1. TELO PERES E A ORIGEM DA LINHAGEM
1.2. A CÇÃO POLÍTICA DE T ELO P ERES
1.2.2. A participação na política de Afonso VIII
1.2.2.4. Organização dos poderes a Oeste ― refundador de Trianos e as
Em Campos, Telo Peres trabalhava eficazmente para o aumento do seu poder, sempre com o apoio real. Ainda em 1181, no dia 24 de Junho, em Santistebán, Afonso VIII cedia-lhe a igreja de São Cipriano, em Meneses, e ainda seis jugadas de terra, vinte aranzadas de vinha e uma horta em troca da herdade de Castromayor, reservando D. Telo para si as casas que aí tinha136. A 13 de Novembro doava-lhe quinze jugadas de terra mais a Norte, no alfoz de Cea, em Villapeceñil137. Dois dias depois, a 15 de Novembro de 1181, eximia de tributos as casas que D. Telo mantivera em Castromayor138. E nesse mesmo dia Telo Peres e D. Guntrodo cediam o que possuíam em Castromayor ― que, de acordo com o documento de 24 de Junho, seria apenas as casas ― ao mosteiro de Trianos, uma casa religiosa de origem beneditina, fundada, ao que parece, no início do século, mas que tinha
136
Cf. CD Matallana, doc. 8. A freguesia e termos da igreja confinavam com a herdade de Sandrones e Villerías. Telo Peres reservava para si as casas que tinha em Castromayor.
137 Cf. CD Trianos, doc. 13. A doação, passada em Ávila, era feita em juro de herdade, e as terras
estavam localizadas a Norte de Sahagún, junto à vertente Este do Cea.
138
caído em decadência139. Esta doação é geralmente tida como uma refundação do mosteiro140. Ao longo dos anos seguintes, Telo Peres, o seu patrono principal, iria outorgar outros bens a esta instituição, salientando-se a doação feita em 1185, a par da esposa e filhos, de todas as herdades que lhe pertenciam em Trianos, Villacreces, Tordillos, San Nicolás e Fresno, pelas suas almas e as de seus pais141.
Esta refundação parece inscrever-se na mesma estratégia de reforço de poder sobre o território fronteiriço que havia norteado a criação do mosteiro de Matallana. Também neste caso, estando em Burgos, a 19 de Junho de 1187, Afonso VIII confirma as doações de Telo Peres ao mosteiro, designadamente os lugares de Villanueva, Tordillos, San Nicolás e algumas herdades em Vilacreces e Trianos142. E é certo que pelo menos em relação a San Nicolás, fora ele quem adquirira a igreja do lugar à Ordem do Templo, em 26 de Janeiro de 1183143. Contudo, não há nenhum documento em que se aponte, como acontece com o outro mosteiro, que esta ou aquela doação é feita por mandado ou patrocínio do rei. Acontece até que naquela confirmação de 19 de Junho a carta parece ser clara ao afirmar que as cedências foram feitas por D. Telo «pro remedio anime sue», expressão que não se encontra em relação a Matallana. Além disso, a prodigalidade com que o senhor de Meneses beneficia o Mosteiro de Trianos, doando-lhe alguns lugares que adquire sem intervenção do rei144, leva a crer que neste caso a iniciativa teria partido de si, embora validada com o beneplácito régio, até porque servia os propósitos político-territoriais de Afonso VIII. Situado na diocese de Leão, o monarca castelhano e Telo Peres tinham feito as diligências necessárias para que a 1 de Outubro de 1194 o papa Celestino III concedesse ao abade e mosteiro de Trianos a isenção da autoridade episcopal correspondente, submetendo-o à jurisdição directa da Santa Sé, exceptuando algumas cerimónias, em troca do pagamento anual de três besantes de ouro em reconhecimento da dita dependência145.
