• Nenhum resultado encontrado

J. Pediatr. (Rio J.) vol.93 número1

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "J. Pediatr. (Rio J.) vol.93 número1"

Copied!
6
0
0

Texto

(1)

www.jped.com.br

ARTIGO

ORIGINAL

Physical

self-efficacy

is

associated

to

body

mass

index

in

schoolchildren

,

夽夽

Alicia

Carissimi

a,b,∗

,

Ana

Adan

c,d

,

Lorenzo

Tonetti

e

,

Marco

Fabbri

f

,

Maria

Paz

Hidalgo

a,b,g

,

Rosa

Levandovski

a,b

,

Vincenzo

Natale

e

e

Monica

Martoni

h

aUniversidadeFederaldoRioGrandedoSul(UFRGS),HospitaldeClínicasdePortoAlegre(HCPA),LaboratóriodeCronobiologiae

Sono,PortoAlegre,RS,Brasil

bUniversidadeFederaldoRioGrandedoSul(UFRGS),ProgramadePós-Graduac¸ãoemPsiquiatriaeCiênciasdoComportamento,

PortoAlegre,RS,Brasil

cUniversitatdeBarcelona,FacultaddePsicología,DepartamentodePsiquiatríayPsicobiologíaClínica,Barcelona,Espanha dUniversitatdeBarcelona,InstitutdeRecercaenCervell,CognicióiConducta(IR3C),Barcelona,Espanha

eUniversitàdiBologna,DipartimentodiPsicologia,Bolonha,Itália

fSecondaUniversitàdegliStudidiNapoli,DipartimentodiPsicologia,Caserta,Itália

gUniversidadeFederaldoRioGrandedoSul(UFRGS),FaculdadedeMedicina,DepartamentodePsiquiatriaeMedicinaLegal,

PortoAlegre,RS,Brasil

hUniversitàdiBologna,DipartimentodiMedicinaSpecialistica,DiagnosticaeSperimentale,Bolonha,Itália

Recebidoem9deoutubrode2015;aceitoem6deabrilde2016

KEYWORDS

Obesity; Overweight; Childhood;

Physicalself-efficacy; PerceivedPhysical AbilityScale forChildren

Abstract

Objective: The present study aimed to investigate the relationship between physical

self--efficacyandbodymassindexinalargesampleofschoolchildren.

Methods: ThePerceivedPhysicalAbilityScaleforChildrenwasadministeredto1560children

(50.4%boys;8---12years)fromthreedifferentcountries.Weightandheightwerealsorecorded

toobtainthebodymassindex.

Results: Inagreementwiththeliterature,theboysreportedgreaterperceivedphysical

self--efficacythangirls.Moreover,thenumberofboyswhoareobeseisdoublethatofgirls,while

thenumberofboyswhoareunderweightishalfthatfound ingirls.Inthelinearregression

model,theincrease inbodymassindexwas negativelyrelatedtothephysicalself-efficacy

score,differentlyforboysandgirls.Furthermore,ageandnationalityalsowerepredictorsof

lowphysicalself-efficacyonlyforgirls.

DOIserefereaoartigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.04.011

Comocitaresteartigo:CarissimiA,AdanA,TonettiL,FabbriM,HidalgoMP,LevandovskiR,etal.Physicalself-efficacyisassociatedto

bodymassindexinschoolchildren.JPediatr(RioJ).2017;93:64---9.

夽夽EstudofeitonaUniversidadedeBolonha,Bolonha,Itália;noHospitaldeClínicasdePortoAlegre(HCPA),UniversidadeFederaldoRio

GrandedoSul(UFRGS),PortoAlegre,RS,Brasil;enaUniversidadedeBarcelona,Barcelona,Espanha.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](A.Carissimi).

(2)

Conclusion: Theresultsofthisstudyreinforcetheimportanceofpsychologicalaspectof

obe-sity,astheperceivedphysicalself-efficacyandbodymassindexwerenegativelyassociatedin

asampleofschoolchildrenforboysandgirls.

©2016SociedadeBrasileiradePediatria.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisanopen

accessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/

4.0/).

