A
N
ATUREZA
M
ÍSTICA
DO
M
ARXISMO
Uma análise crítica
EDITORA PAZ
Copyright © 1986. Léo Villaverde
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro. SP-Brasil)
Villaverde, Léo, 1954.
Título: Marxismo & Ocultismo. O segredo revelado Título original: A Natureza Mística do Marxismo
Publicado em 2011 pela Editora ..., que se reserva a propriedade literária desta edição em língua portuguesa no Brasil.
ISBN 00-000-0000-0
Registrado na FBN sob nº 518.694 (L984. F122).. São Paulo-SP Áreas de Interesse: Todas as áreas do conhecimento.
05-0000 CDD 215
Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção, história, filosofia e religião.
Capa/criação: Léo Villaverde/2011
O primeiro número à esquerda indica a edição, ou reedição, desta obra. A primeira dezena à direita indica o ano em que esta edição, ou reedição, foi publicada. 1-2-3-4-5-6-7-8-9-10-11-12 06-07-08-09-10-11-12 -13-14
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A Deus e à humanidade
S
UMÁRIOPrefácio
Nota Sobre a Natureza Humana 17
Introdução 27
PARTE I: MARX. O HOMEM E O MÍSTICO / 33 Capítulo 1. AVIDA DE KARL MARX E A PSICOLOGIA MODERNA 35
A Vida Familiar de Marx 35
O Jovem Cristão Karl Marx 37
A Psicologia e o Papel da Família 38
Capítulo 2. A ÉPOCA E O AMBIENTE HISTÓRICO DE MARX 41
Contra-Político 41
Contra-Ecônomico 42
Revolucionarismo 44
Capítulo 3. OS AMIGOS DE MARX 49
Freidich Engels 49
Bakhunin 54
Proudhon 55
Moses Hess 56
Capítulo 4. AS INFLUÊNCIAS IDEOLÓGICAS 61
O Gênesis e o Mito de Prometeu 64
Tradição X Sucessão 70
O castigo Justificado 71
A Origem das Ideologias Atuais 74
Moses Hess 76
Hegel 82
Feurerbach 84
Os Socialistas Franceses 88 Os Economistas Ingleses 89 Os Filósofos Ingleses e Franceses 90
Capítulo 5. O LADO DESCONHECIDO
DA OBRA DE MARX 95 O Contradeus 95 Marx- do Cristianismo ao Ateísmo 97
Capítulo 6. MARX COMO HOMEM E
PENSADOR 105 Marx Era um Humanista? 105 Leis do Movimento Econômico
e a Teoria da Alienação na Sociedade Comunista 107
O Mito da Ciência Marxista 115
PARTE II : A MÍSTICA DO
PENSAMENTO MARXISTA 121
Capítulo 7. IDEAL E IDEOLOGIA 123 Capítulo 8. PROPÓSITO E FINALIDADE 127 Capítulo 9. IDEAL CRISTÃO E IDEAL
MARXISTA 131 Capítulo 10. A IDEOLOGIA CRISTÃ E A
IDEOLOGIA MARXISTA 135 O Deus bíblico e o deus-trabalho / 139
A Queda do Homem e a Tendência
à Propriedade Privada 139
O Pecado Original e a
Propriedade Privada 140
A História Pecaminosa e a História
da Exploração 140
A Natureza Humana Original
e a Essência-Epécie Original 141
A Natureza Decaída e a Natureza
Burguesa 141
A Consciência da Fé e a Consciência de Classe 142 A Essência-Divina Humana e a Essência-Trabalho Humana 144 O Valor-Divino do Homem e o Valor-Trabalho do Homem 144
Moral e Ética Cristã x Moral e Ética Marxista 145
A História da Salvação e a História das Lutas de Classe 146
A Salvação Cristã e a “Salvação” Marxista 148
Arrependimento e Rebelião 148
A Igreja Cristã e o Partido Comunista / 149 O Clero Cristão e os Membros do Partido / 150 O amor como Força, o Perdão como Meio e a Harmonia por Fim. O Ódio Como Força, o Ressentimento como Meio e o Conflito por Fim 151
Os Santos Cristo e os Guerrilheiros Marxistas 152
O Messias e Karl Marx 153
O Novo Éden, o Reino do Céu e a Sociedade Comunista / 155 Capítulo 11. TEOLOGIA x MARXISMO 157
Karl Barth 159
Saduceísmo 162
O Reino de Deus na Terra 162
Cristianismo Horizontal 162
Fé Sem Religião 162
Cristianismo Sem Mitologia 163
Cristianismo Ateu 163
Cristianismo Marxista 164
O Documento Li Whei Whan 168
Capítulo 12. MARX E JESUS. A RELAÇÃO AUTOR x OBRA 175
Os Frutos do Cristianismo 177
Os Frutos do Marxismo 180
Os Neo-bárbaros 183
PARTE III: A MISTICA DO COMPORTAMENTO MARXISTA 187
Capítulo 13. O PRINCIPIO DA INVERSÃO 189
O paradoxo do Comportamento Humano 190
Antiverdade 191
Contracultura 193
Deus e Antideus 194
Capítulo 14. O SENTIMENTO COMUNISTA 197
Contramarxismo 200
Capítulo 15. O COMPORTAMENTO OCULTISTA 203 Deusista e Antideusista 204
Capítulo 16. AS ESCRITURAS “SAGRADAS” MARSISTAS 209
O manual do Ateísta 211
Capítulo 17. A AUTODESTRUIÇÃO INCONSCIENTE 215
Utopia e Alienação 218
Fama e riqueza pelo Caminho Político 219 Revolução: do Sistema Social ou do homem?/ 221 Capítulo 18. A IGREJA MARXISTA INSTITUÍDA / 227 Rituais Pseudo-cristão 230
O “Pai Nosso” e o “Decálogo Comunista” 233 Capítulo 19. ACRUELDADE DESUMANA 237
Violência e Desequilíbrio Psíquiico 237
Praticidade 241
Espiritualismo na União Soviética 246
Espionagem 248
Terrorismo 251
Psicopolítica 253
Capítulo 20. MITOLOGIA & MARXISMO 259
Mito e Ritual 260
A Leninolatria e o Mito do
Super-Homem Marxista 261
O Mito do “Céu Marxista” 264
Capitulo21. OS SÍMBOLOS DO MARXISMO 267
As Cores 268
A Foice e o Martelo 270
A Estrela 275
O Punho Fechado 278
Capítulo 22. O MARXISMO SEGUNDO
NOSTRADAMUS 279
Capítulo 23. MARXISMO E CRISTIANISMO 285 Anticristianismo 285
O Deus-Proletariado e a História 289 Capítulo 24. O MARXISMO, A RÚSSIA E A
BÍBLIA 293
A Mística Rússia 299
Dan ― A Origem dos Povos Orientais301 O Caráter Russo 307
Rasputin ― Quem o Enviou? 309
A Rússia na Profecia de Fátima 313
CONCLUSÃO 318
NOTAS BIOGRÁFICAS ADICIONAIS
DE MARX E ENGELS 323
P
REFÁCIOO conceito de Jung sobre arquétipo deriva de sua observação reiterada de que os mitos, as lendas, os contos da literatura universal e as religiões encerram temas bem definidos ― que reapareceram em toda parte em todos os tempos.Paralelamente na presente obra, o professor Villaverde, além de propor uma nova abordagem da “realidade arquetípica” do marxismo cria verdadeiras filigranas ontológico ao cotejar,com uma propriedade crítica muito próximo do refinamento clássico, os “temas” que há muito refluem na experiência social, política e epistemológica do homem. Sem deter-se em redimensionamento doutrinários ou filosóficos, o autor nos leva às próprias vertentes das certezas arquetipicamente efêmeras do homem, revelando-nos e desenredando um processo história/ humanístico muito bem articulado, que tem como ataque a propagação da desordem organizada, em um mundo cuja defesa é a “liberdade” mais que suicida.
