Capítulo II R EVISÃO DA L ITERATURA
2.1.1 Génese e âmbitos de intervenção da psicologia positiva
Enquadrados nas múltiplas correntes e escolas de pensamento psicológico e quando analisando a psicologia de acordo com a metodologia de historiografia, deparamo‐nos com alguns factos “ignorados” pelo know‐how científico. Isto é, embora muitas das vezes saibamos relacionar os autores às respectivas teorias e modelos, não vamos mais além no conhecimento da génese que propiciou tais mudanças ou escolhas meta‐teóricas, ou ainda mais, o confronto com ideias pré‐ estabelecidas socioculturalmente. A psicologia ao longo da sua história (tal como muitas outras ciências) foi preenchida por um vasto número de escolas de pensamento que surgiram, predominantemente, como um movimento de protesto e revolta contra o paradigma de investigação dominante (Schultz & Schultz, 2005). Sucintamente, podemos articular e referenciar o estruturalismo de Titchener, o funcionalismo de William James, a psicanálise de Freud, o gestaltismo de Wertheimer e Koffka, o behaviorismo de Thorndike, Watson e Skinner, o humanismo de Maslow e Rogers e a psicologia cognitiva de Miller e Neisser, como correntes de pensamento precedentes da psicologia positiva, meramente ao nível cronológico. Cada uma destas escolas foi influenciada por forças contextuais específicas – zeitgeist (economia, guerra, preconceito e discriminação), sustentada por núcleos de investigadores delimitados geográfica e cientificamente e caracterizada por doutrinas intelectuais próprias, entre as quais: mecanicismo, materialismo, determinismo, reducionismo, empirismo, positivismo, isomorfismo e pragmatismo. Deste modo, cada escola de pensamento deve
ser estudado como um movimento inserido num contexto histórico e social e não como uma entidade isolada e independente. Mais ainda, deve existir uma preocupação central naqueles que foram os responsáveis pela definição, organização e promoção das suas ideias (Schultz & Schultz, 2002, 2005). Este olhar específico à vida dos autores concede ao conhecimento científico novas dimensões de análise, sistematização e implicação da teoria em causa. Saber que Sigmund Freud foi um médico nascido em Freiberg, Morávia (hoje Pribor, República Checa), pouco contribui para a compreensão da sua teoria psicanalítica. Contudo, saber que ele estudou conjuntamente com o psiquiatra Jean Martin Charcot (que lhe incutiu a utilização da hipnose/análise dos sonhos e o alertou para as influências sexuais das neuroses) e saber que na infância sentiu uma ligação apaixonada pela mãe e de ódio e ira contra o pai (conceito de complexo de Édipo), permite compreender as bases de caracterização da personalidade formuladas por Freud (id, ego e superego), bem como, os respectivos estádios psicossexuais de desenvolvimento da personalidade (Demorest, 2005; Schultz & Schultz, 2002, 2005).
Assim, contextualizando o movimento da psicologia positiva, facilmente podemos
estabelecer a sua génese em épocas históricas onde existiu uma preocupação da sociedade em promover as melhores qualidades da natureza humana (e.g. Atenas no século V a.C. e o período Vitoriano e Florentino do século XV). Significa isto, que atendendo às diversas mudanças socioculturais ocorridas ao longo da humanidade, sempre que as sociedades se definiam como estáveis, tranquilas e em tempos de paz e prosperidade, verificou‐se um centralizar da atenção sobre as virtudes e valores humanos. Perante isto e tendo em conta que a conferência que M.E.P. Seligman proferiu e incentivou o desenvolvimento da psicologia positiva foi proferida em 1998, somos invadidos prontamente por duas questões. Sabendo a influência que o zeitgeist tem incutido sobre a evolução da psicologia, teria a conferência de Seligman tido a mesma aceitação científica, caso fosse proferida no período pós 11 de Setembro de 2001? Ou iríamos rever o período científico já ocorrido no pós II Guerra Mundial?
