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ARTIGO
ORIGINAL
Physical
self-efficacy
is
associated
to
body
mass
index
in
schoolchildren
夽
,
夽夽
Alicia
Carissimi
a,b,∗,
Ana
Adan
c,d,
Lorenzo
Tonetti
e,
Marco
Fabbri
f,
Maria
Paz
Hidalgo
a,b,g,
Rosa
Levandovski
a,b,
Vincenzo
Natale
ee
Monica
Martoni
haUniversidadeFederaldoRioGrandedoSul(UFRGS),HospitaldeClínicasdePortoAlegre(HCPA),LaboratóriodeCronobiologiae
Sono,PortoAlegre,RS,Brasil
bUniversidadeFederaldoRioGrandedoSul(UFRGS),ProgramadePós-Graduac¸ãoemPsiquiatriaeCiênciasdoComportamento,
PortoAlegre,RS,Brasil
cUniversitatdeBarcelona,FacultaddePsicología,DepartamentodePsiquiatríayPsicobiologíaClínica,Barcelona,Espanha dUniversitatdeBarcelona,InstitutdeRecercaenCervell,CognicióiConducta(IR3C),Barcelona,Espanha
eUniversitàdiBologna,DipartimentodiPsicologia,Bolonha,Itália
fSecondaUniversitàdegliStudidiNapoli,DipartimentodiPsicologia,Caserta,Itália
gUniversidadeFederaldoRioGrandedoSul(UFRGS),FaculdadedeMedicina,DepartamentodePsiquiatriaeMedicinaLegal,
PortoAlegre,RS,Brasil
hUniversitàdiBologna,DipartimentodiMedicinaSpecialistica,DiagnosticaeSperimentale,Bolonha,Itália
Recebidoem9deoutubrode2015;aceitoem6deabrilde2016
KEYWORDS
Obesity; Overweight; Childhood;
Physicalself-efficacy; PerceivedPhysical AbilityScale forChildren
Abstract
Objective: The present study aimed to investigate the relationship between physical
self--efficacyandbodymassindexinalargesampleofschoolchildren.
Methods: ThePerceivedPhysicalAbilityScaleforChildrenwasadministeredto1560children
(50.4%boys;8---12years)fromthreedifferentcountries.Weightandheightwerealsorecorded
toobtainthebodymassindex.
Results: Inagreementwiththeliterature,theboysreportedgreaterperceivedphysical
self--efficacythangirls.Moreover,thenumberofboyswhoareobeseisdoublethatofgirls,while
thenumberofboyswhoareunderweightishalfthatfound ingirls.Inthelinearregression
model,theincrease inbodymassindexwas negativelyrelatedtothephysicalself-efficacy
score,differentlyforboysandgirls.Furthermore,ageandnationalityalsowerepredictorsof
lowphysicalself-efficacyonlyforgirls.
DOIserefereaoartigo:
http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.04.011
夽 Comocitaresteartigo:CarissimiA,AdanA,TonettiL,FabbriM,HidalgoMP,LevandovskiR,etal.Physicalself-efficacyisassociatedto
bodymassindexinschoolchildren.JPediatr(RioJ).2017;93:64---9.
夽夽EstudofeitonaUniversidadedeBolonha,Bolonha,Itália;noHospitaldeClínicasdePortoAlegre(HCPA),UniversidadeFederaldoRio
GrandedoSul(UFRGS),PortoAlegre,RS,Brasil;enaUniversidadedeBarcelona,Barcelona,Espanha.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](A.Carissimi).
Conclusion: Theresultsofthisstudyreinforcetheimportanceofpsychologicalaspectof
obe-sity,astheperceivedphysicalself-efficacyandbodymassindexwerenegativelyassociatedin
asampleofschoolchildrenforboysandgirls.
©2016SociedadeBrasileiradePediatria.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisanopen
accessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/
4.0/).
PALAVRAS-CHAVE
Obesidade; Sobrepeso; Infância;
Autoeficáciafísica; EscaladeCapacidade FísicaPercebida paraCrianc¸as
Autoeficáciafísicaassociadaaoíndicedemassacorporalemcrianc¸asemidade escolar
Resumo
Objetivo: Investigararelac¸ãoentreaautoeficáciafísicaeoíndicedemassacorporalemuma
grandeamostradecrianc¸asemidadeescolar.
