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3.4 A presença do Outro

3.4.2 Exemplo de Felicidade

Em nossa pesquisa, ao visitar o blog Gordiva de Claudia Rocha, só vimos a replicação da matéria do jornal Extra, mas o que chamou a atenção foi o depoimento de uma leitora:

tenho 44 gordinha infeliz, sinto vergonha de mim, incapaz de ser amada por alguém, maioria que tenta se aproximar acha que sou pacote de bolacha, para ser comida depois jogada como tivesse vencida, por este motivo, não me envolvo com ninguém, nem mesmo saio de casa, me sinto um nada cheio de banha, fui muito humilhada por vários preconceito, as vezes me pergunto nunca encontrarei alguém que me olhe com outros olhos, prefiro ficar solteira infeliz, do que ser um objeto de desejos

Estamos diante de um depoimento que é comum na maioria das pessoas que sofrem por estar acima do peso. Durante o tempo em que analisamos os discursos das blogueiras, percebemos a infelicidade que ter um corpo gordo é capaz de trazer. O que nos traz de volta para nossa reflexão em relação ao assunto da Cintia: pode-se levantar a

hipótese de que a infelicidade com o corpo dela a levou à procura do imediatismo em busca da felicidade em relação ao corpo perfeito.

É explicito que nesse depoimento a leitora se põem em uma posição de vítima e apresenta falta de autoestima, ao se comparar com uma bolacha vencida, ter vergonha de si própria, prefere ficar “solteira e infeliz”. Apesar de uma certa dose de “coitadismo”, não devemos ignorar um depoimento deste mediante a gravidade do assunto que foi o caso da Cintia Cunha. A pessoa acuada diante de tanta marginalização devido ao seu peso chega e incorporar tantos defeitos físicos e até ver coisas que não existem nela mesma que ela fica doente emocionalmente e depois fisicamente. A sociedade aponta que não percebe e as acusa de fazer papel de vítima.

No blog “Mulherão”, fundado em março de 2009, a autora Renata Poskus Vaz narra em um de seus textos sobre “A Gorda Coitadinha”, que tudo o que acontece com uma mulher é porque ela está gorda, se perdeu o emprego é porque está gorda, se os amigos se afastaram é porque está gorda, o namorado deixou é porque está gorda.

Quanto mais eu choramingava, mais era acalentada pelos que me cercavam. E esse carinho e piedade alheia, alimentavam cada vez mais o meu complexo de vítima. Ser a gorda coitadinha tem lá suas vantagens. Mas a realidade é que ninguém aguenta gente chata por muito tempo do lado. As pessoas te consolam, te apoiam, mas paciência tem limite. E aí você se enxerga em uma encruzilhada. Ou você levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima, adotando uma postura positiva e feliz, ou vai viver isolada, sem amigos, depressiva e infeliz.

Ver a vida de forma positiva nos permite conquistar novos amigos, amores, trabalhos, experiências… Não é nossa circunferência que nos isola do mundo, mas a forma como olhamos para nós mesmas e como nos mostramos para o mundo. (POSKUS, 2014)

Neste texto, o que percebemos é que às vezes o gordo se coloca no lugar de vítima e de autoindulgência, isso pode trazer vantagens para ele, mas não necessariamente ocorre. O fato de não ter um corpo dentro do padrão de beleza social não exclui ninguém de ser feliz e de tomar atitudes em relação ao seu bem-estar social, começando com pequenas atitudes e sendo responsável pelo seu corpo. No caso de Cintia, por exemplo, ela procedeu de maneira incorreta e sua postura em relação à perda de peso rápida prejudicou sua saúde. Fazer o papel de vítima tem seus ganhos, mas tomar atitudes frente a um problema pode ser um processo lento, penoso e nada garantido de que as coisas possam melhorar.

A busca imediata pela felicidade torna-se hoje praticamente uma obrigação, conforme João Freire comenta em seu livro “Ser Feliz Hoje”. Estamos “na era da

felicidade compulsiva e compulsória” (FREIRE FILHO, 2010, p. 17) e isso se reflete na sociedade que cobra um corpo perfeito, como comenta Gilberto Velho “portanto, a ideia de felicidade desenvolve-se num quadro sociocultural em que a interação e o olhar e julgamento dos outros é fundamental” (FREIRE FILHO, 2010, p. 229).

