Sirus viu a arrogância circundando Greyson Cole como uma capa de corpo inteiro e quis dar um soco no bastardo.
“Você fodido terno presunçoso,” ele disse, com a voz em um sussurro suave, mas mortal. Fumegava por dentro e não tinha ideia de como conseguia manter uma aparência tão quieta e calma.
“Você instala sua irmã com seu melhor amigo por uma semana em sua cabana, e acha que ela vai dar a volta e fazer o mesmo com você?” Consciência queimou nos olhos de Grey, e Sirus se atribuiu um ponto para o time da casa. “É isso aí, Kelsie é minha amiga, e ela me contou como ela e John finalmente acabaram juntos. E embora ela possa querer retribuir o favor um dia, o que diabos te faz pensar até por um segundo que eu concordaria em fazê-lo? Eu nem sequer tinha visto seu rosto antes de ontem à tarde. Talvez você saia por aí fodendo tudo que tem um cuzinho apertado e gosta de pau, mas isso não é comigo.” Sirus desceu o olhar e se demorou nas linhas finas do corpo de Grey que nenhuma quantidade de roupas de inverno podia esconder, e amaldiçoou baixinho no desperdício de uma coisa tão perfeita estar ligada a um tão grande idiota. “Eu realmente gosto de conhecer a pessoa com quem estou me enganchando, e gosto de pensar que eles
não,” seu foco voltou e se trancou direto nos olhos de Grey, “acredito que sou um
mentiroso quando estamos fazendo isso.”
Grey empurrou em Sirus, e, de repente, eles estavam de igual para igual, circulando e empurrando um ao outro no espaço. Os olhos castanhos de Grey escureceram para quase verdes, e um sorriso arrogante torceu seus lábios rígidos. “Você tá se achando, Wilder, se pensa que eu alguma vez me curvaria para você.”
Sirus bufou direto no rosto de Grey. “Você acha que me sinto insultado com essa declaração, Cole? Tudo que tenho que fazer é olhar para você para saber que nunca se espalharia aberto para ninguém.”
Deus, Sirus lutou o impulso de empurrar Grey no chão e penetrar sua bunda, só para provar o quanto o homem adoraria um foda entre eles. Seu pênis se agitou para fazer exatamente isso, mas ele o ignorou a resposta puramente física que isso era. “Não finja que sua recusa tem algo a ver comigo.”
“Não estou fingindo porra nenhuma.” Grey rosnou e empurrado, como se Sirus tivesse acabado de acusá-lo de assassinato. “Você é o único que tem água,” ele voltou atrás, abriu o spray, e acenou com o braço através da bacia, em um largo gesto sarcástico, “quando me disse ontem que não tinha.”
“Em minha casa,” Sirus falou cada palavra muito deliberadamente, “e ainda não tenho.” Empurrou seu braço para o lado e desligou a água. Um bastardo rico como Grey poderia não se importar, mas Sirus não desperdiçaria dinheiro só para provar um ponto. Cerrando as mãos em punhos apertados, arreganhou os dentes de volta para Grey. “Você quer ir dar uma cagada ou tomar um banho no meu banheiro para descobrir?” Agarrou seu braço e o arrastou para fora de sua área de trabalho em direção à cabana. “A água que corre no barracão não tem nada a ver com os tubos na cabana, então sim, eu posso ter água lá e ainda não tê-la em minha casa.”
Grey lutou contra seu aperto áspero, mas Sirus não conseguia parar de andar ou fazer sua mão soltar os músculos rígidos e tonificados que estavam tensos sob seus dedos cavados.
“Qual o próximo ataque seu do qual devo me defender, huh?” Sirus atirou as palavras por cima do ombro. “Eu saber que não tinha tirado umas férias há muito tempo? Adivinha o quê, idiota? Já te disse que sua irmã e eu somos amigos. Ela te ama tanto que só fala sobre você, e é por isso que sei. Não há nenhuma vasta conspiração para me levar para sua cabana e nem sua cama, então recupere o inferno sobre si mesmo. Você quer ficar sozinho, então fique sozinho. Ninguém dá uma merda pra isso.”
Grey arrancou o braço fora de seu aperto com uma explosão assombrosa de força, rosnando enquanto o fazia. Girou em torno de Sirus e o emperrou na parede da cabana com uma palma achatada contra seu peito. Seus dedos se enroscaram e cavaram em seu peitoral, e o rosto pareceu se tornar uma criação de linhas e ângulos rígidos, com uma frieza de musgo em seus olhos e lábios que diluíram a pouco mais que um risco. “Você não sabe nada sobre minha vida, ou por que estou sozinho.” Grey vacilou quando disse essas palavras; Sirus viu. Observou enquanto o homem escapava de dizer e se reagrupava. “Mas não se atreva a dizer que ninguém dá uma merda para mim. Kelsie se importa. John se importa. Eu tenho pessoas.” Seu peito arfava, e sua voz falhou. “Eu faço.”
