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Forage mass and structural traits of Marandugrass pasture submitted to a fixed or variable rest period

Vinícius Sacramento Pacheco2, Carlos Augusto de Miranda Gomide3, Albert José dos

Anjos4, Mirton José da Frota Morenz3, Domingos Sávio Campos Paciullo3, Fermino Deresz3 1Parte da dissertação do terceiro autor

2Bolsista PIBIC/CNPq da Embrapa Gado de Leite email:

[email protected]

3 Pesquisadores da Embrapa Gado de Leite – e-mail: [email protected] 4Mestre em Zootecnia pela UFVJM – email: [email protected]

Resumo: Apesar de amplamente difundido e altamente prático, o sistema de pastejo

intermitente com período de descanso baseado em dias fixos se mostrou ineficiente por negligenciar as características morfológicas e fisiológicas do pasto. O presente estudo avaliou dois critérios de manejo para o período de descanso em pastejo intermitente em capim-Marandu: um com 30 dias fixo e outro com base na interceptação de 95% da radiação incidente pelo dossel forrageiro. O período de ocupação dos piquetes foi de três dias buscando alcançar um resíduo de 25 cm em ambos os tratamentos. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso com duas repetições de área, e três repetições dentro de bloco. As variáveis analisadas ao longo dos ciclos de pastejo da estação chuvosa foram: altura do pasto, massa seca verde (MSV), percentual de lâmina foliar e de material morto. Os pastos de capim-Marandu manejados pelo critério de interceptação luminosa apresentaram menor altura em pré-pastejo (36 X 42 cm), maior no percentual de folhas, menor percentual de material morto e menor MSV por ciclo de pastejo. Contudo, a menor MSV por ciclo é compensada por mais ciclos de pastejo dentro da estação chuvosa em resposta ao menor intervalo entre pastejos (22,3 X 30 dias).

Palavras–chave: altura, ciclo de pastejo, interceptação luminosa, percentual de lâmina

foliar, período de descanso.

Abstract: Although widespread and highly practical, the intermittent grazing system based

on fixed rest period was inefficient for neglecting the morphological and physiological characteristics of the pasture. This study evaluated two management criteria for the rest period in the intermittent grazing on Marandugrass: the first fixed with 30 days and one based on 95% of light interception by the canopy. In both the occupancy period was three days and maintaining the residual height of 25 cm. The experimental design was randomized blocks with two plots and three replicates within a block. The variables analyzed over the grazing periods of the rainy season were: height of the canopy, green dry matter (GDM), percentage of leaf and dead material. The pastures grazed by the light interception criterion had lower pre-grazing height (36 X 42 cm), largest percentage of leaves, lower percentage of dead material and lower GDM per grazing cycle. However, the lower GDM per cycle is offset by more cycles grazing in the rainy season in response to lower rest period for the light interception criterion (22.3 x 30 days).

Keywords: canopy height, grazing cycle, leaf percentage, light interception, rest period.

Introdução

O sistema de pastejo intermitente tem se tornado uma prática bastante utilizada, porém, períodos de descanso com base em dias fixos se mostraram bastante ineficientes

com relação ao controle das características do pasto (PEDREIRA et al., 2007). A principal maneira de modificar tais características consiste na utilização de estratégias de manejo com base na interceptação de radiação fotossinteticamente ativa (PEDREIRA et al., 2007). A frequência de desfolha baseada em critérios que respeitam os estágios de desenvolvimento da planta permite ganhos sobre a forragem ofertada, bem como a melhora de aspectos morfológicos e consequentemente nutricionais.

O capim-Marandu é uma das principais forrageiras utilizadas nos sistemas de produção pecuários Brasil e apesar de trabalhos terem levantados informações sobre seu manejo, dados sobre seu potencial de uso em ensaios de pastejo completos são ainda escassos. Assim, o presente estudo avaliou dois critérios para definição do período de descanso sob pastejo intermitente, um conforme a interceptação de 95% da radiação fotossinteticamente ativa e outro fixo de 30 dias, e sua influencia sobre a composição morfológica e as características estruturais em pastos de capim-marandu.