A felicidade não está em um corpo perfeito, pois tal corpo pode até ser mais aceito pela sociedade, mas isso não implica na felicidade emocional. Mas a satisfação vem através do corpo. Conforme Joel Birman comenta em seu texto Muitas Felicidades?! O

imperativo de ser feliz na contemporaneidade: “O sujeito deve ser feliz acima de tudo”

(2010, p. 27) já que a felicidade se transformou em um imperativo dentro da nossa contemporaneidade e tal felicidade vem através do corpo, para quem a alma perdeu o lugar. A felicidade passa pelo registro do corpo, pois é ele que regula os prazeres e desprazeres psíquicos e morais.

Socialmente, a busca da felicidade vem através do corpo, mas ele precisa ser um corpo aceito pela sociedade, e o corpo aceito socialmente é um determinado tipo de corpo, com vários adjetivos como sarado, malhado, magro, fino, rígido, dentre outros, e somente este corpo lhe trará felicidade, conforme Paula Sibila: ter um “corpo perfeito” é um bem de valor contemporâneo, “como a autoestima e a felicidade, a carne humana é obstinadamente submetida a um conjunto de técnicas de modelagem corporal, que demandam enormes doses de esforço, tempo e dinheiro” (FREIRE FILHO, 2010, p. 197). Todos esses autores levantam uma crítica a essa felicidade que vem através do corpo, assim como encontramos nos discursos das blogueiras, a felicidade não está no corpo, é mais uma questão de se aceitar e buscar a autoestima independente do corpo que se tem. O mesmo discurso vemos nos blogs militantes em relação à afirmação social de um corpo e à liberdade de escolha de ter o corpo que quiser.

Existem vários fatores que interferem na presença desse imediatismo de felicidade em relação ao corpo. Como citamos anteriormente, a presença do olhar do outro, a alteridade nos relacionamentos sociais e a identificação com os discursos das blogueiras.

As blogueiras, em suas postagens, tentam sempre inserir algo sobre a autoestima, do amar-se, de sair de uma posição de vítima e aceitar-se com a intenção de que suas seguidoras busquem melhorias internas (emocionais), para depois melhorar seu corpo, respeitando sempre seus limites e buscar esta harmonia entre corpo e emocional de uma forma saudável.

As pesquisadoras da área da psicologia Teresa Freire e Dionísia Tavares comentam que a autoestima está diretamente relacionada a indivíduos felizes:

A autoestima foi identificada como uma das características mais associadas aos indivíduos mais felizes. A evidência empírica revela que essa característica individual poderá estar associada, quer a resultados negativos como a ansiedade, a depressão e a agressão, quer a indicadores de funcionamento positivo. Apesar de alguma controvérsia no estudo da autoestima, a sua definição é mais ou menos consensual. A autoestima é definida como a avaliação afetiva do valor, apreço ou importância que cada um faz de si próprio. (FREIRE; TAVARES, 2011)

Sobre isso, Freire Filho (2010) comenta que estar feliz não deixa de ser vital, pois a felicidade traz consigo subprodutos como: aumento do sistema imunológico, melhora aspectos da vida sexual, ajuda a lidar com o estresse, prolonga a expectativa de vida, dentre outros pontos positivos sobre a busca da felicidade e a psicologia positiva

não precisarmos ir muito além das verdades intuitivas do senso comum – ‘em cada parte dos conselhos de nossas bisavós existe uma semente de verdade’ (LYUBOMIRSKY, 2008, p. 73) – reverberando formulas do bem-viver ou máximas de sabedoria já compiladas por profissionais da autoajuda: ‘saboreie as alegrias da vida’; ‘aprenda a perdoar’; ‘se você sorri o mundo sorrirá para você’. (FREIRE FILHO, 2010, p. 59)

Percebemos que nas postagens das blogueiras elas buscam e mostram o tempo todo que a felicidade (ou a autoestima) depende mais de fatores internos do que externos, depende do comportamento que as leitoras têm em suas dificuldades do cotidiano. Nessa situação, o papel das blogueiras se direciona para impulsionar a autoestima de suas leitoras para que elas tomem partido de si. Em algumas postagens notamos que a mensagem a ser transmitida depende das mudanças internas da pessoa que lê, ou seja, a felicidade de cada uma só depende dela mesma, devolvendo-lhe, assim, a autonomia de seus atos, ou seja, elas são responsáveis pelo seu próprio bem-estar, como iremos exemplificar abaixo.

