c Celebrado o contrato definitivo, IP não paga o remanescente do preço, obrigando XC a instaurar a respectiva acção de condenação?
TEMA: INTERESSE EM AGIR, LEGITIMIDADE E COMPETÊNCIA
No presente caso A intenta três pedidos pelo que será necessário analisar cada um deles individualmente.
No presente caso, uma vez que nada nos é dito em sentido contrário, presume-se que quanto à personalidade judiciária (art. 5º CPC), à capacidade judiciária (art. 9º CPC) e ao patrocínio judiciário (art. 32º e ss CPC) estes pressupostos se encontram verificados.
Quanto ao interesse em agir/processual, tal consiste na necessidade de usar o processo, ou seja exprime a necessidade ou a situação objectiva de carência (real, justificada e razoável) de tutela judiciária por parte do autor, face à pretensão que deduz, ou do réu, à luz do pedido reconvencional que tenha oportunamente formulado.
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Esta situação de carência de tutela exprime-se na concreta utilidade da concessão dessa mesma tutela judiciária para que a parte que formula a pretensão, estando tal consagrado no art. 26º/2 CPC.
No presente caso, ‘’A’’ (autor) tem necessidade de obter a tutela judiciária, uma vez que o bem (garagem) de que se arroga ser proprietário encontra-se a ser violado (‘’Alegando que B e C se apoderaram indevidamente da garagem do prédio’’).
Analisando a verificação do interesse em agir e presumindo a verificação da personalidade judiciária, da capacidade judiciária e do patrocínio judiciário, iremos agora analisar a legitimidade processual.
A regra no processo é a da dualidade das partes (autor e réu), embora no mesmo processo o autor possa cumular dois ou mais pedidos contra o réu. Contudo, muitas vezes, em lugar de um só autor ou um só réu, a acção tem vários autores ou é proposta contra dois ou mais réus.
Nestes casos, à dualidade das partes substitui-se a pluralidade das partes, podendo esta ser:
Pluralidade activa, se a acção é proposta por dois ou mais autores contra o mesmo réu
Pluralidade passiva, se o autor demanda simultaneamente vários réus
Pluralidade mista, quando a acção é instaurada por dois mais autores contra vários réus.
Nos termos do art. 27º e ss CPC distingue-se entre litisconsórcio, que pode ser necessário ou voluntário, e coligação:
Litisconsórcio: há pluralidade de partes, mas unicidade da relação material controvertida, existindo como tal um único pedido formulado contra ou por vários réus; a esta unicidade da relação controvertida corresponde uma pluralidade de pessoas (e, logo, de partes).
Voluntário (regra): a cumulação depende exclusivamente da vontade das partes. Se os interessados não forem demandados daí não resulta qualquer ilegitimidade pois o litisconsórcio verifica-se por iniciativa das partes ou de uma delas.
Necessário: a cumulação resulta de determinação da lei (litisconsórcio necessário legal), de prévia estipulação dos interessados (litisconsórcio necessário convencional) ou da natureza da relação jurídica (litisconsórcio necessário natural). É necessário que todos os sujeitos da relação material controvertida se encontrem em juízo para que o juiz conheça do mérito da causa, sob pena de, nos termos do art. 493º, 494º al. e) e 288º/1 al. d) absolver da instância (a ilegitimidade processual consubstancia uma excepção dilatória)
Coligação: à pluralidade das partes corresponde a pluralidade das relações matérias litigadas, exigindo-se uma pluralidade de pedidos, sendo a cumulação pedida em virtude da unicidade da fonte dessas relações, da dependência entre os pedidos ou da conexão substancial entre os fundamentos destes.
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No presente caso, relativamente a B e C existe um pedido comum (acção em que A pede que o tribunal reconheça que a garagem é uma fracção autónoma), relativamente a C existem dois pedidos (acção anterior e acção de condenação) e relativamente a D um pedido (acção de condenação).
Deste modo, estamos face a uma situação de coligação relativamente a B C D (três réus e três pedidos), sendo de salientar que quanto a C existe uma cumulação de pedidos.
Uma vez que estamos face a um caso em que existe pluralidade de pedidos estamos no âmbito da coligação que se encontra regulada nos art. 30º e ss CPC.