PALAVRAS-CHAVE

Obesidade; Sobrepeso; Infância;

Autoeficáciafísica; EscaladeCapacidade FísicaPercebida paraCrianc¸as

Autoeficáciafísicaassociadaaoíndicedemassacorporalemcrianc¸asemidade escolar

Resumo

Objetivo: Investigararelac¸ãoentreaautoeficáciafísicaeoíndicedemassacorporalemuma

grandeamostradecrianc¸asemidadeescolar.

Métodos: A Escala de Capacidade Física Percebida para Crianc¸as foi administrada a 1.560

crianc¸as(50,4%meninos;8-12anos)detrêspaísesdiferentes.Opesoeaalturatambémforam

registradosparaobteroíndicedemassacorporal.

Resultados: Deacordocomaliteratura,osmeninosrelatarammaiorautoeficáciafísica

perce-bidadoqueasmeninas.Alémdisso,onúmerodemeninosobesoséodobrododemeninas,

ao passoqueonúmerodemeninosabaixodopesoémetadedodemeninas. Nomodelode

regressão linear,o aumentono índice de massacorporal foi negativamente relacionadoao

escoredeautoeficáciafísica,diferentementeemmeninosemeninas.Alémdisso,aidadeea

nacionalidadetambémforampreditorasdeautoeficáciafísicabaixaapenasparameninas.

Conclusão: Osresultadosdesteestudoreforc¸amaimportânciadoaspectopsicológicoda

obe-sidade, uma vez que a autoeficácia física percebida e o índice de massa corporal foram

negativamente associados em uma amostra de crianc¸as em idade escolar para meninos e

meninas.

©2016SociedadeBrasileiradePediatria.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigo

OpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.

0/).

Introduc

¸ão

Os benefícios à saúde da atividade física regular para crianc¸as são bem conhecidos.1 Para ter melhor

enten-dimento do comportamento de atividade física nas

crianc¸as, tem havido um foco cada vez maior para

determinar a relac¸ão entre a atividade física e os

cor-relatos psicossociais.2,3 A autoeficácia, definida como

as convicc¸ões das pessoas sobre sua capacidade ou

habilidade de fazer determinada ac¸ão necessária para

atingir resultados em uma situac¸ão específica,4 é uma

variável considerada associada à atividade física em

adolescentes, que pode ser um importante mediador

para proporcionar uma participac¸ão mais efetiva nessas

atividades.5---7

Um estudo recente com 281 crianc¸as (116 meninos e

165meninas)mostrouqueaquelasquetêmelevados

esco-resdeautoeficáciafísicaparticiparamdesignificativamente

mais atividades físicas em comparac¸ão com seus

corres-pondentes com baixo escore de autoeficácia física.8 As

meninas são, de maneira geral, menos ativas e relatam

menorcapacidadefísicapercebida,maiorgorduracorporal

percebidaemaiorinsatisfac¸ãocomocorpodoquemeninos

no ambiente escolar.1,2,6,9,10 Assim, a competência

perce-bidaparaatividadefísicapareceestarrelacionadaaosexo,

devidoaofatodequemeninossãomaisativosfisicamente

e percebem maior forc¸a e competência esportiva doque

meninas.6,11,12

Além do sexo, a idade é um fator que pode

influen-ciar a autoeficácia física, mais evidentemente durante a

adolescência,6,7 uma vez que a autoeficácia física tende

areduzir com o aumento daidade biológica. Outro fator

relacionado à autoeficácia é o índice de massa corporal

(IMC), um índice de peso por altura usado para

classi-ficar sobrepeso e obesidade. Mudanc¸as nas capacidades

físicaspercebidas9,10,13,14sãoinfluenciadaspeloexcessode

peso,relacionado aumabaixapercepc¸ão decompetência

emotivac¸ãoparapraticaratividadefísica,oqueafetando

aparticipac¸ãonaatividadefísicaeaaparênciafísica.15 De

fato,umIMC maiselevadofoi associado aníveis menores

deautoeficácia paraatividade física,aautoeficácia física

ea alimentac¸ãosaudável forampreditivasdasituac¸ãodo

peso.16 Defato,crianc¸asmaisvelhaseaquelascommaior

IMCpraticammenosatividadefísica.12Combasenessas

evi-dências, esperávamos descobrir uma relac¸ão significativa

entreaautoeficáciafísicaeoIMC.

