&inorancia de muitos,fecõtentaua q por então a fizeífe em fegredo:pc- ra o q fe tecolhcocõelle,&cõ o pa- dre Francifco Roz na camaraem q poufaua,& fe fechou por détro com elle, & logo poftoo Arcediago de joelhos diante de hü Crucifixo , q o Arcebifpo tinha na meza, & com as mãos poftas íobrehüMiflal jurou os dez artigos q lhe tinha mandado , & fez aprofiílam da Fê,quede Goapri meyro lhe mandara, a qual acabada o ergueo o Arcebifpo cõ lagrimas q todos tres derramarão,dizedolhe, q aquella horadefejara muitas vezes cõprar cõ feu fangue fe foífe pofsi- ucl,queagardeceUe muitoaDeosa verlha concedido,Síq delia cm dian te fenãofalaffe mais nas defordés paf fadas, mas fò trataífem do reroedio da Chriftandade,& em fe ajuntar Sy nodo, pera fe nelle aueriguarem as coufas da Fé,&as mais de q osChrif tãos tinhão necefsidade. Ao dj o Ar- cediago refpondeo que logo paífaria asolas neceíTarias,& como o Arce- bifpo eftaua aduirtido dosfingimen tos palTadoslhe difle que era necella rioafsinarfe aopè da profiflam,& dos artigos,& dizer de fualetra, que aísi o jurara nas fuas mãos,tal dia, & cm tal parte, pera q em todo o tépo conftaíle a todos do cj profcfiara.Oq elle logo fezaísinandofe juntamente com elle o Arcebifpo,& o padre Frã cifeo Roz.
Aooutrodia concorrerão muitos maisCaçanares,&Chriftãos hüsq vinhão bufear o Arcebifpo, outros o Arcediago,cada qual do bando de q era:Eajuntandoos a todos o Arce- bifpo na Igreja,os fez aífentar, e lhes fez hfia larga pratica do que preten- dia d aquella Chriftandade , & dos erros, & opiniões que tinhão na Fè,
S 6 que ímportaua tratalos cm Synodò, & que todos íoubeflem o que auião de crer, & fe reformafiem muytos curtumes,que naquella Chriftanda- de auia reprouados: A o que todos refponderão, que lhes parecia bem, & era muyto acertado. O que algüs ainda nefte tempo dizião por lhes pa recer que no Synodo aueria muita contradiçam fobre as coufas,que o Arcebifpo prègauaua , & pretendia, & afsim fenâo cõduiria couíà algüa, mas Deosquecomprendeosfabedo res em fua fabedoria, & que determí naua por fua diuina mifericordia dar fim aos erros deftes pouos,ordenou as coufas de maneira que onde mui- tos cuidauãoque ouueífe contendas não ouue algüa que eftoruaífe,oque fe pretendia, & aonde lhes parecia que o Arcebifpo não concluiílè cou. fa algüa, fe concluio tudo, o que de- fejaua.
Tanto q os Chriftáos,& Caçana- rcs,que eftauão prefentes, deram confentiméto à fe fazerSynodo Dio cefano, fe começou a tratar do lugar em que fe faria , & depois de algüas alterações fobre apontarem alguns Angamalle, por fer cabeça do Bifpa- d o , coufa que o Arcebifpo receaua por entender que eftarião os da - quelle pouo maisafferrados a feus erros, afsim por lhes nam ter ainda pregado, como por ferviuenda do Arcebifpo Abraham , a cujas cou- fas eftauão muy affeyçoados, & afsi por iflo,como por fero lugar de Di- amper mais no meyo doBifpadope racom mais facilidade todos pode- ré vir a elle,& de Còchim fe poderê trazer com mais breuidade as coufas neceíTarias pera celebração doSyno- do,carregando também nifto os vaf falosdclRey deCòchim,qoe queriáo
Liuroprimeyroi fe fizefle em fuas terras,o que tambê vinha bc ao Arcebifpo,porque nellas como de Rey amigo,& dependente dos Portuguezes fe podião recear menos inquietações, fe determinou a mais votos,fe fizefle noDiamper,e foy decretado perafe começara 20. de Iulho o Domingo j .depois do Pé tecoftedãdo cncz,cmeyo aos pouos pera fe poderem auiar,8t viraelle.