Para que se possa verificar uma situação de coligação é necessária a verificação de certos requisitos que se encontram consagrados no art. 30º, 31º e 470º do CPC:
Compatibilidade substantiva entre os pedidos – art. 470º CPC
Relação de Dependência ou Prejudicialidade entre os pedidos – art. 30º/1 CPC Compatibilidade Processual (competência e forma) – art. 31º CPC
Requisito 1 – Compatibilidade Substantiva Entre os Pedidos
A cumulação de pedidos encontra-se consagrada no artigo 470º CPC, estando este pensado para as situações em que há um autor e um réu estando assegurada a conexão entre os pedidos. Na coligação existe, contudo, uma pluralidade de relações materiais controvertidas exigindo-se como tal a conexão entre os pedidos, pelo que ocorre uma remissão do art. 470º para o art. 31º CPC.
Não se verificando nenhum obstáculo à coligação nos termos do art. 31º podemos concluir que a cumulação entre pedidos é possível.
Em suma, nos termos do art. 470º CPC, exige-se uma compatibilidade substantiva entre os pedidos. No presente caso, não é todo incompatível formular os três pedidos em conjunto pelo que se conclui que este requisito se encontra verificado.
Requisito 2 – Relação de Conexão entre os Pedidos
Nos termos do art. 30º CPC consagram-se várias relações de conexão, mas a verdade é que basta a existência de apenas uma para se verificar a coligação.
No presente caso, nos termos do art. 30º/1, 1ª parte CPC estamos no âmbito de uma situação em que a causa de pedir é a mesma (‘’É permitida a coligação (…) por
pedidos diferentes, quando a causa de pedir seja a mesma e única’’), uma vez que
estes pedidos emergem de um mesmo contrato (‘’Por escritura Pública’’, ou seja evidencia a celebração de um único contrato, embora não seja tal muito frequente suceder) celebrado entre A com B C D.
NOTA: Se a causa de pedir fosse diferente mesmo assim a coligação seria possível nos
termos do art. 30º/1 in fine (se os pedidos estivessem numa relação de dependência ou de prejudicialidade) e ainda nos termos do art. 30º/2, 2ª parte (‘’ (…) cláusulas de
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Requisito 3 – Compatibilidade Processual (Competência e Forma)
Nos termos do art. 31º CPC exige-se uma compatibilidade processual que se traduz na competência absoluta e na forma de cada pedido.
Importa salientar que, por um lado, a identidade das formas de processo não necessita de ser absoluta, e por outro lado, a competência é absoluta em razão da matéria, da hierarquia e do território.
Uma vez que se está face a três pedidos é sempre necessário analisá-los em separado. I - Competência Absoluta: internacional, em razão da matéria e da hierarquia
Quanto à Competência Internacional
Pedido1 (B C) – Acção que tem por objecto o reconhecimento de que a garangem constitui uma fracção Autónoma
O Regulamento (CE) nº 44/2001 visa facilitar o funcionamento do mercado interno, por via da unificação das regras de conflito de jurisdição e assegurar o rápido reconhecimento e execução das decisões em matéria civil e comercial. Este Regulamento vincula todos os Estados Membros da União Europeia, à excepção da Dinamarca, nos termos do seu art. 3º/1.
Nos termos do art. 1º, o âmbito de aplicação deste Regulamento restringe-se à matéria civil e comercial.
O critério geral da competência encontra-se consagrado no art. 2º, sendo que tal depende do domicilio ou sede do demandando: se é num dos Estados Membros ou fora da União Europeia.
Se o réu tiver domicílio num dos Estados Membros ele deve ser demandado independentemente da sua nacionalidade, nos tribunais do Estado do seu domicilio, nos termos do art. 2º/1.
No presente caso, e de acordo com o critério geral do art. 2º/1, os tribunais seriam competentes internacionalmente uma vez que B e C eram portugueses domiciliados em Portugal.
Importa ainda salientar que nos termos do art. 22º consagra-se uma série de casos de competência exclusiva dos tribunais dos Estados Membros, as quais prevalecem sobre quaisquer critérios gerais ou específicos, impedindo, inclusivamente, a celebração de válidos pactos de jurisdição, quando estes respeitem às matérias previstas nestas competências exclusivas. Estas regras de competência exclusiva devem ser aplicadas mesmo que o demandando não tenha domicilio ou sede num dos Estados Membros. Analisando o art. 22º conclui-se que no caso em análise o objecto da acção (acção que declarasse que a garagem seria uma fracção autónoma) enquadrava-se no nº1 da referida norma (‘’Têm competência exclusiva, qualquer que seja o domicilio em matéria de direitos reais sobre imóveis (…) os tribunais do Estado onde o imóvel se encontre situado’’), uma vez que o prédio em causa, mais concretamente as suas fracções autónomas, se situavam em Lisboa. Deste modo, os tribunais portugueses seriam competentes internacionalmente quer por aplicação do art. 2º/1 quer por aplicação do art. 22º do Regulamento nº 44/2001.