Essa é a situação de que se utiliza toda uma corrente de pensamento, tendo como elos a “barbárie com face humana” ― como lembra Bernard Henri Levy ― , cuja auto-denominação é o terror de Estado e a “auto-determinação dos povos”, atuantes não por acaso em regiões de delicado equilíbrio. (Vejam a Indochina, a América Central, o Oriente Médio ...). Desse modo, observamos a práxis marxista e obediência cega aos princípios da “setelitização” serem cruelmente aplicadas. Os exemplos dessa arquetípica realidade nos trazem à mente um “paraíso”, supostamente pretendido como definitivo, que o comunismo internacional, em sua “ânsia de igualdade”, desumanizou.
Por outro lado, Jung sustenta que o arquétipo em si mesmo é vazio. Trata-se de um elemento puramente formal, sendo uma forma de representação dada a priori. As representações arquetípicas não são herdadas, apenas suas formas o são, como os instintos. A existência dos arquétipos só pode ser comparada de maneira concreta, através de sua manifestação. Pela breve explanação que acabamos de fazer, podemos agora verificar até que ponto as ideias do professor Villaverde que confrontam sistemas religiosos, investigam a própria essência do lado místico da natureza humana, criticando os valores “herdados” e re-criados, e sugerem uma novíssima apreensão “não dos erros teóricos do marxismo, mas de sue caráter interno”, podem coadunar-se com os ideais do Cristianismo e refutar
o marxismo ; vislumbrando, por fim, o real estabelecimento de uma extraordinária cosmovisão teo-científica : o Deusismo.
Seria o marxismo uma religião? Uma filosofia mística da história? Uma nova utopia? Outra forma arquetípica de misticismo, criada por Karl Marx? Um místico filosófico? Acreditamos que as duas últimas proposições talvez sejam as que melhor se prestem para analisar a doutrina marxista. O misticismo filosófico é uma doutrina que, constatando a impotência da razão humana para resolver os problemas metafísicos essenciais, vai em busca de recursos suplementares, que possibilitam um conhecimento intuitivo especial. Os orientais, como por exemplo os budistas, pensam que esta é a fonte mediante a qual o homem se liberta do mundo sensível. Tudo se propõe a atingir uma espécie de fusão com o mundo divino, durante o estado de êxtase. O êxtase é considerado um estado paroxístico pessoal, em que o sujeito, rompendo toda comunicação com o ambiente, se encontra transportado para um mundo psicológico impenetrável a qualquer outro indivíduo. Não se transfere e nem se tem palavras para comunicar a outrema experiência e vivência obtidas no estado de êxtase. A propósito da “palavra comunicada”, algo semelhante foi defendido por Walter Bejamim, ao tratar da origem da Língua, em que esta assumiria a figura da língua adâmica. Nesse estágio, Deus e o homem possuíram uma mesma linguagem, que no entanto foi perdida com a queda. À essa perda de “imediatidade do verbo” Bejamim dá o nome de “sobredenominaçao” (Uberdenennung) ― espécie de veiculação do conhecimento que jamais se completa. Assim, todas as línguas, humanas e não-humanas , buscam a reintegração com o Verbo. Em tal contexto, não se faria arbitrária a suposição de que, em sua tentativa de reaproximação com Deus, fonte dos Lagos, o homem cometa muitos e fragmentários desvios. É nesse momento que a língua torna-se signo de uma má interpretação, o que por si mesma engendra a mentira. O marxismo é resultado direto de uma mentira, proposta em um altar alegórico, para o sagrado a retalhamento e êxtase da alma de seus fiéis.
Portanto, o marxismo é uma doutrina mística e dogmática. Na prática, apresenta certas características dos dogmas religiosos, principalmente quando se propõe a salvar a humanidade e estabelecer o paraíso na Terra. Diferencia-se em essência das religiões, por negar a existência e a interferência de qualquer “poder divino” na vida pessoal do homem, e na sociedade por ele construída. Na atuação prática, o comportamento do verdadeiro cristão é também antípoda do comportamento marxista. O crente cristão prega e prática os princípios que se encontram nos Evangelhos ― espacialmente no Sermão da Montanha - , com ênfase às mensagens de amor: amor a Deus, à humanidade, á família e ao próximo. O crente
marxista militante prega a luta de classe, a marginalização e a eliminação sumária daqueles que opõem à implantação do regime comunista materialista e ateu em substituição ao regime social liberal cristão. Ele abomina todas as religiões, por considera-las “o ópio do povo”, usado pela burguesia para dominar e explorar a classe dos trabalhadores. Para atingir seus objetivos, o marxismo procura levar o proletariado ― principalmente do Terceiro Mundo ― à miséria total (quanto pior melhor), porque somente assim tal miséria coincide com o lado oposto e extremo da contradição capitalista, levando-o à sua destruição final.
Karl Marx e Friedrich Nietzsche, na segunda metade do século XIX, declaravam a “morte de Deus”; Feodor Dostoievski, na fábula do Grande Inquisidor, inserida na lenda dos Irmãos Kramazov, escrevia: “se Deus não existe, então tudo é permitido.” Esse pensamento é o adotado pelos marxistas ateus, e aplicado na organização de todas as formas de relações humanas; daí levando o homem ao niilismo. Com base nesse enfoque, os marxistas têm por meta destruir a estrutura em que se assente a sociedade ocidental, e instar o regime comunista, idealizado e proposto por Marx: O homem cuia personalidade foi envolvida pelo “Arquétipo do Velho Sábio”, o dono absoluto da verdade; o homem que destronou todos os deuses de todas as religiões, e se auto-coroou o “único deus”, capaz de misticamente reger os destinos da humanidade. Suas ideias foram adotadas por uma legião de seguidores de todas as nacionalidades, raças e povos do mundo. Cada um deles tem incorporado o “arquétipo do herói” *, o salvador da pátria, disposto a dar a própria vida para implantar, em todas as nações do mundo, ideal do convívio social para o homem, elaborando e proposto pelo “grande messias”; o homem que se “fez” deus, ao mesmo tempo que liquidava todos os deuses: Karl Marx.
Caberá ao leitor desta obra tirar suas conclusões. Terá oportunidade de constatar o seu real valor, pela honestidade e precisão das informações sobre a natureza mística da doutrina marxista, e seu emprego na vida pessoal e social do homem. Informações pouco conhecidas sobre a personalidade de Karl Marx, e sua vida familiar são admiravelmente relatadas, assim como a extraordinária influência que o marxismo, em confronto com o Cristianismo, vem exercendo, a partir de meados do século passado, sobre a humanidade. Essa influência continua a atuar profundamente neste final de século.
*
O autor deste trabalho, professor Villaverde, demonstra que o marxismo, arquetipicamente, tomou a forma de uma religião, um pseudo-cristianismo, que se propôs, conscientemente
ou não, a suplantar e substituir o verdadeiro Cristianismo. Por outro lado, o autor destaca o papel da necessidade fundamental da religião na mudança do indivíduo (e, automaticamente, da família, sociedade, nação e mundo), afirmando que a verdadeira revolução do mundo jamais ocorrerá sem a verdadeira revolução do homem.
Ao mesmo tempo, essa obra magnífica nos dá novas esperanças e nos preenche um vigoroso entusiasmo, ao desvelar os sinais de um “Cristianismo Universal” ― o Deusismo ― emergindo das cinzas de nossa decadente civilização, como um fênix que iluminará o caminho para o reencontro do Homem com Deus.
CESÁRIO MOREY HOSSRI *
*
Dr. CESÁRIO MOREY HOSSRI, 65, é membro da comissão examinadora para mestrado e doutorado da Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – instituição complementar da USP; pioneiro no estudo, pesquisa e desenvolvimento do Tratamento Autógeno no Brasil; como escritor, publicou tratados e obras originais de caráter internacional na área de Psicologia (Editora “Mestre Jou”); especialista em psicologia da educação, psicólogo clínico e sociólogo. Leciona atualmente na PUCCAMP.
