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J. Pediatr. (Rio J.) vol.93 número5

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Academic year: 2018

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www.jped.com.br

ARTIGO

ORIGINAL

Hyperuricemia

is

associated

with

low

cardiorespiratory

fitness

levels

and

excess

weight

in

schoolchildren

,

夽夽

Luiza

N.

Reis

a

,

Jane

D.P.

Renner

b

,

Cézane

P.

Reuter

c,d

,

Jorge

A.

Horta

b

,

Dulciane

N.

Paiva

e

,

Andréia

R.

de

M.

Valim

b

,

Ana

P.

Sehn

a

,

Elza

D.

de

Mello

c

e

Miria

S.

Burgos

e,∗

aUniversidadedeSantaCruzdoSul(Unisc),SantaCruzdoSul,RS,Brasil

bUniversidadedeSantaCruzdoSul(Unisc),ProgramadePós-Graduac¸ãoemPromoc¸ãodaSaúde,DepartamentodeBiologiae

Farmácia,SantaCruzdoSul,RS,Brasil

cUniversidadeFederaldoRioGrandedoSul(UFRGS),ProgramadePós-Graduac¸ãoemSaúdedaCrianc¸aedoAdolescente,Porto

Alegre,RS,Brasil

dUniversidadedeSantaCruzdoSul(Unisc),DepartamentodeEducac¸ãoFísicaeSaúde,SantaCruzdoSul,RS,Brasil eUniversidadedeSantaCruzdoSul(Unisc),ProgramadePós-Graduac¸ãoemPromoc¸ãodaSaúde,DepartamentodeEducac¸ão

FísicaeSaúde,SantaCruzdoSul,RS,Brasil

Recebidoem25deagostode2016;aceitoem29denovembrode2016

KEYWORDS

Hyperuricemia; Physicalfitness; Overweight; Child; Adolescent

Abstract

Objective: Toevaluatethepossibleassociationbetweenhyperuricemiaandcardiorespiratory

fitnesslevels/nutritionalprofile,groupedintoasinglevariable,inschoolchildren.

Method: Cross-sectional study of 2335 students from Elementary schools,aged 7---17 years

of both genders, stratified by conglomerates of a municipality in Southern Brazil. Body massindex(BMI) was calculatedand cardiorespiratoryfitness(CRF)was assessed bythe 6-minuterun/walktest.TheBMIandCRFweregroupedintoasinglevariable,considering:(1) lowandnormalweight/fit; (2)low andnormalweight/unfit;(3)overweight-obesity/fit; (4) overweight-obesity/unfit. The Poisson regression (prevalence ratio, PR) was used for the association between hyperuricemia and BMI/CRF ratio with 95% confidence intervals and differenceswereconsideredsignificantwhenp<0.05.

DOIserefereaoartigo:

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2016.11.011

Comocitaresteartigo:ReisLN, RennerJD, Reuter CP,HortaJA,PaivaDN, ValimAR, et al.Hyperuricemiais associatedwithlow

cardiorespiratoryfitnesslevelsandexcessweightinschoolchildren.JPediatr(RioJ).2017;93:538---43.

夽夽EstudovinculadoàUniversidadedeSantaCruzdoSul(Unisc),SantaCruzdoSul,RS,Brasil.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](M.S.Burgos).

(2)

Results: Thereisanassociation,althoughsubtle,betweenthepresenceofhyperuricemiawith lowlevelsofCRFandthepresenceofexcessweight,whengroupedintoasinglevariable.Boys andgirlswiththisconditionhavehigherprevalenceofhyperuricemia(PR:1.07;p=0.007for boys;PR:1.10;p<0.001forgirls).

Conclusion: Together,excessweightandlowlevelsofcardiorespiratoryfitnessareassociated

withthepresenceofhyperuricemiainschoolchildren.

©2017SociedadeBrasileiradePediatria.PublishedbyElsevierEditoraLtda.Thisisanopen accessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/ 4.0/).