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Pedido 2 (C)– Acção de Condenação no Valor de €7.500
O critério geral da competência encontra-se consagrado no art. 2º, sendo que tal depende do domicilio ou sede do demandando: se é num dos Estados Membros ou fora da União Europeia.
Se o réu tiver domicílio num dos Estados Membros ele deve ser demandado independentemente da sua nacionalidade, nos tribunais do Estado do seu domicilio, nos termos do art. 2º/1.
No presente caso, e de acordo com o critério geral do art. 2º/1, os tribunais portugueses seriam competentes internacionalmente uma vez que C era português e domiciliado em Portugal.
Importa ainda salientar que nos termos do art. 5º consagra-se um conjunto de critérios especiais de atribuição da competência internacional, para os casos em que o reu tem domicilio num dos Estados Membros e o autor pretende que ele possa ser demandado perante os tribunais de um outro Estado Membro (art. 3º/1). Quando algum dos critérios especiais constantes do art. 5º se encontra presente, o autor dispõe da seguinte alternativa: (1) propõe a acção junto dos tribunais do Estado Membro do domicilio (ou sede) do réu; (2) ou, intenta a acção noutro tribunal de um outro Estado Membro, uma vez observadas as regras especiais de competência consignadas no art. 5º e ss.
Nos termos do art. 774º CC consagra-se que ‘’Se a obrigação tiver por objecto uma
quantia pecuniária, deve a prestação ser efectuada no lugar do domícilio que o credor tiver ao tempo do cumprimento’’, contudo existe uma regra especial para a
compra e venda consagrada no art. 885º CC ‘’O preço deve ser pago no momento e
no lugar da entrega da coisa vendida’’. Ou seja, aplicando esta regra e como resulta
da hipótese considera-se que o preço foi pago no momento da escritura que ocorreu em Lisboa.
Pressupondo a aplicação do art. 885º/1 CC aplicar-se-ia o art. 5º/1 al. a) do Regulamento que consagra que ‘’Uma pessoa com domicílio no território de um
Estado Membro pode ser demandada noutro Estado em matéria contratual perante o tribunal do lugar onde foi ou deva ser cumprida a obrigação em questão’’, ou seja
sendo o local do cumprimento em Lisboa os tribunais portugueses teriam competência internacional. Os tribunais portugueses apenas não seriam competentes internacionalmente, nos termos do art. 5º/1 al. a), se o cumprimento da obrigação devesse ser realizado no Rio de Janeiro, mas continuariam a sê-lo por aplicação do art. 2º.
Deste modo, os tribunais portugueses são competentes internacionalmente quer por aplicação do art. 2º quer por aplicação do art. 5º/1 al. a) do Regulamento.
Pedido 3 (D) – Acção de Condenação no Valor de € 2000
Exactamente a mesma solução apurada para o Pedido 2 (só difere o valor da acção)
Competência em Razão da Matéria
Pedido1 (B C) – Acção que tem por objecto o reconhecimento de que a garangem constitui uma fracção Autónoma
De acordo com a natureza das matérias que são objecto dos conflitos de interesses, assim o poder jurisdicional é atribuído a distintos tribunais. Nos termos do art. 66º CPC consagra-se que a competência dos tribunais judiciais é residual no confronto com as
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restantes ordens jurídicas de jurisdição permanente (art. 209º e ss. CRP – Tribunal Constitucional, Tribunal de Contas, Tribunais Administrativos, Tribunais Fiscais e Tribunais Militares).
Deste modo, a competência em razão da matéria distingue os tribunais judiciais relativamente aos tribunais de outras ordens de jurisdição em função da especialização das matérias em causa. Nos termos do art. 26º/1 da LOFTJ 2008 as causas que não sejam da competência de outra ordem de jurisdição são da competência dos tribunais judiciários.