Afastando‐se do doente mental e do “nobre selvagem”, a psicologia positiva pretende revisitar a pessoa (dita) normal, com o propósito adoptar uma abordagem centrada nos potenciais, capacidades e virtudes humanas (Sheldon & King, 2001). Preocupa‐se, desta forma, com o estudo científico das experiências positivas, dos traços/características individuais e das instituições que promovem o seu desenvolvimento (Duckworth, Steen & Seligman, 2005).
Considerando a sua abrangência temporal, este movimento científico avalia as experiências subjectivas dos indivíduos quanto ao passado (bem‐estar, prazer e satisfação), presente (flow e felicidade) e futuro (esperança e optimismo) (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000). No caso específico dos adolescentes, a psicologia positiva pretende promover as suas capacidades e talentos, e auxiliar no desenvolvimento de aptidões e disposições necessárias à sua autonomia, de modo a tornarem‐se adultos competentes, compassivos e mentalmente saudáveis (Hunter & Csikszentmihalyi, 2003; Kelley, 2004). Os seus objectivos prendem‐se com a compreensão do funcionamento psicológico positivo em múltiplos níveis: biológico, psicológico, social, cultural, existencial e institucional. Para tal, deve‐se privilegiar o estudo sobre as inúmeras relações existentes entre a capacidade humana de resistir às adversidades e atribuir significado à vida, e sobre os parâmetros que definem a boa vida (good life) e a vida com sentido/significado (meaning life).
Analisando as tradições ancestrais e contemporâneas do estudo da psicologia positiva, verifica‐se que as suas origens remontam aos tempos prósperos da Grécia Antiga, em que filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles procuraram definir os elementos essenciais a uma experiência humana positiva, enquadrada na promoção do prazer e da felicidade (good life). Inclusive, foi a partir deste mesmo período, que se desenvolveram duas correntes de pensamento concomitantes (hedonismo e eudaimonismo) que orientaram os modelos actuais de bem‐estar (Compton et al., 1996; Keyes et al., 2002; Lent, 2004; Ryan & Deci, 2001; Ryff & Keyes, 1995; Waterman, 1993) e que serão alvo de análise mais profunda em sub‐capítulos subsequentes. Considerando a influência que este período teve na delimitação do pensamento judaico‐cristão e consequente evolução do conhecimento científico (Vasconcelos‐Raposo, 1993; Vasconcelos‐Raposo et al., 2005), facilmente nos apercebemos que tal questão foi, igualmente, alvo de intenso debate religioso, sociocultural e científico (Duckworth et al., 2005), continuamente com o intuito de possibilitar uma orientação para a preocupação existencial e de realização pessoal do indivíduo, enquanto objecto de estudo.
Delimitando a abrangência de estudo da psicologia positiva como referido anteriormente, a sua história contemporânea remonta a diversos autores que se centraram no estudo dos aspectos positivos da natureza humana, tais como: William James (1842‐1910), Alfred Adler (1870‐1937), Carl Jung (1875‐1961), Gordon Allport (1897‐1967), Carl Rogers (1902‐1987), Erik Erikson (1902‐1994) e Abraham Maslow (1908‐1970) (Gable & Haidt, 2005). Neste âmbito, Ryff (2003) salientou a importância de W. James na contraposição quanto à visão pessimista existente no início do século XX:
“Psychology, itself, also reveals enduring concern for the positive. William James’s eloquent writings (…) on the psychology of healthy mindedness, which he juxtaposed with a characterizations of the sick soul, provide compelling evidence that the positive‐negative contrast was there from the beginning (…) James also wrote about the mind‐cure movement, a blend of religious and philosophical perspectives that endorsed the all‐saving power of healthy‐minded attitudes, such as the conquering efficacy of courage, hope and trust”
(p. 156).
