o anglo resolve a prova da 2ª- fase da FUVEST

Texto

(1)

É trabalho pioneiro.

Prestação de serviços com tradição de confiabilidade.

Construtivo, procura colaborar com as Bancas Examinadoras em sua

tarefa de não cometer injustiças.

Didático, mais do que um simples gabarito, auxilia o estudante no

processo de aprendizagem, graças a seu formato: reprodução de cada

questão, seguida da resolução elaborada pelos professores do Anglo.

No final, um comentário sobre as disciplinas.

A 2ª- fase da Fuvest consegue, de forma prática, propor para cada

car-reira um conjunto distinto de provas. Assim, por exemplo, o candidato

a Engenharia da Escola Politécnica faz, na 2ª

fase, provas de Língua

Portuguesa (40 pontos), Matemática (40 pontos), Física (40 pontos) e

Química (40 pontos). Já aquele que pretende ingressar na Faculdade

de Direito faz somente três provas: Língua Portuguesa (80 pontos),

História (40 pontos) e Geografia (40 pontos). Por sua vez, o candidato

a Medicina tem provas de Língua Portuguesa (40 pontos), Biologia

(40 pontos), Física (40 pontos) e Química (40 pontos).

Vale lembrar que a prova de Língua Portuguesa é obrigatória para

todas as carreiras.

Para efeito de classificação final, somam-se os pontos obtidos pelo

candidato na 1ª- e na 2ª- fase.

A tabela seguinte apresenta todas as carreiras, com o número de vagas,

as provas da 2ª- fase, acompanhadas da respectiva pontuação.

o

anglo

resolve

a prova

da 2ª- fase

da FUVEST

Código: 83542106

(2)

ÁREA DE EXATAS

PROVAS DA 2ªFASE E

CÓD. CARREIRAS VAGAS RESPECTIVOS NÚMEROS

DE PONTOS

600 Ciências Biomoleculares 40 P(40), M(40), F(40) 602 Ciências da Natureza – USP – LESTE-SP 120 P(40), M(40) 603 Computação – São Carlos 100 P(40), M(40), F(40) 604 Engenharia Aeronáutica – São Carlos 40 P(40), M(40), F(40) 605 Engenharia Ambiental – São Carlos 40 P(40), M(40), F(40), Q(40) 606 Engenharia Civil – São Carlos 60 P(40), M(40), F(40) 607 Engenharia (POLI), Computação e Matemática Aplicada 870 P(40), M(40), F(40), Q(40) 608 Engenharia de Alimentos – Pirassununga 100 P(40), M(40), F(40), Q(40) 609 Engenharias — São Carlos 280 P(40), M(40), F(40) 620 Física Médica — Ribeirão Preto 40 P(40), M(40), F(40)

Física – São Paulo e São Carlos (Bacharelado), Meteorologia e

622 Geofísica, Matemática – (Bacharelado), Estatística – São Paulo, 370 P(40), M(40), F(40) Física Computacional – São Carlos

623 Geologia 50 P(40), M(40), F(40), Q(40) 624 Informática Biomédica – Ribeirão Preto 40 P(40), M(40), F(40), B(40) 625 Informática – São Carlos 40 P(40), M(40), F(40) 626 Ciências Exatas – São Carlos (Licenciatura) 50 P(40), M(40) 627 Licenciatura em Geociências e Educação Ambiental 40 P(40), F(40), Q(40), G(40) 628 Matemática e Física – São Paulo (Licenciatura) 260 P(40), M(40), F(40) 629 Matemática Aplicada – Ribeirão Preto 45 P(40), M(80), G(40) 630 Matemática – São Carlos 55 P(40), M(40), F(40) 632 Oceanografia – São Paulo 40 P(40), M(40), B(40), Q(40) 633 Química Ambiental – São Paulo 30 P(40), M(40), F(40), Q(40) 634 Química (Bacharelado) – Ribeirão Preto 60 P(80), Q(40) 635 Química (Bacharelado e Licenciatura) – São Paulo 60 P(40), M(40), F(40), Q(40) 636 Licenciatura em Química – São Paulo 30 P(40), M(40), F(40), Q(40) 637 Química (Licenciatura) – Ribeirão Preto 40 P(80), Q(40)

