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INTERVENÇÃO COMUNITÁRIA, PARTICIPAÇÃO DE jOVENS E PREVENÇÃO DA VIOLêNCIA URBANA

que, considerando o desvio padrão face àquilo que é a média da OCDE, em termos do bem-estar material das crianças, Portu- gal curiosamente surge à frente de países como o Reino Unido, Irlanda, Hungria e Polónia. Países que no quadro anterior apare- cem com taxas de descontentamento muito inferiores à nossa, nomeadamente no caso da Hungria e da Polónia, com 35% de pessoas que consideram que os direitos são incompletos ou não existem mesmo, ao contrário da nossa maioria de 58% de pes- soas inquiridas.

O que pretendo relevar, portanto, é que há aqui um desvio entre aquilo que é a realidade do nosso país e aquilo que é a percepção dessa realidade. Uma percepção que é na nossa opinião, pessi- mista, negativa, e que, de certa forma, contraria o importante ca- minho que programas como o PETI, a própria Comissão Nacional e as CPCJ e o Escolhas vêm percorrendo. Ou seja, há todo um conjunto de trabalho que está a ser feito e que não está a passar para a opinião pública, o bom trabalho, articulado e integrado, que está a ser feito no âmbito da protecção das crianças e dos jovens.

O Prof. Jorge Gaspar, pessoa genial e que foi meu professor dizia a dada altura: é muito fácil quando nós cruzamos o mapa da dis- tribuição da precipitação em Portugal com o mapa eleitoral cor- rermos o risco de chegar à conclusão que nos sítios onde chove mais as pessoas votam mais à direita. Temos que ter cuidado com este tipo de simplismos e este tipo de leituras porque é muito fácil encontrarmos matchings quase perfeitos entre indicadores, encontrando supostas relações causa-efeito. Se nós cruzarmos este mapa elaborado em 2006, juntamente com o Centro de Es- tudos Territoriais (CET), com a distribuição, por exemplo, dos imigrantes em Portugal, podemos simplesmente dizer que onde existem mais imigrantes é onde o risco de exclusão infanto-juvenil é maior. Nós temos muitas dúvidas sobre isso. E quando vimos este mapa pela primeira, que operacionaliza um indicador com- plexo, cruza vários indicadores que estão na génese da exclusão social como questões de abandono escolar, questões de consu- mos, as questões também da maternidade precoce, e que depois teve esta manifestação neste mapa, podíamos correr o risco de efectuar este tipo de leitura.

O nosso entendimento, e aqui falo também enquanto Alto Co- missariado para Imigração que é no fundo a minha casa mãe, é que a coisa não é assim. Como tal, o CET procurou uma forma de demonstramos que existem outras exclusões que são tão ou mais evidentes do que estas e que nós, muitas vezes, desconsidera- mos. Assim quando tiveram em conta outros indicadores, nome- adamente no caso das regiões do interior do país com menor densidade populacional, a questão da maternidade precoce, as questões do consumo de álcool e uma questão muito importante que é o isolamento geográfico, a perspectiva do risco de exclusão alargou-se.

A título de exemplo, em Mértola, onde nós tivemos um projecto durante três anos, tínhamos dois irmãos que num raio de 50 qui- lómetros não tinham nenhuma outra criança com quem contactar. Tratam-se, obviamente, de situações de grande risco de exclusão infanto-juvenil.

Chegámos então a um outro indicador que está manifesto naque- le outro mapa e que nos mostra que, efectivamente, há um país com duas realidades muito distintas mas, sobretudo, há outras realidades de exclusão infanto-juvenil que nós devemos ter em

conta. Este é um aspecto que temos de ter cuidado quando ana- lisamos estes fenómenos.

O papel dos media para nós é absolutamente central. O progra- ma Escolhas trabalha em 121 comunidades por todo o país e a sensação que temos muitas vezes é aquela velha máxima que só há notícia quando é o homem que morde o cão. Porque aquilo que acontece na maioria das comunidades onde trabalhamos são situações perfeitamente normais, de coisas positivas que acon- tecem e estes territórios e estas pessoas só são notícias quando algo negativo acontece.

