Modelagem de equações estruturais – modelo integrado

No documento Antecedentes da aprendizagem organizacional em cursos superiores de tecnologia : a experiência brasileira (páginas 177-185)

6. Análise de dados – pesquisa quantitativa com professores de CSTs no Brasil

6.3 Modelagem de equações estruturais MEE

6.3.2 Modelagem de equações estruturais – modelo integrado

Após a depuração dos dados e constructos, realizada por meio das etapas de coleta e análise de dados qualitativos, elaboração de instrumento de coleta de dados e refinamento dos constructos e medidas de mensuração, feitas por meio das análises fatorais exploratórias e confirmatórias, 32 variáveis foram criadas para analisar as três hipóteses desta tese, subdivididas em 8 sub-hipóteses, conforme apresentadas na Figura 11, apresentada na seção 3.2 desta tese. Estas variáveis podem ser visualizadas no Quadro 27.

Com base nestas hipóteses, foi criado o modelo para teste das mesmas, com auxílio de análise por meio de equações estruturais, calculadas pelo software IBM SPSS AMOS® v.23. A imagem das relações calculadas e testadas pelo software é demonstrada na Figura 14.

Quadro 27 – Hipóteses, variáveis e relações testadas no modelo

Figura 14 - Relações testadas no modelo inicial - imagem IBM SPSS AMOS®

Fonte: dados da pesquisa, elaborado pelo autor com auxílio do software IBM SPSS AMOS® v.23.

Com exceção da relação chi-quadrado e gruas de liberdade, que deve ser abaixo de 3,0, os resultados do primeiro modelo apresentaram índices de ajuste fora do recomendado, conforme mostra o Quadro 28. Esses índices evidenciam a necessidade de reespecificar o modelo.

Quadro 28 - Índices de ajuste para o modelo inicial

Fonte: dados da pesquisa, elaborado pelo autor.

A falta de ajuste do modelo sugere que o pesquisador realize alguns testes de relação entre as variáveis, retirando algumas relações ou acrescentando covariância entre variáveis que tenham semelhança teórica ou empírica. Neste trabalho, foram elaborados 16 modelos diferentes, buscando o melhor ajuste dos dados. Os índices de ajuste de cada um desses modelos são apresentados no Quadro 29, com destaque para os melhores índices.

Quadro 29 - Índices de ajuste dos modelos experimentados

Fonte: dados da pesquisa, elaborado pelo autor.

Com base nos índices apresentados, o modelo 14 foi o que apresentou melhor ajustamento, sendo que o modelo 13 mostrou apenas índice GFI superior ao modelo 14. Por esta razão, o modelo 14 foi escolhido como modelo final para teste das hipóteses formuladas. O modelo 14 inclui quatro covariâncias entre constructos, que apresentam relação entre si, quais sejam: 1) ‘SINAES’ e ‘rotinas’; 2) ‘parcerias’ e ‘contatos’; 3) ‘parcerias’ e ‘estágios’; e 4) ‘reuniões informais’ e ‘conversas informais’.

O detalhamento de cada procedimento realizado e as tabelas com os coeficientes dos modelos não utilizados encontram-se no Apêndice C deste trabalho. Os resultados dos modelos inicial (modelo 1) e final (modelo 14) encontram-se no Quadro 30. Neste quadro, estão destacados em verde os resultados com nível de significância igual ou menor que 0,05, o que é considerado aceitável.

Quadro 30 - Resultados das cargas e significância das variáveis

Fonte: dados da pesquisa, elaborado pelo autor. *** = p < 0,05

Em relação ao modelo inicial, o modelo final apresentou ligações entres os constructos a) ‘ações decorrentes do SINAES’ e ‘rotinas, sistemas, estruturas e estratégias’; b) ‘parcerias com empresas ou organizações’ e ‘contatos pessoais dos docentes com profissionais não acadêmicos’; c) ‘parcerias com empresas ou organizações’ e ‘realização de estágios e atividades práticas pelos alunos’; d) ‘reuniões informais entre os docentes, dentro ou for a da IES’ e ‘conversas informais dos docentes com colegas’. Estas ligações fazem com que alguns constructos altamente correlacionados possam ser relacionados através do que eles compartilham, sendo este um fator de ordem superior comum (KOUFTEROS; BBAR; KAIGHOBADI, 2009).

