• Nenhum resultado encontrado

Braz. j. . vol.83 número2

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Braz. j. . vol.83 número2"

Copied!
7
0
0

Texto

(1)

www.bjorl.org

Brazilian

Journal

of

OTORHINOLARYNGOLOGY

ARTIGO

ORIGINAL

Surgical

treatment

of

choanal

atresia

with

transnasal

endoscopic

approach

with

stentless

single

side-hinged

flap

technique:

5

year

retrospective

analysis

Carmelo

Saraniti,

Manuela

Santangelo

e

Pietro

Salvago

UniversitàdegliStudidiPalermo,DipartimentodiBiomedicinaSperimentaleeNeuroscienzeCliniche(BioNeC),Sezione diOtorinolaringoiatria,Palermo,Itália

Recebidoem22dedezembrode2015;aceitoem2demarçode2016 DisponívelnaInternetem20defevereirode2017

KEYWORDS

Choanalatresia; Endoscopicnasal surgery;

Re-stenosis

Abstract

Introduction:Choanalatresiaisararecongenitalmalformationofthenasalcavity characte-rizedbythecompleteobliterationoftheposteriorchoanae.In67%ofcaseschoanalatresiais unilateral,affectingmainly(71%)therightnasalcavity.Incontrasttotheunilateralform, bila-teralchoanalatresiaisalife-threateningconditionoftenassociatedwithrespiratorydistress withfeedingandintermittentcyanosisexacerbatedbycrying.Surgicaltreatmentremainsthe onlytherapeuticoption.

Objective: Toreportourexperienceintheuseofatransnasalendoscopicapproachwith sten-tlesssingleside-hingedflaptechniqueforthesurgicalmanagementofchoanalatresia.

Methods:A5yearretrospectiveanalysisofsurgicaloutcomesof18patientstreatedforchoanal atresiawithatransnasaltechniqueemployingasingleside-hingedflapwithoutstentplacement. AllsubjectswereassessedpreoperativelywithanasalendoscopyandaMaxillofacialcomputed tomographyscan.

Results:Tenmalesandeightfemaleswithameanageatthetimeofsurgeryof20.05±11.32 years, underwent surgeryfor choanal atresia. Fifteen subjects (83.33%) had a bony while 3 (26.77%) a mixed bony-membranous atretic plate. Two and sixteen cases suffered from bilateral and unilateral choanal atresia respectively. No intra- and/or early postoperative complicationswere observed.Between 2and3months aftersurgerytwo cases(11.11%) of partialrestenosiswerefound.Onlyoneofthesepresentedarelapseofthenasalobstruction andwassubsequentlysuccessfullyrepairedwithasecondendoscopicprocedure.

DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.03.009

Comocitaresteartigo:SaranitiC,SantangeloM,SalvagoP.Surgicaltreatmentofchoanalatresiawithtransnasalendoscopicapproach

withstentlesssingleside-hingedflaptechnique:5yearretrospectiveanalysis.BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:183---9.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](P.Salvago).

ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.

2530-0539/©2017Associac¸˜aoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaC´ervico-Facial.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eum

(2)

Conclusion:Thesurgicaltechniquedescribedfollowsthebasicrequirementsofcorrective sur-gery andallows good visualization, evaluationand treatment of theatretic plate and the posteriorthirdoftheseptum,inordertocreatethenewchoanalopening.Webelievethatthe useofastentisnotnecessary,asrecommendedincaseofothersurgicaltechniquesinvolving theuseofmoremucosalflaps.

© 2017 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

PALAVRAS-CHAVE

Atresiadecoana; Cirurgianasal endoscópica; Restenose

Tratamentocirúrgicodeatresiadecoanacomabordagemendoscópicatransnasal comtécnicaderetalhoúnicoearticulac¸ãolateralsemcolocac¸ãodestent:análise retrospectivade5anos

Resumo

Introduc¸ão:Aatresiadecoanaséumamalformac¸ãocongênitararadacavidadenasal carac-terizadapelaobliterac¸ãocompletadacoanaposterior. Em67%doscasosaatresiacoanalé unilateral,acometeprincipalmente(71%)acavidadenasaldireita.Diferentementedaforma unilateral,aatresiacoanalbilateraléumacondic¸ãocomriscodevida,frequentemente asso-ciadaainsuficiênciarespiratóriaàalimentac¸ãoecianoseintermitenteexacerbadapelochoro. Otratamentocirúrgicoaindaéaúnicaopc¸ãoterapêutica.