Métodos: A Escala de Capacidade Física Percebida para Crianc¸as foi administrada a 1.560
crianc¸as(50,4%meninos;8-12anos)detrêspaísesdiferentes.Opesoeaalturatambémforam
registradosparaobteroíndicedemassacorporal.
Resultados: Deacordocomaliteratura,osmeninosrelatarammaiorautoeficáciafísica
perce-bidadoqueasmeninas.Alémdisso,onúmerodemeninosobesoséodobrododemeninas,
ao passoqueonúmerodemeninosabaixodopesoémetadedodemeninas. Nomodelode
regressão linear,o aumentono índice de massacorporal foi negativamente relacionadoao
escoredeautoeficáciafísica,diferentementeemmeninosemeninas.Alémdisso,aidadeea
nacionalidadetambémforampreditorasdeautoeficáciafísicabaixaapenasparameninas.
Conclusão: Osresultadosdesteestudoreforc¸amaimportânciadoaspectopsicológicoda
obe-sidade, uma vez que a autoeficácia física percebida e o índice de massa corporal foram
negativamente associados em uma amostra de crianc¸as em idade escolar para meninos e
meninas.
©2016SociedadeBrasileiradePediatria.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigo
OpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.
0/).
Introduc
¸ão
Os benefícios à saúde da atividade física regular para crianc¸as são bem conhecidos.1 Para ter melhor
enten-dimento do comportamento de atividade física nas
crianc¸as, tem havido um foco cada vez maior para
determinar a relac¸ão entre a atividade física e os
cor-relatos psicossociais.2,3 A autoeficácia, definida como
as convicc¸ões das pessoas sobre sua capacidade ou
habilidade de fazer determinada ac¸ão necessária para
atingir resultados em uma situac¸ão específica,4 é uma
variável considerada associada à atividade física em
adolescentes, que pode ser um importante mediador
para proporcionar uma participac¸ão mais efetiva nessas
atividades.5---7
Um estudo recente com 281 crianc¸as (116 meninos e
165meninas)mostrouqueaquelasquetêmelevados
esco-resdeautoeficáciafísicaparticiparamdesignificativamente
mais atividades físicas em comparac¸ão com seus
corres-pondentes com baixo escore de autoeficácia física.8 As
meninas são, de maneira geral, menos ativas e relatam
menorcapacidadefísicapercebida,maiorgorduracorporal
percebidaemaiorinsatisfac¸ãocomocorpodoquemeninos
no ambiente escolar.1,2,6,9,10 Assim, a competência
perce-bidaparaatividadefísicapareceestarrelacionadaaosexo,
devidoaofatodequemeninossãomaisativosfisicamente
e percebem maior forc¸a e competência esportiva doque
meninas.6,11,12
Além do sexo, a idade é um fator que pode
influen-ciar a autoeficácia física, mais evidentemente durante a
adolescência,6,7 uma vez que a autoeficácia física tende
areduzir com o aumento daidade biológica. Outro fator
relacionado à autoeficácia é o índice de massa corporal
(IMC), um índice de peso por altura usado para
classi-ficar sobrepeso e obesidade. Mudanc¸as nas capacidades
físicaspercebidas9,10,13,14sãoinfluenciadaspeloexcessode
peso,relacionado aumabaixapercepc¸ão decompetência
emotivac¸ãoparapraticaratividadefísica,oqueafetando
aparticipac¸ãonaatividadefísicaeaaparênciafísica.15 De
fato,umIMC maiselevadofoi associado aníveis menores
deautoeficácia paraatividade física,aautoeficácia física
ea alimentac¸ãosaudável forampreditivasdasituac¸ãodo
peso.16 Defato,crianc¸asmaisvelhaseaquelascommaior
IMCpraticammenosatividadefísica.12Combasenessas
evi-dências, esperávamos descobrir uma relac¸ão significativa
entreaautoeficáciafísicaeoIMC.