N
OTAS
OBRE AN
ATUREZAH
UMANAToda corrente filosófica materialista insiste em negar que o homem possua uma natureza original. Dizem que o homem se assemelha a uma folha de papel em branco na qual os objetos exteriores imprimem suas características. Isso significa dizer que o homem é um a mero e total produto do meio social. Não é consciência humana que subjetivamente cria o meio social, que cria a sua consciência. Para fundamentar essa ideia, centenas de textos foram escritos e espelhados por todo o mundo.
Gostaria de tecer alguns comentários sobre essa interessante questão, não a título de debater, mas a fim de derramar novas luzes sobre ela.
O Deusismo* apresentou uma teoria antropológica que define o ser humano como um ser divino, porém não em pleno estado de aperfeiçoamento. Na Teoria Antropológica Deusista, o homem atual não se encontra em seu estado original. Admitindo Teoria da Queda Humana (um acontecimento primitivo que desligado os seres humanos de seu Criador ― Deus), o Deusismo explica, por esse fato, a existência das guerras e das religiões na história, cuja única finalidade é a de ocasionar o religamento do homem com o seu Criador. Por esse ângulo, a religião é um fenômeno histórico temporário. Ao mesmo tempo, a Teoria da Queda Humana nos fornece a ideia de que a história não teve início de uma forma correta, razão por que as religiões falam em “fim dos tempos” (tempos da ignorância, dos erros e dos sofrimentos humanos).
Não se pode negar a atuação do homem sobre a natureza. Tampouco se pode negar a influência da natureza sobre ele. Devemos, portanto, admitir que a sociedade é uma criação humana, uma projeção intelectual e real oriunda da essência do próprio homem. A sociedade, pois, deveria estar no pleno agrado do ser que a criou. Entretanto, isto não ocorre. Por quê?
*
O Deusismo é uma cosmovisão fundamentada nos princípios ético-morais comuns às grandes religiões do mundo, na filosofia idealista-teísta e na ciência do Século XX.
Em toda a história e em todos os lugares, os homens apresentam certas características comuns, independentemente de fatores externos como cor, raça ou classe, quais sejam: o ser humano busca a verdade, a beleza e a bondade em qualquer parte em qualquer tempo, busca lei, ordem e princípios; busca valores eternos, imutáveis e absolutos; busca a vida eterna, a eterna juventude, a plena verdade, a plena experiência. Em todo tempo e lugar, o homem tem buscado a perfeição das suas obras. Por outro lado ― e é nisso que está o grande paradoxo do comportamento humano ― o homem tem realizado obras absolutamente opostas ao seu desejo. Assim, ele foge da morte indo ao seu encontro (vícios, drogas, etc); foge da guerra, guerreando e aperfeiçoando a guerra (nuclear, química, bacteriológica, etc); foge da impureza, praticando-a (a promiscuidade). Por que isso acontece? Encontramos na Bíblia uma primeira explicação.
Certa vez o apóstolo Paulo disse:
“Deleito-me na lei de Deus no intimo de meu ser, sinto porém, nos meus membros outra lei do meu espírito e me prende debaixo da lei do pecado. O bem que quero, esse não faço, mas o mal que detesto, esse faço. Ora, se faço o que não quero, não sou eu mesmo que o faço, mas alguma “coisa” que está em mim! Assim, eu, pelo meu espírito, estou sujeito à Lei de Deus, mas pelo meu corpo sou escravo da lei do pecado. Miserável homem que sou, quem me livrará deste estado de morte.”
Uma segunda explicação encontramos no pensamento do psiquiatra vienense Sigmund Freud, criador da Psicanálise. Freud apresentou uma teoria chamada “Conflito Intrapsíquico”, na qual demonstrou a existência de um grande conflito no interior da mente humana entre duas forças: uma moral (superego) e uma amoral (id). Segundo Freud, é dessa luta que brotam as neuroses humanas, quanto ao fato da existência desse conflito inferior no ser humano, não há dúvida.
A questão que agora se põe é sua origem. Será esse estado natural dos seres humanos, ou esse é uma anomalia originada por algum acontecimento posterior à sua origem? Bem, se esse fosse o estado humano original, não existiriam as religiões e nem todos os movimentos históricos (mesmo a Psicologia e a Psicanálise) voltados para sua eliminação e para a busca do equilíbrio interior do homem ― a paz. As religiões são um fenômeno histórico, que se propõem a eliminar o conflito interior do homem, devolvendo-lhe a paz, o céu, o equilíbrio, o Nirvana, etc. Também as ciências da mente e do corpo têm proposto o mesmo ideal. Numa batalha extraordinária, o homem tem se debatido, ao longo da história, para vencer o mal que lhe massacra, tentando estabelecer o bem geral, mas sem muitos
resultados. Tão logo encontra uma solução para um problema, surge-lhe outro, e outros maiores que o anterior. Tem sido assim há seis mil anos.
Curiosa e estranhamente apesar de ser assim, os homens têm lutado com desespero para mudar essa situação. Não há paz dentro dos homens; não há paz na sociedade. Entretanto, há na humanidade a esperança do triunfo derradeiro. O homem acredita que vencerá a “força” ou seja lá o que for que o oprime e o escraviza. A luta que se trava no interior da sua mente e se projeta exteriormente nas suas obras (e é quando ele a pode ver), não o agrada; está nele, mas não nasceu com ele. Por isso ele se debate par livrar-se dela.
Tanto as teorias políticas que tratando da origem política do Estado, quando as religiões, afirmam que o homem já viveu em paz, livre do conflito interior que o atormenta. Nas teorias políticas sustentava-se que o homem vivia na natureza, guiado pela simples lei natural, livre de quaisquer conflitos e dores. Quando, subitamente (sem maiores explicações), desenvolveu-se no interior do homem a tendência para a injustiça e a agressão. Ai se teria iniciado a história da divisão , das classes, das lutas e da miséria humana. Por outro lado, a civilização judaico-cristã apresentou à humanidade uma outra teoria.
As narrativas bíblicas contam que há seis mil anos, quando o homem e a mulher (o casal primário ― produto final da evolução humana) haviam sido criados e caminhavam para a maturidade, ao fim da qual seriam unidos por Deus e constituiriam a primeira família, dando início à história humana, ser espiritual chamado Lúcifer interferiu no processo, separando-os do seu criador, induzindo-os a copularem extemporaneamente, para então submetê-lo ao seu domínio, educando-os a seu modo.
De que forma teria Lúcifer interferido no desenvolvimento do casal primário? O Deusismo concorda com os escritos anteriores ao Novo Testamento, que defenderiam que a Queda humana teria sido um ato sexual extemporâneo. Mas acrescenta que a Queda Humana não teria ocorrido em apenas uma etapa o homem e mulher imaturos. Mas, principalmente, deu-se a queda antinatural entre um ser angélico e a mulher e, posteriormente a queda imatura entre a mulher e o homem.(Gn. 8-13).
Se verdadeira essa teoria, deverá existir ainda hoje provas concretas da sua autenticidade, vestígios reais desses tipos de relacionamento antinaturais e imaturos, bem como fatos observáveis quanto ao conflito interior, oriundo da Queda, no homem e na sociedade.
Nessa teoria, a mulher teria se relacionado com dois seres de espécies distintas: um anjo e um homem. A genética contemporânea nos comprovou que, cruzando-se duas espécies de vegetais ou animais distintos pode-se
perfeitamente obter uma espécie híbrida, que apresenta as características das espécies anteriores que lhe deram origem. Exemplos desse fato são a nectarina (cruzamento do pêssego com ameixa); o tritigal (cruzamento do trigo com centeio); o muar (cruzamento do jumento com a égua). Com relação ao homem, o mulato (produto do branco com o negro) é também um elemento híbrido dentro da espécie humana. O filho é produto da fusão pai-mãe, sendo, em si mesmo, substancialmente constituído dessa natureza dual (os gens masculinos fundem-se com os gens femininos, originando uma terceira qualidade de gens híbridos).