PALAVRAS-CHAVE

Hiperuricemia; Aptidãofísica; Excessodepeso; Crianc¸a;

Adolescente

Hiperuricemiaestáassociadacombaixosníveisdeaptidãocardiorrespiratória eexcessodepesoemescolares

Resumo

Objetivo: Avaliarapossívelrelac¸ãoentrehiperuricemiacomaptidãocardiorrespiratóriaeo

estadonutricional,agrupados,emescolares.

Método: Estudotransversalcom2.335escolaresdaeducac¸ãobásicade7a17anos,deambos

os sexos, estratificadosporconglomerados deum munícipio dosuldo Brasil.Foi calculado o índice de massa corporal (IMC) e a aptidão cardiorrespiratória (APCR) foi avaliada pelo teste decorrida/caminhada de6minutos. OIMC eaAPCRforamagrupados emuma única variável,considerando:1)baixopeso-normal/apto;2)baixopeso-normal/inapto;3) sobrepeso--obesidade/apto;4)sobrepeso-obesidade/inapto.AregressãodePoisson(razãodeprevalência; RP) foiusada para associac¸ão entrehiperuricemiae arelac¸ãoAPCR/IMC comintervalosde confianc¸ade95%ediferenc¸assignificativasconsideradasparap<0,05.

Resultados: Observa-seassociac¸ão,emborasutil,entreapresenc¸adehiperuricemiacombaixos

níveisdeAPCReapresenc¸adeexcessodepeso,deformaagrupada.Meninosemeninas,com essacondic¸ão,têmmaiorprevalênciadehiperuricemia(RP:1,07;p=0,007;RP:1,10;p<0,001, respectivamente),emcomparac¸ãocomseusparescombonsníveisdeAPCReestadonutricional adequado.

Conclusão: Deformaconjunta,oexcessodepesoeosbaixosníveisdeaptidão

cardiorrespira-tóriaestãoassociadoscomapresenc¸adehiperuricemiaemescolares.

©2017SociedadeBrasileiradePediatria.PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigo OpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4. 0/).

Introduc

¸ão

Aaptidãocardiorrespiratória(APCR)éumfortepreditorde mortalidadeemadultos.Seusníveis,naadolescência,têm relac¸ãocomAPCRnafaseadulta.1Alémdisso,aincidência

debaixosníveis deAPCR em crianc¸as eadolescentes tem aumentado.2

Atualmente,aAPCRtemsidoassociadacomapresenc¸a desíndromemetabólicaemescolares.3Sabe-sequebaixos

níveisdeAPCRnainfânciasãopreditoresderisco metabó-lico.Portanto,manterosníveisadequadosdeAPCR,desde cedo, é fundamental para a reduc¸ão dapresenc¸a de sín-dromemetabólicanafaseadulta.4

Os baixos níveis de APCR têm sido associados com os parâmetrosclássicosdesíndromemetabólicaemescolares.5

Outros marcadores de risco metabólico, nãotradicionais, têmsidoassociadoscombaixosníveisdeAPCR,comooácido úrico,issodemonstraquecrianc¸aseadolescentesquetêm baixosníveisdeAPCRapresentamníveismaiselevadosdesse marcador.6

Porém, a literatura é escassa quanto à relac¸ão entre hiperuricemia, níveis de APCR e a presenc¸a de sobre-peso/obesidadeemcrianc¸aseadolescentes,emespecialno

Brasil.Aidentificac¸ãodeummarcadornãotradicional,como oácidoúrico,associadoaosbaixosníveisdeAPCReexcesso depeso,nainfânciaeadolescência,poderáauxiliar pedia-trasnodiagnósticoprecoce,bemcomodemaisprofissionais daáreadasaúde,emespecialosprofissionaisdeeducac¸ão física e nutric¸ão, na elaborac¸ão de intervenc¸ões, com o intuitodepreveniraocorrênciaderiscometabóliconafase adulta.Alémdisso,opresenteestudotrazumanova abor-dagem,umavez queavalia,de formaconjunta, osníveis deAPCR e o IMC dos escolares.Diante dessalacuna e da importânciadotema,justifica-seesteestudo,oqual obje-tivou avaliar possível relac¸ão entre hiperuricemiacom os níveisdeaptidãocardiorrespiratóriaeoestadonutricional, combinados,emescolares.