ÁREA DE BIOLÓGICAS

PROVAS DA 2ªFASE E

CÓD. CARREIRAS VAGAS RESPECTIVOS NÚMEROS

DE PONTOS

400 Ciências Biológicas – São Paulo 120 P(40), Q(40), B(40) 402 Ciências Biológicas – Piracicaba 30 P(40), Q(40), B(40) 403 Ciências Biológicas – Ribeirão Preto 40 P(40), Q(40), B(40) 404 Ciências da Atividade Física – USP – LESTE-SP 60 P(40), F(40), B(40), H(40) 405 Cências dos Alimentos – Piracicaba 40 P(40), B(40), Q(40) 406 Educação Física 50 P(40), F(40), B(40), A(40) 407 Enfermagem – São Paulo 80 P(40), B(40), Q(40) 408 Enfermagem – Ribeirão Preto 80 P(40), B(40), Q(40) 409 Engenharia Agronômica – Piracicaba 200 P(40), M(40), Q(40), B(40) 420 Engenharia Florestal – Piracicaba 40 P(40), M(40), Q(40), B(40) 422 Esporte 50 P(40), HE(40),B(40), Q(40) 423 Farmácia – Bioquímica – São Paulo 150 P(40), F(40), Q(40), B(40) 424 Farmácia – Bioquímica – Ribeirão Preto 80 P(40), Q(40), B(40), F(40) 425 Fisioterapia – São Paulo e Ribeirão Preto 65 P(40), F(40), Q(40), B(40) 426 Fonoaudiologia – São Paulo 25 P(80), F(40), B(40) 427 Fonoaudiologia – Bauru 40 P(40), F(40), Q(40), B(40) 428 Fonoaudiologia – Ribeirão Preto 30 P(80), F(40), B(40) 429 Gerontologia – USP – LESTE-SP 60 P(40), M(40), B(40), H(40) 430 Licenciatura em Enfermagem – Ribeirão Preto 50 P(40), B(40), H(40)

Medicina (São Paulo), Ciências Médicas 432

(Ribeirão Preto) e Santa Casa 375 P(40), F(40), Q(40), B(40) 433 Medicina Veterinária 80 P(40), F(40), Q(40), B(40) 434 Nutrição 80 P(40), F(40), Q(40), B(40) 435 Nutrição e Metabolismo – Ribeirão Preto 30 P(40), F(40), B(40), Q(40) 436 Obstetrícia – USP – LESTE-SP 60 P(40), M(40), B(40), H(40) 437 Odontologia – São Paulo 133 P(40), F(40), Q(40), B(40) 438 Odontologia – Bauru 50 P(40), F(40), Q(40), B(40) 439 Odontologia – Ribeirão Preto 80 P(40), F(40), Q(40), B(40) 440 Psicologia – São Paulo 70 P(40), M(40), B(40), H(40) 442 Psicologia – Ribeirão Preto 40 P(80), B(40), H(40) 443 Terapia Ocupacional – São Paulo e Ribeirão Preto 45 P(40), B(40), H(40) 444 Zootecnia – Pirassununga 40 P(40), M(40), Q(40), B(40)

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LEGENDA P — Português M — Matemática F — Física Q — Química B — Biologia H — História G — Geografia A — Aptidão HE — Habilidade Específica ÁREA DE HUMANAS PROVAS DA 2ªFASE E

CÓD. CARREIRAS VAGAS RESPECTIVOS NÚMEROS

DE PONTOS

200 Administração – São Paulo 210 P(40), M(40), H(40), G(40) 202 Administração – Ribeirão Preto 105 P(40), M(40, H(40), G(40) 203 Arquitetura – São Paulo 150 P(40), F(20), H(20), HE(80) 204 Arquitetura – São Carlos 30 P(80), H(40), HE(40) 205 Artes Cênicas (Bacharelado) 15 P(40), H(40), HE(80) 206 Artes Cênicas (Licenciatura) 10 P(40), H(40), HE(80) 208 Arte e Tecnologia – USP – LESTE-SP 60 P(40), H(40), F(40) 209 Atuária 50 P(40, H(40, G(40, M(40) 220 Biblioteconomia 35 P(40), H(40) 222 Ciências Contábeis – São Paulo 150 P(40), M(40), H(40), G(40) 223 Ciencias Contábeis – Ribeirão Preto 45 P(40), M(40), H(40), G(40)