Admitindo-se a dualidade espírito-matéria dos seres humanos, não haveria implicações hereditárias *, também espirituais no cruzamento do homem e a mulher? Logicamente, sim. O filho é produto integral dos pais, tanto espirituais quanto materialmente. Ocorre, porém, que a Queda Humana não foi apenas humana. Um terceiro personagem teve íntima participação nela ― um anjo (ser espiritual antropomorfo). A bíblia afirma que a mulher “provou do fruto do arcanjo Lúcifer” primeiro, e deu do fruto ao homem depois. Se há implicações hereditárias também espirituais, seria lógico admitir que os descendentes humanos, desse “ato-a-três”, apresentassem os vestígios dessa herança “genética” espiritual e desse comportamento social antinatural.
Tem sido evidente que a essência dos problemas humanos está diretamente relacionada com a questão da sexualidade. Um estado sociológico nesse campo pode nos fornecer dados extraordinários para a argumentação. As teorias de Freud vêm corroborar essa tese.
Para Feud, a raiz dos problemas sociais estavam na sexualidade e no conflito intrapsíquico existente no homem. Trata-se, pois, de um conflito real, travando no plano no psicológico da raça humana. De outro lado , ao observarmos o comportamento sexual do homem, podemos perceber claramente os vestígios chocantes dos relacionamentos antinaturais e imaturos ocorridos no ato da Queda. Vemos relacionamento entre homem-homem, mulher-mulher, homem-animal, adulto-criança, etc. mais modernamente, tornou-se claro o relacionamento entre sexo-violência, sexo terror e sexo-horror. Quanto aos relacionamentos imaturos, bastaria citar o
*
O hinduísmo afirma que o espírito humano é constituído de energia espiritual. Isso nos possibilita falar em genética espiritual, e considerarmos a fusão espiritual, não apenas como complementariedade, mas sim, como fusão real, haja vista que se dá entre corpos constituídos de uma mesma substância amorfa e transmutável.
casamento indiano aos trezes anos, os casamentos interioranos aos onze ou doze anos, o fenômeno da pederastia, a prostituição infantil, etc.
O Existencialismo é uma escola filosófica caracterizada por uma preocupação central com a angústia e o desespero humanos. Os existencialistas entregaram-se à busca da compreensão da natureza humana e dos problemas humanos, bem como à busca de soluções. Entretanto, todas as suas explicações e soluções foram parciais, porque o existencialismos não considerou o fato da Queda Humana. Conseqüentemente, amais compreenderam a causa real da miséria humana.
De modo semelhante, a psicologia e a psicanálise vem se debatendo na mesma busca há décadas. Lamentavelmente, enquanto por um lado anunciam progressos, por outro, ansiedade e angústia crescem de modo inexorável.
É real o fato do conflito intrapsíquico humano. Há n a natureza humana uma batalha entre duas vontades opostas (herdadas respectivamente de Lúcifer e Adão).
Uma, revela-se nociva ao homem e atenta constantemente contra a sua própria existência. A outra é benéfica, a luta para az sua sobrevivência. Enquanto uma vontade o induz a destruir a natureza, a outra o induza defendê-la. E surge a exploração devastadora e a ecologia, a paz e guerra, o egoísmo e o altruísmo. Poderíamos nos reportar aos primórdios da história humana (uma história que teve início de uma forma pervertida) e encontraremos os primeiros frutos da Queda, representados, figurativamente, por Caim e Abel. Neles veremos os inícios do choque entre as duas naturezas humanas opostas. Veremos no Abel o lado manso e bondoso; e no Caim, o lado agressivo e perverso. Séculos adiante, ainda na mesma região (Mesopotâmia), veremos as raças descendentes de ambos, representadas pelos caldeus pacíficos, e pelos assírios agressivos. Desceremos ao longo de todo o rio da história e observaremos a extensão do mesmo conflito. Chegaremos a Grécia com o mito dos irmãos Etéocles e Polinise, com as cidades de Atenas e Esparta. Em Roma encontraremos o mito dos irmãos Rômulo e Remo, e as cidades de Roma e Cartago. Encontraremos os filósofos idealistas e os materialistas, os lógicos e os crentes e os ateus ... Enfim, chegaremos dentro da nossa própria casa e encontraremos em nossa família Caim e Abel lutando sem perceberem, esgotados e à beira da mutua destruição.
Olhamos para o mundo atual e nos deparamos com Caim e Abel representados por dois blocos do mundo ― o bloco soviético e o bloco norte-americano ― lutando a um passo da destruição recíproca. Completamente cegos para os verdadeiros sentidos da existência, cansados
fracassados, ameaçados, desmoralização, cheios de orgulho e ainda esbravejando um contra o outro; um culpando o outro pela miséria dos dois ... Suas vozes soam fortes, mas os seus olhos se desviam da realidade de seus mundos. Algo está errado. Tanto esforço, tantas guerras, tantas mortes ... Para nada! Enganaram-se reciprocamente, ou foram ambos enganados por um terceiro elemento oculto? Onde estão os louros das vitórias conquistadas? O lado Caim e Abel falaram de paz por milênios. Pela paz guerrearam e sofreram. Ao termino da longa jornada, apenas uma tensão: vêem apontados sobre as suas cabeças armas terríveis, que poderão destruir tudo pelo que lutaram por toada a História.
Afinal, o que estou querendo dizer? Quero dizer simplesmente que não elaboro este trabalho pretendendo agredir os comunistas ou os democratas quero dizer que, ao longo da história, os homens se amaram e se mataram, enganaram e foram enganados, prostituíram e foram prostituídos, roubaram e foram roubados. Os fenômenos do nosso século não são novos. Os mesmos vícios e maus costumes, o mesmo comportamento agressivo e imoral; os mesmo anseios interiores do passado estão presentes, o assassino, o mentiroso, o ladrão e o homossexual datam, dos primórdios da história do homem, porque esses traços de seu comportamento são reflexos visíveis de sua natureza pervertida pela Queda.
Os comunistas e os democratas sempre existiram, mas com outros nomes. O que presenciamos hoje na Terra nada mais representa do que o estágio mais avançado de uma luta que teve início há seis mil anos atrás. Não entre os homens ― são os instrumentos e o prêmio da luta ― mas entre duas forças ainda incompreensíveis para ao homem atual.
Uma força que se utiliza da paz de verdade e do amor, como arma contra uma outra que se utiliza da guerra, da mentira e do ódio.
Arnold Toynbee, o grande historiador do século XX em sua extraordinária obra Um Estudo da História ( A Study of History), que engloba o estudo das 23 civilizações existentes nesses 6.000 anos da história, com doze volumes escritos em quase 30 anos, viu a religião como a mais poderosa força da história humana. Estará ele enganado?
Ambas, a mansidão e agressão são traços históricos da natureza humana. Mas ambos não são originais, pois um deles produz apenas devastação e dor, enquanto a natureza humana original busca apenas construção e prazer.
O escritor José Alberto Gueiros, no seu interessante estudo intitulando
O Diabo Sem Preconceito, expôs um curioso trecho:
“Modernamente, os adeptos da teoria do Inconsciente Coletivo entraram numa revolucionária interpretação das teses de Carl Jung.