Objetivo:Relataranossaexperiêncianousodeumaabordagemendoscópicatransnasalcoma técnicaderetalhoarticuladodeumladosósemcolocac¸ãodestentparaotratamentocirúrgico daatresiacoanal.

Método: Análiseretrospectivade5anosdosdesfechoscirúrgicosde18pacientestratadospara atresiacoanalcomumatécnicatransnasalcomumúnicoretalhodearticulac¸ãolateral,sem colocac¸ãodestent.Todososindivíduosforamavaliadosnopré-operatóriocomendoscopianasal eumexamedetomografiacomputadorizadamaxilofacial.

Resultados: Dezhomense oitomulheres comidade médiade20,05±11,32 anosàcirurgia foramsubmetidosacirurgiaparaatresiadecoanas.Quinze(83,33%)apresentavamplaca atré-sicaósseaetrês(26,77%)placaatrésicaósseo-membranosamista.Doise16casostinhamatresia coanalbilateraleunilateral,respectivamente.Nãoforamobservadascomplicac¸õesintrae/ou pós-operatóriasprecoces.Entre2e3mesesapósacirurgiadoiscasos(11,11%)derestenose parcialforamidentificados.Apenasum delesapresentouumarecidivadaobstruc¸ãonasale, portanto,foireparadocomsucessocomumsegundoprocedimentoendoscópico.

Conclusão:Atécnicacirúrgicadescritasegueosrequisitosbásicosdecirurgiacorretivae possi-bilitaboavisualizac¸ão,avaliac¸ãoetratamentodaplacaatrésicaedoterc¸oposteriordosepto, afimdecriaranovaaberturacoanal.Pensamosqueousodeumstentnãoénecessário,tal comorecomendadonocasodeoutrastécnicascirúrgicasqueenvolvemousodemaisretalhos demucosas.

© 2017 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este ´e um artigo Open Access sob uma licenc¸a CC BY (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

Introduc

¸ão

Comumafrequênciadeumemcada5.000-7.000 nascimen-tos,aatresiadecoana(AC)éumamalformac¸ãocongênita raradacavidadenasal,caracterizadapelaobliterac¸ão com-pleta das coanas posteriores.1 A AC foi primeiramente relatadapor Roederer em 1755, ao examinar um recém--nascido com obstruc¸ão total da coana nasal posterior, e mais tarde descrita por Otto em 1829, durante uma necropsia;2,3 a primeira abordagem cirúrgica para AC foi proposta em 1851 por Emmert, que primeiro corrigiu com sucesso a AC com o uso da cirurgia transnasal do palato.4

Ambosossexossãoacometidos,comumarazão homem--mulherde1:2.Em70%doscasos,amalformac¸ãoédotipo ósseo-membranosa,mista,enquantonorestanteédotipo óssea.5Em67%doscasos,aACéunilateral,acomete prin-cipalmente(71%)acavidadenasaldireita.Diferentemente daformaunilateral,quepodenãoserreconhecidadurante anos, aACbilateral é umacondic¸ãoameac¸adoradavida, frequentemente associada aaspectos clínicosdramáticos, comodificuldaderespiratóriaàalimentac¸ãoecianose inter-mitenteexacerbadapelochoro.

(3)

comoCharge(coloboma,defeitoscardíacos,AC,retardode crescimentopós-nataledesenvolvimentomental, hipopla-sia genitaleanomalias daorelha),síndromesdeTreacher Collins, Pfeiffer, Apert, disostose mandibulofacial e de Crouzon.6 Nessescasos, devido aossintomas respiratórios graves, otratamento cirúrgicodeAC combinado com tra-queostomiamuitasvezesénecessário,paragarantirumbom controledasviasaéreas.