224 Ciências da Informação e da Documentação 40 P(80), H(40), G(40) (Bacharelado) – Ribeirão Preto

225 Ciências Sociais 210 P(40), H(40), G(40) 226 Ciências Econômicas – Piracicaba 30 P(40), M(40), H(40), G(40) 227 Audiovisual 35 P(40), H(40), HE(80) 228 Design 40 P(40), H(20), F(20), HE(80) 229 Direito 460 P(80), H(40), G(40) 230 Economia – São Paulo 180 P(40), M(40), H(40), G(40) 232 Economia Empresarial e Controladoria – Ribeirão Preto 70 P(40), M(40, H(40), F(40) 233 Economia – Ribeirão Preto 45 P(40), M(40), H(40), G(40) 234 Editoração 15 P(40), H(40) 235 Filosofia 170 P(80), H(40), G(40) 236 Geografia 170 P(40), H(40), G(40) 237 Gestão Ambiental – USP – LESTE-SP 120 P(40), F(40), Q(40), B(40) 238 Gestão Ambiental – Piracicaba 40 P(40), B(40), H(40) 239 Gestão de Políticas Públicas – USP – LESTE-SP 120 P(40), M(40), H(40), G(40) 240 História 270 P(40), H(40), G(40) 242 Jornalismo 60 P(40), H(40), G(40) 243 Lazer e Turismo – USP – LESTE-SP 120 P(40), M(40), H(40), G(40) 244 Letras – Básico 849 P(80), H(40), G(40) 245 Marketing – USP – LESTE-SP 120 P(40), M(40), H(40), G(40) 248 Oficial da PM de São Paulo – Feminino 15 P(40) 249 Oficial da PM de São Paulo – Masculino 80 P(40) 250 Pedagogia – São Paulo 180 P(80), H(40) 252 Pedagogia – Ribeirão Preto 50 P(80), H(40), G(40) 253 Publicidade e Propaganda 50 P(40), H(40) 254 Relações Internacionais 60 P(80), H(40), G(40) 255 Relações Públicas 50 P(40), H(40) 256 Turismo 30 P(40, H(40), G(40)

Artes Plásticas 30 P(40), H(40), HE(80) Música – São Paulo 35 P(40), HE(120) Música – Ribeirão Preto 30 P(40), HE(120)

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Atribuir ao doente a culpa dos males que o afligem é procedimento tradicional na história da humanida-de. A obesidade não foge à regra.

Na Idade Média, a sociedade considerava a hanseníase um castigo de Deus para punir os ímpios. No século 19, quando proliferaram os aglomerados urbanos e a tuberculose adquiriu características epidêmicas, dizia-se que a enfermidade acometia pessoas enfraquecidas pela vida devassa que levavam. Com a epidemia de Aids, a mesma história: apenas os promíscuos adquiririam o HIV.

Coube à ciência demonstrar que são bactérias os agentes causadores de tuberculose e da hanseníase, que a Aids é transmitida por um vírus e que esses microorganismos são alheios às virtudes e fraquezas humanas: in-fectam crianças, mulheres ou homens, não para puni-los ou vê-los sofrer, mas porque pretendem crescer e mul-tiplicar-se como todos os seres vivos. Tanto se lhes dá se o organismo que lhes oferece condições de sobrevi-vência pertence à vestal ou ao pecador contumaz.

(...)

Drauzio Varella, Folha de S. Paulo, 12/11/2005.

a) Crie uma frase com a palavra “obesidade” que possa ser acrescentada ao final do 2º- parágrafo sem quebra de coerência.

b) Fazendo as adaptações necessárias e respeitando a equivalência de sentido que a expressão “Tanto se lhes dá (...)” tem no texto, proponha uma frase, substituindo o pronome lhes pelo seu referente.

a) Uma sugestão de resposta seria: Atualmente, quando a obesidade mórbida atinge índices alarmantes, atribui-se àqueles que adotam um estilo de vida sedentário e hábitos alimentares inadequados a responsa-bilidade pelo sobrepeso.

b) Tanto faz para os microorganismos se o organismo que lhes oferece condições de sobrevivência per-tence à vestal ou ao pecador contumaz.

Outras alternativas de resposta poderiam ser as seguintes:

É indiferente para os microorganismos se o organismo que lhes oferece condições de sobrevivência per-tence à vestal ou ao pecador contumaz.

Dá no mesmo para os microorganismos se o organismo que lhes oferece condições de sobrevivência per-tence à vestal ou ao pecador contumaz.

Em um piano distante, alguém estuda uma lição lenta, em notas graves. (...) Esses sons soltos, indecisos, tei-mosos e tristes, de uma lição elementar qualquer, têm uma grave monotonia. Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro; mas agora me ocorre que a vida de muita gente parece um pouco essa li-ção de piano. Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia. Começa a esboçar, com os pontos soltos de alguns sons, a curva de uma frase musical; mas logo se detém, e volta, e se perde numa incoerência monótona. Não tem ritmo nem cadência sensíveis.

Rubem Braga, O homem rouco.

a) O autor estabelece uma associação poética entre a vida de muita gente e uma lição de piano. Esclareça o sentido que ganha, no contexto dessa associação, a frase “Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia”.

b) “Deus sabe por que acordei hoje com tendência a filosofia de bairro.”

Reescreva a frase acima, substituindo a expressão sublinhada por outra de sentido equivalente.