O domínio da zona do Cea era de fulcral importância para os objectivos de Afonso VIII em relação ao infantado de Campos, pelo que se percebem as doações que aí faz a
139 Cf. Susana Royer de Cardinal, «El monasterio leonés de Santa María de Trianos y su articulación con
otras instancias eclesiásticas (s. XII-XV)», Hispania Sacra, nº 119, Janeiro-Junho de 2007, p. 8.
140
Cf. ibidem, p. 8, e Modesto Salcedo, La familia “Téllez de Meneses”…cit., pp. 100-102.
141 Cf. CD Trianos, doc. 23.
142 Cf. CD Trianos, doc. 25. Alguns doados dois anos antes. 143 Cf. San Nicolás del Real Camino, doc. 2.
144 Como uma herdade em Carbajal, comprada a Martim Peres por 50 maravedis em 1187 (cf. ibidem,
doc. 29) e doada a 25 de Junho desse mesmo ano ao mosteiro (cf. ibidem, doc. 26)
145 Cf. CD Trianos, doc. 56. Na bula os dois solicitantes eram designados como «filius noster Aldefonsus,
rex Castellanorum illustris, et dilectus filius noster, nobilis uir Tellus, patronus ecclesie memorate». Pelo
menos formalmente o patrono da instituição era D. Telo. Pela bula sabe-se ainda que o mosteiro segue a regra de Santo Agostinho.
Telo Peres e o interesse que demonstra pelo Mosteiro de Trianos, designadamente na sua dispensa em relação à jurisdição do bispo de Leão. Em 1184, no dia 3 de Fevereiro, voltava a agraciar o senhor de Meneses com a entrega de uns moinhos no alfoz de Cea, no rio homónimo146.
É dentro desta lógica mas mais a sul que, a 24 de Outubro de 1182, estando em Grajal de Campos, o rei castelhano concedia um privilégio aos vizinhos de Villagarcía para que fossem povoar Tordehumos e aí fundar igrejas147. Tratava-se de um lugar próximo daquele e que teria eventualmente sido abandonado em resultado dos confrontos com Fernando II. Os novos moradores pagariam os dízimos da mesma maneira como o soíam fazer em Villagarcía, nomeadamente a D. Telo Peres, ao abade de Sahagún e ao Prior do Santo Sepulcro.
O facto das datas de muitos dos privilégios se situarem por volta de 1181, ano em que após violentas contendas com Leão se assinara o tratado de Medina de Rioseco, torna- as compreensíveis e reveladoras do afã com que Afonso VIII tratava de organizar os poderes naquela fronteira. Durante esse período a proximidade de Telo Peres com o monarca ― e a identificação mútua dos objectivos políticos de cada um ― era de tal forma evidente que sendo testemunha no documento de 12 de Novembro de 1181 que regista a doação da Igreja de Santa Maria de La Vega pelo bispo de Ávila à Ordem do Hospital, o escrivão o designa como «Tel Petriz, familiarius regis»148.
Por estas alturas a presença de Telo Peres na corte já era menos regular, pelo menos assim o indiciam os diplomas da chancelaria real, onde as confirmações do senhor de Meneses tinham passado a ser cada vez em menor número desde 1178, precisamente o ano do reatamento dos conflitos com Leão. Em 1179 tinha apenas testemunhado, além dos tratados de Cazola de 20 de Março, com Aragão, e de Najera-Logroño, com Navarra, a 15 de Abril seguinte, já referidos, outros três documentos régios: um de 9 de Março, em Toledo; outro no mesmo dia dos tratados de Cazola; e um último no dia 18 de Abril, em Villafranca de Montes de Oca149. E não será testemunha de mais nenhum até ao escambo de Malagón, a 3 de Janeiro de 1181. A situação na fronteira Oeste certamente que exigia a sua presença regular na área, como militar experimentado e homem de confiança de Afonso VIII, ausentando-se apenas para firmar os tratados com os reinos peninsulares
146 Cf. CD Trianos, doc. 21. 147 Cf. CD Matallana, doc. 9. 148 DC Ávila, doc. 20. 149
orientais, facto compreensível, uma vez que se tratava de um dos mais destacados ricos- homens do reino.