Não perdendo muito tempo, podíamos pegar só nos três primei- ros concelhos que estão nesta tabela, que resulta de um estudo do Prof. Jorge Malheiros, feito para o Alto Comissariado em 2007, onde ele basicamente o que fez foi analisar a representação dos crimes ocorridos na área metropolitana de Lisboa registados pe- las autoridades e depois comparar com a representação em dois grandes jornais nacionais que estão expressos na coluna da vos- sa esquerda. E o que é que podemos ver olhando para a coluna da direita? Que a maioria dos crimes registados pelas autorida- des, ou pelo menos o local da ocorrência deles é, claramente, o concelho de Lisboa, com 48%. Em segundo lugar, aparece-nos Sintra, com 11,1%, em terceiro Cascais, em quarto Loures e ape- nas em quinto lugar a Amadora.

Quando nós vamos analisar esses dois grandes jornais diários, o que é que vamos encontrar? Vamos encontrar, em primeiro lugar, Lisboa, com 36,8% das notícias sobre crimes acontecidos em Lisboa, mas que já significa uma sub-representação, reparem que de 48% para 36,8% há aqui uma desvalorização do valor notícia dos crimes acontecidos em Lisboa. Mas reparem quem é que aparece em segundo lugar, com 20,2%, a Amadora. Em terceiro lugar aparece então Oeiras. Portanto, o que é que nós queremos dizer com isto, sem perder muito tempo, até porque o estudo do Prof. Jorge Malheiros pode ser solicitado gratuitamente ao Alto Comissariado, é que há aqui valores diferentes e parece-nos da leitura, e essa é aliás a conclusão do Prof. Malheiros, que há um valor notícia maior quando estes incidentes ocorrem em territó- rios associados a minorias, a descendentes de imigrantes ou a imigrantes. Este é claramente um factor que nos ajuda a perceber porque é que a percepção que nós temos de determinados fenó- menos é também ela construída com base na percepção. Face a esta complexidade, e à multidimensionalidade destes fe- nómenos, nós só podemos esperar, respostas complexas e mul- tidimensionais. Aquilo que, muito rapidamente, passaria a desa- fiar-vos era a pensar como é que podemos responder a estes problemas. Como resolver no local problemas que são sobretudo de âmbito societal? Como fazer convergir as escalas locais, re- gionais e centrais e que princípios devem estabelecer esta re- lação multi-nível e, sobretudo, que designs de governança são possíveis, nestes contextos, com estes públicos?

A governança é, duma forma muito simples, a capacidade do Es- tado servir os seus cidadãos, sobretudo pela forma como conse- gue distribuir o poder e que se baseia em cinco princípios éticos, adaptados de manuais da Comissão Europeia.

Como é que esta governança tem sido gerida? Basicamente em contextos de grande vulnerabilidade, e apesar do nosso despertar tardio para o Welfare State, nós passámos por uma fase em que era o Estado que fazia a intervenção, o modelo clássico do topo-

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baixo. Assumia-se esse papel do Estado, era ao Estado que com- petia intervir e, portanto, intervinha muitas vezes quase de forma directa nas comunidades. Passámos depois, e gradualmente, para a lógica do baixo-topo, do bottom- up, ou seja, achou-se a dada altura que quem deve decidir e gerir são as comunidades, o Estado deve ser um mero observador, isto ainda hoje se mantém em determinados contextos.

Da experiência do Programa Escolhas, que de certa forma, em momentos diferentes, já incorporou os dois modelos referidos, caminhámos, gradualmente, para um modelo circular em que a lógica é cada vez mais das parcerias público-privado, com uma clara co-responsabilização da sociedade civil, devidamente con- tratualizada e regulada pela administração central. Esta lógica multi-nível é para nós o paradigma, quer atendendo à nossa es- cala, até porque nós não temos regiões no sentido administrativo, caminhando-se muito gradualmente para a evolução deste mo- delo para aquilo que venho denominando do modelo dentro–fora. Ou seja, um modelo que, em vez de ver o poder de forma vertical, como nos três modelos anteriores, passe a ver este poliedro de cima, ou seja, de uma forma horizontal. E esta ideia é a de fazer convergir nestes territórios um conjunto de respostas que podem vir de diferentes escalas, podem vir do poder central, podem vir do local, podem vir do terceiro sector mas que devem convergir numa lógica territorial as respostas, a construção dos diagnósti- cos e a execução das medidas. Portanto, esta é a lógica de mo- delo que nós temos implementado no Programa Escolhas, e é a este modelo que o PETI tem também aderido e achamos que este é, verdadeiramente, o modelo que, neste momento, tem demons- trado maior sucesso.