Questão 2

Resolução Questão 1

U

U

U

P

P

P

O

OR

O

R

R

T

T

T

G

G

G

U

U

U

Ê

Ê

Ê

S

S

S

(5)

a) O sentido da frase “Nunca chega a formar a linha de uma certa melodia”, relacionado à vida de uma pessoa, pode significar que ela não constitui uma trajetória harmoniosa, um percurso progressivo, mas é su-jeita a um processo descontínuo, marcado por idas e voltas.

b) Um outro sentido equivalente ao da frase seria:

Deus sabe por que acordei hoje a fazer análises sob o ponto de vista do senso comum, a tecer conside-rações baseadas no olhar ingênuo e não na observação crítica e metódica.

O Brasil já está à beira do abismo. Mas ainda vai ser preciso um grande esforço de todo mundo pra colocarmos ele novamente lá em cima.

Millôr Fernandes.

a) Em seu sentido usual, a expressão sublinhada significa “às vésperas de uma catástrofe”. Tal significado se confirma no texto? Justifique sua resposta.

b) Sem alterar o seu sentido, reescreva o texto em um único período, iniciando com “Embora o Brasil (...)” e subs-tituindo a forma “pra” por “para que”. Faça as demais transformações que são necessárias para adequar o texto à norma escrita padrão.

a) Levando-se em conta o todo do texto, o significado usualmente dado à expressão “à beira do abismo” não se confirma. O segundo período da passagem, ao afirmar que será preciso um grande esforço coletivo para recolocar o país “lá em cima”, deixa claro que, na opinião do enunciador, o país já despencou no abismo, a catástrofe já aconteceu. Nota-se, portanto, uma interpretação irônica da expressão “à beira do abismo”. A primeira oração, entendida nos termos indicados no enunciado da questão, reproduz o discurso do senso comum, que é negado pelo segundo período, no qual o enunciador afirma sua posição crítica.

b) Embora o Brasil já esteja à beira do abismo, ainda vai ser preciso um grande esforço de todo mundo para que o coloquemos novamente lá em cima.

Crianças perguntam... Einstein responde!

O professor da 5ª- série de uma escola americana notou que seus alunos ficavam chocados ao aprender que os seres humanos são classificados no reino animal. Então sugeriu que escrevessem para grandes cientistas e inte-lectuais e pedissem a opinião deles sobre isto. Albert Einstein respondeu:

“Queridas crianças. Nós não devemos perguntar ‘O que é um animal?’, mas sim, ‘Que coisa chamamos de animal?’ Bem, chamamos de animal quando essa coisa tem certas características: alimenta-se, descende de pais semelhantes a ela, cresce sozinha e morre quando seu tempo se esgotou. É por isso que chamamos a minhoca, a galinha, o cachorro e o macaco de animais. ‘E nós, humanos?’ Pensem nisto da maneira que eu propus ante-riormente e então decidam por vocês mesmas se é uma coisa natural nós nos considerarmos animais”.

Ciência Hoje — Crianças.

a) Em sua resposta às crianças, Albert Einstein propõe a substituição da pergunta “O que é um animal?” por “Que coisa chamamos de animal?”.

Explique por que essa substituição já revela uma atitude científica.

b) Fazendo as adaptações necessárias e conservando o seu sentido original, reconstrua o último período do texto (“... Pensem nisto da maneira que eu ... animais.”), começando com

“(...) Decidam por vocês mesmas ... animais”.

Questão 4

Resolução Questão 3

Resolução 6

(6)

a) A substituição proposta por Einstein já revela uma atitude científica: ele estimula as crianças a concluí-rem o que seria um animal, fazendo uso do método científico, baseado na observação da realidade e na aplicação do raciocínio indutivo. Esse método consiste em construir um modelo geral pela observação da regularidade das características de vários indivíduos, isto é, o conjunto de seres com características comuns deve ser nomeado de uma mesma forma pela ciência. A substituição evitaria que as crianças se baseassem em pressupostos já estabelecidos para concluir o que é um animal.

b) Para chegar à resposta, o candidato deve notar que a reescritura da frase corrobora o que foi solicitado no item a, ou seja, o raciocínio científico se baseia na observação de dados da realidade e na aplicação do ra-ciocínio indutivo, que consiste em construir um modelo geral pela observação de características que se referem com regularidade a vários indivíduos. Dessa forma, eis uma possibilidade de resposta:

Decidam por vocês mesmas se é uma coisa natural nós nos considerarmos animais, ao pensarem nisto da maneira que eu propus anteriormente.

(...)

Num tempo

Página infeliz da nossa história Passagem desbotada na memória Das nossas novas gerações Dormia

A nossa pátria mãe tão distraída Sem perceber que era subtraída Em tenebrosas transações (...).