Material e Métodos

O experimento foi conduzido no Campo Experimental pertencente a Embrapa Gado de Leite e localizado na Zona da Mata de Minas Gerais. As coordenadas geográficas do local são 21º33’de latitude Sul e 43º16’ de longitude Oeste, a 410 metros de altitude. O clima da região segundo Koppen é do tipo Cwa (mesotérmico), verão chuvoso e inverno seco, entre os meses de junho a setembro. O período experimental foi de 18 de outubro de 2011 a 03 de maio de 2012, em uma área de quatro hectares de Brachiaria brizantha Jacq. cv. Marandu, implantada em uma área de solo classificado como Neossolo Flúvico Distrófico (EMBRAPA, 1999).

Foram utilizadas 16 vacas Holandês x Zebu, com peso vivo médio de 495 kg Empregando-se oito animais por tratamento, sendo quatro animais por repetição. Os tratamentos consistiram de avaliações de duas estratégias de manejo do pastejo rotacionado baseado no momento da entrada dos animais nos piquetes: 1) quando o pasto atingia 95% de interceptação da radiação fotossinteticamente ativa (IRFA95) e 2) com 30 dias de descanso (fixo). O período de ocupação foi de três dias, em ambos os tratamentos almejando-se um resíduo pós-pastejo de 25 cm de altura. Durante o período experimental a pastagem foi adubada com 50 kg/ha de N e de K2O e 12,5 kg/ha de P2O5 na forma do

adubo 20-05-20 sempre que os animais saíam dos piquetes.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com duas repetições de área, e três repetições dentro de bloco. A área total do experimento foi constituída de 11 piquetes de 850 m² cada, por tratamento. No tratamento IRFA95 quando se utilizou menor número de piquetes, os demais foram manejados segundo o mesmo critério por meio de animais extras o que possibilitou o ajuste do período de descanso nos diferentes ciclos de pastejo, já que o alcance da condição de IRFA95 varia em função das condições climáticas.

Para o monitoramento da IRFA95 pelo dossel forrageiro, foi utilizado o equipamento analisador de dossel AccuPAR Model LP-80. As avaliações constituíram de leituras realizadas em 10 pontos do piquete, no momento anterior à entrada dos animais no piquete (pré-pastejo), as quais foram realizadas em todas as unidades experimentais do tratamento com PD variável conforme a IRFA95 e, no mínimo, em duas unidades experimentais do tratamento com PD fixo, por ciclo de pastejo.

A altura do dossel forrageiro foi monitorada antes da entrada dos animais no piquete (pré-pastejo) e depois de sua saída (pós-pastejo), utilizando uma régua cilíndrica, graduada em centímetros, sendo medidos 40 pontos aleatórios por piquete. Foram realizadas coletas de forragem em três pontos do piquete, representativos da condição do pasto (altura e cobertura), com o auxílio de uma moldura metálica de 0,50 x 0,50 m, ao nível do solo a fim de se obter a massa verde (MV) no pré e pós-pastejo, para cada tratamento.

Foram retiradas subamostras representativas da forragem coletada, as quais foram pré-secas em estufa de circulação forçada de ar a 55ºC por 72 horas, e posteriormente pesadas. Uma alíquota de peso conhecido e que representasse as amostras colhidas foi retirada para a determinação da massa de forragem pré e pós-pastejo, sendo esta alíquota

separada nas frações lâmina foliar, colmo (colmo+bainha) e material morto, e posteriormente, secas pelo método supracitado e em seguida pesadas. Os valores de massa de forragem de cada componente morfológico foram convertidos para kg/ha de massa seca e os mesmos expressos em percentual (%) da massa total de forragem.

