PROCESSO CIVIL FDUCP
NOTA 2: ocorre um acidente na auto estrada porque o condutor atropelou um peru e
consequentemente sofreu danos. O condutor intenta uma acção de indemnização contra a concessionária no tribunal judicial ou administrativo? Ora, a indemnização é uma questão de responsabilidade civil e a concessionária uma entidade privada mas está a substituir um ente público. Neste caso recorre-se ao art. 4º ETAF.
Competência em Razão da Hierarquia
A ordem de jurisdição constituída pelos tribunais judiciais é dotada de uma hierarquia de tribunais, qual pirâmide judiciária: os tribunais judiciais de 1ª Instância, os Tribunais da Relação (tribunais judiciais de 2ª Instância) e o Supremo Tribunal de Justiça.
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Maria Luísa Lobo – 2012/2013
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Nos termos do art. 27º da LOFTJ 2008 os tribunais judiciais encontram-se hierarquizados para efeitos de recurso das suas decisões, não sendo como tal uma hierarquia do ponto de vista administrativo (dar instruções aos tribunais inferiores).
Na LOFTJ 2008 a competência dos tribunais judiciais encontra-se consagrada, quanto ao Supremo Tribunal de Justiça no art. 41º e ss, quanto ao Tribunal da Relação no art. 65º e ss e quanto aos Tribunais de Comarca no art. 73º e ss.
Por exclusão de partes, ou seja por nem ser nem da competência do Tribunal da Relação nos termos do art. 65º e ss LOFTJ 2008, nem da competência do Supremo Tribunal de Justiça nos termos do art. 41º e ss LOFTJ 2008, o pedido de acção de execução especifica do contrato promessa será da competência do Tribunal de 1ª Instância.
NOTA: é absolutamente errado entender que nos casos em que o pedido é de
trezentos mil euros, por exemplo, por este valor ser superior ao valor da alçada da Relação, que tal é da competência do Supremo Tribunal de Justiça.
Pedido2 – Declaração de Nulidade do Contrato Promessa Celebrado com Nuno
Quanto aos critérios da competência absoluta é necessário analisar:
Competência Internacional
Exactamente igual ao pedido de execução específica do contrato promessa
Competência em Razão da Matéria
Exactamente igual ao pedido de execução específica do contrato promessa
Competência em Razão da Hierarquia
Exactamente igual ao pedido de execução específica do contrato promessa
Em suma, pode existir coligação uma vez que o tribunal competente para conhecer do pedido de execução específica do contrato promessa e o tribunal competente para conhecer do pedido da declaração de nulidade do contrato promessa é o mesmo, quer em razão da hierarquia, quer em razão da matéria e quer em razão do território.
b. Pode o pedido ii) ser proposto em simultâneo contra aqueles dois réus? TEMA: LEGITIMIDADE (LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO NATURAL)
No caso concreto pretende-se saber se a acção de declaração de nulidade do contrato promessa pode ser proposta contra Luís e contra Nuno.
Estamos face a uma situação em que um terceiro (a sociedade MMM, SA) pretende propor uma acção de declaração de nulidade de um contrato promessa de que em que aquele não é parte, uma vez que o contrato promessa foi celebrado com Nuno por Luís e João.
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Maria Luísa Lobo – 2012/2013
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Nos termos do art. 27º e 28º do CPC, entende-se por litisconsórcio a situação em que existe uma pluralidade de partes, mas unicidade da relação material controvertida, existindo como tal um único pedido formulado contra ou por vários réus; a esta unicidade da relação controvertida corresponde uma pluralidade de pessoas (e, logo, de partes). O litisconsórcio pode ser:
Voluntário (regra): a cumulação depende exclusivamente da vontade das partes. Se os interessados não forem demandados daí não resulta qualquer ilegitimidade pois o litisconsórcio verifica-se por iniciativa das partes ou de uma delas.
Necessário: a cumulação resulta de determinação da lei (litisconsórcio necessário legal), de prévia estipulação dos interessados (litisconsórcio necessário convencional) ou da natureza da relação jurídica (litisconsórcio necessário natural). É necessário que todos os sujeitos da relação material controvertida se encontrem em juízo para que o juiz conheça do mérito da causa, sob pena de, nos termos do art. 493º, 494º al. e) e 288º/1 al. d) absolver da instância (a ilegitimidade processual consubstancia uma excepção dilatória)
No presente caso, existe um só pedido que assenta na declaração de nulidade do contrato de compra e venda pelo que se está face a uma situação de litisconsórcio. Tendo a sociedade MMM celebrado um contrato promessa de compra e venda de um terreno com João e Luís e tendo posteriormente estes celebrado outro contrato promessa com incidência no mesmo terreno com Nuno tal exclui a possibilidade de se estar face a um litisconsórcio voluntário uma vez que o direito da sociedade será incompatível com o direito de Nuno (é sempre necessário analisar a situação concreta).
Excluída a coligação (existe uma pluralidade de partes mas apenas uma única relação material controvertida) e a possibilidade de o litisconsórcio ser voluntário, resta-nos portanto o litisconsórcio necessário mas é necessário determinar qual a sua modalidade: não resultando da lei nem tendo sido convencionado estar-se-á face a um litisconsórcio necessário natural.
O Litisconsórcio necessário natural encontra-se consagrado no art. 28º/2 CPC e é aquele em que é imposta a presença de todos os interessados na acção (maxime de todos os titulares da relação material controvertida), pois, doutro modo, a decisão judicial a obter não produz o seu efeito útil normal, atenta a natureza da relaçao jurídica em discussão.
O Efeito útil Normal de uma decisão judicial consiste na composição definitiva do litígio entre as partes relativamente ao pedido formulado, de modo que o caso julgado material possa abranger todos os interessados, evitando tornar-se incompatível (por que contraditória, total ou parcialmente) com a decisão eventualmente obtida numa outra acção. O essencial é que o resultado da composição do tribunal vincule as partes que estão no processo compondo definitivamente a situação jurídica entre elas, não podendo esta composição ser afectada por uma outra que, eventualmente, venha a ser obtida em ulterior acção entre as mesmas partes.
Deste modo, substancialmente, sendo a sociedade MMM um interessado juridicamente é possível intentar tal acção. Deste modo, do ponto de vista processual, estamos face a uma situação de litisconsórcio, mais concretamente uma situação de litosconsórcio natural.
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Maria Luísa Lobo – 2012/2013
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Em suma, a acção de declaração de nulidade do contrato promessa pode ser proposta pela sociedade MMM contra Luís e Nuno nos termos do art. 26º (norma geral) e do art. 28º/2 do CPC.
c. O facto de a acção não ter sido proposta contra João deverá obstar ao conhecimento do mérito da mesma?