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J. Pediatr. (Rio J.) vol.93 número2

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Academic year: 2018

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www.jped.com.br

ARTIGO

ORIGINAL

Lower

prevalence

and

greater

severity

of

asthma

in

hot

and

dry

climate

Marco

Aurélio

de

Valois

Correia

Junior

a,b,

,

Emanuel

Sávio

Cavalcanti

Sarinho

b,c

,

José

Angelo

Rizzo

b,c

e

Silvia

Wanick

Sarinho

b

aUniversidadedePernambuco(UPE),Petrolina,PE,Brasil

bUniversidadeFederaldePernambuco(UFPE),ProgramadePós-Graduac¸ãoemSaúdedaCrianc¸aedoAdolescente,Recife,PE,

Brasil

cUniversidadeFederaldePernambuco(UFPE),DepartamentodeMedicinaClínica,CentrodePesquisaemAlergiaeImunologia

Clínica,Recife,PE,Brasil

Recebidoem11dedezembrode2015;aceitoem30demaiode2016

KEYWORDS

Asthma; Riskfactors; Allergicrhinitis; Adolescent; Epidemiology; Prevalence

Abstract

Objective: Toestimateasthmaprevalence,severity,andassociatedfactorsinadolescentswho liveinalowrelativehumidityenvironment.

Methods: Inthiscross-sectionalstudy,adolescentsaged13---14yearsfromthecityof Petro-linalocatedintheBraziliansemiaridregionansweredtheInternationalStudyofAsthmaand AllergiesinChildhood(ISAAC)questionnaire.Thepossibleexplanatoryvariablesofthestudy weregender,familyincome,mother’seducation,smokersinthehousehold,parentalhistoryof asthma,personalhistoryofallergicrhinitisoratopicdermatitis,andphysicalactivitylevel. Pois-sonregressionanalysiswasusedtoassesstheassociationbetweenasthmaandtheexplanatory variables.

Results: A total of1591 adolescentsparticipated inthe study,of whom49.7% were male. Theprevalenceofactiveasthma,severeasthma,andphysician-diagnosedasthmawere14.0%, 10.4%,and17.8%,respectively.Adolescentswithasthmamissedmoreschooldaysthantheir peers(33vs.22days/year;p<0.03).Associatedfactorsthatremainedsignificantafter adjust-mentwerehistoryofasthmainparents(PR=2.65,p<0.001)andpersonaldiagnosisofallergic rhinitis(PR=1.96,p<0.001)and/oratopicdermatitis(PR=2.18,p<0.001).

DOIserefereaoartigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.05.006

Comocitaresteartigo:CorreiaJuniorMA,SarinhoES,RizzoJA,SarinhoSW.Lowerprevalenceandgreaterseverityofasthmainhotand

dryclimate.JPediatr(RioJ).2017;93:148---55.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](M.A.CorreiaJunior).

(2)

Conclusion: Asthmaprevalenceinthislow-humidityenvironmentwaslower,butmoresevere thanthosereportedinotherBrazilian cities.Thedry climatemighthamperdisease control andthismayhavecontributedtothehigherschoolabsenteeismobserved.Theassociationof asthmawith allergicrhinitisandatopicdermatitisaswellasahistoryofasthmainparents suggeststhatatopyisanimportantriskfactorforasthmainthispopulation.

©2016SociedadeBrasileiradePediatria.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisanopen accessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/

4.0/).

PALAVRAS-CHAVE

Asma;

Fatoresderisco; Rinitealérgica; Adolescente; Epidemiologia; Prevalência

Menorprevalênciaemaiorgravidadedaasmaemclimaquenteeseco

Resumo

Objetivo: Estimaraprevalência,agravidadeeosfatoresassociadosàasmaemadolescentes quevivememumaregiãodebaixaumidaderelativadoar.

Métodos: Estudotransversalemadolescentesde13e14anosdosemiáridobrasileiro.Os parti-cipantesresponderamaoquestionárioInternationalStudyofAsthmaandAllergiesinChildhood (Isaac).Asvariáveisexplanatóriasdoestudoforamsexo,rendafamiliar,escolaridadedamãe, fumantenaresidência,antecedentedeasmanosgenitores,antecedentesderinitealérgica, dermatiteatópicaeníveldeatividadefísica.AanálisederegressãodePoissonfoiusadapara avaliaraassociac¸ãoentreaasmaeasvariáveisexplanatórias.

