo pacientes de baixo e alto risco para cesárea no HCPA. No caso dessa instituição, devem-se priorizar esforços que evitem a primeira cesariana em nulíparas de baixo risco, visto que, em uma gestação subseqüente, o risco de novo evento poderá variar entre 6% (quem não teve cesárea) e 62% (quem já teve cesárea).

SENSIBILIDADE E ESPECIFICIDADE DO EXAME FÍSICO E DA HISTÓRIA CLÍNICA NO DIAGNÓSTICO DE GRAVIDEZ

GISELE SILVA DE MORAES; RICARDO FRANCALACCI SAVARIS; LUIZ CARLOS ALMEIDA DA SILVA

Introdução: O uso rotineiro de um exame de gravidez em todas as pacientes com dor pélvica (DP) ou sangramento uterino anormal (SUA), em idade reprodutiva, é recomendado em livros textos, mas não é baseado em evidências científicas. A identificação da gravidez na emergência é de suma importância, pois as complicações relacionadas com a hemorragia oriunda da gravidez ectópica rota ou do abortamento estão como as principais causas de mortalidade entre as mulheres da América Latina.

No nosso meio, não temos dados que demonstrem a acurácia da avaliação ginecológica para diagnosticar a gravidez, e questionamos o valor do teste de gravidez na urina (TGU) como forma de rastreamento para as pacientes com DP e/ou SUA em idade reprodutiva. Metodologia: Estudo transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HCPA e realizado na emergência, em mulheres com idade entre 14 e 50 anos com DP e/ou SUA; excluindo aquelas com exames de gravidez positivos, histerectomizadas, menopausadas ou sem telefone para contato. O avaliador realiza a consulta e dá o seu parecer a respeito da possibilidade de gravidez. Em seguida é realizado o TGU. Resultados: A média da idade das pacientes foi de 22,5 anos. Entre os avaliadores estão ginecologistas contratados do serviço de emergência ginecológica, professores, residentes (R1, R2 e R3) de residência em ginecologia e obstetrícia do HCPA. Os contratados, professores, R1, R2 e R3 avaliaram respectivamente 30,30%;

12,12%; 6,06%; 36,36%e 15,15%. A porcentagem de concordância entre o avaliador e o TGU para contratados, professores, R1, R2 e R3, foram, respectivamente, 70%, 100%, 100%, 75% e 100%. Em um dos casos em que não houve concordância entre o avaliador e o teste, o sangramento era devido a um leiomioma uterino. Discussão: Esses resultados parciais mostram que ocorre discordância na avaliação da gravidez principalmente com os contratados e os R2. Todavia, esses dados aguardam atingir o número de 196 casos para atingir poder estatístico.

ENSAIO CLÍNICO SOBRE O USO OU NÃO DE TERAPIA ANTIMICROBIANA DO ABORTAMENTO INFECTADO APÓS ALTA HOSPITALAR

GISELE SILVA DE MORAES; RICARDO FRANCALACCI SAVARIS; LUIZ CARLOS AMEIDA DA SILVA; ADRIANI OLIVEIRA GALÃO

Introdução: O diagnóstico precoce e o tratamento eficaz da endometrite por aborto infectado são fundamentais para prevenir a evolução do quadro infeccioso. O tempo de tratamento, todavia, ainda não está bem definido e não é baseado em ensaios randomizados. A rotina do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do HCPA preconiza o uso de antimicrobianos intravenosos por até 48 horas afebril, seguido por medicação por via oral até completar 10-14 dias. O Ministério da Saúde recomenda o uso intravenoso de antibióticos por 7 a 10 dias. Estudos em mulheres com endometrite pós-cesárea demonstraram que não seria necessário prolongar o tratamento após a melhora clínica. Objetivo: Verificar a equivalência do placebo com o uso de Doxiciclina e Metronidazol na cura do aborto infectado, após a alta hospitalar. Metodologia: Estudo randomizado, prospectivo, duplo-cego com 2 braços, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HCPA. Objetiva-se alcançar 84 pacientes que tiveram internação hospitalar por aborto infectado. Elas receberão o tratamento tradicional ou o abreviado até completar 10 dias de tratamento.

Resultados: Já foram randomizadas 46 pacientes (23 para o tratamento A e 23 para o tratamento B), entre Maio/2006 e Junho/2007. A média de idade do Grupo A é de 27,86±7,95 anos e a do Grupo B de 25,78±6,11 (média±EPM), sem diferença estatística (Teste t-Student p= 0,3239). O tempo de uso de antimicrobianos intravenosos (tempo de internação) é de 2,78±0,85 dias para o Grupo A, e de 3,17±1,02 dias para o Grupo B, (Teste t-Student p= 0,1669). Todas as pacientes apresentaram melhora clínica (melhora da dor, cessação do sangramento, ausência de febre) sem a necessidade de uso adicional de antibióticos, nem de internação hospitalar. Discussão: Os achados iniciais demonstram que não há diferença entre o tratamento tradicional e o abreviado. Esses dados, contudo, ainda não apresentam poder pelo n ainda reduzido.

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