Conformedemonstradonaliteratura,osexoestá
relaci-onadoaoIMCemeninostendematerumIMCmaiselevado.
Assim,esperávamosdescobriresseefeito.Portanto,
explo-ramos a relac¸ão entre a autoeficácia física e o IMC em
uma grande amostra de crianc¸as em idade escolar, com
controleparavariáveisdeconfusãoquepodeminfluenciar
a autoeficácia física, como idade, sexo e nacionalidade.
Selecionamostrêspaísesemquehápreocupac¸ãocoma
pre-valênciacadavezmaiordesobrepesoeobesidade,Itália,17
Métodos
Amostra
Este foium estudo transversalcom 1.560 crianc¸as (50,4% dosexomasculino).A amostraincluiu1.110 participantes italianos (10,01±0,65 anos), 280 participantes brasilei-ros (10,52±1,27 anos) e 170 participantes espanhóis (10,54±1,02 anos). Os estudantes foram inscritos entre janeiroeoutubrode2013apenasseospaistivessem assi-nadooformuláriodeconsentimentoinformado.
Medidaseprocedimento
Este estudo apresenta dados de um projeto transcultural quepretende investigarfatores relacionadosao ganhode energia e aos hábitos alimentares, considera a influência da ritmicidade do comportamento de um ponto de vista cronobiológico.Duranteoanoletivo,osestudantes foram convidadosaresponderaumconjuntodequestionários des-tinado a compilar dados sobre o horário de ingestão de alimentos, hábitos de sono e atividade física. Durante o horárioescolar,doismembrosdogrupodepesquisa admi-nistraramquestionáriosnapresenc¸adoprofessor.Aequipe foiàsescolas emumhorário pré-determinadoeosalunos preencheramosquestionários em cercade30 minutos.O comitê de ética das universidades envolvidas no projeto aprovouesteestudo.
Nestetrabalho,nosconcentramosnosdadosde autoefi-cáciafísicaaferidospormeiodaEscaladeCapacidadeFísica Percebida para Crianc¸as (ECFPC)20 com relac¸ão a idade,
sexo,nacionalidadeeIMC.Osparticipantespreencherama
ECFPC,que consiste em 6 itens: 1) corrida, que variade
1 (‘‘Corro muito devagar’’) a 4 (‘‘Corro muito rápido’’);
2) exercício, que varia de 1 (‘‘Consigo praticar apenas
exercíciosmuitofáceis’’)a4(‘‘Consigopraticarexercícios
muitodifíceis’’);3)músculos,quevariade1(‘‘Meus
mús-culossão muito fracos’’) a 4 (‘‘Meus músculos sãomuito
fortes’’);4) movimentac¸ão, quevaria de1
(‘‘Movimento--me bem devagar’’) a 4 (‘‘Movimento-me bem rápido’’);
5)certeza,quevariade1(‘‘Sinto-memuitoinseguroquando
me movimento’’) a 4 (‘‘Sinto-me muito seguro quando
me movimento’’); 6)cansac¸o, que variade 1 (‘‘Sinto-me
muitocansadoquandomemovimento’’)a4(‘‘Nãomesinto
nemumpoucocansadoquandomemovimento’’).Oescore
totaldo testepodevariar de6 a 24 e escoresaltos
indi-cam maior autoeficácia física percebida. A ECFPC avalia
aspercepc¸ões das capacidades físicas das pessoas, como
forc¸a, velocidade e capacidades de coordenac¸ão.20
Estu-dosconfirmaram aECFPCcomo medida confiávele válida
daautoeficáciafísicanascrianc¸as.9,10,20Aretrotraduc¸ãofoi
feita para se usar a ECFPC no português brasileiro e em
espanhol.