No presente caso, considerando o art. 209º da CRP, as inerentes leis de organização das diferentes ordens dos tribunais, o art. 66º do CPC e o art. 26º da LOFTJ 2008 estamos face a uma acção que tem por objecto o reconhecimento de que a garagem constitui uma fracção autónoma pelo que tal é da competência dos tribunais judiciais.
Dentro da ordem de jurisdição dos tribunais judiciais, a lei distingue diferentes tribunais, no tocante à competência em razão da matéria. Deste modo, e de acordo com o art. 73º/2 da LOFTJ, os tribunais judiciais podem ser de:
Competência Genérica (art. 110º LOFTJ 2008): se o autor invoca factos que permitem várias qualificações jurídicas, o tribunal que tenha sido provocado é materialmente competente se no seu âmbito de competência couber, pelo menos, uma das qualificações jurídicas. O tribunal embora competente, somente pode analisar o caso à luz da qualificação para que seja materialmente competente.
Competência Especializada (art. 111º e ss LOFTJ 2008): quando os factos alegados pelo autor apenas autorizam uma determinada qualificação jurídica, com exclusão de outras qualificações, o tribunal em que ele deduziu a acção é competente, se e quando essa qualificação for subsumida no âmbito de competência material desse tribunal.
No presente caso, a acção em questão não se insere em nenhum dos casos de competência especializada previstos no art. 74º/2, com ressalva da al. i), ou seja no tocante à instância civil.
Deste modo, ou o tribunal competente será de competência genérica ou será de competência especializada de instância civil, desde que tal exista na comarca em causa.
Pedido 2 (C)– Acção de Condenação no Valor de €7.500
Exactamente a mesma solução encontrada para o Pedido 1
Pedido 3 (D) – Acção de Condenação no Valor de € 2000 Exactamente a mesma solução encontrada para o Pedido 1.
É necessário, contudo, ainda ponderar a aplicação da Lei dos Julgados de Paz, uma vez que nos termos do art. 8º da mesma, estes têm competência para questões cujo valor não exceda € 5 000 (conjugar com o art. 31º da LOFTJ 2008). Contudo, a aplicação da Lei dos Julgados de Paz fica excluída pelo artigo 9º/1 al. a) em que, quanto à competência destes, eles serão competentes para decidir ‘’Acções
destinadas a efectivar o cumprimento de obrigações, com excepção das que tenham por objecto prestação pecuniária’’.
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NOTA: mesmo que fosse possível aplicar a lei dos Julgados de Paz tal não obstava à
coligação do Pedido 3, uma vez que estes não possuem competência exclusiva mas sim alternativa (acórdão de uniformização de jurisprudência), ou seja o autor poderia escolher entre o tribunal judicial de competência genérica ou especializada de instância civil ou o Julgado de Paz.
Competência em Razão da Hierarquia
Pedido1 (B C) – Acção que tem por objecto o reconhecimento de que a garangem constitui uma fracção Autónoma
A ordem de jurisdição constituída pelos tribunais judiciais é dotada de uma hierarquia de tribunais, qual pirâmide judiciária: os tribunais judiciais de 1ª Instância, os Tribunais da Relação (tribunais judiciais de 2ª Instância) e o Supremo Tribunal de Justiça.
Nos termos do art. 27º da LOFTJ 2008 os tribunais judiciais encontram-se hierarquizados para efeitos de recurso das suas decisões, não sendo como tal uma hierarquia do ponto de vista administrativo (dar instruções aos tribunais inferiores).
Na LOFTJ 2008 a competência dos tribunais judiciais encontra-se consagrada, quanto ao Supremo Tribunal de Justiça no art. 41º e ss, quanto ao Tribunal da Relação no art. 65º e ss e quanto aos Tribunais de Comarca no art. 73º e ss.
Por exclusão de partes, ou seja por nem ser nem da competência do Tribunal da Relação nos termos do art. 65º e ss LOFTJ 2008, nem da competência do Supremo Tribunal de Justiça nos termos do art. 41º e ss LOFTJ 2008, o pedido da acção em questão será da competência do Tribunal de 1ª Instância.
Pedido 2 (C)– Acção de Condenação no Valor de €7.500
Exactamente a mesma solução encontrada para o Pedido 1
Pedido 3 (D) – Acção de Condenação no Valor de € 2000
Exactamente a mesma solução encontrada para o Pedido 1
Conclusão quanto à competência absoluta: todos os pedidos preenchem os requistos necessários para a verificação desta.