Segundo Beatrice Mahler, da Universidade de Colúmbia, o cérebro humano está preparando para receber do exterior não apenas os impulsos sensoriais conhecidos (cheiro, cores, sons, formas, etc), mas também certos estados especiais, como o transe hipnótico, impulsos gestálticos que propiciam a existência de uma consciência marginal. Nestes casos o cérebro humano será governado de fora , o córtex receberia ordens de fora e assim, o paciente estaria agindo por “controle remoto”, manobrando por uma entidade exterior que poderia modificar os elementos fundamentais da sua razão e induzi-lo a praticar atos involuntários estranhos, falar línguas estrangeiras, apresentar força sobre-humana, etc. Essa entidade exterior que atua sobre um cérebro (mente) ou vários cérebros de uma comunidade, em momentos especiais, à maneira de um inconsciente coletivo, poderia ser chamada Satanás. O fenômeno das “epidemias” sociais do tipo Hitler e o nazismo, Khomeíne e os muçulmanos do Irã; os iluministas e os revolucionários franceses; quando um líder leva um povo inteiro a praticar atrocidades, cegamente, estaria dentro desta tese de Beatrice Mahler.”
Não poderíamos estar observando um desses fenômenos, nos nossos dias, nas revoluções comunistas?
A humanidade atual está atravessando um dos seus mais críticos períodos. O sofrimento está presente a cada instante, em cada recanto da Terra. Centenas de milhões de seres humanos no mundo comunista estão sob intenso sofrimento material e espiritual. De igual modo, outras centenas de milhões se encontram no mesmo estado no mundo livre. No atual estágio da história, obrigatoriamente haveria de aparecer os representantes mundiais de Caim e Abel. No passado eles foram chamados de assírios e caldeus, babilônicos e judeus, romanos e cristãos, em tempos mais recentes eles apareceram com nomes de italianos e alemães (católicos e protestantes), franceses e ingleses (iluministas e puritanos), russos e americanos (ateus e crentes).
Não parecem ter muita importância os apelidos como os Cains e Abéis têm sido chamados. O que importa é o fato da sua existência real através da história. Tal fato constitui uma lei objetiva que atua na história e que o Deusismo chama de Lei da Separação. A teoria Deusista da história demonstra que a história humana é a história da luta entre o Bem e o Mal, e que a meta final da história é a vitória do Bem, porque tal é a vontade de Deus e do Homem.
O fenômeno do comunismo apareceu na história como uma conseqüência inevitável da natureza do homem decaído. Internamente dividida e conflitada, a sociedade humana é um efeito-reflexo do estado da
luta contraditória e paradoxal, existente na mente do homem. O conflito intrapsíquico é um fato científico. O comportamento paradoxal, antinatural (que atenta contra a existência da própria raça humana) é real e cada homem pode constatá-lo fora ou dentro de si mesmo. Aí está a sociedade humana estruturada pelas mãos do homem; porém, numa forma que ele próprio abomina.
Enfim, o fenômeno está aí no corpo da história e no corpo do homem. Onde e quando pois, ele teve origem? Como dissemos nas primeiras linhas desse texto, as teorias políticas apresentam o fenômeno ― o comportamento paradoxal do homem ―, mas nada dizem sobre a sua causa ou o seu tempo de origem.
Por outro lado, as teorias da Cosmovisão Deusista fornecem explicações coerentes e constatáveis na antropologia, na história, na sociologia e na psicanálise que, se não cabais, pelo menos sugestivas à lógica e ao intelecto. Razão por que as utilizo aqui.
O comportamento comunista atual são os traços visíveis do conflito que se tem travado na mente humana há seis mil anos. O mundo dividido e conflitado é uma conseqüência da Queda Humana, mas indesejável pelo homem, pois conduz à auto-destruição.
Quem, então, seriam nossos inimigos? Seriam os seres humanos os inimigos uns dos outros, ou estamos no mesmo barco, naufragando juntos, sob a força arrasadora de um impiedoso inimigo?
Este trabalho sobre a natureza mística do Marxismo visa derramar alguma luz sobre essa questão fundamental, acender o questionamento e a pesquisa. Talvez o homem não seja o seu próprio inimigo. Se assim for, deveríamos nos abraçar, somar nossas forças, nos aproximar (uma corda de mil fios é, praticamente, indestrutível à mão livre). Comunistas e democratas, Caim e Abel, em união de mente e coração, guerreando lado a lado contra o inimigo comum.
Quando Caim e Abel ― comunistas e democratas ― de mãos dadas, reescreverem a história de Esaú e Jacó em pleno século XX, sem dúvida essas serão as verdadeiras sementes da prosperidade e da paz mundial.
I
NTRODUÇÃOAo longo de toda a história caciques, reis e imperadores e faraós sempre declararam a origem divina de seu poder e de sua posição privilegiada, mesmo que a história das sucessões esteja quase sempre banhada em sangue, não raro, de filho pasi contra filhos e irmãos contra irmãos. Mas declarar a origem divina de sua posição nunca foi o suficiente para os grandes e cruéis tiranos. E eles se autoproclaram filhos dos deuses. E foram lém, declarando-se o próprio Deus; não, visto como o Pai de amor e justiça, dos cristãos, mas como um dono absoluto de tudo, inclusive da vida de seus súditos. Até a Revolução Francesa os tiranos cruéis haviam assassinado cerca de 132 milhões de seres humanos. Os tiranos revolucionários esquerdistas quase dobraram etse número: assassinaram perto de 232 milhões de seres humanos! Por que tanta violência? A Revolução Francesa tinha como meta central descristianizar a França. Cerca de 30 mil padres e freiras foram mortos. Que Robespierre, o líder da Revolução Francesa, era ateísta e defendia o terror-virtude (despertar a virtude por meio do terror) todos sabem. O que poucos sabem é que Robespierre criou uma espécie “religião” ateísta-humanista onde ele próprio se colocou como objeto central de culto e adoração. Chegou a realizar espetáculos públicos nos quais, elevando-se por meio de um elevador ruidimentar, ele emergia no allto diante das multidões. Os ideais da Revolução Francesa morreram em 1804 com a autocoroação de Napoleão Bonaparte (1768-1821). E Napoleão decidiu conquistar o mundo. E vieram as guerras napoleônicas que espalharam o terror na Europa e matavam 30 muil soldados por mês, sem contar as incontáveis vítimas inocentes. Napoleão foi um revolucionário e participou da Revoluçao Frencesa, cujo
ideal supremo era a derruibada da monarquia e o estabelecimento da república democrática. Todavia, como era um ateu mentiroso, extinguiu a democracia e se autocoroou imperador já em 1804. Napoleão costumava se comparar ao imperador Carlos Magno, odiava os negros (matou cerca de 100 mil negros no Haiti) e decapitava os prisioneiros. Mesmo assim ainda hoje é aplaudido como herói francês e tem mais de 100 biografias (Cf. Os
Crimes de Napoleão. Claude Ribbe. Record, 2008). Comentando os crimes
de Napoleão Ribbe escreveu:
“150 anos antes do holocausto nazista Napoleão Bonaparte utilizou
câmaras de gás embrionárias para exterminar a população civil das Antilhas, criou campos de concentração na Córsega e em Alba, e restabeleceu o tráfico de escravos e a tortura, provocando a morte de 100.000 (cem mil) africanos nas colônias francesas, atrocidades copiadas por Adolph Hitler.”
Napoleão inspirou Hitler e o nazismo. Hitler e o nazismo provocaram a II Guerra Mundial, que massacrou cerca de 50 milhões de sers humanos. As relações entre o ocultismo e o nazismo já est bem documentadas e são conhecidas (Cf. Reich Oculto. J.H. Brennam, Madras, 2007; Os Segredos
do Nazismo. Sérgio Pereira Couto. Universo dos Livros, 2008. A Lança Sagrada de Hitler. Universo dos Livros, 2008). E mais uma vez o ateísmo
ocultista esteve de braços dados com a crueldade desumana e o genocídio. E a história do democidio prosseguiu. com os revolucionários comunistas, filhos dos revolucionários franceses.