“Vai passar”, Chico Buarque e Francis Hime.

a) É correto afirmar que o verbo “dormia” tem uma conotação positiva, tendo em vista o contexto em que ele ocorre? Justifique sua resposta.

b) Identifique, nos três últimos versos, um recurso expressivo sonoro e indique o efeito de sentido que ele produz. (Não considere a rima “distraída”/“subtraída”.)

a) Não. O verbo “dormia” possui uma conotação francamente negativa, na medida em que faz referência ao fato de o Brasil (“nossa pátria mãe”) não ter capacidade de perceber criticamente as “tenebrosas transações” de uma época de autoritarismo, o que se aplica aos desmandos do regime militar pós-64. Os adjetivos “distraída” e “subtraída” e o verso “Página infeliz da nossa história” confirmam essa conotação negativa do verbo “dormia”.

b) A aliteração da consoante momentânea e explosiva /t/ — quase sempre acompanhada da vibrante simples /r/ — em “A nossa pátria mãe tão distraída / Sem perceber que era subtraída / Em tenebrosas transações” produz um efeito de sentido de intensificação, pois reforça, sonoramente, o sentido dos versos, que remetem aos regimes autoritários. Há ainda nesse recurso uma onomatopéia, que sugere um ritmo marcial, como o da marcha de uma tropa, por exemplo. Trata-se de um expediente típico da função poética da linguagem, em que o plano da expressão intensifica, por uma repetição fonética, o plano do conteúdo.

Há certas expressões significativas: “Contra fato não há argumento”. Elas querem dizer que, diante da evidên-cia do real, não cabem as argumentações em contrário, o que em princípio parece estar certo. Mas, na verdade, sig-nificam também coisas como “o que vale é a força” ou “idéia não resolve”. Assim, pregam o reconhecimento do fato consumado, a capitulação diante do que se impôs no terreno “prático”, negando o direito de discutir, de ar-gumentar para mudar a realidade. E então se tornam sinistras.

Antonio Candido, Recortes.

Questão 6

Resolução Questão 5

Resolução

(7)

Entre as “expressões significativas”, a que se refere o autor do texto, podem-se incluir certos provérbios, como, por exemplo,

Cada macaco no seu galho. Indique o sentido que esse provérbio assume,

a) se for entendido como uma afirmação aceitável, que em princípio parece estar certa. b) se for entendido como uma afirmação autoritária, que impõe um fato consumado.

a) Como afirmação aceitável, o provérbio assume o sentido positivo de que cada um deve ter direito ao seu espaço, ao seu raio de atuação, e que o convívio social harmonioso pressupõe o respeito ao lugar do outro. b) Como afirmação autoritária, o provérbio assume o sentido negativo de que não tem direitos aquele que

não pertence a dado espaço. Se no primeiro sentido cada um tem direito ao seu lugar, agora cada um deve ficar só no seu lugar. Em outros termos, nega a possibilidade de crítica a quem legitimamente poderia exercê-la.

POEMA TIRADO DE UMA NOTÍCIA DE JORNAL

João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número. Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro

Bebeu Cantou Dançou

Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

Manuel Bandeira, Libertinagem.

a) Relacione o título do poema à corrente estética da qual o texto participa.

b) O poema adota o procedimento de relatar os acontecimentos sem comentá-los ou interpretá-los diretamente. Que atitude esse procedimento pede ao leitor? Explique brevemente.

a) Uma característica do primeiro tempo do Modernismo brasileiro evidente no título é o prosaísmo: ele anuncia que o poema não tratará de um acontecimento grandioso ou sublime, mas de um fato tirado do cotidiano, muito parecido com o que se lê diariamente nos jornais. A alusão a um poema (linguagem lite-rária) feito a partir de uma notícia de jornal (linguagem não-litelite-rária) sugere ainda o desinteresse em seguir padrões clássicos de composição, a fim de favorecer a criação de uma nova linguagem artística.

b) Esse procedimento do enunciador “pede ao leitor” que adote uma postura crítica e que analise, de um pon-to de vista pessoal, os acontecimenpon-tos relatados. Tal princípio aproxima o poema de uma poética aberta, em que o leitor tenha participação na formulação de sentido.

a) Referindo-se a suas intenções ao escrever o livro Macunaíma, Mário de Andrade afirmou:

“Um dos meus interesses foi desrespeitar lendariamente a geografia e a fauna e flora geográficas”. No livro, esse “interesse” é alcançado? Justifique brevemente.

b) Sobre a personagem Macunaíma, Mário de Andrade afirmou:

“É fácil de provar que estabeleci bem dentro de todo o livro que Macunaíma é uma contradição de si mesmo”. A afirmação sublinhada se justifica? Explique sucintamente.

a) Sim. Mário de Andrade, de acordo com sua proposta de nacionalismo crítico, evita o regionalismo para conceber o Brasil de modo unitário por meio do processo de “desgeograficação”, em que são misturadas a fauna, a flora, lendas e contos populares, bem como registros típicos da linguagem de várias regiões do

