Anarquistas: Os anarquistas são vampiros que rejeitam as Tradições de Caim e as ordens dos anciões. Ironicamente, os an- ciões relutantemente conferem aos anarquistas algum grau de status, devido à sua habilidade em conquistar o poder, apesar da oposição. Os anarquistas também são respeitados por sua paixão e esforço, coisa que poucos anciões, endurecidos pela idade e in- satisfação, são capazes de reunir. Basicamente, no entanto, a maioria dos Membros considera os anarquistas como chacais, revirando o lixo da não-vida para comer o que escorrega por entre os dedos dos anciões.
São vampiros que têm centenas de anos e
Mais conhecidos como crianças da noite ( Os neófitos variam de vampiros novos, r
Esses são vampiros relativamente jovens
Caitiff: Os Caitiff são vampiros sem clã, banidos por outros Membros e desprezados por aqueles que se dão ao trabalho de notar que eles existem. Os vampiros podem se tornar sem clã por desconhecerem a identidade de seus senhores (não tendo assim nenhum senso de linhagem) ou por pertencerem a uma geração tão fraca que é impossível identificar alguma característica dos clãs. Os Caitiff são quase sempre considerados como crianças bastardas e órfãs, embora alguns conquistem certa importância entre os anar- quistas. Antigamente havia poucos Caitiff, mas após a Segunda Guerra Mundial, observou-se um nítido crescimento em seus nú- meros. Alguns anciões sussurram apavorados sobre a "Época do Sangue Fraco", um dos prenúncios da Gehenna.
O ABRAÇO
Nem toda vítima do Beijo vampírico torna-se um Membro — criar um novo vampiro exige um esforço consciente, e frequente- mente, permissão. O Abraço é o termo corrente para o ato de transformar um mortal em vampiro. Quando um vampiro deseja gerar progénie, sua caça toma um novo rumo. O vampiro não está mais apenas à procura de alimento; ao invés disso, ele se torna mais consciente e exigente, procurando pela perfeita combinação de traços pessoais que justificam a imortalidade.
As razões para Abraçar um novo Membro variam de vampiro para vampiro. Alguns senhores sentem um grande remorso a res- peito da eterna maldição do vampirismo, e selecionam mortais que possam "dar algo em troca" à depravada raça dos Membros. Pou- quíssimos vampiros procuram por grandes artistas, pensadores, criadores ou almas compassivas, cujos talentos devem ser preser- vados para sempre. Esses Membros geralmente sofrem muito quando percebem aquilo que o seu egoísmo descarregou sobre os infelizes que trouxeram para dentro da Família, pois o Abraço frequente- mente destrói seu lampejo de genialidade. Os Membros não possuem a habilidade para realmente inovar — eles simplesmente seguem as modas humanas ao invés de determiná-las, e até mesmo seus trabalhos mais inspirados não são mais do que pálidas imitações das obras mortais que já existem. E uma ironia que esses Membros cuja intenção era a despreservar os dons de seus progênitos para sempre, acabem na verdade por prejudicar o seu talento.
Outros Membros são vingativos e perversos com relação ao Abraço, escolhendo mortais que desejam ver sofrer. Alguns Malka- vianos particularmente cruéis deleitam-se em t r a z e r os verdadeiramente loucos para dentro de sua classe, esperando revelar algum novo aspecto da loucura enquanto assistem a criança da noite mergulhar no desespero. Os medonhos Nosferatu também se deleitam em Abraçar os vaidosos e belos, apreciando os gritos an- gustiados da criança enquanto ela se transforma num monstro deformado. Mesmo os Toreador, em sua degeneração, às vezes se- lecionam suas crianças com o propósito de impor sua superioridade sobre aqueles que foram arrogantes durante toda a vida.
A maioria desses Membros, no entanto, Abraçam movidos pela solidão ou desejo. Esses vampiros são invariavelmente os mais mal- fadados, pois após satisfazerem a sua luxúria ou angústia, eles se vêem na companhia não de amigos, mas de monstros tão cruéis e predadores quanto eles próprios.
Os Membros dificilmente Abraçam com desleixo — o direito de criar uma criança é concedido raramente, e aqueles que obser- vam as Tradições não desejam desperdiçar uma oportunidade que poderão não receber novamente em anos. Alguns vampiros, no entanto, são levianos, negligentes ou simplesmente descuidados com relação ao direito do príncipe de destruí-los e à sua progénie. A classe dos Caitiff cresce com membros que não conhecem sua linhagem, que "nasceram" acidentalmente após terem sido deixa-
32 Vampiro: A Máscara
dos mortos por um vampiro descuidado, ou que abandonaram seus senhores negligentes.
O ato de criar um Membro não é complexo, embora muitos senhores se recusem a instruir suas crianças sobre esse processo. Primeiramente, o vampiro drena o sangue de sua vítima até o ponto da morte — o que não é difícil, pois uma vez que o Beijo acontece, a vítima geralmente está envolvida demais em seu torturante êxtase para resistir ao ataque. Após remover todo o cobiçado sangue mortal da criança, o senhor põe uma quantidade do seu próprio sangue na boca da vítima. A quantidade varia: enquanto alguns vampiros literalmente amamentam sua criança usando o pulso, outros Membros derramam apenas uma fina gota nos lábios da pro- génie e observam a Besta assumir o controle. Os vampiros do Sabá supostamente Abraçam suas crianças e então as enterram, forçando a progénie a literalmente se erguer do próprio túmulo.