Claude Henri de Saint-Simon (1760-1825), um dos filósofos prediletos de Marx, defendeu a necessidade de uma nova ideologia que suplantasse os ensinamentos escolásticos cristãos de sua época. Este novo sistema de pensamento deveria ser científico, abrangente e completamente baseado na razão e na objetividade. Sobre esse novo sistema ideológico levantar-se-ia uma Nova Religião da Humanidade que mudaria a mentalidade humana, adaptando-a aos seus novos objetivos. Saint-Simon diza que somente essa
Nova Religião poderia criar a sociedade do futuro governada por homens de
intelecto superior. Auguste Comte criou a nova “religião” desejada pelos pensadores ateístas, concreizando-a na “igreja” positivista. Por fim veeio Lênin e estabeleceu a a nova “religião” e a nova “igreja” ateístas. Os resultados de 70 anos de prática da nova “religião” estão registrados na obra
O Livro Negro do Comunismo. Repressão, crimes e terror (Stéphane
Curtois, Nicolas Werth, Jean-Louis Panné, Andrzej Paczikowisk, Karel Bartoseek e Jean-Louis Margolin. Editora Bertrand Russel, 2005. 917 páginas). Os autores resumiram as 917 páginas do livro nos seguintes termos:
“Outubro de 1917: o golpe de estado bolchevique significou bem mais
do que a queda do czarismo e a subida ao poder de um grupo de políticos idealistas. A revolução liderada por Lenin tornou-se o ícone que representaria o começo de uma nova era para a humanidade, anunciando uma sociedade mais justa e um homem mais consciente de sua relação com seu semelhante. Novembro de 1989: a queda do Muro de Berlim e a consequente abertura dos arquivos dos países comunistas apareceram para o mundo como a derrocada final do sonho comunista. O Livro Negro do Comunismo traz a público o salto estarrecedor de mais de sete décadas de história de regimes comunistas: massacres em larga escala, deportações de populações inteiras para regiões sem a mínima condição de sobrevivência, expurgos assassinos liquidando qualquer esboço de oposição, fome e miséria provocadas que dizimaram indistintamente milhões de pessoas, enfim, a aniquilação de homens, mulheres, crianças, soldados, camponeses, religiosos, presos políticos e todos aqueles que, pelas mais diversas razões, se encontraram no caminho de implantação do que, paradoxalmente, nascera como promessa de redenção e esperança. Os autores, historiadores que permanecem ou estiveram ligados à esquerda, não hesitam em usar a palavra genocídio, pois foram cerca de 100 milhões de mortos! Esse número assustador ultrapassa amplamente, por exemplo, o numero de vítimas do nazismo e até mesmo o das duas guerras mundiais somadas. Genocídio, holocausto, portanto, confirmado pelos vários relatos de sobreviventes e, principalmente, pelas revelações dos arquivos comunistas hoje acessíveis.
O terror — o terror vermelho — foi o principal instrumento utilizado pelos comunistas tanto para a tomada do poder quanto para a sua manutenção, e também por grupos de oposição e o terrorismo de Estado, com frequência praticados contra o seu próprio povo, são as grandes características d comunismo no século XX. Obstinados, pragmáticos e carismáticos, os lideres comunistas que guiaram o mundo a seu destino inelutável, têm revelada a sua face sombria: Lenin, Stalin, Mao Tse Tung, Pol Pot, Ho Chi Minh, Fidel Castro e muitos outros tornam-se os responsáveis diretos pelas atrocidades cometidas em nome do ideal comunista. Sob seus olhares, os “obstáculos” — qualquer homem, cidade ou povo — foram sendo exterminados com violência e brutalidade. O Livro Negro Comunista não quer justificar nem encontrar causas para tais atrocidades. Tampouco pretende ser mais um capítulo na polêmica entre esquerda e direita, discutindo fundamentos ou teorias marxistas. Trata-se, sobretudo, de dar nome e voz às vítimas e a seus algozes. Muitas vitimas ocultas por demasiado tempo sob a máquina de propaganda dos Partidos
Comunistas espalhados pelo mundo. Algozes, muitas vezes, festejados e recebidos com toda a pompa pelas democracias ocidentais. Todos que de algum modo tornaram parte da aventura comunista neste século estão, doravante, obrigados a rever as suas certezas e as suas convicções. Encontra-se, assim, uma das principais virtudes deste livro: à luz dos fatos aqui revelados, o terror vermelho deve estar presente na consciência dos que ainda creem em algum futuro para o comunismo. Como um ideal de emancipação e de fraternidade universal pode ter-se transformado, na manhã seguinte ao Outubro de 1917, numa doutrina de onipotência do Estado, praticando a aniquilação sistemática de grupos sociais ou nacionais inteiros, recorrendo às deportações em massa e, com demasiada frequência, aos massacres gigantescos? O véu da negação pode enfim ser completamente destruído. A rejeição do comunismo pela maioria dos povos em questão, a abertura de inúmeros arquivos que ainda ontem eram secretos, a multiplicação de testemunhos e contatos trazem o foco para o que amanhã será uma evidência: os países comunistas tiveram maior êxito no cultivo de campos de concentração do que nos do trigo; eles produziram mais cadáveres do que bens de consumo. Uma equipe de historiadores e de universitários assumiu o empreendimento — em cada um dos continentes e dos países envolvidos — de fazer o balanço mais completo possível dos crimes cometidos sob a bandeira do comunismo: os locais, as datas, os fatos, os carrascos, as vitimas contadas às dezenas de milhões na URSS e na China, e aos milhões em pequenos países como a Coréia do Norte e o Camboja.”
O Livro Negro do Comunismo fala de 100 milhões de vítimas do
comunismo. Masainda em 1978 a revista francesa Le Fígaro já falava estimava o genocídio em 150 milhões de vítimas (Cf. O custo humano do
comunismo. Le Figaro. Edição de 18 de novembro de 1978). Por sua vez,
Rudolph Joseph Rummel, professor de Ciências Políticas da Universidade do Hawaid, USA, em seu livro Statistics and Democide (Estatística e Democídio), baseado em um munucioso estudo históricio-estatístico sobre o democídio na história (o genocídio dos governos tiranos contra seus próprios povos) escreveu:
“Do século II a.C., até o final do século XIX os governos tiranos
assassinaram cerca de 130 milhões de pessoas. Inspirados pela Revolução Francesa de 1789 os governos revolucionários esquerdistas já assassinaram cerca de 232 milhões de seres humanos. E continuam matando.
Como explicar que por trás das promessas de paz, terra, pão, trabalgo, justiça e liberade, dos movimentos ateístas existisse tamanha
mentira e cruldade? Não se pode explicar tanta maldade sem falar em ateísmo e satanismo, assim como não se pode explicar a bondade e o amor sacrifical de Jesus, dos mártires, dos padres e das freiras cristãos sem falar de fé e Deusismo. O amor dos verdadeiros cristãos certamente veio de Deus, e o ódio dos ateístas? De onde veio?
Responder a essa pergunta é o objetivo deste livro. O autor observa que ninguém conhecerá o marxismo se não conhecer o caráter do seu criador, Karl Marx (ou alguma força perversa por trás dele). A obra de um autor sempre foi um reflexo de si mesmo, de sua natureza mais íntima. Afinal, o que é o marxismo? Que tão profundo mistério carrega ele em suas entranhas capaz de levar milhões de homens, mulheres, jovens e até crianças a sacrificarem suas vidas, movidos por uma utopia e um ressentimento aleatórios pelos mais ricos, poderosos e religiosos? Seriam todos os empresários e todos os religiosos tão culpados a ponto de terem sido julgados e sentenciados à morte sem nem ao menos saberem, ou será que a humanidade mais uma vez, encoberta pela névoa da ignorância e da dor, no afã de alívio, envolveu-se em mais um daqueles acontecimentos bárbaros, em que tão triste e paradoxalmente tem estado envolvida desde o alvorecer da sua história? Fiz essas indagações a mim mesmo, muitas vezes sem resposta alguma. Conheci uma face do marxismo nos tempos em que cursava a faculdade de economia na Universidade Federal de Pernambuco. Conheci as leis da Dialética e os ideais do Marxismo; conheci a Teologia da Libertação e a sua salvação pela violência ... Sim, conheci mas nada compreendi. Parece-me hoje que aquelas ideias exerciam sobre mim um estranho fascínio que me levava a buscá-las e a compreendê-las. Mas, incrivelmente, elas pareciam fugir de mim! Creio que alguma coisa afastou-me daquelas ideias. Diria afastou-mesmo que “alguma coisa” afastou-me livrou do marxismo. Hoje compreendo-o bem. Por esse motivo dispus-me a elaborar este trabalho.
