Historiador, professor universitário de Filosofia, História da Arte, História da Cultura, Economia Política, Ética, Antro- pologia, História do Cinema, Teoria Política e Psicanálise, com formação freudiana. Estas são apenas algumas das refe- rências de Antonius Jack Vargas Escobar.
Nascido no dia 22 de maio de 1946, na cidade de Extrema, município brasileiro do estado de Minas Gerais, com distân- cia de quatrocentos e noventa e dois quilômetros da capital mineira. O nome da cidade natal deste acadêmico refere-se à localização geográfica que possui maior a latitude de todo o estado de Minas Gerais.
Antonius Escobar, como tornou-se mais conhecido, cresceu sob os hábitos e costumes de vida interiorana da mencionada região. A natureza do local acrescentou muito à bagagem cul- tural daquele que sempre revelou curiosidade e preocupação com a educação e formação humanística. O sotaque da terra natal e o sonho de um Brasil mais justo e educado preser- varam-se nas expressões do homem, que ainda na infância manifestava interesse por História e Filosofia.
1. Mestre e especialista em Comunicação pela Faculdade Cásper Lí- bero e Doutorando pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).
6.1
ESCOBAR
No início dos anos cinquenta Antonius Escobar, aos seis anos de idade, transfere-se, com a família, para a cidade de São Paulo. Na capital paulis- tana desenvolve os estudos em escolas públicas, desde o primário. A partir do ingresso na área acadêmica, ele proporciona inúmeras contribuições para pesquisadores.
O bacharelado em Filosofia, pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, da Universidade de São Paulo, foi concluído em 1975. Entre os anos de 1994 e 1998 estudou Psicanalítica, na Formação Freudiana e tornou-se mes- tre em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Uni- versidade de São Paulo.
Esta foi a fase da dissertação de mestrado, a qual foi intitulada de Política e
Poder: reflexão sobre os Anos Vinte, e defendida em 26 de outubro de 1984. Na ban- ca examinadora os professores doutores Maria Sylvia de Carvalho Franco Moreira (orientadora), Francisco C. Weffort e Ricardo Terra. Em 1996 Escobar lança o livro
resultante da mencionada pesquisa, o qual será analisado logo em seguida, para esta seção, por Magali Moser.
A carreira como professor universitário destinou Antonius Escobar ao Con- gresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, INTERCOM. Nesta institui- ção, engajado à ideia da melhora do país, prosseguiu no ofício de transmitir conhecimento para a busca de um mundo pensante. Passou a seguir nesta mis- são ao lado de amigos como os professores José Salvador Faro e José Marques de Mello. Nos Congressos da INTERCOM foram inúmeras participações, in- cluindo a função como membro do Conselho Fiscal no biênio 1979/80.
As férias escolares, dos primeiros anos de aprendizado até a adolescência marcaram a vida de Escobar: “todos os anos eu viajava para Minas Gerais. E isso até fins dos anos cinquenta”. Foram momentos inesquecíveis para o então jovem estudioso: “a cada ano nestas viagens, tínhamos uma aventura diferente. Só para se ter uma ideia, todo trajeto de cento e trinta quilômetros demorava um dia para ser percorrido. Tomávamos o trem chamado de ‘maria-fumaça’ e seguíamos fazendo baldeação até pegar uma jardineira na maior farra”, recorda. Estes momentos de lazer de Escobar aconteciam na fazenda de um tio sob tare- fas, apesar do período de descanso: “além de buscar o gado para ser ordenhado, levávamos comida, feita por minha tia, para os “camaradas”, isto é os colonos que trabalhavam na roça”, relembra.
A educação de Antonius Escobar, a maneira como sempre tratou as pessoas e a brasilidade exposta por ele partem dessa herança de vida e criação, na lida com as coisas simples da vida rural vivenciada por ele: “à tardinha jogávamos bola com os filhos dos colonos e a noite nos reuníamos sentados para formar uma roda e contar “causos” de fantasmas e mulas sem cabeça. Na verdade, como
se fosse uma preparação para correr receosos de nosso mundo encantado em direção de casa e dormir. Até que um dia este mundo, desapareceu”, declara.