Hengerer e Strome atribuíram as bases embriológicas da AC a quatro hipóteses: 1) persistência da membrana bucofaríngeadointestinoanterior;2)persistênciada mem-branabuconasaldeHochstetter;3)persistênciaanormalou localizac¸ão damesodermena regiãocoanal; 4) direciona-mento errado do fluxo mesodérmico, com uma migrac¸ão alterada de células da crista neural, que não consegue alcanc¸ar a sua posic¸ão pré-determinada nos processos faciais.7

ApósaACserdiagnosticada,otratamentocirúrgico con-tinuaaseraúnicaopc¸ãoterapêutica.Diversasabordagens cirúrgicasforamanteriormenterelatadas,comotransnasal, transantral,transpalatinaetranseptal.

Relatar nossa experiência no tratamento cirúrgico de 18casosdeACcom umaabordagemendoscópica minima-menteinvasiva,comatécnica deretalhocomarticulac¸ão lateralúnicasemcolocac¸ãodestent.

Método

Nossoestudofoifeitocomaavaliac¸ãodosresultados cirúrgi-cosde18pacientes(de8a57anos)tratadosparaACentre 2001 e 2005. Aaprovac¸ão para este estudo retrospectivo foiobtidadacomissãodeéticalocal(númerodeaprovac¸ão V5605); 14 pacientes apresentavam AC unilateral e óssea (fig.1),umunilateralemista(fig.2),umbilateraleóssea e doisbilateral emista.As formas deACbilateraisforam reintervenc¸õesempacientesquejáhaviamsidosubmetidos a cirurgia em outros centros. Nenhum caso de síndromes genéticasfoi encontrado.As avaliac¸õesclínicase radioló-gicasforamfeitasnopré-operatóriodetodosospacientes e compreendiam umaendoscopia nasale umaTC maxilo-facial, para determinar a característica da placa atrésica e para descartar qualquer outra anomalia craniofacial. O

Figura1 TCaxial,atresiadecoanaósseaesquerda monola-teral.

Figura2 TCaxial,atresiadecoanamistaesquerda monola-teral.

procedimentocirúrgico,sobanestesia geral,foifeitocom telescópiosde0e30;4ou2,7mm(KarlStorz),adepender daidadedopaciente.

Foiusadatécnicatransnasalcomumúnicoretalhocom articulac¸ãolateral,semcolocac¸ãodestent,ebaseadanos seguintespassos:

1. Após a intubac¸ão oral, o nariz foi topicamente des-congestionado. Na presenc¸a de desvio de septonasal, fez-se incisãohemitransfixadaàdireitadoseptonasal, dissecc¸ãosubpericondraldireitaesubperiostealbilateral comcorrec¸ãodasdeformidadesseptais.

2. Incisãoverticaldamucosanasalcomumbisturiemfoice najunc¸ãodaplacaatrésicacomovômer;adic¸ãodeduas incisõeshorizontais,umamaiselevadanoarcocoanale

CM

CI

S

(4)

A

C.I.

C.I.

C.I.

C.I.

P.A.

P.A.

P.A.

A

A

A

A

S

S

S

S

C.M.

C.M.

C.M.

C.M.

D

C

B

Figura4 Principaisetapascirúrgicasdatécnicadecoanoplastia endoscópicadecavidadenasaldireita.(C.I.,conchainferior; C.M.,conchamédia;S,septo,P.A.,placaatrésica;A,assoalhonasal).

outra inferior,naextremidade entrea placaatrésicae o assoalhodacavidadenasal(figs.3e4A),umretalho comarticulac¸ãolateralfoidescoladoe deslocado late-ralmente(fig.4Befig.5A).Essaetapapôdeserconcluída pelodeslocamentodaconchainferior,afimdemelhorar aexposic¸ãodocampocirúrgico.

3. Perfurac¸ãodaAC noníveldasuaparte inferomediale subsequenteremoc¸ãocompleta daplacaatrésica, jun-tamentecomamucosadafacenasofaríngea,comuma pinc¸acortanteoumicrobroca(fig.4C).