Na fanpage “Sou Gordinha Sim”, uma foto com a atriz americana negra e gorda Mo’Nique, ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante, foi publicada com a seguinte frase: “Eu sou digna de ser feliz! Por isso vou ser forte e lutar pela minha felicidade.”

Figura 53: Mo'Nique em Sou Gordinha Sim.

 

Nessa foto, o fato da atriz Mo’Nique ser gorda não acarretou nenhum problema para ela conseguir alcançar a felicidade, nessa frase ela buscou mostrar que um corpo fora dos padrões da mídia não impediram de a atriz ser determinada e realizar seus sonhos, tanto que conseguiu ganhar o Oscar de melhor atriz coadjuvante em 2010 com o filme

Precious. Podemos analisar que independente de quem você seja você pode lutar pela sua

felicidade. A imagem tende a transmitir para a seguidora da página que existe sim a possibilidade de ser feliz e alcançar seus objetivos.

Na fanpage “Negahamburguer”, temos um desenho com o seguinte enunciado:

“Aceitação do Corpo”, que mostra duas mulheres, uma com o semblante triste e uma

corda amarrada em volta de seu corpo prendendo os braços na altura dos seios, com os dizeres “de fora para dentro”. No mesmo quadro, a outra mulher com um semblante feliz sorrindo e com a corda na transversal e os braços soltos como se fosse um colar com os dizeres “de dentro pra fora”.

Figura 54: Negahamburguer em aceitação do corpo

 

No caso dessa imagem, a corda traz consigo um significado de estar presa aos padrões, a busca de um modelo de corpo que não é dela a frustra, pois além de não conseguir alcançar esse tipo de corpo, ela fica envergonhada e presa dentro de si mesma.

A outra mulher do desenho já aparenta lidar melhor com o corpo, tanto que a corda que representa “estar presa” já está colocada na figura transversalmente, como se fosse um adorno, um colar. Ela soube lidar com a situação e com o seu corpo, as mudanças ocorreram de dentro para fora, por isso ela não se sente obrigada a pertencer a um padrão midiático de corpo.

Na Fanpage “Grandes Mulheres”, a figura mostra a ilustração de uma mulher

gorda com uma faixa cobrindo os seios e a púbis onde se lê Fat Fabulous42 e ao lado a

seguinte frase de Demi Lovato: “se você não se ama com seus defeitos e imperfeições não pode esperar que ninguém mais ame”.

                                                                                                                           

Figura 55: Fat Fabulous - Grandes Mulheres

 

A questão da autoestima é bem clara nessa imagem e frase. A figura mostra que ser gorda não é tão ruim, é até “fabuloso”. Essa postagem pretende transmitir que mesmo com defeitos ou imperfeições a necessidade de amar-se em primeiro lugar é importante, pois se ela não se amar, ninguém irá fazer isso por ela.

Keka Demétrio postou um quadro com a seguinte frase: “Um dos maiores erros que cometemos é ficar brigando com a gente mesma. As boas relações também devem começar de dentro para fora”

Essa frase engloba não só a autoestima, mas a busca de um equilíbrio, autoconhecimento. A blogueira emite uma mensagem de que não adianta negar seu corpo, ou tentar transformá-lo em um padrão midiático, quanto mais ocorre a rejeição de si, menos as melhorias irão aparecer. Portanto, o melhor é buscar a serenidade, e a partir daí buscar melhorias, respeitando-se.