II Forma de Processo
Pedido 1 (B C) – Acção que tem por objecto o reconhecimento de que a garagem constitui uma fracção Autónoma
Em primeiro lugar, é necessário determinar o valor da causa, pelo que neste caso é necessário recorrer às normas constantes do art. 305º e ss CPC.
Estamos face a uma acção que tem por objecto o reconhecimento de que a garagem constitui uma fracção autónoma de que A é titular nos termos do art. 311º/1 CPC ‘’se a acção tiver por fim fazer valer o direito de propriedade sobre uma coisa, o
valor desta determina o valor da causa’’. Aplicando esta norma, o valor da causa
seria, duzentos mil euros. O art. 311º/1 CPC pressupõe a titularidade do direito de propriedade, só sendo utilizado para acções de reinvindicação.
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Quanto à forma do processo é necessário recorrer ao artigo 460º e ss CPC em que se consagra que o processo pode ser comum ou especial, sendo que apenas será o primeiro se não existir nenhum regime especial. Nos termos do artigo 460º, 461º e 462º aplica-se o processo ordinário comum, uma vez que nos termos do art. 31º da LOFTJ 2008 o valor da alçada do Tribunal da Relação é de trinta mil euros e o valor da causa no presente caso prático de duzentos mil euros. Poder-se-ia ainda suscitar-se a questão do Regime do Processo Civil Experimental devido ao facto de este não ter limitação de valor.
Pedido 2 (C) – Acção de Condenação no Valor de €7.500
Em primeiro lugar, é necessário determinar o valor da causa, pelo que neste caso é necessário recorrer às normas constantes do art. 305º e ss CPC.
Estamos face a uma acção de condenação no valor de € 7 500 pelo que nos termos do art. 310º/1 ‘’Quando a acção tiver por objecto (…) cumprimento (…) de um acto
jurídico, atender-se-á ao valor do acto determinado pelo preço ou estipulado pelas partes’’ o valor da causa será de € 7 500.
Quanto à forma do processo é necessário recorrer ao artigo 460º e ss CPC em que se consagra que o processo pode ser comum ou especial, sendo que apenas será o primeiro se não existir nenhum regime especial. Nos termos do art. 31º da LOFTJ 2008 a alçada do Tribunal da Relação é de € 30. 000, 00 e a alçada dos Tribunais de 1ª Instância de € 5. 000, 00. Ora, sendo o valor da causa € 7 500 e não se incluindo em nenhum dos objectos consagrados no art. 462º conclui-se que neste caso estamos face a um processo um comum sumário.
Contudo, existe um processo especial para as acções especiais de cumprimento de obrigações pecuniárias emergentes de contratos constante do Decreto Lei 269/98. Deste modo, supostamente não se irá aplicar o processo comum mas sim o processo especial nos termos do art. 460º/1 e 2º CPC.
Nos termos do art. 1º do Regime da Acção Declarativa Especial para Cumprimento de Obrigações Pecuniárias emergentes de Contratos consagra-se que este regime se aplica a ‘’procedimentos destinados a exigir o cumprimento de obrigações pecuniários emergentes de contratos de valor não superior a € 15. 000, 00. No presente caso, uma vez que se está face a uma quantia no valor de €7 500 pode-se aplicar este regime.
Necessário é atender ao artigo 7º deste Regime, constante em Anexo, que consagra a Injunção, que tem como propósito dar força executiva, podendo ser usada em duas situações distintas (situações a que se refere o art. 1º do regime que se está a analisar e situações de obrigações emergentes de transacções comerciais).
Deste modo, pelo regime da injunção, e de acordo com o art. 7º conjugado com o art. 1º do Regime em análise o autor terá duas possibilidades: ou intenta uma acção declarativa especial (art. 1º do Regime), ou intenta uma acção, através do regime da injunção, ficando a possuir um título executivo (art. 7º do Anexo).
Contudo é necessário atender ao art. 449º do CPC. Nos termos do art. 449º/1 CPC consagra-se a responsabilidade do autor pelas custas quando (1) o réu não tenha dado causa à acção e (2) o réu não conteste à acção.
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É necessário ainda atender ao disposto no art. 449º/2 al. d) CPC que entende que o réu não deu causa à acção ‘’Quando o autor, podendo propor acção declarativa
especial para cumprimento de obrigações pecuniárias, recorrer ao processo de