Resolução Questão 8

Resolução Questão 7

Resolução 8

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país. Como exemplos: Macunaíma encontra o pássaro tuiuiú, típico do pantanal mato-grossense, no sul do país; a lendária árvore Volomã é deslocada do Amazonas para o Rio de Janeiro; Macunaíma, figura mítica da região de Roraima, migra para São Paulo, para recuperar a muiraquitã, e percorre todo o país; quando o herói sem nenhum caráter sente saudade de sua terra natal, às margens do rio Uraricoera, vale-se do vo-cábulo “querência”, que é um regionalismo gaúcho.

b) Sim. “Macunaíma é uma contradição de si mesmo”, como afirmou Mário de Andrade, pois é uma per-sonagem marcada por características opostas: é herói e anti-herói, corajoso e covarde, empreendedor e pre-guiçoso, ingênuo e malicioso, sensual e contemplativo.

Capítulo LXVIII / O Vergalho

Tais eram as reflexões que eu vinha fazendo, por aquele Valongo fora, logo depois de ver e ajustar a casa. Interrompeu-mas um ajuntamento; era um preto que vergalhava outro na praça. O outro não se atrevia a fu-gir; gemia somente estas únicas palavras: — “Não, perdão, meu senhor; meu senhor, perdão!” Mas o primeiro não fazia caso, e, a cada súplica, respondia com uma vergalhada nova.

— Toma, diabo! dizia ele; toma mais perdão, bêbado! — Meu senhor! gemia o outro.

— Cala a boca, besta! replicava o vergalho.

Parei, olhei... Justos céus! Quem havia de ser o do vergalho? Nada menos que o meu moleque Prudêncio, — o que meu pai libertara alguns anos antes. Cheguei-me; ele deteve-se logo e pediu-me a bênção; perguntei--lhe se aquele preto era escravo dele.

— É, sim, nhonhô. — Fez-te alguma cousa?

— É um vadio e um bêbado muito grande. Ainda hoje deixei ele na quitanda, enquanto eu ia lá embaixo na cidade, e ele deixou a quitanda para ir na venda beber.

— Está bom, perdoa-lhe, disse eu.

— Pois não, nhonhô. Nhonhô manda, não pede. Entra para casa, bêbado!

Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas.

a) Este trecho remete a episódio anterior, da mesma obra, no qual interagem Brás Cubas e Prudêncio, então crianças. Compare sucintamente os papéis que as personagens desempenham nesses episódios.

b) Neste trecho, a variedade lingüística utilizada pelas personagens contribui para caracterizá-las? Explique brevemente.

a) O trecho do capítulo LXVIII, correspondente à passagem da vida adulta de Brás Cubas em que ele reen-contra o ex-escravo Prudêncio, estabelece um claro paralelo com um episódio relatado no capítulo XI (“O menino é pai do homem”), ocorrido na infância do narrador. Prudêncio, escravo doméstico da família Cu-bas, fora “cavalo de todos os dias” do menino Brás, que, por brinquedo, fazia-o de montaria e, às recla-mações do moleque, que se ressentia dos golpes recebidos, respondia: “Cala a boca, besta!” O fato de Prudêncio utilizar-se da mesma expressão no trato com seu próprio escravo reforça o paralelo indicado acima. Assim, na infância, Brás Cubas exercia o papel de vergalho — o mesmo que Prudêncio assume no tre-cho referido. O ex-escravo, de sua parte, não consegue abandonar de todo a condição servil, já que se man-tém obediente às determinações do antigo amo (“Nhonhô manda, não pede”).

b) Sim. De fato, a adoção de variedades lingüísticas por parte das personagens reforça a relação que se estabelece entre elas. Dessa forma, Machado de Assis registra com sutileza a utilização da língua como instrumento de poder e dominação. Brás Cubas segue o padrão culto, evidenciado na colocação pronominal (“Fez-te alguma cousa?”, “perdoa-lhe”). Assim, patenteia-se sua condição social: homem da elite aristocrá-tica carioca do século XIX. Prudêncio, por sua vez, distancia-se desse padrão, incorrendo em transgressões à norma culta (“deixei ele”). Outro instrumento lingüístico que reafirma a distinção social entre as persona-gens é a marcação de tratamento: Brás Cubas faz do uso do imperativo (“perdoa-lhe”) uma manifestação de sua condição privilegiada, enquanto Prudêncio demonstra traços da situação servil, de que já se liber-tara, na forma como se dirige ao ex-amo (“Nhonhô”).