As medic¸ões de peso e estatura foram registradas no
mesmodiaemqueascrianc¸aspreencheramoquestionário,
comumabalanc¸aportátileumestadiômetroportátilpara
obtero IMC,ouseja,opeso emKg divididopelaestatura
emm2.As crianc¸asforammedidasdescalc¸asesem
agasa-lhosemumasalaseparada.OIMCparaaidadefoicalculado
deacordocomosexoeascrianc¸asforamdivididasem
qua-trocategorias,deacordocomaclassificac¸ãointernacional
deColeetal.:pesonormal,abaixodopeso,21acimadopeso
eobesas.22
Análiseestatísticas
Fizemos o teste de Kolmogorov-Smirnov para idade, IMC e autoeficácia eos resultadosmostraramque asvariáveis nãoapresentamdistribuic¸ãonormal(valordep<0,05).Para compararcadaumadasvariáveisconsideradas(idade,IMC, autoeficáciaenacionalidade)entremeninosemeninas fize-mosotesteUdeMann-Whitneynasamostrasindependentes. Paracompararascategoriasdepeso(abaixodopeso,peso normal,acimadopesoeobeso),nacionalidade(Brasil, Itá-lia e Espanha)e sexo,usamos o testequi-quadrado. Para analisarasdiferenc¸asdoIMCcomrelac¸ãoànacionalidade (Brasil, Itália e Espanha) separada por sexo e para com-parar ascategorias depeso eo escoretotalde ECFPCfoi feitootesteHdeKruskal-Wallis. Otamanhodoefeitofoi calculadopelotesteUdeMann-WhitneyepelotesteHde Kruskal-Wallis.23
Porfim,foifeitaumaregressãolinearparaavaliar,
sepa-radamenteporsexo,comooaumentodoIMC,aidade ea
nacionalidadepodemestarrelacionadosaoescoretotalde
autoeficácia físicapercebida como métodoEnter.O SPSS
(SPSSInc.2009.EstatísticaparaWindows,Versão18.0,EUA)
foiusadoemtodasasanálisesestatísticas(SPSSChicago,IL).
Arelevânciaestatísticafoiestabelecidaemp<0,05.
Resultados
Osdadosdescritivossobreaamostraestãoapresentadosna
tabela 1. O IMC mediano foi significativamente maiorem
meninosemcomparac¸ãocommeninas(p=0,043;tamanho
doefeito=0,059).Afrequênciademagreza eramaiorem
meninas(3,4%)doque emmeninos(1,5%).Umpercentual
maiordemeninosestavaacimadopeso(12,3%)oueram
obe-sos(5,1%)maisdoquedemeninas(12,2%;2,8%),(p<0,001).
Osmeninos (ECFPC19; 18-21) relataram maior
autoeficá-ciafísicapercebidadoque asmeninas(ECFPC18;17-19);
(p<0,001;tamanhodoefeito=0,339).
O fator IMC não apresentou diferenc¸a entre os países
(Brasil, Itália, Espanha) quando analisado de forma
sepa-radaporsexonacomparac¸ãodotesteHdeKruskal-Wallis.
O escore total de ECFPC teve diferenc¸a estatisticamente
significativanascategoriasdepeso(p<0,001;tamanhodo
efeito=0,003),comclassificac¸ãodoescoredeautoeficácia
médiode724,53paracrianc¸asabaixodopeso,826,43para
ascompesonormal,702,28paraasacimadopesoe639,22
paraasobesas;edenacionalidade(p<0,001;tamanhodo
efeito=0,003),comclassificac¸ãodoescoredeautoeficácia
médiode687,55paraoBrasil,812,89paraaItáliae722,11
paraaEspanha.