Método

(3)

ensinofundamentalemédio,19estaduais,29municipaise quatroparticulares,comumapopulac¸ãode20.380 escola-res.Essesdadosforamobtidosjuntoaosórgãosoficiaisdo governodomunicípio.

Esteestudofazpartedeumapesquisamaisampla deno-minada ‘‘Saúde dos Escolares --- Fase III’’, aprovada pelo ComitêdeÉticaePesquisa(CEP)daUniversidadedeSanta CruzdoSul(Unisc)sobCAAEn◦:31576714.6.0000.5343,em respeitoàResoluc¸ão466/12doConselhoNacionaldeSaúde. Todasasavaliac¸õesforamfeitasnasdependênciasda uni-versidade,porprofissionais capacitadosparacada func¸ão. Participaramdoestudoapenasescolarescomtermode con-sentimentolivre e esclarecido (TCLE) assinado pelos pais ou responsáveis e termo de assentimento assinado pelos escolarescom12anosoumais,bemcomoaquelesquenão tivessemrestric¸õesparacoletadesangue.

Para o cálculo do tamanho amostral, usou-se o pro-gramaG*Power3.1(Heinrich-Heine-UniversitätDüsseldorf, Alemanha), considerou-se a regressão de Poisson como testeestatístico (presenc¸aversus ausência de hiperurice-mia como variável dependente). Considerou-se umpoder deteste(1---␤)=0,95, nível designificânciade ␣ =0,05 e umtamanhodeefeitode0,30,conformeindicadoporFaul et al.7 Dessa forma, estimou-se uma amostra mínima de

655escolares.

Participaram do estudo 25 escolas da rede pública e privada, tanto da zona rural quanto urbana. As escolas avaliadasforamselecionadasporsorteio,respeitou-sea pro-porcionalidadededensidadepopulacionaldeescolares,de acordocomaregiãodomunicípio(centro,norte,sul,leste e oeste) e zona (urbana e rural). Após, foram obtidas as listasdealunos dasescolasselecionadas, foramsorteados os alunos para envio do termo de consentimento livre e esclarecido.

Foramincluídosnoestudoescolaresdevidamente matri-culadosnasescolassorteadas,deambosossexos,entre7e 17anosequeretornaramcomotermodeconsentimentoe assentimentodevidamenteassinados(2.502escolares). Des-ses,foramexcluídos167,devidoàincapacidadedecoleta sanguínea e feitura do teste de APCR, ou por remoc¸ão dedadosdiscrepantes (outliers)dobanco dedados,após verificac¸ãonaanáliseexploratória.

O IMC foi calculado pela fórmula IMC = peso/altura2

(kg/m2).Para avaliac¸ão dopeso e daestatura,os

escola-res foramavaliados descalc¸ose com roupasleves. O IMC foiclassificadoconformeascurvasdepercentisporidadee sexo.8Osvaloresobtidosforamreclassificadosemduas

cate-gorias:baixopeso-normalesobrepeso-obesidade.AAPCRfoi avaliadapelotestedecorrida/caminhadadeseisminutos. Osescolaresforamorientados,previamente,ausarcalc¸ado adequado e roupa leve parao teste. Osresultados foram obtidosemmetrospercorridos peloescolareclassificados deacordocomastabelasdoProjetoEsporteBrasil (PROESP--BR),parasexoeidade,em zonasaudável(bonsníveisde APCR;apto)ezonaderisco(baixosníveisdeAPCR;inapto).9

A variável estado nutricional/APCR foi categori-zada por meio dos dados de IMC e APCR, obtidos separadamente. Os resultados foram classificados em quatro categorias: 1) baixo peso-normal/apto; 2) baixo peso-normal/inapto; 3) sobrepeso-obesidade/apto e 4)sobrepeso-obesidade/inapto.