Sirus olhou para o homem à sua frente, em uma concha dura puxando em todos os quatro cantos, lutando para conter quaisquer emoções voláteis que vivia dentro dele. Seu peito apertou e ele se afundou contra a parede à suas costas, cada tensão amarrada apertada se derretendo fora dele. “Ok,” disse suavemente, incerto de falar alto na presença de Grey agora. “Acredito em você. Peço desculpas. Você implicou que eu era um mentiroso e me deixou puto. Eu retaliei. Pode me chamar de um monte de nomes ruins, e alguns até serão verdade, mas não sou um mentiroso, e não vou simplesmente ficar calado quando alguém implicar que sou.”
Grey soltou seu domínio em Sirus e enfiou as mãos nos bolsos. “E talvez isso pareça apenas coincidências demais, então, juntei as peças e tirei conclusões que não eram justas.” Baforadas de nuvens rodavam na frente de seu rosto, provando o quão quente o homem estava por dentro, quando comparado com o ar frio de fora. “Mas você tem que entender que vim para minha cabana para ficar longe de tudo e de todos, e encontrei um homem seminu em minha sala. E em menos de vinte e quatro horas, descubro que ele também é gay. Eu não diria que isso não passaria pela cabeça de minha irmã, achar muito inteligente armar para mim da mesma forma que ajudei John a fazer com ela. Se você realmente a conhece, assim como diz que sim, então você sabe que é verdade.”
Sirus pensou na tatuada, de cabelos rosa e bola de fogo Kelsie, e riu. “Sim, suponho que você poderia pensar isso.”
Oscilando para trás nos saltos das botas de solado grosso, o olhar de Grey se moveu para direita, do outro lado do lago. “Junte isso com o fato de que você tinha ido esta manhã quando acordei, e não retornou nem uma vez durante todo o dia, e eu não sabia o que pensar. Então vim aqui para me desculpar por espioná-lo, só para encontrá-lo tendo água corrente, e comecei a questionar se —”
“Espere.” Sirus estendeu a mão e tocou o antebraço de Grey, chamando a atenção do homem de volta para eles. “Espionar-me?” Franziu a testa. “Do que você está falando? Eu provavelmente perdi a noção do tempo, mas eu realmente não tenho água. Eu estava — estou — voltando.”
Grey apontou na direção de sua cabana, confusão mapeando seu rosto. “Mas não há nada seu deixado em minha casa.”
“Sim, eu sei.” Sirus mordeu a bochecha, determinado a não rir. Ele de alguma forma não acreditava que Greyson Cole tivesse um senso de humor muito grande sobre si mesmo, ou que gostaria de admitir que houvesse saltado para conclusões tão erradas — tão rápido. Parecia bem mais ponderado do que isso. “Estive em sua casa por três dias já. Trouxe minhas coisas sujas para casa e as troquei por outras limpas. Meu aparelho de barbear ainda está lá.”
“Acho que não o vi.” Mudando sua posição novamente, Grey tirou as mãos dos bolsos, cruzou os braços contra o peito, e olhou Sirus direto nos olhos. “Olha, imaginei quando você me viu observando você se masturbar, e depois sumiu durante todo o dia, que eu o tinha assustado e corrido com você. Vim aqui com a intenção de me desculpar, mas então você tão casualmente sabia que eu não tirava férias há muito tempo, e tinha água no galpão, e meu plano foi à merda. Então, peço desculpas por isso também, além de puxar meu pau para fora enquanto assistia você se masturbar. Isso foi o que realmente vim aqui para dizer. Quando o ouvi esta manhã e vi que sua porta não estava totalmente fechada, eu deveria ter simplesmente ido embora.”
Sirus não estava tão certo de que desejava o mesmo. Tinha gozado dez vezes mais duro esta manhã quando percebeu que tinha uma audiência. Que Grey era sua platéia. “Perguntei-me se você admitiria que tivesse gozado me observando, ou agiria como se nunca tivesse acontecido.”
“Ei,” Grey baixou os braços e se moveu para Sirus novamente, “eu sei que sou um idiota, às vezes, mas não sou um mentiroso. Vim aqui querendo fazer meu comportamento correto, e lhe dizer que pode usar o quarto extra pelo tempo que precisar. Qualquer coisa, além disto, e não estou interessado. Você pode ter um corpo louco pra caralho,” Grey inclinou-se e inalou, mas abruptamente recuou, “mas não estou no mercado de parceiros. Nem agora. Nem nunca. Só quero deixar isso bem claro.”