Resultados: Participaramdapesquisa1.591adolescentes,49,7%dosexomasculino.As preva-lênciasparaasmaematividade,asmagraveediagnósticomédicodeasmaforamde14%,10,4% e17,8%,respectivamente.Adolescentesasmáticosfaltarammaisàsaulasdoqueseuspares (33vs.22aulas/ano;p<0,03).Fatoresassociadosquepermaneceramsignificantesapósajuste foram antecedentes de asma nosgenitores (RP=2,65, p<0,001), rinite alérgica (RP=1,96, p<0,001)e/oudermatiteatópica(RP=2,18,p<0,001).

Conclusão: Nesteambientedebaixaumidadeforamobservadasmenorprevalência,masmaior gravidadedaasmadoqueaquelasrelatadasemoutrascidadesbrasileiras.Oclimasecotalvez possadificultarocontroledadoenc¸aeissopodeter contribuídopara omaiorabsenteísmo escolarnosdoentes.Aassociac¸ãoentrerinitealérgica,dermatiteatópicaeantecedentesde asmanosgenitoressugerequeaatopiaéimportantefatorderiscoparaaasmanestapopulac¸ão. ©2016SociedadeBrasileiradePediatria.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigo OpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.

0/).

Introduc

¸ão

Aasmaé umadoenc¸ainflamatóriacrônicadasviasaéreas comum na infância, caracterizada clinicamente por epi-sódios recorrentes de sibilância, falta de ar e tosse.1 É bastante prevalente em todo o mundoe os fatores cli-máticos, especialmente a umidade do ar, podem ter um papelimportantenodesenvolvimentodadoenc¸a,hajavista as baixasprevalências encontradas em regiões desérticas comparadascomasderegiõesnasquaisaumidadee índi-ces pluviométricos são mais elevados, como nas regiões tropicais.2---7

Essa característicapodeterrelac¸ãocomaproliferac¸ão dosácarosdapoeiradomésticaquenãoconseguem sobrevi-veremambientesdepoucaumidadeesãoumdosprincipais determinantes de sensibilizac¸ão alérgica.4---10 Nesse caso, nas regiões de clima seco, agentes diferentes dos ácaros podemser osresponsáveis por desencadearasma, dentre eles outros aeroalérgenos, como pólens, poluic¸ão do ar, pequenas partículas presentes nossolos, epitélios de ani-mais,alémdousodeumidificadoresnasresidências.4,8,9

No Brasil ainda são escassas as pesquisas sobre a asma e fatores de risco nas diferentes regiões do país,

especialmentenoqueserefereaosváriosecossistemas.2,11 Esse fato dificulta o planejamento e a execuc¸ão de polí-ticaspúblicas quevisam àsua prevenc¸ão,pois osestudos existentesforamfeitosemgrandeparteemcidades maio-res,principalmente nascapitais,cujamaioria seencontra nolitoralouemregiõessubtropicaisnosestadosdaregião Sul/Sudeste.2,11

Assim,oobjetivodesteestudofoiavaliaraprevalência,a gravidadeeosfatoresassociadosàasmaemadolescentesde 13e14anosemregiãodebaixaumidade,comclimaquente e seco. A pesquisa foi feita numa cidade com um clima classificadocomosemiáridocaracterizadopelaescassez e irregularidadedechuvasealtastemperaturas.

Métodos

Trata-sedeumestudotransversaldebasepopulacionalfeito emestudantesde13e14anosmatriculadosnaredepública estadual de ensino em 2014 em Petrolina (Pernambuco), noNordestebrasileiro,quecontacom294milhabitantes12 e ocupa umaárea correspondente a 4.561,872 Km2. Este

(3)

sereshumanosdaUniversidadedePernambuco(protocolo: 459.304).