Oestágiomaturacionalfoiclassificadoapartirdospelos púbicos,emcincocategorias,deacordocomTanner: está-gioI(pré-puberal),estágioII (inicialdedesenvolvimento), estágio III (maturac¸ão contínua 1), estágio IV (maturac¸ão contínua2)eestágioV(maturado).10Foiaplicadaumaficha

inquéritocomfigurasemqueossujeitosassinalavamaque maisseassemelhavacomoseucorpo.

Acoleta de sangue paraa dosagem doácido úrico foi feitaapós12 horasdejejumna veiabraquial,no Labora-tóriodeBioquímicadoExercíciodaUnisc,porprofissionais capacitados (farmacêuticose técnicosemenfermagemda universidade),comrespeitoàsnormasdebiosseguranc¸a.A concentrac¸ão deácido úriconosoro decada paciente foi determinadapormétodoenzimáticofotométrico,com rea-genteconvencionalKovalenteosistemaautomatizadoMiura 200 (I.S.E., Roma, Itália). Foram considerados como nor-maisvaloresparaácidoúricoinferioresa5,5mg/dL;valores acimaforamconsideradoshiperuricemia.

OsdadosforamanalisadosnoprogramaestatísticoSPSS (IBM Corp. Released 2013. IBM SPSS Statistics para Win-dows,versão23.0.NY,EUA)v.23.0(IBM---Armonk,NY,United States). Primeiramente,foi usadoo testedeShapiro-Wilk para testar a normalidade dos dadoscontínuos. As análi-sesdescritivasforamexpressasemfrequênciaepercentual. Foi aplicado o teste de qui-quadrado para comparac¸ão das características descritivas dos escolares, por sexo. A associac¸ãoentreavariáveldesfecho(hiperuricemia),coma variávelcategorizadaestadonutricional/APCR,foitestada pormeiodaregressãodePoisson,pormeiodosvaloresde razãodeprevalência(RP)eintervalosdeconfianc¸a(IC)de 95%. Asanálises foramestratificadas porsexoe ajustadas parafaixaetáriaeestágiomaturacional.Foram considera-dassignificativasasdiferenc¸asparap<0,05.

Resultados

Foram avaliados 2.335 escolares.Quanto à relac¸ão entre o estado nutricional e APCR, 21,9% meninos e 27,3% das meninasseencontravamcomsobrepeso-obesidade/inaptos (tabela1).

Quandorelacionadaahiperuricemiacomoestado nutri-cional,separadamente,verificou-sequeescolaresdosexo masculino com sobrepeso ou obesidadetêm maior preva-lênciadehiperuricemia,quandocomparadoscomescolares combaixopesooupesonormal(RP:1,07;p<0,001).Entre asmeninas,tambémpodeser verificadaessarelac¸ão (RP: 1,06;p<0,001).JáquandorelacionadocomAPCR,meninas inaptasapresentarammaiorprevalênciaparahiperuricemia doquemeninasaptas(RP:1,06;p<0,001)(tabela2).

(4)

Tabela1 Descric¸ãodaamostra.SantaCruzdoSul,2014-2015

Masculino(n=1.033)n(%) Feminino(n=1.302)n(%) p

Faixaetária

Crianc¸a(6-9anos) 289(28,0) 342(26,3)

0,190

Adolescente(10-17anos) 744(72,0) 960(73,7)

Classificac¸ãodoIMC

Baixopeso-normal 606(58,7) 795(61,1)

0,129

Sobrepeso-obesidade 427(41,3) 507(38,9)

Classificac¸ãodaAPCR

Zonasaudável 600(58,1) 487(37,4)

<0,001

Zonaderisco 433(41,9) 815(62,6)

Estadonutricional/APCR

Baixopeso-normal/Zonasaudável 399(38,6) 335(25,7)

<0,001

Baixopeso-normal/Zonarisco 207(20,0) 460(35,3)

Sobrepeso-obesidade/Zonasaudável 201(19,5) 152(11,7) Sobrepeso-obesidade/Zonaderisco 226(21,9) 355(27,3)