Conformedemonstradonaliteratura,osexoestá

relaci-onadoaoIMCemeninostendematerumIMCmaiselevado.

Assim,esperávamosdescobriresseefeito.Portanto,

explo-ramos a relac¸ão entre a autoeficácia física e o IMC em

uma grande amostra de crianc¸as em idade escolar, com

controleparavariáveisdeconfusãoquepodeminfluenciar

a autoeficácia física, como idade, sexo e nacionalidade.

Selecionamostrêspaísesemquehápreocupac¸ãocoma

pre-valênciacadavezmaiordesobrepesoeobesidade,Itália,17

(3)

Métodos

Amostra

Este foium estudo transversalcom 1.560 crianc¸as (50,4% dosexomasculino).A amostraincluiu1.110 participantes italianos (10,01±0,65 anos), 280 participantes brasilei-ros (10,52±1,27 anos) e 170 participantes espanhóis (10,54±1,02 anos). Os estudantes foram inscritos entre janeiroeoutubrode2013apenasseospaistivessem assi-nadooformuláriodeconsentimentoinformado.

Medidaseprocedimento

Este estudo apresenta dados de um projeto transcultural quepretende investigarfatores relacionadosao ganhode energia e aos hábitos alimentares, considera a influência da ritmicidade do comportamento de um ponto de vista cronobiológico.Duranteoanoletivo,osestudantes foram convidadosaresponderaumconjuntodequestionários des-tinado a compilar dados sobre o horário de ingestão de alimentos, hábitos de sono e atividade física. Durante o horárioescolar,doismembrosdogrupodepesquisa admi-nistraramquestionáriosnapresenc¸adoprofessor.Aequipe foiàsescolas emumhorário pré-determinadoeosalunos preencheramosquestionários em cercade30 minutos.O comitê de ética das universidades envolvidas no projeto aprovouesteestudo.

Nestetrabalho,nosconcentramosnosdadosde autoefi-cáciafísicaaferidospormeiodaEscaladeCapacidadeFísica Percebida para Crianc¸as (ECFPC)20 com relac¸ão a idade,

sexo,nacionalidadeeIMC.Osparticipantespreencherama

ECFPC,que consiste em 6 itens: 1) corrida, que variade

1 (‘‘Corro muito devagar’’) a 4 (‘‘Corro muito rápido’’);

2) exercício, que varia de 1 (‘‘Consigo praticar apenas

exercíciosmuitofáceis’’)a4(‘‘Consigopraticarexercícios

muitodifíceis’’);3)músculos,quevariade1(‘‘Meus

mús-culossão muito fracos’’) a 4 (‘‘Meus músculos sãomuito

fortes’’);4) movimentac¸ão, quevaria de1

(‘‘Movimento--me bem devagar’’) a 4 (‘‘Movimento-me bem rápido’’);

5)certeza,quevariade1(‘‘Sinto-memuitoinseguroquando

me movimento’’) a 4 (‘‘Sinto-me muito seguro quando

me movimento’’); 6)cansac¸o, que variade 1 (‘‘Sinto-me

muitocansadoquandomemovimento’’)a4(‘‘Nãomesinto

nemumpoucocansadoquandomemovimento’’).Oescore

totaldo testepodevariar de6 a 24 e escoresaltos

indi-cam maior autoeficácia física percebida. A ECFPC avalia

aspercepc¸ões das capacidades físicas das pessoas, como

forc¸a, velocidade e capacidades de coordenac¸ão.20

Estu-dosconfirmaram aECFPCcomo medida confiávele válida

daautoeficáciafísicanascrianc¸as.9,10,20Aretrotraduc¸ãofoi

feita para se usar a ECFPC no português brasileiro e em

espanhol.