Isto integra-se depois numa lógica que desde Bristol se chama das comunidades sustentáveis. Vão ouvir falar muito de comuni- dades sustentáveis até 2013 porque este vai ser o modelo adop- tado em muito do que vão ser candidaturas no âmbito do desen- volvimento urbano e social na União Europeia. Mas, sobretudo, é esta ideia de que as comunidades devem ser sustentáveis do ponto de vista da sua gestão, naquilo que é a multidimensionali- dade dos problemas que integram. As questões da participação e as questões das infra-estruturas devem ser vistas localmente, fazendo convergir para elas todos os recursos disponíveis a ou- tros níveis.

A articulação do PETI com o Escolhas começou, como dia, por este “namorico” em 2001. Efectivamente nós crescemos quase ao mesmo tempo, o PETI faz dez anos, o Escolhas faz oito, por- tanto, há aqui quase que um nascimento simultâneo. Em 2001 o Escolhas e o PETI, na altura com dois E’s, começaram por criar experimentalmente três PIEF, no Bairro da Boavista em Lisboa, no Bairro de Vila d’Este, (embora se estiver cá alguém de Vila d’Este vai gostar de ouvir “bairro”, é urbanização de Vila d’Este),

e no Bairro do Balteiro em Vila Nova de Gaia. Foram experiências muito bem sucedidas, sobretudo porque para os nossos jovens o abandono escolar é normalmente a primeira etapa da exclusão social e quando nós conseguimos filiar os jovens ainda neste pe- ríodo de primeiras rupturas, normalmente, os resultados conse- guem ser muito mais efectivos.

Em 2004, o Programa Escolhas entra naquilo que ficou conhecido como a segunda geração e aí o PETI, entrando nesta lógica das comunidades sustentáveis e naquele modelo circular, assume- se como parceiro formal de diversas comunidades, participando com recursos e com contributos para dois projectos: em Viana do Castelo (Darque) e em Tomar. Informalmente, articulava com imensos outros projectos, embora não fosse parceiro formal. E esse foi, de facto, o concretizar deste namoro, pois a partir de 2006 o PETI passa a entrar na maioria dos projectos formalmente. O que consideramos, efectivamente, uma boa prática. Neste mo- mento, o PETI é parceiro em oito projectos do Escolhas, em Ar- mamar, Vieira do Minho, Guimarães, Gondomar, Amadora, Monte da Caparica, Laranjeiro e Loulé, portanto, estamos mesmo de norte a sul, e, efectivamente, nós pensamos que é por via desta articulação, desta integração de respostas, evitando, ao máximo, a duplicação de respostas, a sobreposição, que podemos sugerir melhor estes recursos e contribuir para uma inclusão mais plena. Os princípios que podemos identificar como os factores de su- cesso nesta relação, são: o princípio da subsidiariedade, aquilo que o Juiz Armando Leandro chama de localismo. Ou seja, é à es- cala mais pequena que nós conseguimos encontrar as melhores soluções. Depois o princípio da co-responsabilização efectiva, ou seja, há protocolos, há contratos, há compromissos e há depois rigor na execução desses compromissos. O outreach, que é um princípio muito importante para o Escolhas e para o PETI, o ir ter com. Não podemos ficar eternamente sentados nos nossos ga- binetes à espera que os jovens venham ter connosco, temos que ser pró-activos e temos que, efectivamente, ir aos espaços deles, nas horas deles, muitas vezes procurar a família naquilo que é o horário de disponibilidade da família. E depois os princípios da participação activa, da abordagem integrada e da sustentabili- dade.