Osresultadosdomodeloderegressãolinear(tabela2),
com controle para variáveis de confusão como idade,
IMC e nacionalidade separadas por sexo, demonstraram
que o escore de ECFPC menor estava significativamente
relacionado a maiorIMC em meninos(=-0,15; p<0,001;
R2 Ajustado=0,044; F=12,98; p<0,001); em meninas, o
escore de ECFPC menor estava relacionado a maior IMC
(=-0,06; p=0,012), maior idade (=-0,29; p=0,001) e
Tabela1 Estatísticasdescritivasdeidade,situac¸ãodopeso,escoredeautoeficáciafísicapercebidaenacionalidade
Meninos(n=787) Meninas(n=773) Total(n=1.560) Valordep
Idadedacrianc¸aa 10(9,8-10,8) 10(9,6-11) 10(9,8-10,9) 0,77
IMCa 18,5(16,7-21,4) 18,3(16,4-20,6) 18,4(16,6-21) 0,043c
ECFPCa 19(18-21) 18(17-19) 18(17-20) <0,001c
Gruposporpeso,n(%)b <0,001c
Abaixodopeso 24(3,0) 53(6,9) 77(4,9)
Pesonormal 492(62,6) 486(62,9) 978(62,7)
Acimadopeso 192(24,4) 190(24,6) 382(24,5)
Obeso 79(10,0) 44(5,7) 123(7,9)
Nacionalidade,n(&)b <0,001c
Brasil 122(15,5) 158(20,4) 280(17,9)
Itália 587(74,6) 523(67,7) 1110(71,2)
Espanha 78(9,9) 92(11,9) 170(10,9)
ECFPC,EscaladeCapacidadeFísicaPercebidaparaCrianc¸as;IMC,índicedemassacorporal. Dadosapresentadoscomomediana(25-75◦percentil)oun(%).
a TesteUdeMann-Whitney. b Testequi-quadrado.
c Diferenc¸asestatisticamentesignificativas(p<0,05).
o menor escore (=-0,24; p=0,043; R2 Ajustado=0,032; F=9,53;p<0,001).
Discussão
Esteestudoapresentourelac¸ãosignificativaentrea capaci-dadefísicapercebidaeoIMCemumaamostradecrianc¸as em idade escolar. Essa relac¸ão mostrou-se diferente de formaestatisticamentesignificativaparameninosemeninas eparaanacionalidadenaanálisederegressãolinear.
Apercepc¸ãodashabilidadesfísicastendeasermaiorem meninosdoqueemmeninas.1,2,10,18Meninosemeninascom
IMC maior tendem a ter autopercepc¸ão de eficácia física
maisbaixa.24,25Faircloughetal.11demonstraramque
meni-noscomvaloresdeIMCmenoresestavammaispropensosa
seenvolverematividadefísicaduranteasemana.Emnosso
estudo, osmeninos apresentaram maiorECFPC doque as
meninas e as categorias de peso apresentaram escores
totaisdeECFPCdiferentes.Aautoeficáciafísicabaixapode
ser ativada pelo excesso de peso, o que contribui para
um aumento da preocupac¸ão com a autopercepc¸ão das
capacidadesfísicas.
Dascrianc¸asavaliadasnesteestudo,aprevalênciaéde
24%dascrianc¸ascomexcessodepesoe8%comobesidade
(tabela1);essaestatísticaésemelhanteaosdados
encon-tradosna literatura18,26 e essepercentual difere entreos
sexos.OsresultadosdeIMCnãoapresentamdiferenc¸aentre
ostrêspaísesconsiderados;contudo,éimportantedestacar
queaprevalênciade sobrepesoe obesidadeéalta nesses
países.AamostrafoicoletadanosuldoBrasil,entre
descen-dentesdeitalianosealemães, culturalmentesemelhantes
aospaíseseuropeus,comoItáliaeEspanha.Issosugereque
assemelhanc¸as no IMC sãomais biológicas do que
socio-culturais.Além disso,aautoeficáciafísicapodesermenos
afetada em uma sociedade em que o aumento do IMC é
normal.