No modelo final, 13 variáveis tiveram significância igual ou menor a 0,05, contudo quatro delas apresentaram relação negativa ao invés de relação positiva, como era esperado. Todas as hipóteses foram parcialmente suportadas, conforme mostra o Quadro 31.

Quadro 31 - Hipóteses e variáveis suportadas e não suportadas

Fonte: dados da pesquisa, elaborado pelo autor. *** = p < 0,05

Na hipótese 1 – ‘práticas que contribuem com a aprendizagem organizacional impactam positivamente em aprendizagens produtivas’ –, quatro variáveis foram suportadas estatisticamente: ‘parcerias com empresas e organizações impactam positivamente em aprendizagens produtivas de ciclo simples’, ‘ações de aprendizagem decorrentes do SINAES impactam positivamente em aprendizagens produtivas de ciclo simples’, ‘ações de aprendizagem decorrentes do SINAES impactam positivamente em aprendizagens produtivas de ciclo duplo’ e ‘reuniões informais entre os docentes, dentro ou fora da IES, impactam positivamente em aprendizagens produtivas de ciclo duplo’.

Na hipótese 2 – ‘aprendizagens organizacionais produtivas impactam positivamente em resultados do curso no MEC’ –, uma das variáveis foi confirmada: ‘aprendizagens produtivas de ciclo simples impactam positivamente em resultados do conceito do curso no MEC (CPC ou CC)’. A variável ‘aprendizagens produtivas de ciclo duplo impactam positivamente em resultados do conceito do curso no MEC (CPC ou CC)’ mostrou relação estatisticamente significativa, porém com relação negativa, ao contrário do que era esperado.

Na hipótese 3 – ‘práticas que contribuem para a aprendizagem organizacional impactam positivamente nos resultados do curso no MEC’–, três variáveis foram suportadas: ‘contatos pessoais dos docentes com profissionais não acadêmicos impactam positivamente nos resultados do curso no ENADE’, ‘rotinas, sistemas, estruturas e estratégias impactam positivamente em resultados do conceito do curso no MEC (CPC ou CC)’ e ‘reuniões informais entre os docentes, dentro ou for a da IES, impactam positivamente em resultados do conceito do curso no MEC (CPC ou CC)’. Contudo, três variáveis mostram relação estatisticamente significativa, porém negativa, ao contrário do esperado, são elas: ‘ações de aprendizagem decorrentes do SINAES impactam positivamente nos resultados do curso no ENADE’, ‘conversas informais dos docentes com colegas impactam positivamente nos resultados do curso no ENADE’ e ‘conversas informais dos docentes com colegas impactam positivamente em resultados do conceito do curso no MEC (CPC ou CC)’.

O Quadro 32 demonstra as hipóteses e variáveis suportadas, ordenadas por grandeza de impacto. O Quadro 33 demonstra as hipóteses e variáveis com relação estatisticamente significativas, porém com relação inversa ao postulado.

Quadro 32 – Variáveis suportadas

Fonte: dados da pesquisa, elaborado pelo autor. *** = p < 0,05

Quadro 33 – Variáveis estatisticamente significativa com relação inversa ao esperado

Fonte: dados da pesquisa, elaborado pelo autor. *** = p < 0,05

A Figura 15 demonstra as variáveis suportadas no estudo.

Fonte: dados da pesquisa, elaborado pelo autor.

A subseção a seguir analisa os resultados obtidos na modelagem de equações estruturais, relacionando os achados com aspectos teóricos e empíricos.

No documento Antecedentes da aprendizagem organizacional em cursos superiores de tecnologia : a experiência brasileira (páginas 177-185)