Qualquer que seja o caminho seguido, a vítima sofre uma morte física e espiritual, somente para se erguer sobrenaturalmente mais tarde. Na maioria das vezes, a morte é um período de grande dor e angústia; a vítima sofre convulsões e choques enquanto seu corpo perde a vida.
O momento do renascimento, em compensação, é talvez o de maior prazer que um vampiro pode sentir, e provavelmente é o último êxtase que irá conhecer. Um processo místico transforma o corpo já morto da vítima, corrigindo imperfeições e frequentemente tornando o corpo mais bonito, ainda que de um modo surreal. Esta beleza é assustadora ao olhar, um encanto predatório como o do tubarão ou como o de uma cobra venenosa. Os sentidos da criança da noite também se ampliam até um nível impressionante, revelando sons que ela nunca havia escutado ou prestado atenção, estímulos táteis nunca apreciados pelo toque, tonalidades de cor imperceptíveis ao olho humano, além de inúmeros od ores anteri- ormente indistinguíveis.
Além disso, o sentido de paladar do vampiro também se in- tensifica embora direcionado a um único e terrível sabor. Apenas uma coisa satisfaz o vampiro: o sangue humano. Desde o momento em que é transformado, o vampiro está aprisionado à paixão de sua Fome, e a cada noite, ele irá experimentar uma fome que pode ser saciada apenas através do ataque aos membros de sua antiga espécie.
Após o Abraço, a vítima é reconhecida como uma criança da noite, sob a proteção e a orientação de seu senhor até que este decida que ela está pronta para enfrentar as noites sozinha. É de responsabilidade do senhor a educação da criança nas regras dos Membros, embora raramente esta educação seja formal. Ela é fre- quentemente irregular e sempre corrompida pela inveja e pelos preconceitos do senhor. Muitos senhores, desejosos de conspira- dores, bajuladores e simples marionetes, envenenam as mentes de seus progênitos contra os inimigos ou omitem informações impor- tantes, para melhor controá-los mais tarde.
As
PRIMEIRAS NOITFSEnquanto a criança da noite afunda lentamente no mundo da maldição, ela aprende sobre a sociedade dos mortos-vivos através da tutela de seu senhor e de suas próprias experiências. O senhor deve apresentá-la a outros Membros. A criança da noite deve aprender de imediato a pompa e os rituais associados com a sociedade vampírica. A maior parte dos senhores, no entanto, esconde seus progênitos de outros Membros, temendo que a exposição aos de- mais vampiros possa desviar os conhecimentos de sua criança da noite daquilo que ele deseja lhe ensinar.
Muitas dessas primeiras noites são gastas para aprender o que significa ser um morto-vivo. Inevitavelmente, a criança descobre a sua Besta, e acaba caindo em frenesi ou aprende desde cedo como
subjugar o seu chamado selvagem. O senhor deve observar enquanto a Besta toma conta de sua criança, advertindo-a da fraqueza mais tarde. É neste momento que ela aprende que a não-vida é de fato uma desgraça. A despeito do poder transmitido pelo Abraço, ela não é inteiramente ela mesma, e deve sempre ficar cautelosa com a Fome que queima em seu interior.
É também nessa hora que a criança aprende (infelizmente tarde demais) a apreciar a capacidade emocional possuída pelos mortais. Como um vampiro, seu coração morreu, deixando seu corpo frio e incapaz de sentir qualquer coisa. Muitos deles com- pensam isso forçando-se a sentir, citando lembranças de emoções da vida já morta. Mas o desespero é tudo o que resta no coração de muitos vampiros, quando percebem o que perderam por estarem mortos.
As primeiras noites são urna época de tristes revelações. Muitas das crianças da noite não conseguem competir com o terrível mundo da noite para o qual foram tragadas, e preferem enfrentar os destruidores raios de sol a continuar com suas existências.
CAÇANDO
A lição mais importante que um Membro recém-Abraçado aprende é a maneira de se caçar um humano. Inevitavelmente, o senhor desempenha um papel importante nesse processo, seja ins- truindo a criança na arte de se alimentar ou deixando-a à mercê de seus próprios métodos e oferecendo suas críticas mais tarde.
A malícia na personalidade dos Membros tende a vir à tona quando se ensina uma criança a caçar. Muitos vampiros não per- mitem um "período de desmame" às suas crianças, um tempo durante o qual o vampiro pode sustentar-se com o sangue de ani- mais. Na verdade, muitos senhores "se esquecem" de informar suas crianças que o sangue animal pode sustentar um vampiro. Eles jogam as crianças imediatamente contra a raça humana, forçando-as a se alimentarem da espécie a que um dia pertenceram.