4. Etapa dosepto: ressecc¸ão doterc¸o posterior dosepto ósseo(vômer, lâminaetmoidal)compinc¸abackbitinge

(5)

Tabela1 Característicasclínicasdospacientes

Casos Sexo Idade Lateralidade Tipo Tampãonasal Reestenose

1 M 27anos Direito Ósseo 4dias Não

2 M 25anos Esquerdo Ósseo 5dias Sim

3 F 10anos Direito Ósseo 4dias Não

4 M 20anos Esquerdo Misto 3dias Sim

5 F 9anos Esquerdo Ósseo 3dias Não

6 F 11anos Esquerdo Ósseo 3dias Não

7 M 13anos Esquerdo Ósseo 4dias Não

8 F 12anos Direito Ósseo 4dias Não

9 M 8anos Bilateral Ósseo 7dias Não

10 F 57anos Bilateral Misto 7dias Não

11 M 17anos Direito Ósseo 4dias Não

12 M 27anos Esquerdo Ósseo 5dias Não

13 F 19anos Esquerdo Ósseo 4dias Não

14 M 21anos Esquerdo Misto 4dias Não

15 M 15anos Direito Ósseo 5dias Não

16 M 23anos Esquerdo Ósseo 3dias Não

17 F 29anos Direito Ósseo 4dias Não

18 F 18anos Direito Ósseo 5dias Não

broca,cortevertical bilateral combisturiangulado ou

microtesouradamucosadoseptodemodo queapenas

a extremidade posterior do septo ósseo fique

reco-bertoporaproximac¸ãodosdoisladosdomucoperiósteo (figs.4De5B).Finalmente,posicionamento dotampão nasal Merocel® de um mínimo de 3 e um máximo de 7 dias (média de 4,4). Os stents não foram colocados emnenhumcaso.Nenhumamitomicinatópicaenenhum corticosteroideforamaplicados.

No caso de AC bilateral, o mesmo procedimento foi feitonoladocontralateral(fig.5C).Duranteoperíodo pós--operatórioimediato,terapiaantibióticafoiadministradae, apósaremoc¸ãodotampãonasal,recomendou-sespraynasal salino,pelomenosduasvezesaodia,durantevárias sema-nas. Os pacientes foram submetidos a acompanhamento endoscópicoregularparalavaracavidadenasal,para remo-vercrostasesecrec¸õeseverificarapermeabilidadecoanal.

Resultados

A tabela 1 mostra características clínicas dos dez paci-entes incluídos no estudo. Dez homens e oito mulheres (razãohomem/mulher=1:1,25),comumamédiadeidade, no momento da cirurgia, de 20,05±11,32 anos (média= 18,5anos),foramsubmetidosatratamentodeAC;15 paci-entes (83,33%) apresentaram placa atrésica óssea e três (26,77%)umaplacaatrésicaósseo-membranosamista.Dois e 16 casos apresentavam AC bilateral e unilateral (nove doladoesquerdoesetedoladodireito),respectivamente. ForamobservadosdoiscasosdeACbilateral, umacrianc¸a de8eumamulherde57anos,ambascomreestenoseapós tratamentocirúrgicoinicialaonascimentocomperfurac¸ão simplesecolocac¸ãodestent.Nenhumpacienteapresentava doenc¸adorefluxogastresofágico(DRGE).

Todososprocedimentoscirúrgicosforamconcluídosem 140 minutos (variac¸ão de tempo cirúrgico=60-140min;

média=87min).Aseptoplastiacomumaabordagem maxila--pré-maxila foi feita em sete pacientes (38,88%) que apresentavam desviodesepto nasal.O tratamento deAC não foi associado à adenoidectomia nas crianc¸as de 8 e 9anos(pacientes9e5).Otempodeinternac¸ãovarioude3a 5dias(média=3,8dias).Otempomédioparaaremoc¸ãodo tampãonasalfoide4,33±1,18dias(mediana=4dias).Não foramobservadascomplicac¸õespós-operatóriasintrae/ou pós-operatóriasprecoces,comoepistaxe,infecc¸ão,erosão dasnarinasousinéquias.