Osdadosforamobtidospormeiodequestionários aplica-dosnasescolascomregistrodasinformac¸õesemformulários compostos por perguntas pré-codificadas, com quesitos sobre idade, sexo, doenc¸as alérgicas, nível de atividade física(NAF),escolaridadedamãe,rendafamiliar,presenc¸a defumanteemcasaeantecedentesdeasmanosgenitores. Osquestionáriospreenchidospelosadolescenteseram revi-sadosaofimdodiaparaidentificac¸ãoecorrec¸ãooportuna deerrosdepreenchimento,checaram-se, mediantenovas visitas,asinformac¸õesincompletas,duvidosasou inconsis-tentes.

Para avaliac¸ão das doenc¸as alérgicas foi usadoo ques-tionário Isaac traduzido e validado para o Brasil.2 Esse questionárioapresentatrêsmódulos(asma,riniteeeczema) comatéoitoquestõescada,autoaplicáveledefácil enten-dimento.Foiconsideradoparaclassificac¸ãodeprevalência deasmaouasmaematividadequemrespondesse‘‘sim’’à pergunta‘‘Nosúltimos12meses,vocêtevesibilos(chiado nopeito)?’’, para diagnóstico deasma quem respondesse ‘‘sim’’àpergunta‘‘Algumavezna vidavocêteveasma?’’ eparao diagnósticodeasmagrave,aquelesadolescentes classificados como tendo asma em atividade que relata-ram chiado no peito tão forte a ponto de afetar a fala. Esse questionárionão contémperguntas relativas ao con-sumodemedicamentos.Foiconsideradocomotendorinite e dermatite atópica quem respondesse ‘‘sim’’ às seguin-tes perguntas respectivamente ‘‘Nos últimos 12 meses, vocêtevealgumproblemacomespirros,coriza(corrimento nasal)ouobstruc¸ãonasal,quandonãoestavagripadooucom resfriado?’’e‘‘Nosúltimos12meses,vocêtevemanchasna pele(eczema)?’’

Paraavaliararepercussãodaasmanasatividadesdiárias dosadolescentesforamavaliadosoabsenteísmoeo rendi-mento escolar geral e a atividade nas aulas deeducac¸ão física. O absenteísmo escolar foi avaliado observando o número total de faltas escolares em cada disciplina por meio da frequência escolar referente ao ano anterior à pesquisa.Odesempenhoescolarfoiavaliadopormeiodas médiasdasnotasobtidasduranteoanoanterioràpesquisa nasdisciplinas obrigatórias (matemática,português, ciên-cias,ciências sociaiseeducac¸ãoartística)comunsatodas asescolas.Ograudeinstruc¸ãodamãefoicaracterizadoem 0a9anosdeestudo,10a13anosdeestudoemaiordoque 14anosdeestudoearendafamiliarematédoissaláriose maiordoquedoissaláriosmínimos.

Oníveldeatividadefísicafoiavaliadopormeiodo questi-onáriointernacionaldeatividadefísica(IPAQ,versãocurta) validadoparaoBrasil,13queclassificaoindivíduoemmuito ativo,ativo,irregularmenteativoousedentário,conforme frequência, durac¸ão e intensidade das atividades físicas semanais.Foramconsideradosativososindivíduosque atin-giram os seguintes critérios: a) atividade física vigorosa comfrequênciaigual ousuperior atrês dias/semana com durac¸ãoigualoumaiordoque20minutos/sessão;b) ativi-dadefísicamoderadaoucaminhadacomfrequênciaigualou superioracincodias/semanae durac¸ãoigualoumaiordo que 30 minutos/sessão; c) qualquer atividade física cuja frequência somada fosse igual ou superior a cinco dias/ semanaecomdurac¸ãoigualoumaiordoque150minutos/ semana. Os sujeitos que não alcanc¸aram os critérios

supracitados foram classificados como inativos. Os ques-tionários escritos foram distribuídos nas salas de aula e preenchidospelosprópriosadolescentescomsupervisãodos pesquisadorespreviamentetreinados.