Não só nesses blogs, mas em vários outros podemos encontrar exemplos como esses. São postagens que buscam alimentar a autoestima, a cada mensagem a seguidora pode se identificar, sentir-se afetada por ela, até ser persuadida pelas palavras das blogueiras, e isto pode trazer mudanças.

logos no sentido de palavra verdadeira, palavra sensata, palavra que persuade, palavra que pode se confrontar com as outras palavras e que só vencerá graças ao peso da sua verdade e da eficiência da sua persuasão um momento em que as mudanças começam a ocorrer. (FOUCAULT, 2010, p. 98)

Podemos entender que do mesmo modo que a palavra pode abalar o sujeito, ela também pode reconstruí-lo em relação à sua autoestima. As palavras das blogueiras servem como estimulo para que a leitora tente buscar novas formas de ver a si mesma.

É valido dizer que qualquer desses sites, blogs ou fanpages voltados ao público

plus size têm a intenção de o tempo todo estimular suas leitoras a refletir sobre si mesmas,

avaliando o seu potencial, suas aptidões, trabalhando para a otimização de suas competências, procurar ser responsável por si, é sempre como uma forma de ajuda benéfica e saudável.

Os laços entre as blogueiras e seguidoras podem ocorrer em vários momentos, pode ser no impacto da narrativa exposta nas mensagens por questões emocionais, por exemplo, dentre outros. As blogueiras estimulam a autoaceitação, o autoconhecimento e ajudam a ampliar a conscientização dos mecanismos de manipulação em relação às construções midiáticas em relação ao corpo, assim as seguidoras tendem a começar a se aceitarem e se reconhecerem como mulheres bonitas e saudáveis e também a serem mais donas de si, saber de suas vontades, o que querem e o que não querem, ou seja, há a valorização de si, a potencialização da autoestima e o cuidar de si, tema amplamente discutido por Foucault que fala sobre práticas de regimes em busca de um equilíbrio do corpo e das participações em movimentos religiosos e as praticas de lazer.

Independente do biótipo de corpo, sendo gordo ou magro, alto ou baixo, a partir do momento em que você se ama e se aceita, as coisas começam a mudar para melhor.

Figura 57: Mude suas ações, não as circunstâncias. Sou Gordinha Sim

O que observamos nas redes sociais é que na verdade existe uma necessidade de ser visto e ouvido o tempo todo, podemos interpretar isso talvez por uma carência emocional, por não se ter um corpo que a sociedade acolhe. Será verdadeiro que ter um corpo midiático é sinal de felicidade? A incessante busca pela felicidade, a necessidade de ser feliz parece uma obrigação social. Estar feliz com o corpo, com a profissão, com a vida em família e com relacionamentos amorosos tornou-se socialmente um dever.

Postagens de fotos de momentos felizes, de pessoas sorridentes, de passeios alegres dão uma falsa impressão de que tudo e todos estão felizes. Uma felicidade plastificada é mostrada nas redes sociais. As blogueiras plus size, mesmo com um corpo fora do padrão midiático, demostram sempre serem bem resolvidas e felizes consigo mesmas. Contudo, isso não significa que as blogueiras nunca ficam tristes por terem um corpo fora do padrão, mas, por outro lado, demostram como lidam com essa dificuldade, sendo responsáveis por si mesmas, e não se vitimando o tempo todo pelo fato de serem gordas, já que, socialmente, o gordo não é aceito.

A inquietude da busca pela felicidade, a inquietude da busca pela beleza, a inquietude de um corpo ideal, tudo isso nos remete aos “valores contemporâneos em relação ao corpo humano” (SIBILA, 2010, p. 204) e novamente estamos presos na

disciplinarização de corpos, porém o movimento plus size aparece trazendo essa diversidade que não disciplina o corpo à submissão dos comandos sociais. O movimento

plus size nos mostra que existe a necessidade de se lutar pelo direito à diversidade de

formas corporais. Essa necessidade envolve a valoração e o respeito pelo outro, pelo singular e também o respeito pelo próprio corpo.

DISCUSSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nessa dissertação de mestrado, estudarmos os discursos dos blogs plus size e suas interações com as leitoras, percebemos o dinamismo deste tema extremamente atual, suas interações sócias e culturais com um indivíduo que possui um corpo gordo que é marginalizado há muito tempo mas que começa a emergir dentro da sociedade em busca de seu espaço. Somente após uma busca levantando vários pontos discutidos dentro dos blogs é que foi possível contribuir de alguma forma com a potencialização dos discursos das redes sociais ligadas ao corpo gordo.