Todos os pacientes foram acompanhados no pós--operatóriocomendoscopianasal.Em geral,operíodode acompanhamento variou de 1 a 10 anos (média de 7,4). Entre 2 e 3 meses após o tratamento cirúrgico, foram diagnosticados dois casos (11,11%) de reestenose parcial (pacientes2e4)noassoalhodacavidadenasal.Apenasum (5,55%)desses(paciente4)apresentourecidivadaobstruc¸ão nasal (fig. 6) e, portanto, foi reparado com sucesso com umsegundoprocedimentoendoscópico,semcolocac¸ãode stent.Os 16 pacientesrestantes que foram submetidos a cirurgiativerampatênciafuncionalsatisfatóriadascoanas, sem dificuldade respiratória ousecrec¸ões no acompanha-mento, e permeabilidade coanal definitivafoi confirmada comendoscopianasal.

Discussão

Naverdade, nãoexisteumatécnicaúnica oupadronizada nomanejo daACe acorrec¸ãocirúrgicaestáintimamente relacionada com a idade do paciente e as características anatômicasdaprópriaAC:unioubilateral,totalouparcial, membranosa,ósseaoumista.

(6)

CI

S

AN

Figura 6 Reestenose parcial no assoalho nasal (seta) (S,septo;CI,conchainferior;AN,assoalhonasal).

umaabordagemtransnasal.8Aocontrário,pacientescomAC unilateral ouincompletasão frequentemente diagnostica-dosetratadosmaistardiamentenavida,quandoprocuram atendimentomédicoemdecorrênciadeobstruc¸ãonasal uni-lateraldelongadata,anosmiaerinorreia.

Quatro abordagens cirúrgicas principais para AC foram descritas:transpalatal, transantral,transseptal e transna-sal. A abordagem transpalatal oferece um campo muito amplo para a operac¸ão, facilita as manobras corretivas, masémaisinvasivaesuscetívelacomplicac¸ões,como san-gramento,fístulas,infecc¸õesedefeitosdecrescimentoda mandíbulae doosso do palato.9,10 A abordagem transan-tral tem interesse apenas histórico e também possibilita umaexposic¸ãoadequadadocampocirúrgico,propiciauma verificac¸ãorápidaparaqualquersangramentoemenorrisco de lesionar as artérias esfenopalatinas, veias e nervos, maspode aumentar bastante o risco dedeformidades de estruturas em crescimento, tais como a maxilae os den-tessuperiores.11 Aabordagemtransseptal é recomendada em caso de AC unilateral e em pacientes com mais de 8anosepossibilitaumamelhorcorrec¸ãodeeventuais des-vios do septo, ressecc¸ão da parte posterior do vômer e preservac¸ãoderetalhosdemucosaparacoberturadaárea desangramento.12

Hoje em dia, a abordagem transnasal é a mais usada, devidoaosrequintesdetécnicasendoscópicasatuais (não afeta o crescimento da arcada inferior, não ocasiona má oclusão ou alterac¸ões estéticas da face), especialmente emrecém-nascidoscomACbilateral,nosquaisgeralmente faz-se uma punc¸ão da placa atrésica pelas narinas, com posteriorusodedilatadoresFearonecolocac¸ãodestent.13 Em pacientes jovens, quando os seios etmoidais atingem umnívelsatisfatório dedesenvolvimento, e em adultos é possívelfazerincisões damucosa daplaca atrésica,como relatadopor diferentesautores. As técnicas maiscomuns para a incisão são: retalho anterior duplo da mucosa

e posterior com articulac¸ão baixa,12 retalho duplo com articulac¸ão lateral,14,15retalho comarticulac¸ão superior,16 quatroretalhoscomincisõescruzadas,11,17,18retalho nasal e septal duplo,19 e vários retalhos fixados com cola de fibrina,20---22 de modo a obter retalhos de mucosa para a recobertura das áreascruentasnonível dalâmina medial doprocessopterigoideoeparteposteriordosepto.Outros autores, ao contrário, não usaram a técnica de retalhos, como El-Ahl etal.,que fizeram umaabordagem endoscó-picatransnasalsemstentparatratarACbilateralemsete recém-nascidos (de 4 a 15 dias de vida), sem evidências dereestenose.23 Além disso, para ampliaracoana para o tamanhomáximopossível,Liktoretal.sugeriram,noscasos em queaplacaatrésicaéadequadamentefinae oestado dedesenvolvimentodoseioesfenoidalecélulasetmoidais é adequado, abrir ao mesmo tempo o seio esfenoidal e as célulasetmoidais posteriores, ressecartambém o polo posteriordoconchamédia;noentanto,essatécnica modi-ficada poderia ser considerada para tratar apenas casos selecionadoscomoestenosepós-operatóriaeACunilateral empacientescommaisde7anos.24