As medic¸ões de peso e estatura foram registradas no

mesmodiaemqueascrianc¸aspreencheramoquestionário,

comumabalanc¸aportátileumestadiômetroportátilpara

obtero IMC,ouseja,opeso emKg divididopelaestatura

emm2.As crianc¸asforammedidasdescalc¸asesem

agasa-lhosemumasalaseparada.OIMCparaaidadefoicalculado

deacordocomosexoeascrianc¸asforamdivididasem

qua-trocategorias,deacordocomaclassificac¸ãointernacional

deColeetal.:pesonormal,abaixodopeso,21acimadopeso

eobesas.22

Análiseestatísticas

Fizemos o teste de Kolmogorov-Smirnov para idade, IMC e autoeficácia eos resultadosmostraramque asvariáveis nãoapresentamdistribuic¸ãonormal(valordep<0,05).Para compararcadaumadasvariáveisconsideradas(idade,IMC, autoeficáciaenacionalidade)entremeninosemeninas fize-mosotesteUdeMann-Whitneynasamostrasindependentes. Paracompararascategoriasdepeso(abaixodopeso,peso normal,acimadopesoeobeso),nacionalidade(Brasil, Itá-lia e Espanha)e sexo,usamos o testequi-quadrado. Para analisarasdiferenc¸asdoIMCcomrelac¸ãoànacionalidade (Brasil, Itália e Espanha) separada por sexo e para com-parar ascategorias depeso eo escoretotalde ECFPCfoi feitootesteHdeKruskal-Wallis. Otamanhodoefeitofoi calculadopelotesteUdeMann-WhitneyepelotesteHde Kruskal-Wallis.23

Porfim,foifeitaumaregressãolinearparaavaliar,

sepa-radamenteporsexo,comooaumentodoIMC,aidade ea

nacionalidadepodemestarrelacionadosaoescoretotalde

autoeficácia físicapercebida como métodoEnter.O SPSS

(SPSSInc.2009.EstatísticaparaWindows,Versão18.0,EUA)

foiusadoemtodasasanálisesestatísticas(SPSSChicago,IL).

Arelevânciaestatísticafoiestabelecidaemp<0,05.

Resultados

Osdadosdescritivossobreaamostraestãoapresentadosna

tabela 1. O IMC mediano foi significativamente maiorem

meninosemcomparac¸ãocommeninas(p=0,043;tamanho

doefeito=0,059).Afrequênciademagreza eramaiorem

meninas(3,4%)doque emmeninos(1,5%).Umpercentual

maiordemeninosestavaacimadopeso(12,3%)oueram

obe-sos(5,1%)maisdoquedemeninas(12,2%;2,8%),(p<0,001).

Osmeninos (ECFPC19; 18-21) relataram maior

autoeficá-ciafísicapercebidadoque asmeninas(ECFPC18;17-19);

(p<0,001;tamanhodoefeito=0,339).

O fator IMC não apresentou diferenc¸a entre os países

(Brasil, Itália, Espanha) quando analisado de forma

sepa-radaporsexonacomparac¸ãodotesteHdeKruskal-Wallis.

O escore total de ECFPC teve diferenc¸a estatisticamente

significativanascategoriasdepeso(p<0,001;tamanhodo

efeito=0,003),comclassificac¸ãodoescoredeautoeficácia

médiode724,53paracrianc¸asabaixodopeso,826,43para

ascompesonormal,702,28paraasacimadopesoe639,22

paraasobesas;edenacionalidade(p<0,001;tamanhodo

efeito=0,003),comclassificac¸ãodoescoredeautoeficácia

médiode687,55paraoBrasil,812,89paraaItáliae722,11

paraaEspanha.

Osresultadosdomodeloderegressãolinear(tabela2),

com controle para variáveis de confusão como idade,

IMC e nacionalidade separadas por sexo, demonstraram

que o escore de ECFPC menor estava significativamente

relacionado a maiorIMC em meninos(␤=-0,15; p<0,001;

R2 Ajustado=0,044; F=12,98; p<0,001); em meninas, o

escore de ECFPC menor estava relacionado a maior IMC

(␤=-0,06; p=0,012), maior idade (␤=-0,29; p=0,001) e

(4)

Tabela1 Estatísticasdescritivasdeidade,situac¸ãodopeso,escoredeautoeficáciafísicapercebidaenacionalidade