Estágiomaturacional

I 262(25,4) 308(23,7)

0,018

II 244(23,6) 326(25,0)

III 189(18,3) 297(22,8)

IV 262(25,4) 272(20,9)

V 76(7,4) 99(7,6)

Ácidoúrico

Normal 844(81,7) 1192(91,6)

<0,001

Hiperuricemia 189(18,3) 110(8,4)

Cordapele

Branca 825(75,7) 1051(74,7)

Negra 105(9,6) 115(8,2)

0,430

Parda/mulata 142(13,0) 215(15,3)

Indígena 6(0,6) 10(0,7)

Amarela 12(1,1) 16(1,1)

Zonamoradia

Urbana 806(78,0) 1068(82,0)

0,009

Rural 227(22,0) 234(18,0)

APCR,aptidãocardiorrespiratória;IMC,índicedemassacorporal;testedequi-quadrado,considerandoacomparac¸ãoentreossexos.

inaptidãocardiorrespiratóriacompesonormalebonsníveis deAPCR(RP:1,10;p<0,001).

Discussão

Opresenteestudodemonstrou,emboradeformasutil,que a presenc¸a de hiperuricemiaé maisprevalente nos esco-larescomsobrepeso eobesidade,em meninosemeninas, bemcomoentreasmeninasqueapresentambaixosníveis de APCR. Além disso, em ambos ossexos, foi constatada maiorprevalênciadehiperuricemianosescolaresque apre-sentam,deformaconjunta,sobrepeso/obesidadeebaixos níveisdeAPCR.

Porém, ressalta-se que, embora essa relac¸ão seja pequena,érelevante, umavezqueaamostraécomposta por crianc¸as e adolescentes e asalterac¸ões nos níveis de ácidoúricosãoevidenciadas,deformamaisfrequente,na populac¸ãoadulta.Sabe-seque,nessesindivíduos,osníveis séricosdeácidoúricoestãoassociadoscomdiversosfatores

deriscocardiometabólicos,alémdehiperuricemiaser pre-ditivanodesenvolvimentodeobesidade.11 Emboraoácido

úrico tenha func¸ão antioxidante no ambiente extracelu-lar,eletemefeitosprejudiciais,quandoentranascélulas. Seu impactoprejudicial inclui inibic¸ão da func¸ão endote-lial,induc¸ãodaagregac¸ãodeplaquetas,inflamac¸ãocrônica sistêmica,entreoutros.12,13

Apartirdosresultadosencontrados,épossívelperceber queescolarescomexcessodepesotêmmaiorprevalência dehiperuricemia, em ambos os sexos, corrobora o que é encontradonaliteraturaatual.Leeetal.,14aoavaliar2.284

crianc¸as entre6 e 12 anos em 104 escolas de 13 cidades deTaiwan,verificaramqueahiperuricemiaestáassociada comasíndromemetabólica,principalmentecomobesidade egordura abdominal.Em pesquisa com2.614crianc¸as em idadeescolar(4-18anos),nacidadedeBogalusa-EUA,Sun etal.13examinaramaassociac¸ãoentreácidoúricoe

(5)

Tabela2 Relac¸ãoentrehiperuricemiacomAPCReIMC

Hiperuricemia RP(IC95%)