Tamanhodaamostraeanáliseestatística

Para quantificac¸ão do tamanho da amostra no programa WinPepi(PEPI-for-Windows)14foramusadososseguintes cri-térios: populac¸ão estimada em 31.555 alunos; intervalo de confianc¸a de 95%; erro amostral de cinco pontos per-centuais; prevalência estimada em 50% por se tratar de mais de duas variáveis de interesse; e efeito de deline-amento amostral estabelecido em três vezes o tamanho mínimo da amostra; e perda amostral de 20%. Totalizou, portanto,umaamostramínimade1.425alunos.

Oprocedimentodeselec¸ãodaamostraobedeceuauma sequênciadeetapasnatentativadeseobteruma amostra-gemrepresentativadeescolaresdaredeestadualdeensino quanto à distribuic¸ão conforme o porte de escolas. Com o objetivo de auxiliar o planejamento amostral, as esco-las foram organizadas em três categorias: pequenoporte (até200alunos),médioporte(201a499alunos)e grande porte (superior a 500 alunos) e foi aplicado critério de estratificac¸ãoconsiderandoaproporcionalidadeporporte.

Apóstodasasetapas,chegou-seao númerototalde18 escolase57turmas,oquerepresenta42%dasescolas esta-duais de Petrolina. Considerando um número mínimo de 25alunosporturma,esperava-seavaliar1.425alunos.Como algumasturmastinham maisdoque25 alunospor turma, 1.591 estudantes foram avaliados.As escolas foram esco-lhidas porsorteioapós arandomizac¸ão feitanoprograma WinPepi.14

Osdados foram processados e analisados com os pro-gramas StatisticalPackage for the Social Sciences (SPSS), versão20.0eoStata7.0(StataCorp.2015.StataStatistical Software:release7.CollegeStation,EUA).Inicialmenteos dadosforaminseridosnopacoteestatísticoSPPSpormeio dedigitac¸ãoduplaecomparadaspossíveisinconsistências. Paratestarasuposic¸ãodenormalidadedosdadosfoi apli-cadootestedeKolmogorov-Smirnov.Acomparac¸ãoentreas medianasfoifeitacomotestedeMann-Whitneypara variá-veis nãoparamétricas.Paraavaliar asdiferenc¸asentreas proporc¸õesdeasmaeosfatoresassociadosforamusadosos testesqui-quadradoequi-quadradocomcorrec¸ãodeYates, quandoapropriados.Todasasconclusõesforamtomadasno níveldesignificânciade5%.

Asrazõesdeprevalência(RP)paraasmaforamcalculadas paracadavariáveldeexposic¸ãoporregressãodePoisson.As variáveiscomvalordep<0,20nasanálisesbivariadasforam selecionadas paracomporomodelo deregressão multiva-riado,coma finalidadedeavaliaro impactodasvariáveis explanatórias.Osresultadosforamexpressosporrazõesde prevalências (RP) ajustadas com respectivos intervalos de95%deconfianc¸a(IC95%)eforamconsiderados estatisti-camentesignificantesvaloresp<0,05.

Resultados

(4)

Tabela1 Distribuic¸ãodosescolaresporsexoefatoresrelacionadosasdoenc¸asalérgicas

Questões Sexo

Masculino (n=792)

Feminino (n=799)

Total (n=1591)

pvalora

Chiadonopeitonosúltimos12meses 85(10,7%) 137(17,1%) 222(14%) <0,001

Crisesdechiadonosúltimos12meses

1-3crises 60(7,6%) 104(13,0%) 164(10,3%) <0,001

>4crises 10(1,3%) 24(3,0%) 34(2,1%)

Despertarnoturnonosúltimos12meses 30(3,8%) 69(8,6%) 99(6,2%) <0,001

Dificuldadedefalarnosúltimos12meses 63(8,0%) 102(12,8%) 165(10,4%) 0,002

Chiadonopeitoapósexercíciofísico 123(15,5%) 157(19,6%) 280(17,5%) 0,539

Tosseanoitenosúltimos12meses 34(4,3%) 33(4,1%) 67(4,2%) 0,863

Algumaveznavidateveasma 120(15,2%) 164(20,5%) 284(17,9%) 0,006

Antecedentedeasmanosgenitores 163(20,6%) 264(33,0%) 427(26,8%) <0,001

Rinitealérgica 108(13,7%) 208(26,0%) 316(19,9%) <0,001

Dermatiteatópica 28(3,5%) 78(9,8%) 106(6,7%) <0,001

Níveldeatividadefísica

Inativo 315(40,9%) 369(46,7%) 684(43,8) 0,021

Osvaloresestãoexpressoscomonúmerosabsolutoseosvalorespercentuaisentreparênteses.Osvaloresemnegritoindicamdiferenc¸a estatística.