Sirus conjurou a dor esmagadora que o consumiu no fim de seu relacionamento com Paul, e pensou sobre a evidência permanente tatuada em seu peito, que ele ainda trazia como resultado de sua cegueira. O tesão que ameaçava surgir justo nesse instante, desapareceu. “Então estamos na mesma página.” Porra,
por que ele não poderia ser um desses tipos de cara de apenas-uma-noite? “Isso torna tudo muito mais fácil.”
“Excelente.” Grey apertou os lábios e assentiu. “Então te verei de volta na cabana daqui há pouco.” Ele olhou para o céu enquanto começou a andar de costas em direção ao lago. “Está ficando escuro rapidamente. Parece que está vindo chuva também. Você não pode querer esperar muito mais tempo.”
Um calafrio atravessou Sirus, e ele de repente percebeu que estava do lado de fora em uma camisa de flanela desabotoada. “Não vou.” Embrulhou as duas metades do material ao redor de seu meio. “Veja você daqui a pouco.”
“Ok.” Grey parou e se voltou. Mais da metade em sombras, Sirus só conseguia ver um olho e bochecha afiada, e a extremidade traseira da linha de sua mandíbula. “Mais uma coisa,” ele acrescentou.
O que agora? “Vá em frente.”
Sua mandíbula apertou de modo visível, e quando falou, sua voz estava cheia de areia. “Você é um artista incrivelmente talentoso, e eu compraria seu trabalho para minha casa em qualquer dia da semana.” Grey olhou para baixo e deu de ombros. “Apenas querer dizer isso. Noite.”
Sirus ficou grudado no lugar, observando enquanto Grey subia de volta em seu barco e acelerava através da água. Um tremor sacudiu através dele novamente. Dessa vez, Sirus sabia que não tinha nada a ver com o frio.
* * * * *
Chuva explodia em uma folha de trovão contra a frente da cabana, carimbando uma batida implacável nas janelas e madeira. A energia tinha acabado há muito tempo. Um fogo ardente rugia na lareira, mas Sirus não conseguia sossegar. Ele sabia o porquê também. Greyson Cole.
O homem estava sentado no sofá com seu laptop na mão, uma bateria externa lhe permitia continuar trabalhando sem pausa. O fogo e uma meia-dúzia de lampiões a querosene lançava toda a sala em um brilho suave, fundindo Grey em um brilho suave, e Sirus não conseguia oprimir seu pênis nem para salvar sua vida.
Estava perto da janela, forçando-se a observar a tempestade apresentar seu show, e tentando ignorar a silhueta de Grey que ele podia ver pelo canto do olho.
Foda-se, porém, o cara era muito malditamente sexy, e Sirus não tinha estado com um homem a mais de dois anos. Tinha feito um monte de puxar em seu pau durante esse tempo, e tinha um punhado de brinquedos para quando ansiava sentir algo dentro dele. Jogar com si mesmo tinha satisfeito sua necessidade física de liberação, mas não parava seu desejar por companhia… Ou algo mais. Tinha aprendido a lidar com essa ausência, e até mesmo entendia que tinha seu lugar. Ele também sabia que tinha uma tendência a escolher homens que não se levantavam e ficavam com ele ao ar livre. Depois de sua última separação, tinha jurado que nunca mais procuraria alguém que não saía e se igualava com ele. E Sirus tinha a maldita sensação de que isso incluía Greyson Cole.
Sirus era adulto, e sabia como controlar suas necessidades e desejos físicos. Por mais atraente que Grey era, podia facilmente compartilhar uma cabana com ele e não ficar demasiado tentado. Isso é, até que Grey tinha que ir e mostrar esse deslize de vulnerabilidade hoje mais cedo e bagunçar com sua cabeça. Como Sirus poderia ter o mais absoluto desprezo por alguém tão claramente sozinho que quase o tinha atacado em sua necessidade de provar que tinha pessoas que se importavam com ele? E, além disso, parar a si mesmo e elogiar sua arte, quando ele tão claramente queria conseguir o inferno fora dele do outro lado do lago, escavando seu caminho sob a pele de Sirus e não o deixando ir.
Sua atenção se desviou para a forma de Grey novamente. Trancou seu olhar sobre a armação sólida do homem, observando-o enquanto ele se concentrava tão intensamente em qualquer projeto que tinha aberto em seu laptop. Tinha os pés chutados sobre a mesa de café, as pernas esticadas, cobertas com jeans escuro, os pés descalços. O homem parecia sexy enquanto trabalhava. Sirus esfregou um de seus próprios pés descalços contra o outro, os dedos se enrolando na curiosa intimidade de ambos, juntos, sem sapatos e meias. Fazendo-o pensar que tinha todo o direito de ir até Grey, tirar o laptop de suas mãos, e mergulhá-lo em um beijo profundo e perturbador. Sentaria em seu colo, o escarranchando, se inclinaria para perto e esfregaria a bunda contra seu pau.