Meninos(n=787) Meninas(n=773) Total(n=1.560) Valordep

Idadedacrianc¸aa 10(9,8-10,8) 10(9,6-11) 10(9,8-10,9) 0,77

IMCa 18,5(16,7-21,4) 18,3(16,4-20,6) 18,4(16,6-21) 0,043c

ECFPCa 19(18-21) 18(17-19) 18(17-20) <0,001c

Gruposporpeso,n(%)b <0,001c

Abaixodopeso 24(3,0) 53(6,9) 77(4,9)

Pesonormal 492(62,6) 486(62,9) 978(62,7)

Acimadopeso 192(24,4) 190(24,6) 382(24,5)

Obeso 79(10,0) 44(5,7) 123(7,9)

Nacionalidade,n(&)b <0,001c

Brasil 122(15,5) 158(20,4) 280(17,9)

Itália 587(74,6) 523(67,7) 1110(71,2)

Espanha 78(9,9) 92(11,9) 170(10,9)

ECFPC,EscaladeCapacidadeFísicaPercebidaparaCrianc¸as;IMC,índicedemassacorporal. Dadosapresentadoscomomediana(25-75◦percentil)oun(%).

a TesteUdeMann-Whitney. b Testequi-quadrado.

c Diferenc¸asestatisticamentesignificativas(p<0,05).

o menor escore (␤=-0,24; p=0,043; R2 Ajustado=0,032; F=9,53;p<0,001).

Discussão

Esteestudoapresentourelac¸ãosignificativaentrea capaci-dadefísicapercebidaeoIMCemumaamostradecrianc¸as em idade escolar. Essa relac¸ão mostrou-se diferente de formaestatisticamentesignificativaparameninosemeninas eparaanacionalidadenaanálisederegressãolinear.

Apercepc¸ãodashabilidadesfísicastendeasermaiorem meninosdoqueemmeninas.1,2,10,18Meninosemeninascom

IMC maior tendem a ter autopercepc¸ão de eficácia física

maisbaixa.24,25Faircloughetal.11demonstraramque

meni-noscomvaloresdeIMCmenoresestavammaispropensosa

seenvolverematividadefísicaduranteasemana.Emnosso

estudo, osmeninos apresentaram maiorECFPC doque as

meninas e as categorias de peso apresentaram escores

totaisdeECFPCdiferentes.Aautoeficáciafísicabaixapode

ser ativada pelo excesso de peso, o que contribui para

um aumento da preocupac¸ão com a autopercepc¸ão das

capacidadesfísicas.

Dascrianc¸asavaliadasnesteestudo,aprevalênciaéde

24%dascrianc¸ascomexcessodepesoe8%comobesidade

(tabela1);essaestatísticaésemelhanteaosdados

encon-tradosna literatura18,26 e essepercentual difere entreos

sexos.OsresultadosdeIMCnãoapresentamdiferenc¸aentre

ostrêspaísesconsiderados;contudo,éimportantedestacar

queaprevalênciade sobrepesoe obesidadeéalta nesses

países.AamostrafoicoletadanosuldoBrasil,entre

descen-dentesdeitalianosealemães, culturalmentesemelhantes

aospaíseseuropeus,comoItáliaeEspanha.Issosugereque

assemelhanc¸as no IMC sãomais biológicas do que

socio-culturais.Além disso,aautoeficáciafísicapodesermenos

afetada em uma sociedade em que o aumento do IMC é

normal.

No modelo de regressão linear, tanto para meninos

quanto para meninas, o aumento no IMC foi relacionado

Tabela2 Modelo deregressãolineardoescoretotaldeautoeficáciafísicapercebida, separadoporsexo,idade,índicede

massacorporalenacionalidade

Variáveis BMultivariado(Erropadrão) Beta tmultivariado Valordep

Meninos

R2Ajustado=0,044

Idade −0,19(0,11) −0,060 −1,668 0,096

IMC −0,15(0,03) −0,202 −5,768 <0,001a

Nacionalidade −0,10(0,14) −0,024 −0,678 0,498

Meninas

R2Ajustado=0,032

Idade −0,29(0,09) −0,119 −3,218 0,001b

IMC −0,06(0,03) −0,090 −2,518 0,012b

Nacionalidade −0,24(0,12) −0,074 −2,031 0,043b

(5)