a Testequi-quadrado.

feminino, 67,2% das famílias ganhavam até dois salários mínimoseapenas17,8%dasmãestinhamnívelsuperior.

Adistribuic¸ãodosadolescentesporsexoefatores relaci-onadosàsdoenc¸asalérgicasdemonstraqueasprevalências paraasmaem atividade,asmagraveediagnósticomédico deasmaforamde14%,10,4%e17,8%,respectivamente,e verifica-sequeasadolescentesapresentarammaior preva-lênciadeasma,rinitealérgicaedermatite(tabela1).

A análise bivariada entre a prevalência de asma em atividade e os possíveis fatores intervenientes (tabela 2) demonstraram a importância da associac¸ão com a rinite alérgicaecomadermatiteatópicabemcomocoma histó-riadeantecedentesdeasmanosgenitores(28,2%vs.10,4%, 35,8% vs.12,4% e 27,3%vs.8,3%, respectivamente,todos comp<0,001).

Osadolescentescomasmaseabstiverammaisnasaulas, inclusivenasaulasdeeducac¸ãofísica,doqueosseuspares nãoasmáticos(p<0,05).Contudo,nãofoidetectadomenor rendimentoescolardessesestudantescomasma(tabela3). Na análisede regressão dePoisson, que incluiu o sexo feminino e o menor nível de atividadefísica, verificou-se queapenasmantiveram-senomodelofinalasvariáveisde rinitealérgicaedermatiteatópica,bemcomoantecedentes deasmanosgenitores(tabela4).

Discussão

Asprevalênciasdeasma,asmagraveediagnósticomédico deasmanesteestudofeitonosemiáridobrasileiroforamde 14%,10,4%e17,8%,respectivamente.Osfatoresassociados àasmaforamarinitealérgicaeadermatiteatópica,bem comoantecedentes deasmanosgenitores.Alémdisso, os adolescentesasmáticosfaltarammaisàsaulasdoqueseus pares.

As diferenc¸as climáticas podem ter influência signifi-cativa na prevalência da asma, o que é indicado pela verificac¸ão de maiores prevalências em regiões com umi-daderelativadoareíndicespluviométricosmaiselevados e menores em regiões de climas quentes e secos.2---6 Na comparac¸ão dos nossos achados com os de estudosfeitos emoutraslocalidadesbrasileiras2,11verificamosumamenor prevalência de asma, possivelmente relacionada com as característicasclimáticasespecíficasdaregiãoestudada.2---6 Oclimasecodificultaasobrevivênciadosácaros,principais alérgenosintradomiciliares,que necessitamdehidratac¸ão obtidadaumidadedoarparasobrevivereambientescom umidaderelativaabaixode55%lhessãoletais.6,9

No entanto, assim como neste estudo, a asma ainda assim é detectada nessas regiões e provavelmente uma daspossíveishipótesesexplicativaséapresenc¸adeoutros aeroalérgenos,como ospólens e esporos dasplantas,4 ou ainda o contato com epitélios de animais, além da sus-pensãodesubstâncias encontradasnossolos,que,quando transformadas em partículas menores, podem ser trans-portados pelos ventos por longas distâncias.8 Existem relatos de sensibilizac¸ão alérgica em áreas próximas de plantac¸õesdepistachenodesertodoIrã4eespéciesde fun-gos foramdescritas como o agentecom maiorassociac¸ão comaasmaemclimassemiáridosnodeserto.15---17Asdoenc¸as respiratóriasalérgicascausadasporplantaspodemtambém existirdeformaaindanãoidentificadanessaáreado Nor-destebrasileiro,poisumadascaracterísticasdaregiãode nossapesquisaéafruticulturairrigadacomgrandescampos deplantac¸ões.