Perdoem-me vender aqui a minha agenda, mas o programa Esco- lhas é também uma das respostas fundamentais nesta área, e só para vos dar uma perspectiva, nós trabalhamos em 121 locais do país, com 58.000 jovens, envolvendo 480 técnicos, em 71 conce- lhos, com cerca de 776 organizações locais e depois para mais informações têm ali um link com muita informação.

Muito obrigado.

Clara dimas, Moderadora: Vamos abrir o período de debate. Agra- decia que os colegas que colocassem questões se identificassem e que, em

caso de questão ou comentário, a diri- gissem aos nossos prelectores.

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Joaquina Cadete, Directora do PETI:

Muito obrigada. Em relação às três apre- sentações e juntando o que disseram os jovens, a Vanda e o Ruben - que são, para nós, a razão do nosso trabalho, começo pelo que disse o Pedro Calado: um dos grandes objectivos que temos tido é o de não duplicar recursos, nem esforços, por- que começámos a verificar que as sinali- zações que tínhamos, eram as mesmas feitas às CPCJ. Então, por que é que há- de estar a CPCJ a trabalhar para um lado, os Escolhas para o outro e o PETI ainda para o outro? O que é preciso é cruzar as listas e verificar qual dos programas é que pode, naquele caso particular, dar melhor resposta ou se os três, em conjunto, po- dem dar uma resposta articulada. Isto pa- receu-me perfeito na explicação do Pedro e é isso que procuramos fazer.

Em relação ao que tem sido o trabalho com a comunidade cigana, de norte a sul, a Maria José Casa-Nova está em Braga, onde nós temos um PIEF numa comu- nidade, mas o opúsculo mostra que os meninos da comunidade cigana não vêm de Marte, estão neste país, e que gostam muito da escola e se não estão lá mais é porque a culpa não é deles. Não digo de quem será mas, certamente, que eles têm muito gosto e não querem sair. Estou a lembrar-me de uma jovem de Braga que diz: «eu já disse ao meu pai que agora aju- do na feira mas depois não quero conti- nuar na feira porque aquilo que eu quero ser é esteticista». Isto é uma coisa que há uns anos, se calhar, ela teria dificuldade de verbalizar.

Assim como há rapazes. Sei que houve locais do país onde não deixaram que al- guns dos miúdos fizessem a exploração vocacional em centros, em jardins-de in- fância. Visitei e verifiquei pessoalmente, no norte, um caso em que estava um rapaz a fazer a sua experienciação vocacional, mesmo a parte da formação profissional, no jardim-de-infância, e que era conside- rado um elemento extraordinário que os miúdos andavam todos agarrados a ele porque realmente, tinha uma apetência particular para aquele trabalho.

Portanto, conseguimos provar que os es- tereótipos têm que ser alterados e temos de ser nós a alterá-los. Eles não se alteram de um dia para o outro, nem por decreto. E esta ideia da sustentabilidade, de que também falou o Pedro Calado, ou do loca- lismo como diz Armando Leandro, remete para um determinado território, quer seja TEIP ou não, que tem de encontrar as res- postas para os seus problemas. Porque se se está sempre à espera que venha algu- ma resposta de fora, de cima, ou do lado, então estamos mal porque, na realidade, passam os programas e nada fica. É como alguém hoje me dizia, um professor que passou pelo PIEF: «enquanto estive no PIEF trabalhei muito bem, no ensino regu- lar já não consigo». E a Maria do Céu Rol- dão, certamente, concorda comigo. Então, eu acho que falhámos. Porque, das duas uma, ou o PIEF também serve para que as pessoas peguem nessa experiência e a le- vem depois para o seu trabalho, ou se fica confinado só a esta experiência, é pouco. Nós queríamos que isto fosse, realmente, uma base para mudar o paradigma daqui- lo que é um trabalho que leva a alguma exclusão porque o que nós queremos é instalar o paradigma da inclusão.

