UFPE — MA054 — 2013.2 — PROF. FERNANDO J. O. SOUZA
LISTA DE EXERC´ ICIOS COMPLEMENTAR 03 – v. 2.0
Assuntos: Curvas cˆonicas n˜ao-degeneradas.
Orienta¸c˜ ao: Estes exerc´ıcios complementam (e n˜ao substituem) aqueles nos livros recomendados (endorsados) para esta disciplina. Dar solu¸c˜oes leg´ıveis e completas, explicando todos os passos e detalhes, e indicando as proprie- dades, f´ormulas e resultados utilizados. Mostrar todos os c´alculos e racio- c´ınios: S´o as respostas n˜ao servem ! Desenhos podem elucidar e inspirar e, portanto, esbo¸cos das curvas devem ser feitos, No entanto, a habilidade de esbo¸car/desenhar n˜ao ser´a explorada nas provas, embora a interpreta¸c˜ao de figuras dadas ´e um aspecto que pode aparecer em exames.
Quest˜ ao 1. Fixado um sistema de coordenadas cartesianas para o plano, considerem-se os seguintes pontos do plano: O (0, 0), P (1, − 1), Q ( − 1, 0), R (4, 1), S ( − 1, 2) e T (3, 4).
1.a. Determinar a posi¸c˜ao relativa da reta descrita por 3x − 4y = − 3 com rela¸c˜ao `a circunferˆencia de centro P e raio 2;
1.b. Calcular o raio da circunferˆencia de centro S que ´e tangente `a reta dada pela equa¸c˜ao y = 5;
1.c. Determinar, por meio de equa¸c˜ao(˜oes) reduzida(s), o lugar geom´etrico dos centros (x
0, y
0) das circunferˆencias de raio 1 que tangenciam a reta ←→
QR;
1.d. Calcular o raio da circunferˆencia de centro Q que tangencia exteriormente a circunferˆencia de centro R e raio 3;
1.e. Calcular o raio da circunferˆencia de centro Q que tangencia interiormente a circunferˆencia de centro R e raio 10;
1.f. Determinar, por meio de equa¸c˜ao(˜oes) reduzida(s), o lugar geom´etrico dos centros (x
0, y
0) das circunferˆencias de raio 1 que tangenciam (externa ou internamente) a circunferˆencia de centro T e raio 5.
Recordar que, para elipses e hip´erboles:
(Defini¸c˜ ao bifocal) Dados dois pontos distintos F e F
′(focos) no plano,
seja c =
12dist(F, F
′) > 0. O n´ umero 2c ´e dito distˆ ancia focal , e o
segmento de reta F F
′, eixo focal. Dado um n´ umero real a > c, a
elipse E determinada pelos dados (F, F
′, a) ´e o L.G. dos pontos P no
plano tais que:
E : dist(P, F ) + dist(P, F
′) = 2a.
Dado um n´ umero real a tal que 0 < a < c, a hip´erbole H determinada pelos dados (F, F
′, a) ´e o L.G. dos pontos P no plano tais que:
H : | dist(P, F ) − dist(P, F
′) | = 2a.
Ambas as equa¸c˜oes podem ser expressas em coordenadas;
(Equa¸c˜ ao reduzida ou cartesiana) Com os mesmos dados do item ante- rior, consideremos o sistema de coordenadas cartesianas Oxy determi- nado por: a origem O coincide com o ponto m´edio do segmento de reta F F
′(centro C), o eixo Ox ´e a reta ←→
F F
′orientada no sentido do ve- tor −−→
F F
′, e o sistema est´a orientado positivamente
1. Com isto, C(0, 0), F (c, 0), e F
′( − c, 0). Os pontos P (x, y) sobre a elipse E satisfazem, para b = √
a
2− c
2> 0:
E : x
2a
2+ y
2b
2= 1.