O progressivo afastamento de Telo Peres da corte de Afonso VIII parece ter mais a ver com a sua importância e utilidade política na Tierra de Campos do que com alguma perda de apreço e reconhecimento por parte do rei. Só assim se percebe que depois de se ter destacado em Cuenca «desapareça» de certa forma da chancelaria régia, apenas estando presente nos momentos em que testemunha importantes tratados com outros reinos, ou enquanto beneficiado do favor régio. A sua participação nas negociações de Paradinas com os emissários de Leão, em 1183, confirma exactamente isto. Mantinha-se no topo da esfera nobiliárquica e política, mas os seus préstimos e a fidelidade que demonstrava exigiam a sua presença na região conturbada de Campos, onde os seus serviços seriam de maior proveito para os objectivos políticos do rei.
Após o tratado de Fresno-Lavandera, a 1 de Junho de 1183, são poucas as ocasiões em que se sabe da presença do senhor de Meneses junto de Afonso VIII. Quase todas associadas ao domínio da Tierra de Campos, sendo as excepções tratados de paz e aliança com Aragão. Algumas, certificadas por dois diplomas régios, já foram indicadas atrás, designadamente a doação de uns moinhos no Cea a Telo Peres, em 1184150 e a confirmação da cedência de alguns domínios ― Villanueva, Tordillos, San Nicolás e algumas herdades em Vilacreces e Trianos ― por parte deste último ao mosteiro de Trianos, em 1187151. Também já foi mencionado o requerimento ao papado para a isenção da autoridade episcopal sobre Trianos152, negociação que atesta a ligação que os unia através de objectivos políticos comuns.
Encontramos Telo Peres na corte em 18 de Outubro de 1185, em Tordehumos. Neste dia, Afonso VIII confirmava-lhe e a D. Guntrodo um negócio que estes haviam feito com o mosteiro de Gradefes, cuja abadessa era então Teresa Peres, mãe de D. Guntrodo153. A confirmação era feita porque as terras adquiridas ― o infantado de Villacreces, o realengo de Bustillo e a vila de Tordillos154 ― tinham pertencido ao rei.
150 Feita em Burgos, a 3 de Fevereiro de 1184 (cf. CD Trianos, doc. 21). 151 Dada em Burgos, a 19 de Junho de 1187 (cf. CD Trianos, doc. 25). 152 Cf. CD Trianos, doc. 56.
153
Cf. CD Gradefes, doc. 187. D. Teresa tinha vendido ao casal tudo o que tinha em Villacreces, o realengo de Bustillo de Cea e a vila de Tordillos, lugares que o Mosteiro de Gradefes havia adquirido do rei em escambo com Villavera (cf. ibidem, doc. 186)
154 Quase certamente o actual Terradilhos de los Templarios. Alguns destes senhorios, como Villacreces,
No ano seguinte, Telo Peres volta a confirmar tratados de paz e aliança com Aragão. O primeiro a 21 de Janeiro, em Agreda155; e o segundo a 5 de Outubro, em Berdejo156. O inimigo comum neste último era o de sempre, o rei de Navarra. Nesse ano não aparece mais na cúria e o seu afastamento poderá ter-se prolongado até 30 de Março de 1188, uma vez que não há notícia da sua presença até essa data, quando confirma mais uma carta de Afonso VIII, em Plasencia157.
Certamente que, apesar do afastamento físico, as relações e a comunicação entre os dois se fazia com a normalidade que se esperava do rei e de um homem da sua confiança como Telo Peres. Não só se fazia como este continuava a ser favorecido, pois a 23 de Abril de 1189, e a seu pedido, o monarca outorgava aos moradores de Tordillos, lugar do Mosteiro de Trianos, isenções de alguns tributos e obrigações, como a fossadeira e o apelido158. Aparentemente, as idas de Telo Peres à corte tinham adquirido quase uma regularidade anual, e só o vamos encontrar novamente no ano seguinte, em Março159, na cidade de Palência. A sua última confirmação de uma carta régia data de 4 de Maio de 1193160, altura em que o seu filho primogénito, Afonso Teles, que lhe sucederia na chefia da linhagem, já começava a frequentar com regularidade a corte de Afonso VIII161.