aumareduc¸ão noescore deautoeficácia físicapercebida (tabela 2). Nossa explicac¸ão para o aumento no IMC e

a reduc¸ão noescore de autoeficácia física é que alguém

classificado como acima do peso ou obeso pode ter uma

autopercepc¸ão de obesidade que o faz se sentir incapaz

depraticar atividadefísica. Portanto,umacrianc¸a

classi-ficadacomoobesaevitaparticipardeatividadefísicapara

nãoserjulgadacomoincapaze,assim,entraemumcírculo

vicioso. O estilo de vida fisicamente inativo é um

gati-lhoparao aumentode peso e vice-versa.27 Além disso, a

idadeeanacionalidadetambémforampreditorasde

auto-eficácia física baixa apenas para meninas. Os resultados

salientaramasdiferenc¸as na autoeficácia físicaem

meni-nas com relac¸ão a serem mais velhas e entre os países,

umavez quenaItália(classificac¸ãomédia:408,17)há um

escoremaiselevadodeautoeficáciaemcomparac¸ãocomo

Brasil(classificac¸ãomédia:330,78). NaEspanha,as

meni-nas(classificac¸ãomédia:363,24)apresentaramescoresde

ECFPCsimilaresaosdosmeninos(373,24).

Algumaslimitac¸ões podemterafetado a generalizac¸ão

desses achados.O modelo transversaldeste estudoexclui

afirmac¸ões sobre causalidade e direc¸ão com relac¸ão às

variáveis de interesse. A capacidade física percebida é

apenas um dos muitos fatores que influenciam a

obesi-dade.Outrosaspectospsicossociaiscorrelatosdaatividade

físicapoderiamserestudadosem pesquisasfuturas,como

autoconfianc¸aeautoestima,afimdeesclarecerosfatores

que podem promover comportamentos saudáveis.

Clara-mente, aidade e o sexopodemser considerados,porque

influenciam essas variáveis. A diferenc¸a no tamanho da

amostraentreospaísesdeveserlevadaem considerac¸ão,

porémessepodeserconsideradoumpontofortedeste

tra-balho: a autoeficácia física nas crianc¸as foi avaliada com

o mesmo questionário no Brasil, na Itália e na Espanha.

Ademais,consideramos o mesmo critériointernacionalde

classificac¸ão de IMC em cada amostra e observamos uma

distribuic¸ãodeIMC semelhantenostrês países.Programas

educacionais28comfocoemdesenvolverhabilidadesfísicas

poderiamconsideraraassociac¸ãoentreaautoeficáciafísica

eoIMC29,30epoderiamserummeiodemelhorara

autoima-gemdascrianc¸asobesas,principalmenteduranteainfância.

Paraconcluir,nossosresultadosreforc¸amaimportância

doaspectopsicológicodaobesidade,umavezquea

autoe-ficáciafísicapercebidaeoíndicedemassacorporalforam

negativamenteassociadosemumaamostradecrianc¸asem

idadeescolarparameninosemeninas.Alémdisso,aidade

eanacionalidadetambémforampreditoresdebaixa

auto-eficácia física apenas para meninas, considerando que a

autoeficáciafísica menor foirelacionada aser maisvelha

easmeninasbrasileirasapresentaramomenorescore.

Financiamento

Este estudo foi parcialmente financiado pela Fondazione delMontediBolognaeRavenna(Bolonha,Itália),Protocolo número726BIS/2010,epeloFundodeIncentivoàPesquisa (Fipe),HospitaldeClínicasdePortoAlegre(HCPA,Brasil).

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Agradecimentos

EsteestudofoifinanciadopeloFundodeIncentivoàPesquisa (Fipe),HospitaldeClínicasdePortoAlegre(HCPA,Brasil). ACeRMLreceberamumabolsadaagênciagovernamental brasileira Coordenac¸ão de Aperfeic¸oamento de Pessoalde Nível Superior (Capes). MPLHrecebeu umabolsa do Con-selhoNacionaldeDesenvolvimentoCientíficoeTecnológico (CNPq).