Na adolescência Antonius Escobar inicia a trajetória de formação universi- tária. Os estudos intensificam-se moldando delineando a vida do mineiro pes- quisador rumo às análises da sociedade: “Na verdade minhas preocupações e pesquisas atuais são uma tentativa de dar conta desses dois mundos nos quais vivi: um antigo que está ficando para traz, nos termos de Deleuze, sociedades disciplinares e outro que se avizinha, sociedades de controle. O que de algum modo reflete nas minhas pesquisas atuais”, afirma.
Todo trabalho intelectual de Escobar é produto de um itinerário desse ho- mem na convivência rural e urbana em equilíbrio. Ele estudou em escolas pú- blicas, mas sempre lecionou em faculdades particulares: “um ofício apaixonante para o qual dedico minha vida”, considera.
Este ofício de ensinar teve início com as aulas de história no antigo curso de Madureza. “Aliás, uma excelente escola de formação de professor ao lado da necessidade de instrumentalizar o aluno para uma prova a tentativa de torná-lo também alguém preparado para a vida”, defende Escobar.
O trabalho de ensino nesta época era conciliado por Escobar com os estudos de Filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universi- dade de São Paulo, concluído no ano de 1975.
Em 1977 Antonius Escobar viaja para Paris. Na capital francesa permanece durante um ano: “isso me possibilitou um contato mais próximo daquilo que estava sendo produzido no país”, conta. “Na volta decidi retomar a profissão que marcaria minha vida de educador, como professor universitário”, relata.
Entre as diversas disciplinas que Antonius Escobar lecionou constam: Filo- sofia, História da Arte, História da Cultura, Economia Política, Ética, Antro- pologia, História do Cinema e Teoria Política. Ele ministrou também as disci- plinas Introdução à Filosofia, História do Pensamento Político e das Doutrinas Sociais e Fundamentos Filosóficos da Moral, na Organização Educacional de Ribeirão Pires, Faculdade de Estudos Sociais.
Escobar atuou também como professor da disciplina História da Filosofia, na Fundação Vale Paraibana de Ensino; professor titular das disciplinas Histó- ria dos meios de comunicação, Filosofia e Política, do Instituto Metodista de Ensino Superior; lecionou Filosofia e Cultura contemporânea, nas Faculdades Integradas Bennett. Nesta mesma instituição foi coordenador do Curso de Pós- -graduação em História e Cultura Contemporânea. Na Universidade Estácio de Sá lecionou Filosofia, História da Comunicação, Ética, Realidade Socioeconô- mica e Política Brasileira. Ali, no curso de pós-graduação foi responsável pela matéria Comunicação Cinematográfica.
Na significativa carreira acadêmica do professor Antonius Escobar estão in- seridas outras importantes disciplinas sob a atuação dele como Teoria da Justiça, Evolução das Ideias Sociais, Introdução a métodos e técnicas científicas. E assim o trabalho em outras instituições de ensino, por onde este passou, em formações distintas como: Elementos de Filosofia: a quiromancia deleuziana, com atua- ções em renomadas universidades como Castelo Branco e Candido Mendes e Universidade Metodista de São Paulo.
Dos importantes eventos acadêmicos que tiveram a presença do professor Escobar estão registrados encontros memoráveis: Colóquio Foucault, na Univer-
sidade de São Paulo, USP, em 1985. Nesta ocasião Antonius Escobar apresenta o texto Genealogia e Política, posteriormente publicado. No VIII Encontro Nacional de Filosofia da ANPOF, em 1998, ele apresentou a palestra intitulada Deleuze: quiromancia e linhas, uma cartografia. Na UERJ, em setembro 2000, acentuando a carreira do acadêmico, ele profere a Palestra Revolucionária e mutante: utopias e atopias, feita no Colóquio Paradigmas ético-culturais de um mundo novo.
Desde o ano de 2011, o professor Antonius Escobar mantém o blog http:// rizoma-rizomas.blogspot.com.br. No referido espaço, texto de apoio para estu- dantes com foco nos seguintes temas: Ética, Direito, Filosofia e Sociologia.