Além das individualidades, a história da psicologia foi preenchida por um período (pós II Guerra Mundial) conhecido como a “terceira força”, que visou suplantar as duas maiores forças da psicologia na altura: o behaviorismo e psicanálise. Deste modo, a psicologia humanista enfatizou o poder criativo do homem, assim como, as suas ambições positivas, a experiência consciente, o livre‐ arbítrio, a plena utilização do potencial humano e a crença da integridade da natureza humana (Schultz & Schultz, 2005). Reflectindo o sentimento de descontentamento manifestado na década de 1960 contra os aspectos mecanicistas e materialistas da cultura ocidental, a abordagem humanista da psicologia visou a valorização dos sentimentos em detrimento da razão e do intelecto, assumindo uma abordagem centrada na pessoa (C. Rogers) e no seu potencial de auto‐realização (A. Maslow). Embora a psicologia positiva reconheça estas assumpções históricas emanadas da psicologia humanista, a primeira refuta qualquer relação com o tipo de investigação subjectiva e analítica realizada nos anos 60 e baseia‐se exclusivamente numa pesquisa experimental rigorosa (Duckworth et al., 2005; Seligman & Csikszentmihalyi, 2000). Contudo, é incontestável negar tamanha ascendência científica, para demais que o próprio A. Maslow na sua obra referencial “Motivation and
personality” culminou o livro com um capítulo intitulado “Toward a positive psychology”5.
Outra referência histórica para o movimento da psicologia positiva foi o trabalho de Marie Jahoda (1958) desenvolvido com base na declaração da OMS de 1948, em que propôs o conceito de saúde mental positiva, de acordo com uma perspectiva individual e psicológica (Canut, 1999). Neste documento seminal, Jahoda salientou que a saúde mental: a) envolve a auto‐realização em que os indivíduos podem explorar/usufruir de todo o seu potencial; b) engloba um sentimento de mestria do indivíduo sobre o contexto (domínio do meio); e, c) abrange analogamente a percepção de
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Referência original: Maslow, A. (1954). Toward a positive psychology (chapter 18, pp. 353‐363). Motivation and personality (1st edition). New York: Harper Publishers.
autonomia, em que os indivíduos possuem a capacidade de identificar, confrontar e resolver dilemas/problemas, isto é, demonstrar resiliência perante a adversidade (Herrman et al., 2004).
Nesta linha, chegamos ao final do século XX em que repetidamente se verificou um ímpeto
centrado para um olhar mais atento e afincado na dimensão positiva da natureza humana. Inserida num zeitgeist tecnológico aparentemente propício ao seu fomento e desenvolvimento, a psicologia positiva tem conseguido cativar investigadores dos “quatro cantos do mundo”, desenvolvendo um desmedido suporte teórico‐empírico (Bacon, 2005; Gable & Haidt, 2005) e estando já numa fase de tentativa de remodelação de alguns dos princípios orientadores do diagnóstico psicológico (CSV:
Character Strengths and Virtues) e aproximação às pessoas/comunidades (enquanto clientes).
Enquanto exemplo do anteriormente citado, podemos referir alguns dos manuais publicados sobre a psicologia positiva, seus fundamentos teóricos e âmbitos de intervenção: Life Goals and Well‐Being:
Towards a Positive Psychology of Human Striving (Schmuck & Sheldon, 2001), The Handbook of Positive Psychology (Lopez & Snyder, 2002), Authentic Happiness (Seligman, 2002), A Psychology of Human Strengths (Aspinwall & Staudinger, 2003), Flourishing (Keyes & Haidt, 2003), Positive Psychological Assessment: A Handbook of Models and Measures (Lopez & Snyder, 2003); Positive Psychology in Practice (Linley & Joseph, 2004) e Oxford Handbook of Methods in Positive Psychology
(Ong & Van Dulmen, 2006).
Além dos inúmeros congressos mundiais e europeus já realizados (e.g. 3ª Conferência Europeia sobre Psicologia Positiva realizada em Braga, Portugal: Julho 2006) existem inúmeros sites de apoio e orientação sobre a temática da felicidade e bem‐estar emocional, tendo ocorrido em Janeiro de 2006, o lançamento da primeira revista científica especializada em psicologia positiva (The
Journal of Positive Psychology©). Ao nível da graduação académica evidenciou‐se igualmente uma preocupação centrada na formação de profissionais que apliquem os princípios emanados deste movimento (ao nível clínico‐terapêutico), existindo para tal o primeiro mestrado em psicologia positiva aplicada (MAPP: Master of Applied Positive Psychology – Universidade de Pennsylvania) e uma preocupação em incluir esta abordagem nas estruturas curriculares das licenciaturas em psicologia (Bacon, 2005). Também no contexto da actividade física e desporto, a psicologia positiva mereceu algum espaço de debate e definição de métodos de intervenção (Fisher & Wrisberg, 2004; Mutrie & Faulkner, 2004). Dada esta abrangência multi‐direccional, os próprios órgãos de informação contribuíram para um conhecimento mais alargado da sociedade acerca desta corrente de
pensamento, destacando‐se para o efeito o número de edição duma das revistas norte‐americanas mais conceituadas (Time) centrado na “Nova Ciência da Felicidade” (The New Science of Happiness, 17 de Janeiro de 2005 – volume 165, número 3).