Referências

1.PurslowLR,HillC,SaxtonJ,CorderK,WardleJ.Differences inphysicalactivity and sedentarytimeinrelationto weight in8---9year oldchildren. IntJBehavNutrPhysAct. 2008;5: 67.

2.FisherA,SaxtonJ,HillC,WebberL,PurslowL,WardleJ. Psy-chosocialcorrelatesofobjectivelymeasuredphysicalactivity inchildren.EurJPublicHealth.2011;21:145---50.

3.King AC, Parkinson KN, Adamson AJ, Murray L, Besson H, ReillyJJ,et al. Correlates of objectively measured physical activityandsedentarybehaviourinEnglishchildren.EurJPublic Health.2011;21:424---31.

4.Tsang SK, Hui EK,Law BC. Self-efficacy as a positive youth development construct: a conceptual review. Sci World J. 2012;2012:452327.

5.Kitzman-UlrichH,WilsonDK,VanHornML,LawmanHG. Relati-onshipofbodymassindexandpsychosocialfactorsonphysical activityinunderservedadolescentboysandgirls.Health Psy-chol.2010;29:506---13.

6.SpenceJC,BlanchardCM,ClarkM,PlotnikoffRC,StoreyKE, McCargarL.Theroleofself-efficacyinexplaininggender dif-ferencesinphysicalactivityamongadolescents:a multilevel analysis.JPhysActHealth.2010;7:176---83.

7.deSouzaCA,RechCR,SarabiaTT,A˜nezCR,ReisRS.Self-efficacy andphysicalactivityinadolescentsinCuritiba,ParanáState, Brazil.CadSaúdePública.2013;29:2039---48.

8.Suton D, Pfeiffer KA, Feltz DL, Yee KE, Eisenmann JC, CarlsonJJ. Physical activity and self-efficacy in normal and over-fatchildren.AmJHealthBehav.2013;37:635---40. 9.Colella D, Morano M, Robazza C, Bortoli L. Body image,

perceived physical ability, and motor performance in nono-verweightandoverweightItalianchildren.PerceptMotSkills. 2009;108:209---18.

10.Morano M, Colella D, Robazza C, Bortoli L, Capranica L. Physical self-perception and motor performance in normal--weight,overweightandobesechildren.ScandJMedSciSports. 2011;21:465---73.

11.Fairclough SJ, Ridgers ND, Welk G. Correlates of children’s moderateandvigorousphysicalactivityduringweekdaysand weekends.JPhysActHealth.2012;9:129---37.

12.CrespoNC,CorderK,MarshallS,NormanGJ,PatrickK,SallisJF, etal.Anexaminationofmultilevelfactorsthatmayexplain gen-derdifferencesinchildren’sphysicalactivity.JPhysActHealth. 2013;10:982---92.

13.Morano M, Colella D, Rutigliano I, Fiore P, Pettoello-MantovaniM, Campanozzi A. Changes in actual and perceived physical abilities in clinically obese children: a 9-month multi-component intervention study. PLoS ONE. 2012;7:e50782.

14.FaircloughSJ,BoddyLM,RidgersND,StrattonG.Weightstatus associationswithphysicalactivityintensityandphysical self--perceptionsin10-to11-year-oldchildren.PediatrExercSci. 2012;24:100---12.

(6)

among high school adolescents. Eat Behav. 2016;21: 1---6.

16.Steele MM, Daratha KB, Bindler RC, Power TG. The relati-onshipbetweenself-efficacyforbehaviorsthatpromotehealthy weightandclinicalindicatorsofadiposityinasampleofearly adolescents.HealthEducBehav.2011;38:596---602.

17.LombardoFL,SpinelliA,LazzeriG,LambertiA,MazzarellaG, NardoneP,etal.Severeobesityprevalencein8-to9-year-old Italianchildren:alargepopulation-basedstudy.EurJClinNutr. 2015;69:603---8.

18.Ahrens W, Pigeot I, Pohlabeln H, De Henauw S, Lissner L, MolnárD, et al. Prevalence of overweight and obesity in European children below the age of 10. Int J Obes (Lond). 2014;38:S99---107.