Uma criança aprende logo cedo que a caça é o ponto mais im- portante da existência vampírica. De todos os hábitos que o senhor ensina à sua criança, a alimentação é o único fato obrigatório para a existência do vampiro. Por esse motivo, muitos senhores instruem suas crianças na maneira de saborear a caçada, alimentando suas paixões com o terror de suas presas ou aproveitando a antecipação de um gole de sangue mesmo antes dele atingir seus lábios. A refeição de um vampiro, conhecida como o Beijo, causa grande êxtase na
fonte, a pessoa da qual o vampiro se alimenta. É desnecessário dizer
que o vampiro sente um enorme prazer físico enquanto a vitae nutritiva escorre para dentro dele, preenchendo o vazio que existe em sua alma.
Os Membros alimentam-se de diversas maneiras, de acordo com sua própria personalidade. Alguns preferem a brutalidade de se ali- mentar de qualquer um que escolherem, tratando suas fontes com rispidez e deixando-as destroçadas. Outros recorrem a uma infinidade de subterfúgios para aumentar a sensualidade do beijo, forjando seduções e reunindo verdadeiros haréns de amantes mortais para poderem se alimentar. Outros preferem roubar a vita; das fontes sem que elas percebam, atacando-as enquanto dormem. Os Membros também experimentam alguns efeitos colaterais ao se alimentarem de fontes que possuem sangue com determinadas par- ticularidades. A vitae de um doente é pobre e pode. ter um efeito desfavorável sobre o vampiro, e um Membro que se alimente de um bêbado ou de um drogado sentir-se-á como se ele próprio esti- vesse embriagado ou alucinado. Uns quantos Membros apreciam esses efeitos indiretos e selecionam suas fontes especificamente devido a esses efeitos.
No fim, cada vampiro cultiva seu próprio estilo particular e suas preferências individuais. Aprender a se alimentar dá ao vampiro
uma oportunidade de descobrir essas preferências, e o senhor ge- ralmente gosta de observar sua criança dar os primeiros passos hesitantes no caminho que a levará a tornar-se um verdadeiro pre- dador. Entretanto, mesmo enquanto se alimentam, os Membros devem lembrar-se de observar a Máscara.
Para isso, eles costumam lamber as marcas do ferimento feito pelos seus caninos, o que induz a uma cicatrização por meios mágicos, escondendo as evidências de sua presença.
Os
REFÚGIOSÀ medida que um novato vai aumentando mais e mais o seu conhecimento sobre os hábitos dos Membros, ele deve estabelecer seu próprio refúgio. Embora seja provável que suas primeiras noites tenham sido passadas na companhia de seu senhor e na segurança de seu refúgio, inevitavelmente chega o momento de abandonar o ninho.
A escolha de um refúgio é algo muito pessoal, tanto quanto escolher uma residência quando se é mortal. Porém, ao se decidir por um refúgio, um vampiro deve considerar certos requisitos que passam desapercebidos à maioria dos mortais.
Obviamente, o refúgio deve ser protegido dos raios do sol. Mesmo o mais leve toque da luz do sol pode fazer o Membro explodir em chamas. O refúgio deve ainda oferecer um razoável isolamento — vizinhos curiosos que notam as idas e vindas noturnas de quem mora ao lado podem causar aborrecimentos. Finalmente, ele deve oferecer uma segurança física; durante o dia, os vampiros cochilam impassíveis, e mesmo que acordem e se levantem, eles agem pre- guiçosamente e com grande letargia. Inimigos que descobrem uma toca vampírica têm uma grande vantagem sobre aquele Membro, encontrando-o bastante vulnerável.
Por essas razões, muitos Membros preferem refúgios inacessí- veis ou fortemente protegidos. Os Nosferatu preferem a discrição
oferecida pelos esgotos, enquanto nenhum Ventrue que se preze se contentaria em manter qualquer coisa inferior a um apartamento mobiliado e equipado com todo luxo. Alguns Membros mantêm suas antigas casas como refúgio, enquanto outros escolhem lugares onde ninguém pensaria em olhar, para desencorajar visitantes inoportunos.
O
DOMÍNIOEmbora apenas os vampiros mais poderosos reivindiquem regiões inteiras como seus domínios, a maioria dos vampiros costuma reivindicar pequenas áreas de influência pessoal. Claro que muitos príncipes permitem a eles reivindicar apenas seus refúgios e arre- dores como domínio.
O domínio de um vampiro é a área na qual ele é a autoridade; o rei do castelo, como se diz. Isso não significa necessariamente que ele tenha qualquer "controle" ou direito de propriedade sobre o domínio, mas apenas que aquele é o seu "território". Outros Membros que desejam visitá-lo devem pedir a permissão do Membro que o tem sob seu domínio.
Poucos vampiros jovens reivindicam domínios maiores do que os seus refúgios; os anciões já assumiram o controle das áreas principais das cidades. Este é um dos maiores motivos de disputas entre muitos Membros das cidades, já que o número crescente de mortos-vivos vai ter que competir pelos recursos reduzidos oferecidos pela área limitada na qual se encontram. Algumas vezes, uma revolta aberta ou uma usurpação sutil é o único meio de se adquirir um novo domínio.