Os pontos P(x, y) sobre a hip´erbole Hsatisfazem, parab=√
c2−a2>0:
H : x
2a
2− y
2b
2= 1;
(Sistema de equa¸c˜ oes param´ etricas) Com os mesmos dados do primeiro item, a hip´erbole admite, pelo menos, dois sistemas de equa¸c˜oes para- m´etricas padr˜ao, revistos na Quest˜ao 2. J´a a elipse admite o sistema
x(θ) = a cos (θ),
y(θ) = b sen(θ), onde θ ∈
Rou, ao menos, θ ∈ [0, 2π);
Associados a ambas as curvas, temos os seguintes dados: a excentrici- dade
2e = c/a (0 < e < 1 para E , e e > 1 para H ); as retas diretri- zes
3, dadas, respectivamente, por d : x = a/e = a
2/c e d
′: x = − a/e
1Uma rota¸c˜ao no sentido sinistr´ogiro (anti-hor´ario) por um ˆangulo reto leva o eixoOx no eixoOy.
2Em geral, a excentricidade ´e uma medida de c relativa ao parˆametroa. J´a c ´e dito excentricidade linear. Uma circunferˆencia satisfaz a defini¸c˜ao “bifocal” comaigual ao raio eF =C=F′ , ou seja, os focos coincidem com o centro. Disto, c= 0∴e= 0 para circunferˆencias.
3Vide a defini¸c˜ao por foco e diretriz.
(verticais); o parˆ ametro focal p = dist(F, d) = dist(F
′, d
′) = b
2/c; e os v´ ertices A(a, 0), A
′( − a, 0), B (b, 0), e B
′( − b, 0). Todos eles est˜ao so- bre as curvas, exceto B e B
′no caso da hip´erbole. Os v´ertices fornecem os segmentos de reta ditos eixo maior AA
′e eixo menor BB
′, cujos comprimentos
4s˜ao 2a e 2b, respectivamente, e tamb´em chamados de eixos maior e menor (da´ı, a e b serem denominados semieixos maior e menor, respectivamente). No caso da hip´erbole, tamb´em temos as retas ass´ ıntotas, dadas por y = bx/a e y = − bx/a, respectiva- mente.
Recordar que, para elipses, hip´erboles e par´abolas:
(Defini¸c˜ ao por foco e diretriz) Sejam F (foco) ponto no plano, e d (di- retriz) uma reta no plano tal que d n˜ao passa por P , e um n´ umero real positivo e (excentricidade). A curva cˆonica n˜ao-degenerada C associada aos dados (F, d, e) ´e o L.G. dos pontos P do plano tais que:
C : dist(P, F ) = e · dist(P, d).
A curva ´e dita uma elipse, par´abola ou hip´erbole conforme 0 < e < 1, e = 1, ou e > 1. No caso da elipse E e da hip´erbole H , as defini-
¸c˜oes apresentadas nos itens anteriores se aplicam, observando-se que tanto (F, d, e) como (F
′, d
′, e) produzem (independentemente) descri-
¸c˜oes completas de E e H atrav´es da defini¸c˜ao por foco e diretriz.
Obs. No caso da par´abola P , s´o h´a um foco e uma diretriz. A partir dos dados (F, d), uma vez que e = 1 necessariamente, consideremos o parˆametro focal p = dist(F, d) > 0, sua metade a = p/2, e o sistema de coordenadas cartesianas Oxy orientado positivamente, e determinado por: o eixo Ox ´e igual `a reta perpendicular a d por F (eixo da par´ a- bola); a origem O no v´ ertice V , o qual ´e o ponto m´edio do segmento de reta entre F e o ponto H em que aquela perpendicular intercepta d; e Ox ´e orientado com o sentido do vetor −−→
HF . Com isto, F (a, 0), e d : x = − a (vertical). Com isto, a partir da defini¸c˜ao por foco e diretriz, obtemos a equa¸c˜ao reduzida (cartesiana) da par´abola, a saber,
4No caso da elipse,a > b mas, no caso da hip´erbole,apode ser maior que, igual a, ou menor que b. Por isto, h´a os nomes alternativos eixo realou transversopara AA′, e eixo imagin´arioouconjugadoparaBB′ no caso da hip´erbole.