19.AielloAM,MarquesdeMelloL,SouzaNunesM,SoaresdaSilvaA, NunesA.Prevalenceofobesityinchildrenandadolescentsin Brazil:ameta-analysisofcross-sectionalstudies.CurrPediatr Rev.2015;11:36---42.

20.Colella D, Morano M, Bortoli L, Robazza C. A physical self-efficacy scale for children. Soc Behav Pers. 2008;36: 841---8.

21.ColeTJ,FlegalKM,NichollsD,JacksonAA.Bodymassindexcut offstodefinethinnessinchildrenandadolescents:international survey.BMJ.2007;335:194.

22.ColeTJ,BellizziMC,FlegalKM,DietzWH.Establishinga stan-dard definition for child overweightand obesity worldwide: internationalsurvey.BMJ.2000;320:1240---3.

23.King BM,Minium EW. Statisticalreasoning inpsychology and education.4thed.NewYork:JohnWiley&Sons;2003. 24.Herman KM,Sabiston CM,Tremblay A, Paradis G. Self-rated

healthinchildrenatriskforobesity:associationsofphysical activity, sedentary behaviour, and BMI. J Phys Act Health. 2014;11:543---52.

25.HjorthMF,ChaputJP,RitzC,DalskovSM,AndersenR,AstrupA, etal.Fatnesspredictsdecreasedphysicalactivityandincreased sedentarytime, but notvice versa:support from a longitu-dinal studyin 8-to 11-year-old children.IntJ Obes(Lond). 2014;38:959---65.

26.FloresLS,GayaAR,PetersenRD,GayaA.Trendsofunderweight, overweight,andobesityinBrazilianchildrenandadolescents. JPediatr(RioJ).2013;89:456---61.

27.Pietiläinen KH, Kaprio J, Borg P, Plasqui G, Yki-Järvinen H, KujalaUM,etal.Physicalinactivityandobesity:aviciouscircle. Obesity(SilverSpring).2008;16:409---14.

28.Farias Edos S, Gonc¸alves EM, Morcillo AM, Guerra-Júnior G, AmancioOM.Effectsofprogrammedphysicalactivityonbody compositioninpost-pubertalschoolchildren.JPediatr(RioJ). 2015;91:122---9.

29.MartinA,SaundersDH,ShenkinSD,SprouleJ.Lifestyle inter-vention for improving school achievement in overweight or obesechildrenand adolescents.CochraneDatabaseSyst Rev. 2014;3:CD009728.

Imagem

Tabela 1 Estatísticas descritivas de idade, situac ¸ão do peso, escore de autoeficácia física percebida e nacionalidade

Referências

Documentos relacionados

National Research Council (US) Committee on Pesticides in the Diets of Infants and Children. Washington, DC: The National Academies Press; 1993. Agency for Toxic Substances

(admissão em UTIP --- escore 1, transplante de células tronco --- escore 3, ventilac ¸ão e inotrópico --- escore 5) e fatores de lesão (evoluc ¸ão da taxa de óbito associada

Acute kidney injury is an independent risk factor for pediatric intensive care unit mortality, longer length of stay and prolonged mechanical ventilation in critically ill children:

Resultados: Os recém-nascidos prematuros, além de apresentar menor ocorrência de movimen- tos de orientac¸ão para ambos os estímulos, em média (1,8 ± 1,1 para faces naturais e 2

Studies of the visual function of facial recognition also carried out with preterm infants, albeit at a different age than that of the present study, showed that these infants have

Além desse maior risco de estresse oxidativo, é necessá- rio levar em considerac ¸ão determinados fatores que causam variac ¸ões na ingestão de nutrientes a partir do colos- tro,

When individually analyzing the women in the control group, 33% (n = 13) showed values below 4 mg/day of ␣ - tocopherol in their colostrum before the supplementation, while 30% (n =

maior adesão (3 ◦ tercil) com aquelas com menor adesão (1 ◦ tercil) ao padrão alimentar mostrou que, no padrão ‘‘tradicional’’ (creche), houve menor ingestão de ac¸úcar