Para responder nossa pergunta sobre as características desses discursos plus size em relação a autoestima, optamos por observar e analisar empiricamente os blogs plus

size, participar de eventos relacionados a este universo com a finalidade de entendermos

o fenômeno mais de perto. Optou-se por não analisar um ou outro blog especificamente, mas um caso em particular que acarretou a questionarmos sobre a hipótese levantada, ou seja, o que podemos encontrar nos discursos da valorização da autoestima e de não se permitir ser atacada por normas reguladoras de padrões que afirmam que a forma do corpo deve o não seguir um determinado padrão.

Mas antes de analisamos especificamente os blogs, buscou-se entender de o corpo na cultura e em diferentes momentos históricos, suas complexidades. Depois, esboçamos a noção de corpo vivido, falamos da predominância de discursos que defendem a importância de estar em contato com o próprio corpo, ama-lo, cuida-lo. Na revisão conceitual que fizemos, foi possível mapear as lógicas que defendem a exclusão do corpo gordo na nossa sociedade atual, como foi que isso aconteceu e porque chegamos a marginaliza-lo.

Com base na narrativa de Vigarello (2012), percebemos a ascensão e a queda do corpo gordo. Na idade média o corpo gordo era considerado robusto, vigoroso, forte, um “urso” ou “leão” nas lutas e batalhas medievais. A beleza estava no corpo gordo, ele era gracioso, envolto de uma aura de realeza, tanto que o corpo magro era considerado uma figura sem graça, tanto corpo do homem quanto o da mulher. As preocupações relacionadas com a saúde era quando o corpo emagrecia rapidamente, a pessoa magra era considerada triste e a sociedade naquela época não se importava com sua presença, o que fazia este corpo ser invisível no convívio social.

A queda da popularidade do corpo gordo começou no final do século XVIII para o século XIX com as evoluções médicas, químicas e fisiológicas em relação aos males

que o excesso de gordura poderia vir a causar, junto com a exposição maior do corpo devido aos hábitos em relação aos banhos de praias e a consequente diminuição de tecido nas roupas, acompanharam o declínio do corpo robusto para dar espaço ao corpo magro que até os dias atuais é considerado como modelo a ser seguido.

O corpo gordo começou a ser estigmatizado a partir do momento em que sua exposição fica maior até o ponto em que chegou a ser uma aberração. Considerado monstruoso, tornou-se atração de circo no século XIX e no século XX foi retirado do circo para ser um objeto de estudos médicos.

Percebemos então a inversão de lugares, o corpo que era invisível era o magro no século XIV e no século XX para o XXI o corpo gordo se torna invisível e marginalizado pela sociedade. Diante este fato foi necessário entender como este padrão de corpo magro se tornou um ideal de beleza em nossa sociedade.

Para tanto, tivemos que fazer um levantamento de como são as ocorrências dos padrões de beleza em diversas sociedades e observamos que a beleza está relacionada as questões culturais e sociais de um determinado pais, por isso ela é mutável conforme a região que investigamos.

Para continuarmos com a busca de nossa resposta é afirmamos que as construções em volta do corpo sempre estiveram presentes para ambos os sexos, mas as exigências maiores sempre foram voltadas ao corpo feminino e isto é uma questão cultural. Nas narrativas de Vigarello (2012) o corpo feminino apresenta-se voltado as questões da moda e mais preocupado em relação a sua aparência. “Cintas, faixas e espartilhos” (2012, p. 134), o corpo feminino que o autor deixa transparecer em várias passagens do livro é que ele deve ser mais “leve e esbelto” (2012, p. 137) do que o corpo masculino.

No Brasil esta investigação de seu por base de Sant’anna (2014) que nos mostrou com a antes de 1960 a beleza da mulher brasileira era submetida ao gosto masculino, o bonito era ter um corpo formato violão com as saliências bem distribuídas e a cintura fina, mas em 1960 com uma forte influência da moda a busca por um corpo magro ser torna a aspiração de uma sociedade, nem todos concordam em ter um corpo magro, mas as mídias