Este período de progressiva ausência de Telo Peres da cúria, explicado pela importância que representava para Afonso VIII ao nível do exercício do poder na Tierra de Campos, reflecte-se de forma visível nos documentos dos mosteiros dessa zona fronteira162 ― sobretudo o Mosteiro de Sahagún, leonês ―, que amiúde, em declarações e registos sobre propriedades, apontam o seu nome como poderoso nesse espaço e representante da autoridade real, designadamente em Cea. Também é citado na documentação como tenente de outras terras, nomeadamente Grajal, numa ocasião, Melgar, em três cartas diferentes, e Cantábria, em duas, como se observará em seguida. A designação mais comum é a de
155
Cf. Alfonso VIII, doc. 449. O tema principal era a aliança contra o navarro Pedro Rodrigues de Azagra, senhor de Albarracín.
156 Cf. ibidem, doc. 460. Telo Peres é arrolado em primeiro lugar na lista dos confirmantes nobres
castelhanos. Além de pactuarem contra Pedro Rodrigues de Azagra, os dois reis combinavam ajuda mútua contra Navarra e prometiam não assinar novas pazes com este reino sem consentimento do outro.
157 Trata-se de um pacto entre o rei e Pedro Garcia sobre os castelos de Agoncillo e Lodosa (cf. ibidem,
doc. 495).
158
Cf. CD Trianos, doc. 37. Recorde-se que Tordillos tinha sido uma doação de Telo Peres àquele mosteiro.
159 Confirma documentos nos días 6 (cf. Salazar y Castro, Maço B, pasta 8, doc. 25) e dia 22 (cf. Alfonso VIII, doc. 546).
160 Cf. ibidem, doc. 615. 161
Afonso Teles, que sucederá ao pai na principal parte do senhorio de Meneses, confirmava documentos régios desde 17 de Setembro de 1191, em Valladolid (cf. ibidem, doc. 1028).
162 Mosteiros que reconhecem a importância de D. Telo na região. Em 16 de Agosto de 1188, o senhor de
Meneses, que detinha a região de Villaverde, a norte de Cea, mediava um litígio existente entre o Abade de Sahagún e o Abade de Trianos sobre a vila de Dehesa, aí localizada (cf. CD Trianos, doc. 34).
«tenente» de Cea, embora também surja por uma ocasião a indicação como «potestas in
Ceia»163, aparentemente com sentido idêntico164. Há situações em que apenas surge a preposição «in» seguida da terra ― «in Ceia» ― com o mesmo significado, como por exemplo nos dois primeiros diplomas em que Telo Peres é apresentado como tenente daquela terra, a meias com Fernando Bravo, ambos de 1166165. Tratam-se de duas compras por parte de Teresa Peres, sogra de D. Telo, viúva há pouco mais de um ano, pela morte de Garcia Peres, seu esposo166.
Como foi já visto atrás, Garcia Peres detinha em 1166 a tenência de Cea, também partilhada com Fernando Bravo167. Apesar de não se tratar de um cargo hereditário, a ligação familiar teria certamente influído para que D. Telo sucedesse ao sogro naquela jurisdição, eventualmente logo em 1164. É porém em anos seguintes que a sua menção como tenente de Cea nos vários registos é mais frequente.
Duas vezes em 1173, a meias, uma vez com Martinho Garcia e outra com o conde Ponce de Minerva168 e outras duas em 1175, a 5 de Julho e a 19 de Outubro, sendo que aqui não é assinalado como a dividir a tenência com ninguém169, constituem a lista da década de 70. Se até aí e desde 1166 se encontram seis referências, nos decénios seguintes a sua frequência cresce exponencialmente, atingindo os 33 registos entre 1181 e 1194. É
163
Cf. CD Gradefes, doc. 204. Documento de 1 de Fevereiro de 1189.