No modelo de regressão linear, tanto para meninos
quanto para meninas, o aumento no IMC foi relacionado
Tabela2 Modelo deregressãolineardoescoretotaldeautoeficáciafísicapercebida, separadoporsexo,idade,índicede
massacorporalenacionalidade
Variáveis BMultivariado(Erropadrão) Beta tmultivariado Valordep
Meninos
R2Ajustado=0,044
Idade −0,19(0,11) −0,060 −1,668 0,096
IMC −0,15(0,03) −0,202 −5,768 <0,001a
Nacionalidade −0,10(0,14) −0,024 −0,678 0,498
Meninas
R2Ajustado=0,032
Idade −0,29(0,09) −0,119 −3,218 0,001b
IMC −0,06(0,03) −0,090 −2,518 0,012b
Nacionalidade −0,24(0,12) −0,074 −2,031 0,043b
aumareduc¸ão noescore deautoeficácia físicapercebida (tabela 2). Nossa explicac¸ão para o aumento no IMC e
a reduc¸ão noescore de autoeficácia física é que alguém
classificado como acima do peso ou obeso pode ter uma
autopercepc¸ão de obesidade que o faz se sentir incapaz
depraticar atividadefísica. Portanto,umacrianc¸a
classi-ficadacomoobesaevitaparticipardeatividadefísicapara
nãoserjulgadacomoincapaze,assim,entraemumcírculo
vicioso. O estilo de vida fisicamente inativo é um
gati-lhoparao aumentode peso e vice-versa.27 Além disso, a
idadeeanacionalidadetambémforampreditorasde
auto-eficácia física baixa apenas para meninas. Os resultados
salientaramasdiferenc¸as na autoeficácia físicaem
meni-nas com relac¸ão a serem mais velhas e entre os países,
umavez quenaItália(classificac¸ãomédia:408,17)há um
escoremaiselevadodeautoeficáciaemcomparac¸ãocomo
Brasil(classificac¸ãomédia:330,78). NaEspanha,as
meni-nas(classificac¸ãomédia:363,24)apresentaramescoresde
ECFPCsimilaresaosdosmeninos(373,24).
Algumaslimitac¸ões podemterafetado a generalizac¸ão
desses achados.O modelo transversaldeste estudoexclui
afirmac¸ões sobre causalidade e direc¸ão com relac¸ão às
variáveis de interesse. A capacidade física percebida é
apenas um dos muitos fatores que influenciam a
obesi-dade.Outrosaspectospsicossociaiscorrelatosdaatividade
físicapoderiamserestudadosem pesquisasfuturas,como
autoconfianc¸aeautoestima,afimdeesclarecerosfatores
que podem promover comportamentos saudáveis.
Clara-mente, aidade e o sexopodemser considerados,porque
influenciam essas variáveis. A diferenc¸a no tamanho da
amostraentreospaísesdeveserlevadaem considerac¸ão,
porémessepodeserconsideradoumpontofortedeste
tra-balho: a autoeficácia física nas crianc¸as foi avaliada com
o mesmo questionário no Brasil, na Itália e na Espanha.
Ademais,consideramos o mesmo critériointernacionalde
classificac¸ão de IMC em cada amostra e observamos uma
distribuic¸ãodeIMC semelhantenostrês países.Programas
educacionais28comfocoemdesenvolverhabilidadesfísicas
poderiamconsideraraassociac¸ãoentreaautoeficáciafísica
eoIMC29,30epoderiamserummeiodemelhorara
autoima-gemdascrianc¸asobesas,principalmenteduranteainfância.
Paraconcluir,nossosresultadosreforc¸amaimportância
doaspectopsicológicodaobesidade,umavezquea
autoe-ficáciafísicapercebidaeoíndicedemassacorporalforam
negativamenteassociadosemumaamostradecrianc¸asem
idadeescolarparameninosemeninas.Alémdisso,aidade
eanacionalidadetambémforampreditoresdebaixa
auto-eficácia física apenas para meninas, considerando que a
autoeficáciafísica menor foirelacionada aser maisvelha
easmeninasbrasileirasapresentaramomenorescore.
Financiamento
Este estudo foi parcialmente financiado pela Fondazione delMontediBolognaeRavenna(Bolonha,Itália),Protocolo número726BIS/2010,epeloFundodeIncentivoàPesquisa (Fipe),HospitaldeClínicasdePortoAlegre(HCPA,Brasil).
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
Agradecimentos
EsteestudofoifinanciadopeloFundodeIncentivoàPesquisa (Fipe),HospitaldeClínicasdePortoAlegre(HCPA,Brasil). ACeRMLreceberamumabolsadaagênciagovernamental brasileira Coordenac¸ão de Aperfeic¸oamento de Pessoalde Nível Superior (Capes). MPLHrecebeu umabolsa do Con-selhoNacionaldeDesenvolvimentoCientíficoeTecnológico (CNPq).
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