Ao longo destas páginas, o leitor algumas vezes se surpreenderá. Outras vezes, poderá até mesmo experimentar sentimento de medo ante a face real do marxismo. Mais ainda se surpreenderá ao perceber o intricado jogo de ideias e emoções que se esconde por trás das palavras do marxismo, e que são a causa última da sua atração e expansão mundial. Duvidará que Karl Marx tenha podido elaborar sozinho tal sistema de pensamento, imbuído de nobres intenções e baseado apenas em sua inteligência; que o marxismo apresenta-se como um jogo de promessas de esperança e felicidade e, bem mais que um sistema filosófico, assemelha-se a uma religião. Uma pseudo-religião, com a força de uma religião mais poderosa que o Cristianismo, razão por que o tem confrontado em todo o mundo.
Notamos que a revolta marxista é muito mais contra a ideia da existência de Deus, do que contra a mística propriamente dita. Haja vista que o marxismo possui uma índole profundamente mística. O marxismo se dispôs contra toda fé em deuses e religiões, mas particularmente, o ataque central é desferido contra o Cristianismo. Saberemos a razão disso neste livro. Há também um incisivo ataque à filosofia idealista alemã, em virtude, principalmente, da filosofia de Fitche, Schelling, Kant e Hegel.
Este livro certamente não será uma leitura comum. Creio mesmo que poderá ser uma obra pioneira em alguns aspectos do conteúdo. Durante sua leitura, o leitor encontrará diversas menções à pequena obra do Pastor Richard Wurmbrand Seria Karl Marx um Satanista? *
Li e considerei essa obra importante e esclarecdora, porém, um tanto misteriosa pela visão evangélica do Pastor Wurmbrand . Convém notar aqui que as visões teístas atuais mostraram-se historicamente impotentes e incapazes de conter, contrapropor e derrotar o Marxismo, enquanto modo de pensar e de viver. Creio e ressalto porém, que o Cristianismo possui em seu bojo, em latência, as ideias-chaves capazes de verdadeiramente contrapropor e suplantar o Marxismo.Não do modo como atualmente é interpretado e estudado (está provado que nas formas atuais, o Cristianismo tem sido abalado pelo Marxismo. A Teologia da Libertação é o mais gritante exemplo desse fato). O Padre Polonês Dr. Miguel Poradowski, Doutorado em Teologia, Sociologia e Direito em Varsóvia e Roma, professor das Universidades de Valparaíso e Santiago, no Chile, em sua pequena obra: A
Gradual Marxistização da Teologia (edições Fortaleza ― 1975), deixa
claro o fenômeno da fraqueza da Teologia atual. Mostra o padre Miguel como gradualmente, de forma sutil e sem esforço, os comunistas conseguiram se infiltrar e substituir nos estudos teológicos dos seminários, conventos e faculdades, o elemento teológico pelo elemento marxista ateu. Essa é atualmente uma das mais estranhas e chocantes aberrações do século XX. A TFP ― Sociedade Brasileira para a Defesa da Tradição, Família e Propriedade ― fundada pelo professor Plínio Correia de Oliveira em 1960, com a finalidade de combater o que ele chamou de “progresso esquerdista”, que começava a surgir nos meios católicos ― numa volumosa e excelente obra intitulada As Cebs... Das quais muito se fala, pouco se conhece. A TFP
as descreve como são. (Editora Vera Cruz ― 1983), da autoria do Professor
Plínio Correia de Oliveira, Gustavo Antônio e Luiz Sérgio Solimeo, analisa
*
e denuncia em detalhes o extraordinário equívoco que alguns setores da igreja cristã vem levando acabo, no seio das famílias, através das chamadas
“Comunidades Eclesiais de Base ― Cebs”, que através de uma doutrina
marxista vem minando a fé e a ingenuidade pueril da América Latina inteira e, especialmente do Brasil. Esses comentários servem apenas para evidenciar a debilidade da visão do Cristianismo atual frente ao marxismo. Alexandre Soljenítsin afirmou que o “marxismo está condenado a jamais
derrotar o Cristianismo.” Diríamos porém, outra coisa, e de outra forma: “o ateísmo está condenado a jamais derrotar a fé.” Por quê? Porque a fé é um
impulso espontâneo da natureza espiritual do homem. Mesmo em plena ignorância, os selvagens cultivam atividades místicas. De igual modo, mesmo completamente oprimida, perseguida e proibida, a natureza mística do homem florescerá impreterivelmente. Provando essa assertiva, o Governo Soviético divulgou, no mês de outubro de 1984, artigo sobre o crescimento da fé entre a juventude soviética, e propôs a adoção de novas e mais eficazes medidas no sentido de propagar o ateísmo e combater a religião. Tal fato ocorreu, note bem, 67 anos após a religião ter sido proibida na União Soviética. È certo que jamais a fé será derrotada, mas as religiões, envoltas em tão grossas camadas de dogmas e mistérios, já estão derrotadas. A menos que o mundo livre encontre uma ideologia teísta, lógica, com base científica atual e a implante na educação geral, o marxismo não poderá ser detido. Não poderá? Corrigimos: ele já está sendo detido. Os comunistas dizem que o mundo ocidental não encontrará, a tempo, uma ideologia alternativa superior ao marxismo. Por isso, todo o mundo cairá em suas mãos como um fruto maduro. Lamentamos informar àqueles que por acaso lerem este livro, que o mundo livre já possui esta ideologia e que, em definitivo o marxismo está ideologicamente suplantado pelo Deusismo! Marxistas ou não marxistas, todos os homens são seres espirituais e possuidores de uma natureza mística original. Por esse motivo, o Deusismo está rapidamente se expandindo pelo mundo, porque vai ao encontro da natureza originalmente mística do homem ansioso do século XX, ofertando-lhe aquilo que constitui o seu desejo fundamental: a alegria integral ― do corpo e do espírito ― através do amor, da verdade e da paz.
Para finalizar essa breve introdução, gostaria de expressar nossas sinceras desculpas por algum desagrado, e dizer que nossa intenção não foi produzir um masterpiece da literatura intelectual, nem esgotar o tema, mas simplesmente desnudar e apontar o veio real de onde brota a força intelectual e emocional do marxismo, e trazer à luz a sua natureza mística.
São Paulo, 1986
..”. Numa era sem fé, o comunismo emergiu como uma poderosa anti-fé, a qual torna irrelevante o nosso quadro de referência habitual. Ele não pode ser derrotado militarmente, nem seus seguidores podem ser induzidos a abandoná-lo. O comunismo somente pode ser derrotado por uma maneira: sendo confrontado com uma ideia melhor....”
David Sutter Jornalista
“Há hoje no mundo dois grandes povos: o russo e o anglo-americano. O primeiro conquista pela espada, nega a liberdade e concentra em um só homem todo o poder. O segundo conquista pelo arado, respeita a liberdade e descentraliza o poder. Contudo, ambos parecem ter, por desígnio da Providência, os destinos das duas metades do mundo em suas mãos.”