164 O conceito de «tenente» pode ser bastante genérico, utilizando-se de forma comum com uma
conotação jurisdicional, indicando geralmente o governador de concessões administrativas atribuídas pelo rei (cf. José Mattoso, «O léxico feudal», in En torno al feudalismo hispanico: I Congreso de Estudios
Medievales, Ávila, Fundación Sanchez-Albornoz, 1989, p. 308). Não sendo este o lugar para tratar esta
questão, a definição de Luís García de Valdeavellano é aquí suficientemente adequada: «el “rico-hombre” a
quien el rey atribuía el gobierno de un territorio, población o plaza fuerte del reino, que dependían directamente de la autoridad o señorío real (“realengo”), recibía la administración de los mismos en honor o tenencia, o sea, como un “benefício” que le otorgaba el monarca, y de ahí que en el siglo XII se diesen preferentemente en Castilla los nombres de honor y tenencia a las concesiones beneficiarias, que antes se habrían llamado también tierra, pero que ahora atribuían al concesionario funciones de gobierno y jurisdicción en un distrito, ciudad fortaleza o señorío, al propio tiempo que las rentas y gabelas debidas en los mismos al fisco regio. Por extensión se llamaron también honores y tenencias los territorios, ciudades, villas, señoríos y castillos objeto de esta concesión real, es decir, que habían sido cedidos por el rey en “beneficio” invistiendo al concesionario con poderes públicos y jurisdiccionales; y el nombre de tenencia se aplicó, sobre todo, a los castillos que el rey entregaba en prestimonio a un magnate o caballero para que los tuviese abastecidos en hombres y armas, cuidase del buen estado de sus defensas y percibiese por lo menos una parte de sus rendas.» (cf. Señores y burgueses en la Edad Media hispana, Madrid, Real Academia de la
Historia, 2009, pp. 124-125).
165
O primeiro é de 24 de Janeiro de 1166 (cf. CD Gradefes, doc. 98) e o segundo de 25 de Outubro (cf.
ibidem, doc. 100). Nas duas são indicados, como referência jurisdicional, «Fernando Brauoio et dom Tello in Ceia».
166 Garcia Peres tinha falecido em Setembro de 1164 (cf. Damián Yañez Neira, «El Monasterio de Santa
María la Real de Gradefes y sus abadesas», cit., p. 30).
167
É assim mencionado num documento de 17 de Abril de 1161 ― «Garcia Petri tenentibus Ceiam per
medium» ―, como já fora na carta de arras de D. Telo Peres, datada nesse mesmo ano, a 22 de Janeiro ―
«Garcia Petriz et Fernando Bravo in ceia». (cf. CD Gradefes, docs. 92 e 91, respectivamente).
168 Cf. CD Gradefes, docs. 116 e 120. O primeiro é de 15 de Agosto, o outro não tem indicação do dia. 169
mencionado como tenente de Cea três vezes em 1181170; quatro em 1182, sendo que na primeira carta deste ano é também apontado como tendo a Cantábria171; uma em 1183172; duas em 1184173, ano em que também se encontra um outro documento que informa que tem a Cantábria174; três em 1185175; outras tantas em 1186176; apenas uma no ano seguinte177; duas em 1188178; outras duas em 1189179, ano em que surge por três vezes como tenente de Melgar180; três em 1190181; apenas uma em 1192182; três em 1193183; e, por último, uma vez em 1194, quando também detém a tenência de Grajal184.
Ou seja, tenente de Cea, eventualmente ininterruptamente, entre 1166 e 1194. Da Cantábria em 1182 e 1184, de Melgar em 1189 e de Grajal em 1194. A sucessão no trono leonês, com as disputas que depois advêm, merece alguma atenção, uma vez que durante este período as tenências da fronteira teriam certamente adquirido um acréscimo da sua importância.