(5)

Tabela 2 Prevalência de asma nos adolescentessegundo sexo, renda familiar, escolaridade da mãe, fumo, antecedente deasma,rinitealérgica,dermatiteatópicaeníveldeatividadefísica(númerototaldeadolescentesinvestigados:1.591)

PrevalênciadeasmaquestionárioIsaac

N % [IC,95%] pvalora

Sexo

Masculino 85 10,7 08,7-13,0 <0,001

Feminino 137 17,1 14,4-19,9

Rendafamiliar

Atédoissalários 147 13,8 11,8-15,8 0,388

Maisdedoissalários 52 15,8 11,9-19,8

Escolaridadedamãe

0-9anosdeestudo 80 15,8 12,6-18,9 0,726

10-13anosdeestudo 72 12,5 09,8-15,3

>14anosdeestudo 44 15,6 11,7-19,9

Temfumanteemcasa

Não 194 13,9 12,2-15,7 0,454

Sim 9 18 08,0-30,0

Antecedenteasmanosgenitores

Não 105 9,0 07,5-10,6 <0,001

Sim 117 27,4 23,2-31,8

Rinitealérgica

Não 133 10,4 08,7-12,2 <0,001

Sim 89 28,2 23,7-33,5

Dermatiteatópica

Não 184 12,4 10,7-13,9 <0,001

Sim 38 35,8 27,4-45,3

Níveldeatividadefísica

Ativo 133 15,2 12,8-17,7 0,084

Inativo 83 12,1 09,8-14,8

IC,intervalodeconfianc¸a.Osvaloresemnegritoindicamdiferenc¸aestatística. aTestequi-quadrado.

Tabela3 Absenteísmogeral,absenteísmoemeducac¸ãofísica,rendimentoescolargeralerendimentoemeducac¸ãofísicanos estudantes

Variável Mediana Percentil(25%-75%) pvalora

Absenteísmogeral

Asma 33 14-54 0,030

Semasma 23 11-42

Absenteísmoed.física

Asma 1 00-03 0,036

Semasma 0 00-02

Rendimentoescolar

Asma 6,2 4,42-7,35 0,198

Semasma 6,4 4,68-7,26

Rendimentoed.física

Asma 7,5 6,68-8,50 0,342

Semasma 7,75 6,62-8,60

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Tabela4 RegressãodePoissonparaprevalênciadeasmasegundosexo,antecedentedeasmanosgenitores,rinitealérgica, dermatiteatópicaeníveldeatividadefísica

Variáveis Razãodeprevalêncianãoajustada Razãodeprevalênciaajustada

RP (IC,95%) p RP (IC,95%) p

Sexo

Masculino 1 1

Feminino 1,60 1,22-2,09 <0,001 1,08 0,80-1,47 0,603

Antecedentenosgenitores

Não 1 1

Sim 3,28 2,47-34,34 <0,001 2,65 1,97-3,55 <0,001

Rinitealérgica

Não 1 1

Sim 2,70 2,06-3,53 <0,001 1,96 1,45-2,65 <0,001

Dermatiteatópica

Não 1 1

Sim 2,89 2,04-4,10 <0,001 2,18 1,48-3,22 <0,001

Níveldeatividadefísica

Ativo 1 1

Inativo 0,80 0,61-1,05 0,084 0,86 0,64-1,15 0,318

IC,intervalodeconfianc¸a;RP,razãodeprevalência.Osvaloresemnegritoindicamdiferenc¸aestatística.

graves, além deo atual controle em todo o mundoestar muitoaquémdosobjetivosfixadosnasorientac¸õesdas dire-trizesinternacionais.1Defato,omaiorabsenteísmoescolar encontradoemnossapesquisa(33vs.22aulas/ano;p<0,03) pareceterrelac¸ãocomamaiorgravidadedaasma,umavez queamaioria(74%)dosadolescentescomasmaematividade relatou sintomas compatíveis com asma grave.8,18,19 Esse fatoindicaumapossívelfaltadereconhecimentoede con-troledadoenc¸ae,alémdisso,épossívelquenoclimaquente esecoospacientesapresentemumfenótipomaisgraveda afecc¸ão.Modeloscomdesencadeamentodeasmaapós exer-cício comospacientesque respiramarsecosugeremque broncoespasmopodesermaisgravenessascondic¸ões.21,22