Aléxis de Tocqueville Historiador ― 1835
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ÍSTICO
Capítulo 1
A
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ISICOLOGIAM
ODERNAA vida familiar de Marx
Marx nasceu no dia 5 de maio de 1818, numa província chamada Trier , na Alemanha Renana. Foi o segundo filho de uma família judia. Seus pais chamavam-se Heinrich Marx, advogado, e Henriette Pressburg, filha de rabinos judeus. Naturalmente, ambos foram praticantes do judaísmo por quase toda as vidas. Devido a uma ordem que proibia aos judeus a participação na vida pública, o pai de Marx se converteu ao Cristianismo em 1816; em 1824, converteu ao Cristianismo seus sete filhos. Heinrich Marx tinha nessa época 56 anos e Karl Marx, apenas 6 anos. A mãe de Marx relutou em aceitar o Cristianismo e retornou ao judaísmo em 1825, após a morte de Heinrich Marx.
Certa vez Freud contou uma das recordações de infância sobre um acontecimento ocorrido com seu pai. Disse-lhe seu pai:
“Quando eu era jovem, passeava um sábado pelas ruas da minha cidade natal, bem vestido e com um chapéu de pele novo. Veio um Cristão,
jogou o meu chapéu na lama e gritou: “judeu, desça da escada” ― E o que o senhor fez? perguntou-lhe Freud. “Desci e apanhei meu chapéu.”
Esta foi a resposta.
Por que citei este acontecimento da vida de Freud? Porque ele teve? Porque ele teve um impacto profundamente significativo na personalidade de Freud. Para ele, seu pai era um símbolo da covardia e da vergonha. Hoje sabemos da importância que os acontecimentos da infância têm sobre o homem na sua vida adulta.
A professora doutora Mariana Augusto, diretora do curso de pós-graduação da Escola Superior de Medicina de São Paulo, numa palestra por mim assistida em 1984, enfatizou que:
“É durante os três primeiros anos de vida que se formam os
elementos básicos que nortearão o caráter e a personalidade do homem durante todo o resto de sua vida”*.
Cremos que, do mesmo modo que Freud, decepcionado com a covardia do gesto de seu pai judeu ante um cristão, Marx também reteve em si traços dos seus primeiros anos de vida em que seu pai, judeu recém-convertido ao Cristianismo, era rejeitado pelos judeus com um apóstata e pelos cristãos como um judeu (para o leitor ter uma ideia de como os judeus eram mal vistos pelos cristãos, principalmente da Alemanha, basta recordar o ressentimento que Hitler despertou no poço alemão na época da Segunda Guerra, Imagine o leitor como eram vistos os judeus por volta de 1830 na Alemanha protestante). Outrossim, devemos observar que, dentro de sua própria casa, Marx deve ter presenciado e ouvido atritos entre seu pai e sua mãe com respeito à sua conversão interesseira ao Cristianismo. Atitude que ela nunca aceitou. Provavelmente, em virtude de sua formação judaica e à sua posição feminina à época desses acontecimentos, Henriette não pôde se opor a impedir que Heinrich Marx levasse consigo para o Cristianismo todos os seus sete filhos. Essa repulsa da mãe de Marx pelo Cristianismo é confirmada pela sua volta imediata ao judaísmo após a morte de Heinrich.
Naturalmente ela desejava levar consigo, outra vez de volta para o judaísmo, todos os seus filhos. Parece no entanto, não o ter conseguido, pelo menos com Marx.
O jovem cristão Karl Marx
*
Quando ainda adolescente Marx foi um cristão, como podemos observar na sua primeira obra União dos Fiéis com Cristo:
“Através do amor de Cristo, voltamos nossos corações ao mesmo tempo para nosso irmãos que intimamente são ligados a nós e pelos quais Ele deu-se a Si mesmo em sacrifício. A União com Cristo pode da dignidade interior, conforto na tristeza, tranqüila confiança e um coração susceptível ao amor humano, a tudo que é nobre e grande, não por causa da ambição e glória, mas somente por causa de Cristo.”
(Marx e Engls, Obras Escolhidas, 1º vol. International Publishers. New York, 1979)**. Em seu “Exame de Admissão ao Ginásio” Marx escreveu:
“O homem, o único ser que não atingiu a sua finalidade; o único membro de toda a criação que é indigno do que Deus criou. Mas o Criador benigno não poderia odiar seu trabalho; Ele queria erguer o homem até Ele, e enviou Seu Filho, através do qual proclamou: “Agora estais purificados pela palavra que vos anunciei.. Assim quando em união com Cristo, um sol mais belo nos apareceu, quando sentimos toda nossa iniqüidade, mas ao mesmo tempo, sentimos regozijo por nossa redenção, podemos pela primeira vez amar a Deus que apareceu previamente e nos ofereceu direção e aparece agora como Pai bondoso; como um professor gentil.”
Em sua tese doutoral escreveu Considerações de um Jovem na Escolha
de sua Carreira:
“A própria religião nos ensina que o Ideal que todos lutam para alcançar, sacrificou a Si mesmo pela humanidade, e quem ousará contradizer tal afirmação? Se escolhemos a posição na qual podemos realizar o máximo por Ele, então não poderemos nunca ser esmagados pelas responsabilidades, porque elas são apenas sacrifícios feitos em favor de todos.”
Vemos dessa forma que Marx nos seus anos de adolescência foi um cristão. Sua fé e seu amor por Jesus Cristo revelado nesses trechos escritos por ele, dão-nos prova de seu apreço pelo Cristianismo e seus ensinamentos altruístas. Podemos notar também nestes textos o fato de que Marx, ainda jovem e cristão, já revelava uma vocação literária que mais tarde produziria os três componentes do marxismo, que analisaremos mais adiante dentro do enfoque que interessa a esta obra.
Será que Marx sentia orgulho de sua família? Será que ele recordava do pai sem pensar na sua atitude volúvel ante a fé, e nas palavras e atitudes da sua mãe com relação a tudo o que o seu pai era e fazia? Essas amargas lembranças jamais abandonaram Marx, e ele as expressa claramente quando refere-se a seus parentes como veremos mais adiante.
Marx conhecia bem o Cristianismo. Ao terminar o ginásio, como está no “Arquivo para a história do socialismo e do movimento dos
trabalhadores da Alemanha”, algumas anotações no seu certificado ginasial
feitas pela direção da instituição de ensino “Sobre conhecimento religioso:
seu conhecimento da fé e moral cristãs é bastante claro e bem fundamentado. Até certo ponto, conhece também a história da igreja cristã.” Cremos já ter demonstrado que Marx antes de se tornar ateu, foi um
cristão.
A psicologia e o papel da família
Vejamos agora alguma das opiniões da psicologia e da psicanálise moderna quanto às influências da família no comportamento. Psicólogos e psicanalistas (tanto ortodoxos quanto aqueles que reconhecem a força das condições culturais na formação do caráter), afirmam que todas as crenças, ações e emoções manifestadas na vida adulta das pessoas têm suas raízes na infância. Até mesmo os adeptos da teoria pavloviana dos reflexos condicionados, e outros estudiosos do processo de aprendizagem e socialização, costumam buscar explicações para o comportamento adulto nos anos mais próximos do nascimento. Todos concordam em que, sem dúvida, certas experiências negativas ou positivas e suas conseqüências no mecanismo mental e emocional da criança são determinantes para a futura formação e integração da personalidade. Este processo pode ocorrer de modo suave e harmonioso ― que seria o natural ― ou de modo brusco, marcado por uma forma incomum de a criança responder às exigências do meio físico social em que vive.
Muitos fatos significativos e emoções marcantes, principalmente as negativas, são oprimidas e obscurecidas pela criança e vão se alojar em um ponto desconhecido da mente denominado inconsciente; posteriormente contudo, tais acontecimentos dolorosos e reprimidos pela necessidade psíquica (às vezes parecem cair no esquecimento total), manifestam-se através de sofrimentos e desajustes futuros sob as formas de neurose de toda espécie.