Resolução Questão 9

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Havia cinco anos que D. Felicidade o amava. (...) Acácio tornara-se a sua mania: admirava a sua figura e a sua gravidade, arregalava grandes olhos para a sua eloqüência, achava-o numa “linda posição”. O Conse-lheiro era a sua ambição e o seu vício! Havia sobretudo nele uma beleza, cuja contemplação demorada a estonteava como um vinho forte; era a calva. Sempre tivera o gosto perverso de certas mulheres pela calva dos homens, e aquele apetite insatisfeito inflamara-se com a idade. Quando se punha a olhar para a calva do Conselheiro, larga, redonda, polida, brilhante às luzes, uma transpiração ansiosa umedecia-lhe as costas, os olhos dardejavam-lhe, tinha uma vontade absurda, ávida de lhe deitar as mãos, palpá-la, sentir-lhe as formas, amassá-la, penetrar-se dela! Mas disfarçava, punha-se a falar alto com um sorriso parvo, abanava-se convul-sivamente, e o suor gotejava-lhe nas roscas anafadas* do pescoço. Ia para casa rezar estações, impunha-se pe-nitências de muitas coroas à Virgem; mas apenas as orações findavam, começava o temperamento a latejar. E a boa, a pobre D. Felicidade tinha agora pesadelos lascivos e as melancolias do histerismo velho.

Eça de Queirós, O primo Basílio. * anafadas = gordas

a) Qual é a escola literária cujas características mais se fazem sentir neste trecho? Justifique brevemente sua resposta.

b) Considere a seguinte afirmação:

“Em Eça de Queirós, a sátira e a caricatura tornam-se, com freqüência, cruéis e sombrias, por isso mesmo incompatíveis com o riso e o humor”.

Essa afirmação aplica-se ao trecho acima reproduzido? Justifique sucintamente sua resposta.

a) A escola literária a que evidentemente se vincula o trecho transcrito é o Naturalismo. A descrição das alte-rações fisiológicas sofridas por D. Felicidade por causa do desejo pelo Conselheiro Acácio aproxima o estilo de uma linguagem clínica. Mostra-se com minúcias, por exemplo, a sua transpiração quase patológica (“uma trans-piração ansiosa umedecia-lhe as costas” e “o suor gotejava-lhe nas roscas anafadas do pescoço”), que, associada às sugestões de mania e de histerismo, indica uma sexualidade reprimida e desesperada.

b) A afirmação não se aplica totalmente ao trecho. Embora D. Felicidade seja descrita de forma cruel pela revelação de sua intimidade mais recôndita, tal crueldade não é incompatível com o humor. O riso gerado pelo que há de caricato nessa descrição é provocado pelo uso do humor negro.

Resolução Questão 10

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INSTRUÇÃO: Os três textos acima apresentam diferentes visões de trabalho. O primeiro procura conceituar essa

atividade e prever seu futuro. O segundo trata de suas condições no mundo contemporâneo e o último, ilustrado pela famosa escultura de Michelangelo, refere-se ao trabalho de artista. Relacione esses três textos e com base nas idéias neles contidas, além de outras que julgue relevantes, redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, argumentando sobre o que leu acima e também sobre os outros pontos que você tenha considerado pertinentes.

Texto 2

Há algumas décadas, pensava-se que o progresso técnico e o aumento da capacidade de produção permitiriam que o trabalho ficasse razoavelmente fora de moda e a humanidade tivesse mais tempo para si mesma. Na verdade, o que se passa hoje é que uma parte da humanidade está se matando de tanto trabalhar, enquanto a outra parte está morrendo por falta de emprego.

M.A. Marques Texto 1

O trabalho não é uma essência atemporal do homem. Ele é uma invenção histórica e, como tal, pode ser transformado e mesmo desaparecer.

Adaptado de A.Simões

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Texto 3

O trabalho de arte é um processo. Resulta de uma vida. Em 1501, Michelangelo retorna de viagem a Florença e concentra seu trabalho artístico em um grande bloco de mármore abandonado. Quatro anos mais tarde fica pronta a escultura “David”.

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Análise da proposta

A proposta de redação baseou-se numa coletânea de três textos breves, cuja leitura vem direcionada pela própria Banca nas “instruções”. Caberia ao candidato redigir uma dissertação em prosa, num espaço máximo de 34 linhas, somando às informações oferecidas seus conhecimentos sobre o tema trabalho.

No texto 1, o trabalho é definido como uma “invenção histórica”, não como parte da essência humana. Pro-va disso seria o fato de ele ser passível de transformações, dependendo do momento histórico. O autor chega a cogitar a possibilidade de um dia o trabalho vir a desaparecer.

O texto 2 aborda um aspecto cruel do trabalho no mundo contemporâneo: contrariando as expectativas de que a tecnologia pouparia o homem da obrigação de trabalhar, proporcionando-lhe maior tempo de lazer, o que ocorreu, na realidade, foi uma distribuição desigual, em que uma parte se mata de trabalhar e a outra, por não trabalhar, passa por uma série de privações.