Aaplicac¸ãotópicademitomicinaC,umaminoglicosídeo queinibeocrescimentodefibroblastoseamigrac¸ão, tam-bémfoisugerida,parareduziroriscodereestenoseapósa cirurgiaemelhoraroprocessodecicatrizac¸ão;porém,seu uso aindaécontroverso.25---30 Por exemplo, Bozkurtetal., que estudaram 12 pacientes que se submeteram a cirur-gia para atresia coanal com e sem uso de mitomicina C, nãoevidenciaramcaso dereestenose noprimeirogrupoe formac¸ãodetecidodegranulac¸ãoem 42,9%dosegundo.30 Pelocontrário,Uzomefunaetal.nãoencontraramdiferenc¸a significativaentreospacientesqueforamtratadosem cirur-gia inicial com mitomicina C tópica e pacientes que não aplicarammitomicinaC(53%vs.60%).31

Os desfechos cirúrgicos bem-sucedidos de AC são influenciados pela presenc¸a/ausência de fatores como o refluxo nasofaríngeo, DRGE, idade<10 dias (associada à visualizac¸ão limitada no nariz dos recém-nascidos e à ressecc¸ão limitada do vômer), AC bilateral com placa atrésica puramente óssea e malformac¸ões associadas.9,27 Nenhumdesses fatoresderiscofoiidentificado em nossos pacientes,comexcec¸ãodeACbilateral,quefoiencontrada em doisindivíduos(11,11%)quenãoapresentaram reeste-noseapósonossotratamento.

Opresente estudo,com apenasdois casos(11,11%) de reestenose parcial, apresentou bons desfechos cirúrgicos semousodeumstentnopós-operatório.Umataxa seme-lhantedereestenose(14%)foirelatadaporIbrahimetal., que também fizeram uma coanoplastia sem stent endos-cópica com umretalho mucoperiosteal único lateral para tratar 21crianc¸as com AC;32 de qualquermaneira, é difí-cil fazer uma comparac¸ão real,por causa das diferentes característicasdemográficas daamostraestudada,do ele-vadonúmerodeACbilateralincluído(11/21)edoperíodo deacompanhamentomaiscurto.

(7)

de uma reoperac¸ão (0,81), a comparac¸ão entre as cirur-gias com e sem stent não apresentou qualquer evidência significativaemfavordeumatécnicaespecífica.34

Conclusão

A abordagem cirúrgica para AC descrita é tecnicamente fácil de fazer e possibilita boa visualizac¸ão, avaliac¸ão e tratamento daplaca atrésica e terc¸o posterior do septo. Nossosdados,comapenasdoiscasosdereestenoseparcial (11,11%),mostrambonsdesfechoscirúrgicossemousode stent.Noentanto,devidoaonúmerodepacientesincluídos, essesachadosnãopodemsergeneralizadoseumaamostra maiorénecessáriaparaobterconclusõesestatisticamente significativas. Sugerimos o uso dessa cirurgia endoscópica transnasal, pois segue os requisitosbásicos de uma abor-dagem corretiva minimamente invasiva: criac¸ão de uma coananasalposterioramplamentepatente,suficientepara a respirac¸ão nasal bilateral normal; ausência de acúmulo desecrec¸ão;minimizac¸ãodeformac¸ãodetecidocicatricial endonasal; eprevenc¸ãodecrescimentocraniofacial anor-malemcrianc¸asqueaindanãotenhamatingidooseupleno crescimento.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Referências

1.RamsdenJD,CampisiP,ForteV.Choanalatresiaandchoanal stenosis.OtolaryngolClinNorthAm.2009;42:339---52.