Contudo e considerando que a historiografia da ciência e da psicologia não é constituída pela existência de um paradigma eterno e imperecível, mas sim, por um dinamismo de debate entre posições e ideias distintas, assumindo‐se uma divergência e oposição quanto ao paradigma predominante (Schultz & Schultz, 2005), existiram algumas posições antagónicas ao presente movimento científico, mesmo apesar de este ainda só se encontrar na sua “infância”6. Uma das principais limitações e problemas conceptuais evidenciados foi o “positivismo” exacerbado por este movimento. Como Lazarus (2003a) salientou, à parte de incertezas e incompreensões acerca do que define positivo e negativo, esta polaridade representa dois lados da mesma “moeda da vida”, como a estrutura e o processo, a estabilidade e a mudança, o stress e o coping e as emoções positivas e negativas, não devendo por isso existir uma separação empírica. Esta crítica foi ampliada por Held (2004), salientando que tal movimento promove uma (ainda) maior fragmentação da psicologia e âmbitos de investigação e intervenção. No entanto, tal como Ryff (2003) acentuou, o objectivo da psicologia positiva não é suplantar a abordagem psicopatológica, mas sim, complementar a psicologia com um objecto de estudo centrado no que constitui um funcionamento psicológico positivo e saudável.
Outras limitações e problemas metodológicos apresentados foram (Held, 2004; Lazarus, 2003a, 2003b): a) a imensa investigação de natureza transversal (cross‐sectional); b) a exagerada
tendência para assumir de forma simples somente a valência positiva de uma dada emoção; c) a exagerada investigação nomotética e pouca análise centrada nas diferenças individuais; e, d) a utilização de procedimentos e instrumentos muito simples para a mensuração das emoções – questionários e checklists. Quanto à primeira limitação apontada, diversos autores salientaram que tal problema não é único à psicologia positiva e que é difícil apresentar resultados de investigações longitudinais, dada a sua curta existência enquanto movimento científico (Campos, 2003; Csikszentmihalyi, 2003; King, 2003; Lyubomirsky & Abbe, 2003; Matthews & Zeidner, 2003; Rand & Zinder, 2003; Ryff, 2003; Tennen & Affleck, 2003; Young‐Eisendrath, 2003). Referente à segunda
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Uma das principais referências para este debate de ideias e posições epistemológicas e empíricas é o volume 14 (número 2, 2003) da revista científica Psychological Inquiry.
limitação evidenciada, existe uma preocupação em estudar como ambos tipos de emoções promovem/atenuam o desenvolvimento humano. Porém, a psicologia positiva estuda principalmente as emoções positivas, dada a pouca investigação efectuada e definição dos benefícios para a saúde mental e física (Campos, 2003; Diener, 2003; Folkman & Moskowitz, 2003; Gable & Haidt, 2005; Matthews & Zeidner, 2003; Ryff, 2003; Tennen & Affleck, 2003). Quanto à exagerada investigação nomotética, Ryff (2003) salientou também existir uma preocupação em estudar diferenças de bem‐estar entre diversas dimensões inerentes às diferenças individuais (idade, nível socioeducacional, traços de personalidade…), contribuindo, assim, para uma melhor e mais íntima compreensão. Por fim, diversos autores refutaram a sugestão de Richard S. Lazarus quanto à utilização primordial de questionários que não distinguem entre estados e traços emocionais, salientando a vasta existência de instrumentos de avaliação já anteriormente validados em diversas áreas (e.g. afecto e ansiedade) (Campos, 2003; Folkman & Moskowitz, 2003; Gable & Haidt, 2005; Matthews & Zeidner, 2003; Ryff, 2003; Young‐Eisendrath, 2003).