Pedro Goulart, Investigador, Doutorando no Institute of Social Studies, em Haia:

Eu só tenho um pequeno ponto relativa- mente à velha questão da exploração. O meu problema com esta questão do combate à exploração do trabalho infantil é, exactamente, a questão do que é que é a exploração. E o Prof. Manuel Jacinto Sarmento deu um bocadinho a ideia da complexidade. Basta listarmos os diferen- tes tipos e actividade, como o importante trabalho que a OIT e os diferentes Estados têm tentado fazer, mas é muito complica- do. E ainda é mais complicado a imple- mentação.

O que tenho investigado é a ligação en- tre essa actividade e a escolaridade. E em Portugal o que se vê é que a maior par- te das actividades está associada a um menor sucesso no percurso educativo de cada criança, especialmente no caso de actividade económica. O efeito de traba- lhar deixa a criança aquém do percurso escolar que poderia ter tido. E, portanto, a actividade poderá não ser considerada exploração por não entrar na categoria definida como tal, mas é-o efectivamente, por a criança ficar aquém do que poderia ter feito. E é essa parte que seria interes- sante discutir.

Maria José Casa-Nova, Professora Au- xiliar no Departamento de Sociologia da Educação e Administração Educacional do IEP da Universidade do Minho e investiga- dora do Centro de Investigação em Educa- ção da mesma Universidade:

Como nós sabemos, as percepções aca- bam por ter repercussões bastante signi- ficativas do ponto de vista do quotidiano. E do ponto de vista das comunidades ciganas, quando elas dizem: «eu vejo jo- vens que estão desempregados e têm uma licenciatura, para que é que eu vou tirar uma?» De facto, nós sabemos que as percepções não são a realidade mas, com efeito, tem uma repercussão enorme do ponto de vista das práticas quotidianas porque são condicionadoras dessas mes- mas práticas.

Se o grau académico que possuímos não é suficiente, qual é a solução? Como diz o Rui Canário, é mais escolaridade, mais for- mação. Se com a licenciatura não se con- segue então é com o mestrado e depois com um doutoramento, etc.. Stephen Sto- er, um excelente sociólogo da educação que trabalhou durante décadas sobre a realidade portuguesa e que nos deixou há pouco tempo, referia, já na década de 80 do Século passado, que «as pessoas têm de adquirir um grau mais elevado de es- colaridade para conseguirem os mesmos níveis de recompensa social». Ou seja, a sociedade exige sempre cada vez mais

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formação, mais qualificação. Portanto, quanto menos qualificação se tiver, maior será o risco de exclusão social potencial. Mas aqui estávamos a falar no sentido de termos entrado naquilo que o Rui Canário chamou a era das «incertezas» do ponto de vista da escola e dos diplomas escola- res e do que estes diplomas podem pro- porcionar em termos do acesso ao merca- do de trabalho. E quando eu refiro que as percepções de cada um são importantes é no sentido em que essas percepções, não sendo a realidade, são fortemente orien- tadoras e condicionadoras de práticas. E se a percepção dos sujeitos-actores so- ciais for a de que um nível de qualificação mais elevado não vai significar melhores condições de vida, esta percepção vai ter repercussões na forma de perspectivar a educação escolar e na construção de tra- jectórias escolares prolongadas. Ou seja, as percepções de cada um de nós aca- bam por ter um efeito bastante acentuado do ponto de vista das práticas quotidianas, acabando por se tornar na realidade.

Juiz armando leandro, Presidente da CNPCJR:

Queria elogiar a mesa e fazer uma sentida homenagem ao PETI, na pessoa da Dr.ª Joaquina Cadete e todos os distintos co- laboradores.

Na minha experiência com as comissões de protecção tenho conseguido perceber bem a importância do PETI no país. A im- portância cultural e a importância da ac- ção. Da acção local e no desejo de articu- lação, aquilo que há pouco dizia a minha querida amiga Dr.ª Joaquina Cadete, a não duplicação de esforços. Também elogio o Escolhas, com quem tenho tido muito gos- to em colaborar.

A solução parece estar no localismo, na comunidade e nesta interligação e articu- lação de todos os projectos, numa cultura que é preciso radicar e temos de ter vá- rios parceiros, um deles é a comunicação social. A comissão está muito interessada num trabalho aberto à comunicação so- cial, percebendo as diversas lógicas, os