Mesmo que apresente prevalência de asma inferior à média brasileira (14% vs. 19%),2 a asma nessa localidade parece ter uma apresentac¸ão mais grave (10,4%) quando comparada com a do restante do Brasil (4,7%)2 e do mundo(6,9%).11Estudosfeitosemregiõesdesérticasda Ará-bia Saudita5,23 evidenciaram um maior número de visitas às emergências nos indivíduos com asma quando com-parados com indivíduos habitantes de cidades da Europa (62%vs.24%),24oqueindicaumaassociac¸ãocomumamaior gravidadedadoenc¸anessasáreas,oquepodeestar relaci-onadocomadisponibilidadedeatendimento,mastambém comascaracterísticasclimáticasdaregião.Dadosdo Depar-tamentodeInformáticadoSistemaÚnicodeSaúde(Datasus) demonstram que o número de internac¸ões por asma no períododeseteanosemPetrolinaémaiordoqueem municí-piosdolitoraledoagrestedePernambucoecomtamanho populacional semelhante. A taxa de internamento padro-nizada por 100.000 habitantes foi de 509,4 em Petrolina (semiárido),259,58emCaruaru(agreste)e180,53em Pau-lista (litoral).12 Esse é um preocupante cenário de asma nessaregiãoquepareceserefetivamentemaisgravee pre-dominantementealérgica, poisvem fortementeassociada

a outrascaracterísticas de atopia, como a rinite alérgica eadermatiteatópica.

Nesteestudo,apósajustedasvariáveis,aassociac¸ãode asmacomarinitealérgica(razãodeprevalência=1,96)foi inferioràencontradaemoutrosestudosbrasileiros(valores descritosentre2,19 e 4,36).25 Mesmoassim, junto coma dermatiteatópica,foiumimportantefatorparao diagnós-ticodeasmanapopulac¸ãoestudada.Essesachadossugerem que mesmo em clima seco e quente a atopia parece ser umfatorpresenteepreponderante.Umfatoadicionalalém dessaassociac¸ãocomoutrasdoenc¸asalérgicaséorelatode asmanosgenitorescomofatorconsistenteassociadocoma prevalênciadeasmaequecontribuiucomrazãode preva-lênciade2,65. Issopodesugerira necessidadedealertar aosadultosasmáticosparaidentificarsinaisdessa enfermi-dadenosfilhosecontribuircomaequipedesaúdedeforma precocenocuidadoapropriado.19,20,26

(7)

descritospodemajudarnacompreensãodaprevalênciada asmaesuagravidadenosclimasquentesesecos.

Emconclusão,emPetrolina,naregiãosemiáridado Nor-destebrasileiro,aprevalênciadeasmafoiinferioràquelas relatadas em outras cidades brasileiras em estudos que empregarammetodologiaanáloga,porémchamouaatenc¸ão a alta proporc¸ão de relatos de sintomas de maior gravi-dade da doenc¸a.2,27,28 Pelas respostas ao questionário do Isaac podemos inferir que a asma, pelo menos por parte dosmédicos,nãoénegligenciada,umavezquea frequên-ciadediagnósticomédicodeasmaésuperior(17,9%)àde sibilâncianoúltimoano(14%).Entretanto,issonãoé garan-tia de que os pacientes venham sendo tratados de modo apropriado. A baixa umidade do ar e a falta de controle clínico são possíveis explicac¸ões para esse achado. Esses dadosdevemservirparaorientaraspolíticasdesaúdeem condic¸ões semelhantes e estudos posteriores deverão ser feitosparaavaliarseamelhoriadaassistênciamédicaserá capazde reduzir o número de internamentos e visitas às emergênciasporasmaquefoiencontrado.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Agradecimentos

AoProf.DirceuSolépelasvaliosascontribuic¸õesnarevisão dotexto.

Referências

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