2.FlakeCG,FergusonCF.CongenitalChoanalatresiaininfantsand children.AnnOtolRhinolLaryngol.1964;73:458---73.

3.OttoA,LehrbachD.PathologischenAnatomicdesMenschenund derThiere,1.Berlin:Recker;1830.p.181---3.

4.EmmertC.StenochorieundAtresiederChoannen,Lehrbachder SpeciellenChirurgie,2.Stuttgart:Dann;1854.p.535---8.

5.Brown OE, Pownell P, Manning SC. Choanal atresia: a new anatomicclassificationandclinicalmanagementapplications. Laryngoscope.1996;106:97---101.

6.DuncanNO,MillerRH,CatlinFI.Choanalatresiaandassociated anomalies:theCHARGEassociation.IntJPediatr Otorhinolaryn-gol.1988;15:129---35.

7.HengererAS, StromeM.Choanalatresia:a newembryologic theoryanditsinfluenceonsurgicalmanagement.Laryngoscope. 1982;92:913---21.

8.SaettiR,EmanuelliE,CutroneC,BarionU,RiminiA,GiustiF, etal.Thetreatmentofchoanalatresia.ActaOtorhinolaryngol Ital.1998;18:307---12.

9.KwongKM.Currentupdatesonchoanalatresia.FrontPediatr. 2015;3:1---6.

10.daFontouraReyBergonseG,CarneiroAF,VassolerTM.Choanal atresia:analysisof16cases---TheexperienceofHRAC-USPfrom 2000to2004.BrazJOtorhinolaryngol.2005;71:730---3.

11.KamelR.Transnasalendoscopicapproachincongenitalchoanal atresia.Laryngoscope.1994;104:642---6.

12.HallWJ,WatanabeT,KenanPD,BaylinG.Trans-septalrepairof unilateralchoanalatresia.ArchOtolaryngol.1982;108:659---61.

13.GujrathiCS,DanielSJ,JamesAL,ForteV.Managementof bila-teralchoanalatresiaintheneonate:aninstitutionalreview.Int JPediatrOtorhinolaryngol.2004;68:399---407.

14.McIntoshWA.Trans-septalapproachtounilateralposterior cho-analatresia.JLaryngolOtol.1986;100:1133---7.

15.Cedin AC, Rocha JF, Deppermann MB, Moraes Manzano PA, MuraoM,ShimutaAS.Transnasalendoscopicsurgeryofchoanal atresiawithoutuseofstents.Laryngoscope.2002;112:750---2.

16.El-Guindy A, El-Sherief S, Hagrass M, Gamea A. Endoscopic endonasalsurgeryofposteriorchoanalatresia.JLaryngolOtol. 1992;106:528---9.

17.StankiewiczJA.Theendoscopicrepairofchoanalatresia. Oto-laryngolHeadNeckSurg.1990;103:931---7.

18.CumberworthVL,DjazaeriB,MackayIS.Endoscopic fenestra-tionofchoanalatresia.JLaryngolOtol.1995;109:31---5.

19.Pasquini E, Sciarretta V, Saggese D, Cantaroni C, Macrì G, FarnetiG.Endoscopictreatmentofcongenitalchoanalatresia. IntJPediatrOtorhinolaryngol.2003;67:271---6.

20.CedinAC,FujitaR, CruzOLM.Endoscopictranseptalsurgery forchoanalatresiawithastentlessfolded-over-flaptechinique. OtolaryngolHeadNeckSurg.2006;135:693---8.

21.Uri N, Greenberg E. Endoscopic repair of choanal atresia: practical operative technique. Am J Otolaryngol. 2001;22: 321---3.

22.BeinfieldHH.Surgeryforbilateralbonyatresiaofthe poste-riornaresinthenewborn.ArchOtolaryngolHeadNeckSurg. 1959;70:1---6.

23.El-AhlMA,El-AnwarMW.Stentlessendoscopictransnasalrepair ofbilateralchoanalatresiastartingwithresectionofvomer.Int JPediatrOtorhinolaryngol.2012;76:1002---6.