p

Meninos

Classificac¸ãodoIMC

Baixopeso-normal 1

Sobrepeso-obesidade 1,07(1,03-1,11) <0,001

Classificac¸ãodaAPCR

Zonasaudável 1

Zonaderisco 1,02(0,98-1,06) 0,385

Estadonutricional/APCR

Baixo

peso-normal/apto

1

Baixo

peso-normal/inapto

1,01(0,96-1,07) 0,553

Sobrepeso--obesidade/apto

1,08(1,03-1,14) 0,002

Sobrepeso--obesidade/inapto

1,07(1,02-1,13) 0,007

Meninas

Classificac¸ãodoIMC

Baixopeso-normal 1

Sobrepeso-obesidade 1,06(1,03-1,09) <0,001

Classificac¸ãodaAPCR

Zonasaudável 1

Zonaderisco 1,06(1,02-1,09) <0,001

Estadonutricional/APCR

Baixo

peso-normal/apto

1

Baixo

peso-normal/inapto

1,03(0,99-1,07) 0,072

Sobrepeso--obesidade/apto

1,03(0,98-1,07) 0,231

Sobrepeso--obesidade/inapto

1,10(1,06-1,14) <0,001

Análiseajustadaparaidadeeestágiomaturacional;APCR, apti-dãocardiorrespiratória;IC,intervalodeconfianc¸a;IMC,índice demassacorporal;RegressãodePoisson;RP,razãode prevalên-cia.

Umaexplicac¸ãoparaaassociac¸ãoentregorduracorporal ehiperuricemiaseriaoaumentodaproduc¸ãodecetoácidos, duranteanoite,naqueles commaisgorduracorporal,que causariaumaconcorrênciaentreosácidosparaaexcrec¸ão renal, além de poder haver predisposic¸ão genética para menorexcrec¸ãodeácidoúricoemalgunsgruposétnicos.14

Nishidaetal.explicamaassociac¸ãodoexcessodepesocom ahiperuricemia,devidoaoaumentodaproduc¸ãodeácido úricoacopladocomasíntesedetriglicerídeosediminuic¸ão daexcrec¸ãodeácidoúrico,comoresultadoda hiperinsuli-nemia,queacompanhaaobesidade.12

No presente estudo, foi possível verificar que apenas meninasqueseencontramemzonaderiscoparaAPCRtêm maiorprevalênciadehiperuricemia.Nãoforamencontradas associac¸õessignificativasnosexomasculino,oquecorrobora estudofeitocomindivíduosdetodasasidadesatendidosno ProgramadeAtenc¸ão à SaúdeCardiovascular da Universi-dadeFederal deVic¸osa,que verificaramexistirdiferenc¸as entre os sexos, quando se associam alterac¸ões no ácido

úricocombiomarcadores deriscocardiometabólico,como excessodepesoesedentarismo.15 Essasalterac¸õespodem

estarassociadasaofatodequemeninosemeninasdiferem para diversos parâmetros, como os de resistência à insu-lina, marcadores inflamatórios e produtos docatabolismo de aminoácidos.16 Além disso, meninas apresentammaior

percentualdegorduracorporal,menoresníveisdeAPCRe são menosativas,17 o quepode influenciarnos resultados

obtidos.

QuandorelacionadoAPCReoestadonutricional,a preva-lênciadehiperuricemiaémaiorquandoháexcessodepeso, combinado com baixos níveis de APCR. Esse fato ocorreu tanto parameninosquantoparameninas.Nosexo mascu-lino, foi possível verificar que escolares com excesso de pesoecombonsníveisdeAPCRtambémtêmmaior preva-lênciadehiperuricemia.Assim,excessodepesopareceter maiorcomportamentoderiscoàsaúdedoqueníveis adequa-dosdeAPCR.Apesar disso,Barnett etal.,em estudocom 1.045 crianc¸as (7-12 anos)em Nova York-EUA, associaram níveisinadequadosdeAPCRcomaobesidade,consideraram ambosfatoresderiscoparadoenc¸ascardiovasculares,além deAPCR classificada na zonaderisco na adolescência ter relac¸ãocom percentuais elevados degordura corporalna faseadulta.18NaEspanha,estudodemonstrouquecrianc¸as

com baixosníveis de APCR apresentamníveis mais eleva-dos de ácido úrico.6 Apesar disso, pouco se sabe sobre a

influênciadaaptidãofísica,poissãoescassasaspesquisas que relacionamexercíciofísico e níveisde ácidoúrico no soroemcrianc¸aseadolescentes.