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância com o PROC MIXED do SAS®, e as médias foram comparadas pelo teste LSMEANS ao nível de 5% de probabilidade.

Resultados e Discussão

Observou-se efeito de (P< 0,05) de critério para o período de descanso, ciclo de pastejo e da interação destes dois critérios para a altura do pasto em pré-pastejo (Tabela 1).

Ambos os critérios apresentaram as maiores alturas no ciclo dois e não se notou diferença entre os ciclos dois e cinco para o critério de PD fixo de 30 dias. A equidade em altura entre os dois critérios no segundo ciclo pode ser explicada pela condição climática favorável, aliada à adubação que permitiu o rápido crescimento das gramíneas manejadas sobre o critério com base IRFA95, mesmo com menor período de descanso. Já a menor altura foi encontradas no ciclo cinco do critério com base IRFA95 e no ciclo três e quatro para o critério de PD fixo, decorrentes de um veranico de 17 dias no período.

De modo geral não se observou diferenças na altura de pré-pastejo entre os critérios, exceto para o ciclo um e cinco do critério de PD baseado IRFA95. A menor altura média geral foi encontrada para o critério baseado na IRFA95 (Tabela 1). A altura do pasto neste critério mostra-se mais próxima das alturas ideais proposta por Flores et al. (2008) entre 25 e 40 cm para o menejo do capim-Marandu.

Tabela 1. Altura pré-pastejo (cm) em resposta aos critérios para período de descanso e

ciclos de pastejo.

Ciclo Período de descanso Erro padrão

IRFA 95 30 dias 1 33,8BCb 39,3Ba 1,9 2 42,0Aa 47,5Aa 3,5 3 33,2Ca 38,2Ba 1,9 4 38,4ABa 37,7Ba 2,0 5 32,1Cb 49,0Aa 1,5 Média 35,9b 42,3a 1,4

Médias seguidas da mesma, letra maiúscula na coluna e minúscula na linha, não diferem entre si pelo teste LSMEANS a 5% de probabilidade.

Houve efeito (P<0,05) da interação critério para período de descanso x ciclo de pastejo para a massa seca verde (MSV) no pré-pastejo (Tabela 8). A menor MSV foi observada no ciclo um, em ambos os critérios. Com relação à maior MSV, ela foi predominante no ciclo cinco, em ambos os critérios de PD, sendo que no critério de PD fixo o valor do ciclo cinco não diferiu do obtido no ciclo quatro.

Tabela 2. Massa seca verde (kg/ha.ciclo) no pré-pastejo em resposta aos critérios para

período de descanso e ciclos de pastejo.

Ciclo Período de descanso Erro padrão

IRFA 95 30 dias 1 3.444Ca 3.728Ca 301,6 2 4.093BCa 4.885Ba 301,6 3 3.6664Ca 4.460Ba 301,6 4 4.805Bb 6.805Aa 301,6 5 6.048Aa 6.575Aa 301,6 Média 4.411b 5.290a 197,6

Médias seguidas da mesma letra, maiúscula na coluna e minúscula na linha, não diferem entre si pelo teste LSMEANS a 5% de probabilidade.

Diferença na MSV entre os critérios de PD foi observada apenas no ciclo quatro, quando o critério de PD fixo apresentou maior MSV em relação ao critério com IRFA95. Na média, o critério com base em dias fixos (PD fixo) obteve uma maior MSV no pré- pastejo, se comparado ao critério de PD com base na IRFA95. O maior intervalo de pastejo imposto por esse critério de PD justifica essa diferença, porém, a maior MSV também é reflexo da maior produtividade de colmo encontrada nessa situação, uma vez que não houve diferença na massa seca de folhas entre os dois critérios de PD (2.537 vs. 2.784 kg/MS de folha/ha.ciclo). Além disso, o menor PD médio observado no tratamento baseado na IRFA de 95% (22,8 X 30 dias) possibilita um maior número de ciclos de pastejo, compensando o menor valor médio da MSV para o tratamento IRFA de 95% observado na Tabela 2.