C õ ifto fe defpediram olas da par te do Arcebifpo, 8c do Arcediago pe ra todas as Igrejas,ôcpouos afsinadas por ambos,per q fe mandaua a todos osfacerdotes do Bifpadovieílêpera efte effeyto ao Diampero dia apra- zado, e fe daua licêça a todas as mais peífoas q de foa võtade quizeííé vir, & como os Chriftãos de S. Thome, podo q fe jam fogeitos a diuerfos Re ys gétioSj&guardam as leys,& cuftu mes dos Reynos,à q faõ fogeitos, & vaffalos, cõ tudo todos entre fy tem cufhimes, 8c leys particulares, cj guar dam,8c nefte gouerno politico, 8c íe cular nam té outroSôr q as faça guar dar, né outra juftiça, fenam o Bifpo, & afsi fica o Prelado, nam fò acudin do as coulas Eclefiafticas, e efpiritu aes,mas ainda às téporaes,8cdejufti- ça pello qficauaefte arguméto entre os Chriftãos nam fò fendo Synodo pera as coufaserpirituaes,mastambé como cortes pera osnegociosdeto dos os pouos, pera o qual, 8c pa em nome de t o d o o p o u o fe jurarem as coufas da Fé,determinou o Arcepo q de cada pouo,ou lugar viefle qua- tro homés eleitos por todo o pouo, como procuradores cõ poderes ,pa em nome de todos darê cõfentimé- to nas coufas,q fe fizefle noSynodo, 8c podeífé requerer o q lhes parecei" fe nelle: E quê tiueífe algü negocio particular de demanda, oucõtéda,a
trouxeííe a Synodo, ga ahi fe deter- minar comoparecefle,e fofle juftiça afsifoy feyto. Antesdcfepartiro A r cebifpo de Vaipicotao veyovifitar oCaimal de Angamale, aqueelles chamãooRey preto de Angamale por auer outro,quechamãoRey brã co,8c ambos reynauão,porq he cuf- tume dosMalauaresauer emalgiias partes dous, & tres Reys de hü Rey no cõterras diftintashúsdos outros, mas todos mandão,8c todos fe con • certão entre fy, 8c todos obedecé os pouos,q pera eíles as mais das vezes he grande oprefsâo, e efte q chamão Rey preto, ou Caimal veyo bufear o Arcebifpo,8c fe quis dar por muyto íeu amigo, 8c o ajudou muyto nas coufas da Chriftandade, fendo de íy homé fero,8c temerofo, 8c tão cruel 8c juftiçofo que auia pouco q cortan do a cabeça a húque achara culpado, poz à boca, 8c lhe bebeo o fangue, 8c afsim era muyto temido dos feus. Mas com ifto nam era pezado na cõ uerfaçã dos cftranhos.Traziaveftido hüa roupa de veludo preto ,8c húa carapuça aguda do mcfmo,com húa borla enfíma : os braços mis, 8c nos buchos muitas argolas douro,nas o- relhashüas arrecadas grades quelhas dependurauão muito, & eftando fa- lando cõ o Arcebifpo, vio quecarre gauão muitos Naires a velo,8c fô cõ hum brado,que deu,deitarão a fugir todos, como fe foraapòz elles hum exercito armado. O Arcebifpo o recebeo cõ muytas moftras de ami- zade , 8c cortezia, 8c lhe offereceo hum prefente de peças depreço,que elle muito eftimou, porque he colhi me no Malauar, quem trata com eftes Reys da primeira vez em ne- gocio algum , offerecerlhe algúa coufa de prefente, pera o que vinha