O texto 3 trata do trabalho artístico que, diversamente dos outros tipos, poderia desenvolver-se como um processo, com ritmo determinado pelo próprio sujeito, que nele empenharia o esforço “de uma vida”. Ilustra a idéia com o exemplo de Michelangelo, que levou quatro anos para finalizar a escultura David.

Os três textos constroem um percurso que pode ser assim resumido: no primeiro, o trabalho é considerado como um dado de cultura, que, por isso, aceita múltiplas visões; no segundo, como dever, como garantia de sobrevivência; no terceiro, como querer, como realização pessoal.

Para abordar o trabalho como dever, o candidato poderia apresentar as seguintes idéias:

• historicamente, o trabalho adquiriu um caráter punitivo: é visto como um fardo penoso (cujo grau máxi-mo seria a escravidão), do qual o homem deve se livrar;

• contraditoriamente, hoje é visto como bênção, já que estar livre dele, se significa estar livre do esforço, significa também estar privado da renda necessária à sobrevivência;

• o trabalho foi transformado de ofício em mercadoria, o que o submeteu à lógica do capital; • o trabalho como dever é criticado por muitos, principalmente porque implica alienação. Para abordar o trabalho como querer, o candidato poderia apresentar as seguintes idéias: • a arte é a atividade em que esse tipo de trabalho é mais presente;

• o trabalho é visto como um processo, e não como um ato mensurável matematicamente;

• o valor do trabalho transcende o resultado final, já que envolve a experiência anterior, direta ou indire-tamente aplicada no processo;

• o trabalho é visto como expressão da subjetividade, na busca da realização pessoal.

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Está cada ano mais instigante resolver e comentar a prova de Língua Portuguesa da FUVEST (questões 1 a 6). A maior satisfação é constatar que a Banca segue elaborando vestibulares à altura da importância da USP e de sua responsabilidade social.

As seis questões basearam-se em textos de bom nível e bom gosto, criteriosamente escolhidos para avaliar conhecimentos efetivamente indiciadores de bom desempenho em Língua Portuguesa.

Com precisão e perspicácia, a Banca soube focalizar em cada texto exatamente a manobra lingüística mais determinante para construir o sentido ou os efeitos de sentido produzidos. Com isso, ela deu uma demonstra-ção modelar de como se devem explorar os dados gramaticais e os vários recursos de linguagem para aclarar e pôr em evidência não só os sentidos inscritos no texto, mas as correlações entre os sentidos apreendidos e outros do cenário discursivo.

Nunca se deve esquecer que uma prova como esta serve de parâmetro para confirmar o acerto de um en-sino de Português mais preocupado com a dinâmica do processo de produção de sentido do que com a estática das formas isoladas.

Confirmando tendência já antiga e tradicional, as questões de Literatura primaram pela correção, proficiên-cia, honestidade e, até, por certo brilho na formulação e na escolha das tópicas críticas sobre as quais se cons-troem. Houve quatro perguntas, três das quais com textos das próprias obras e uma com texto do autor sobre sua obra. Este último caso refere-se a considerações sobre a gênese e a caracterização da personagem Macu-naíma, de Mário de Andrade. Ainda do Modernismo, houve uma questão sobre “Poema Tirado de uma Notícia de Jornal”, de Libertinagem, de Manuel Bandeira. As demais questões pertencem ao período realista em sen-tido amplo: Memórias póstumas de Brás Cubas (realismo menipeu) e O Primo Basílio, do qual se exploram certas propriedades naturalistas.

Em todos os casos, observa-se respeito pelo rigor conceitual, que unifica a diversidade da matéria, orien-tando o Ensino Médio em sua diretriz pedagógica. O que se exige, em essência, é a leitura consciente do texto literário como uma estrutura verbal cuja decodificação pressupõe um leitor preparado e consciente. Nem por isso se pode dizer que se trata de uma prova difícil; é apenas rigorosa, exigindo leitura madura das obras da lista previamente anunciada pela instituição.

As questões combinaram a necessidade do conhecimento intrínseco das obras com o conhecimento da poética a que pertencem. O primeiro caso exemplifica-se com o item a da questão 9; o segundo, com o item

a da 10. A primeira operação pressupõe capacidade de apreensão das partes em si e relação delas com o todo

da obra. A segunda exige a habilidade de perceber manifestações do conceito nos pormenores do todo. Houve ainda preocupação com aspectos estilísticos do texto artístico e com a relação da obra de arte com sua interpretação por parte do leitor. Trata-se, enfim, de prova equilibrada e bem adequada ao fim de selecionar os candidatos com melhor formação lingüística e cultural.

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Referências