Fernando II de Leão tinha falecido em em 22 de Janeiro de 1188, tendo sido aclamado Afonso IX, seu filho, havido de Urraca de Portugal, após curta disputa com Urraca Lopes de Haro, última esposa do falecido rei, que com o apoio dos seus irmãos, com importantes possessões em Leão, reclamava o trono para o seu filho, o infante D.
170
Cf. CD Sahagún, t. IV, docs. 1401 e 1403, de 31 de Janeiro e 6 de Dezembro, e CD Trianos, doc. 45, sem indicação do dia.
171 Cf. CD Gradefes, docs. 160, 161 e 163, de 26 de Março, 27 de Março e 10 de Abril, e CD Trianos,
doc. 16, de 21 de Julho. Estes diplomas de Gradefes utilizam a expressão «Tellus Petriz in Cea» e «Tellus
Petriz in Ceia et in Cantábria», no caso do doc. 160. O de Trianos sublinha um aspecto mais bélico da
tenência: «Tellus Petriz, tenens turres Ceie».
172 Datado de 15 de Maio: «Tenente Ceia dom Tello» (cf. CD Trianos, doc. 19)
173 Cf. CD Sahagún, t. IV, doc., 1411, de 2 de Junho; e CD Gradefes, doc. 182, de 27 de Novembro. 174
Cf. CD Sahagún, t. IV, doc. 1412, de 30 de Junho: «Tello Petri Cantabriam.»
175 A 17 de Fevereiro, 2 de Março e 30 de Novembro (cf ibidem, docs. 1417, 1418 e 1421)
176 A 24 de Abril, 15 de Junho, sendo que um dos documentos não menciona o dia (cf. ibidem, docs.
1425, 1427 e 1430)
177
A 16 de Outubro (cf. ibidem, doc. 1432).
178 A 1 de Maio e a 16 de Agosto, utilizando esta última carta a expressão «domnus Tellus, qui tunc
terram istam [Cea] tenebat» (cf. ibidem, docs. 1437 e 1440).
179 A primeira das quais a 1 de Fevereiro, apresentando-o como «Dom Tello potestas in Ceia» (CD Gradefes, doc. 204) e a segunda a 31 de Março (cf. CD Sahagún, t. IV, doc. 1447).
180 A 25 de Maio (cf. ibidem, doc. 1448), a 26 de Julho (cf. Luis, Fernandez Martín «Colección
diplomática del Monasterio de Santervás de Campos», Archivos Leoneses, 64, 1978, pp. 183-214, doc. 9) e a 18 de Novembro (cf. CD Sahagún, t. IV, doc. 1451). Curiosamente, neste último documento é indicado o seu filho primogénito, Afonso Teles, como tenente de Cea. Este facto não é novo, pois já em 1182 Afonso Teles surgira com esta tenência, no mesmo ano que o pai. Esse aspecto será analisado mais adiante.
181 Duas escrituras de 3 de Outubro e de 8 de Dezembro (cf. ibidem, doc. 1454 e CD Gradefes, doc. 209).
A terceira apenas indica o ano (cf. CD Sahagún, t. IV, doc. 1458).
182
Cf. ibidem, doc. 1454.
183 A 30 de Janeiro, 10 de Abril e 16 de Dezembro (cf. ibidem, docs. 1472, 1476 e 1491). Os últimos
documentos são bastante interessantes, pois no segundo Afonso Teles é referido como tenente de Grajal mas em Dezembro ostenta a tenência de Melgar, sendo Fernando Mouro [Mauri] quem detêm Grajal.
184
Sancho185. Os castelhanos aproveitaram esta disputa, ocupando alguns castelos, designadamente Alba, Lima, Portilla e, na Tierra de Campos, Valderas, Bolanõs, Santervás, Villavicencio e Melgar186. É bastante provável que Telo Peres tenha intervindo nestas operações, algumas delas localizadas próximo da sua área de actuação. Talvez se justifique assim a tenência de Melgar que ostenta um ano depois.
O novo rei de Leão ter-se-á encontrado em meados de Maio de 1188, em Soto