No entanto, após a apresentação de alguns autores que evidenciaram alguns aspectos e ideias divergentes à psicologia positiva, parece‐nos que as principais críticas e alertas provém do seio deste movimento. Assim, Kelley (2004, p. 258) assumiu que:
“…without a unifying principle‐based conceptual foundation, positive psychology (like traditional psychology) will inevitably splinter into ever‐increasing numbers of separate and often competing theories, practices, and areas of specialization, each with its own research agenda based on its own set of variables. Thus, the efforts of positive psychology to evolve all will be done separately and simultaneously, rather than systematically and in concert. If this occurs, positive psychology will inevitably fail to keep its promise to our young people.” Na mesma linha de intervenção, Ryff (2003, p. 157) alertou este novo movimento científico, para duas necessidades que carecem de crítica ponderação: “…first, psychology needs to organize its house of strengths – this is a call or theoretical and measurement work to integrate and distill these many areas (…). Beyond the task of properly mapping the domain of optimal human functioning, there is a need to devote greater attention to the question of how these diverse strengths are nurtured – that is, how they have come about – as well as how they are sustained, particularly during times of challenge and adversity.”
Finalmente, Gable e Haidt (2005, p. 108) acresceram que:
“…the original “three pillars” of positive psychology (…) were positive subjective experience,
positive individual characteristics (strengths and virtues), and positive institutions and communities. So far, positive psychology has produced a great deal of new research into the first two areas but much less into the third.”
Um dos principais propósitos epistemológicos do presente estudo é contribuir para um maior e melhor esclarecimento da utilização do termo bem‐estar psicológico, sendo necessário para tal, abordar as principais perspectivas que investigam esta dimensão psicológica. Assim, de acordo com a revisão de Ryan e Deci (2001), é necessário considerar que a pesquisa centrada no bem‐estar se subjuga a duas abordagens gerais: hedónica (tem por objecto de estudo a felicidade e define o bem‐ estar em termos de evitar a dor e obter o máximo de prazer) e a eudaimónica (centra‐se no estudo do significado e realização pessoal e define o bem‐estar em termos de funcionamento psicológico positivo). Para Roothman, Kirsten e Wissing (2003) a conceptualização do bem‐estar tem sido efectuada em termos de componentes ou processos específicos, tais como os afectivos (Diener et al., 1999), os processos físicos e a sua relação com a qualidade de vida (Diener, Emmons, Larsen & Griffin, 1985a) ou então, em termos de processos focalizados no crescimento pessoal, relação com os outros e objectivos na vida (Ryff, 1989a; Ryff & Singer, 1998a). Por fim e de acordo com Compton (2001), as principais perspectivas de estudo do bem‐estar na literatura psicológica são: o bem‐estar subjectivo (Diener et al., 1985a, 1999), a pesquisa centrada no coping e personalidade resistente ao stress (Antonovsky, 1987), os estudos acerca do desenvolvimento óptimo da personalidade (Allport, 1961; Maslow, 1970; Rogers, 1961b), os modelos de desenvolvimento centrados no funcionamento psicológico positivo (Ryff, 1989b) e a teoria do flow ou experiências óptimas (Csikszentmihalyi, 1990). Considerando o quadro conceptual referenciado, podemos afirmar que no domínio de investigação do bem‐estar emergem substancialmente duas perspectivas actuais que basicamente se organizaram em torno de dois modelos designados de Bem‐Estar Subjectivo (Subjective Well‐Being –
SWB) e de Bem‐Estar Psicológico (Psychological Well‐Being – PWB), os quais passamos a apresentar.
Destes domínios de investigação que comungam do mesmo objecto de estudo, é no entanto fulcral referir, que tiveram “berços” distintos, percorreram percursos e orientações diferentes e, basicamente, é a ênfase na felicidade e na saúde mental que distingue estes dois construtos (Novo, 2003).