24.Liktor B, Csokonai LC, Gerlinger I. A new endoscopic sur-gical method for unilateral choanal atresia. Laryngoscope. 2001;111:364---6.

25.HollandBW,McGuirtWF.Surgicalmanagementofchoanal atre-sia:improvedoutcomeusingmitomycin.ArchOtolaryngolHead NeckSurg.2001;127:1375---80.

26.Prasad M, Ward RF, April MM, Bent JP, Froehlich P. Topical mitomycinasanadjuncttochoanalatresiarepair.Arch Oto-laryngolHeadNeckSurg.2002;128:398---400.

27.Rombaux P, de Toeuf C, Hamoir M, Eloy P, Bertrand B, VeykemansF. Transnasalrepair of unilateralchoanal atresia. Rhinology.2003;41:31---6.

28.McLeodIK,BrooksDB,MairEA.Revisionchoanalatresiarepair. IntJPediatrOtorhinolaryngol.2003;67:517---24.

29.Teissier N, Kaguelidou F, Couloigner V, Franc¸ois M, VanDenAbbeeleT. Predictive factors for success after transnasal endoscopic treatment of choanal atresia. Arch OtolyngolHeadNeckSurg.2008;134:57---61.

30.BozkurtMK,KelesB,AzimovA,OzturkK,ArbagH.Theuseof adjunctivetopicalmitomycininendoscopiccongenitalchoanal atresiarepair.IntJPediatrOtorhinolaryngol.2010;4:733---6.

31.UzomefunaV, GlynnF,Al-Omari B,Hone S, RussellJ. Trans-nasal endoscopic repairofchoanal atresiain a tertiarycare centre:areviewofoutcomes.IntJPediatrOtorhinolaryngol. 2012;76:613---7.

32.Ibrahim AA, Magdy EA,Hassab MH.Endoscopic choanoplasty without stenting for congenital choanal atresia repair. IntJ PediatrOtorhinolaryngol.2010;74:144---50.

33.Schoem SR.Transnasal endoscopic repair ofchoanal atresia: whystent?OtolaryngolHeadNeckSurg.2004;131:362---6.

Imagem

Figura 1 TC axial, atresia de coana óssea esquerda monola- monola-teral.
Figura 4 Principais etapas cirúrgicas da técnica de coanoplastia endoscópica de cavidade nasal direita
Tabela 1 Características clínicas dos pacientes
Figura 6 Reestenose parcial no assoalho nasal (seta) (S, septo; CI, concha inferior; AN, assoalho nasal).

Referências

Documentos relacionados

Objetivo: demonstrar uma técnica cirúrgica para o tratamento das fraturas do colo do quinto metacarpo por meio de reduc¸ão por manipulac¸ão intrafocal e fixac¸ão percutânea com

16 fizeram avaliac¸ão radiográ- fica de 43 pacientes submetidos à reconstruc¸ão anatômica do LCA pela técnica do portal anteromedial e verificaram que a localizac¸ão do parafuso

Foram feitas ressecc¸ão cirúrgica da tumorac¸ão e curetagem do núcleo de ossificac¸ão epifisário do polo superior e medial da patela, com boa remodelac¸ão patelar e

no diagnóstico, na determinac¸ão da atividade da doenc¸a e na avaliac¸ão da resposta ao tratamento com drogas modificado- ras do curso da doenc¸a (DMCD) em pacientes com

Orientac¸ões preliminares da Sociedade Brasileira de Reumatologia para avaliac¸ão e tratamento da tuberculose infecc¸ão latente em pacientes com artrite reumatoide, na

Em relac¸ão à diferenc¸a observada entre os dois testes usa- dos na avaliac¸ão funcional do membro acometido devemos salientar que o teste de Sollerman tem como foco a

Objetivo: Avaliac¸ão clínica e funcional do tratamento cirúrgico da lesão aguda da inserc¸ão distal do bíceps braquial pela técnica cirúrgica por via de acesso única no

k) Percepc ¸ão subjetiva de valência afetiva (PSA): usada para mensurar as respostas afetivas durante o esforc ¸o.. Essa escala foi aplicada na avaliac ¸ão controle e na avaliac