Sirus provocaria o cume duro de carne até que rasgariam o jeans um do outro fora, e com um grito, Sirus se empalaria em seu pênis. Mordeu abaixo um gemido, quase podendo sentir a reivindicação direito ali onde estava.
Pare com isso, porra!
Estalando fora de sua fantasia, seu coração bateu com medo quando procurou pela conscientização em Grey. Ele continuava, desavisado, digitando em seu teclado, e Sirus escorregou de novo, imediatamente imaginando o dano que esses dedos poderiam fazer em seu cu.
Foda-se. Seu canal apertou, implorando por atenção, por um enchimento
completo. Seu olhar se derivou para a forma de Grey novamente, e ele deu um passo à frente, mesmo sabendo que esse cara era tão, tão errado para ele. Uma imagem de Paul piscou diante de seus olhos então, e o parou morto em seu caminho. O cabelo loiro e olhos azuis de Sandy pareciam olhar direto em sua alma, sufocando-o, forçando-o a reviver a última vez que tinha tomado uma chance com alguém que no fundo sabia que não era adequado para ele. Ainda assim, mesmo tendo estado lá e experimentado a separação brutal novamente, seu corpo doía por um homem e ele deu outro passo para mais perto de Grey.
Não! Esse grito de negação despertou Sirus, ressoando em sua cabeça. Ele
se virou, apressando-se para a porta. Tenho que sair desse lugar. Agora.
Sirus abriu a porta e uma rajada de vento e chuva encharcou sua frente antes de dar um passo fora. Forjou-se na exibição fria da natureza, deixando a lavagem gelada sobre ele esfriar seu interior. Seguiu até o meio dos degraus, quase rumo à liberdade, quando um aperto cruel se trancou em seu braço e o empurrou para a grade da escada.
Sirus olhou para a ira no rosto de Grey.
“O que diabos você pensa que está fazendo?” Grey parecia ter gritado, mas mal se registrou como tal acima do barulho ensurdecedor da chuva. “Nessa maldita tempestade.”
Olhando a noite escura, Sirus saudou a torrente de chuva batendo em seu rosto. Pela primeira vez no que parecia uma eternidade, ele se sentia vivo, e forçou-
se a acreditar que era por causa dos elementos agressivos e não na retenção contundente desse homem.
“Venha!” Grey apertou Sirus novamente e tentou arrastá-lo para subir os degraus. “Vamos para dentro!”
Sirus puxou de volta, cavando os pés na madeira. “Não, é só chuva. Não vai me machucar.” Ele não podia, não devia voltar para a cabana com Grey.
“Você vai ficar doente como um cão.” Chuva emplastrava o cabelo na cabeça de Grey como um capuz e se despejava por seu rosto. “Claro que pode te machucar.” Seus lábios puxaram com linhas duras, e em tudo que Sirus conseguia pensar era beijá-lo até ofegar e empurrar a língua no calor de sua boca.
Sufocando um gemido, Sirus empurrou Grey e desceu os degraus. E disse por cima dos ombros, sem ousar olhar para trás, “Se eu ficar doente, eu vou lidar com isso.” Seus pés esmagaram a lama que a estrada de terra tinha se tornado. Nenhuma barreira fria, com uma ereção dolorosa queimando em seu jeans.
“Você vai para dentro. Eu quero ficar aqui.”
Grey gritou uma maldição e se chocou com Sirus por trás, trancando os braços ao redor de seu peito e antebraços. “Você não vai correr por aí na chuva e no escuro! Pare com essa porra, caralho!” Os músculos de Grey se contorciam descontroladamente contra as costas e braços de Sirus enquanto lutava para tirá-lo do chão, surpreendendo-o com sua força. Sirus tinha a altura extra e maior volume, porém, e rasgou Grey fora de seu corpo, girando sobre ele, suas emoções chegando muito perto da superfície para esconder totalmente.
Sirus deitou os olhos no conjunto duro de seu rosto, e na maneira como seu corpo levantava com a respiração difícil. Sua camisa encharcada se agarrava ao peito, expondo o peitoral rígido e mamilos apertados e apontando com o frio. Olhou para cima e seus olhares se enfrentaram, empurrando o calor tão intenso de Sirus com isso. Um ruído áspero escapou de Grey então, e foi aí que Sirus olhou para baixo. Uma protuberância espessa se empurrava contra as calças de Grey, lhe dando distância.
Grey olhou de volta para o pênis de Sirus, e o percebeu para fora também. “Eu não quero isso,” Sirus disse, com a voz despojada.
Praguejando, eles voaram um para o outro em um beijo furioso.