A Figura 1 abaixo mostra os percentuais de lâmina foliar e material morto ao longo dos ciclos de pastejo em função dos tratamentos. Observa-se redução graduação do percentual de lâminas foliares na forragem em pré-pastejo com o suceder dos ciclos. Tal redução, entretanto é mais acentuada no manejo com PD fixo de 30 dias, passando de 54% no primeiro ciclo para 31% já no quarto ciclo. Segundo Alexandrino et al. (2005), o incremento na biomassa em resposta ao aumento no intervalo de pastejo é resultante do incremento do colmo, que faz com que a proporção de folhas reduza. Sob manejo baseado na IRFA de 95% nota-se uma redução mais suave até o quarto ciclo, se acentuando apenas no quinto ciclo, provavelmente em resposta às condições climáticas desfavoráveis. Sendo as folhas os componentes morfológicos de maior valor nutritivo (TRINDADE et al., 2007), tal critério mostra-se superior ao critério com base em PD fixo.

Figura1. Percentual de lâmina foliar (LF) e material morto (MM) na massa seca da forragem em pré- pastejo em resposta aos critérios para período de descanso e ciclo de pastejo.

O percentual de material morto (MM) por sua vez aumenta após o segundo ciclo no tratamento com PD fixo de 30 dias, enquanto que para o tratamento IRFA 95% apenas no quinto ciclo há uma elevação do percentual deste componente. A análise conjunta destes dois componentes revela a superioridade do tratamento baseado na IRFA em termos da estrutura do pasto em pré-pastejo. Neste sentido, Carnevalli et al (2006) estudando a estrutura do pasto de capim-Mombaça também observaram redução na participação de lâminas foliares na massa de forragem em pré-pastejo em resposta ao prolongamento do intervalo entre pastejo, reduzindo de 71% sob IRFA de 95% para 60% sob IRFA de 100%.

Conclusões

O manejo do pasto de capim-Marandu com período de descanso baseado na interceptação da radiação fotossinteticamente ativa de 95% propicia menor altura pré- pastejo e permite ganhos qualitativos da foragem por melhorar o percentual de lâminas foliares sem comprometimento à massa de forragem, notadamente de folhas.

Agradecimentos

Ao CNPq pela concessão da bolsa de iniciação científica, à Embrapa Gado de Leite e ao Dr. Carlos Augusto de Miranda Gomide pela oportunidade de realização do treinamento.

Literatura Citada

ALEXANDRINO, E.; GOMIDE, C.A.M.; CÂNDIDO, M.J.D. et al. Período de descanso, características estruturais do dossel e ganho de peso vivo de novilhos em pastagem de capim Mombaça sob lotação intermitente. Revista Brasileira de Zootecnia, v.34, n.6, p.2174-2184, 2005 (supl.).

CARNEVALLI, R.A., SILVA, S.C., OLIVEIRA, A.A. et al. Herbage production and grazing losses in Panicum maximum cv. Mombaça pastures under four grazing managements.

Tropical Grasslands, p. 165-176, v.40, 2006.

EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos. Brasília: EMBRAPA PRODUÇÃO DE INFORMAÇÃO/EMBRAPA SOLOS, 1999.412 p. FLORES R.S.; EUCLIDES, V.P.B.; ABRÃO, M.P.C. et al. Desempenho animal, produção de forragem e características estruturais dos capins marandu e xaraés submetidos a intensidades de pastejo. Revista Brasileira de Zootecnia, v.37, n.8, p.1355-1365, 2008. PEDREIRA, B.C.; PEDREIRA, C.G.S.; DA SILVA, S.C. Estrutura do dossel e acúmulo de forragem de Brachiaria brizantha cultivar Xaraés em resposta a estratégias de pastejo.

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