Nishida et al.,12 em Nabeshima-Japão, verificaram a

influênciadaintensidade daatividade físicae do condici-onamentoaeróbicona concentrac¸ãodeácido úricoem 71 homens adultos com obesidade. A intensidade moderada de atividade física está associada com níveis mais baixos deácidoúrico.Villegasetal.19verificaramaprevalênciae

fatoresderiscodehiperuricemiaem3.978homensadultos (40-74anos)em Xangai-China.Aatividadefísicafoi inver-samente relacionadacom aprevalênciadahiperuricemia, enquanto IMC e ganho depeso foram associados positiva-mente. Williams,20 nos Estados Unidos, analisou distância

percorridaporsemana e fatoresde riscocoronarianosem 8.282corredoreshomens(15-80anos).Osdadosforam obti-dos pormeiode questionário,enquanto asconcentrac¸ões dedadosbioquímicos,entreelesoácidoúrico,foram obti-dasapartirdedadoscedidospelosmédicosdoscorredores. Entreasconclusões,podeserpercebidoquecorredoresde maiores distânciastêm níveis maisbaixos de ácido úrico, o que podeestar associado com melhor nível de aptidão cardiorrespiratória.

(6)

educac¸ãofísicaescolarcomoumamaneiradeaumentaros níveis deAPCR dascrianc¸as e adolescentes.Isso podeser alcanc¸adopormeiodapromoc¸ãonãosódaparticipac¸ãoda atividadefísica,masdafeituradeatividadesqueacarretem melhoriadaAPCR,oquetrazbenefíciostantonainfânciae naadolescênciaquantoparaavidaadulta.18

O presente estudo contribui para o conhecimento na área,visto que arelac¸ão entreníveis deácido úrico com APCReexcessodepeso,emcrianc¸aseadolescentes,ainda é pouco estabelecida, em especial no Brasil. A relac¸ão entreníveiselevados deácidoúricocom APCReo estado nutricionalpodeauxiliarprofissionaisdaáreadasaúdeno diagnóstico, tratamento e na prevenc¸ão de condic¸ões de riscometabóliconainfância.Alémdisso,oestudotrazuma novaabordagem,aoagruparasvariáveisAPCReIMC.Outro pontofortedoestudoéofatodeconterumaamostra repre-sentativadeumapopulac¸ãoquecarecedepesquisas.

Entretanto, o estudo apresenta limitac¸ões. Por ser do tipo transversal,não torna possível o estabelecimento de relac¸ões decausae efeito, é possível apenasestabelecer relac¸õesentreasvariáveis,asquaispodemserinfluenciadas porfatoresintervenientes,comooconsumoalimentardos escolareseapresenc¸adehipertensãoarterial,nãoavaliados nopresenteestudo,o quepodeinfluenciar indiretamente nos níveis de ácido úrico no soro. Sabe-se, também, que aobesidadeéumacondic¸ão multifatorial,aqualtambém podeserinfluenciadaporoutrosmarcadoresinflamatórios. OusodoIMCtambémdeveserconsiderado,umavezquenão éomelhorparâmetroparaavaliac¸ãodeobesidade.Apesar de ser útil em estudos com uma amostra representativa, como nopresente, não distinguemassa corporal magra e gorda.Sugerem-se novosestudos querelacionem a inten-sidadedos exercícios físicos com alterac¸õesnos níveis de ácidoúriconosoro,paraquepossaserpossívelexploraros efeitosbenéficosdeumestilodevidaativona hiperurice-mia.

Concluímosqueahiperuricemiaapresentourelac¸ão,de formasutil, com a presenc¸ade excesso depeso e baixos níveis de APCR, avaliados de forma conjunta. Sugere-se queamensurac¸ãodoácidoúriconainfânciapodeseruma medida de saúdepública útil paraintervenc¸ão precoce e prevenc¸ãodecomplicac¸õescardiovascularesfuturas.

Financiamento

UniversidadedeSantaCruzdoSul(Unisc).

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Referências

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Tabela 1 Descric ¸ão da amostra. Santa Cruz do Sul, 2014-2015
Tabela 2 Relac ¸ão entre hiperuricemia com APCR e IMC Hiperuricemia

Referências

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